quarta-feira, setembro 29, 2010

Coincidências




Chega de coincidências!

Eu quero uma vida

em


HIGH DEFINITION





segunda-feira, setembro 27, 2010

Voilà, Rhaissa Bittar



Ouvindo o cd "Voilá", de Raissa Bittar e gostando tanto, gostando muito, que é difícil dizer da canção que gosto mais. Digo que "Boneca de palha", "Chilique chique" e "Relógio" ressoam alegrias tropicalistas em mim. Ela canta manhosa-marota como se fosse uma menina, uma boneca-sapeca sensual. A voz dela de meninisse, de mulherzinha um tanto assanhadinha que nos quer lamber. Como disse, eu gostei demais; até da performance dela que vi no youtube no desfile da C&A, onde parecia que a passarela estava ali para ela dar o show.

Mudança de rumo


Então perdi o cartão quando decidi que era preciso uma mudança de rumo. Acordei tarde, e dormi quase toda a tarde. Na academia, a forma que quero alcançar. Lendo de novo literatura no ônibus meio na penumbra no ônibus que me traz para casa sob a chuva. O hometheater que comprei está funcionando muito ok. Minha mãe manda boas notícias de hospital. Recebi dois convites para ir à Bienal, o que me faz pensar que sou uma boa companhia. O sexo ontem, muita performance e pouco prazer. Aquele demônio chamado rancor me perturbando os dias. E a visita noturna do fantasma do pai, que vindo do fundo da casa anda tateando meus sonhos com uma gentil presença um tanto incomum. As mudanças de rumo dizem respeito a um escrito chamado "Antologia mínima". Voltei a escrever aqueles contos curtos que me deixam orgulhoso. Chegou por email uma canção-trilha do Inferno Feliz. Márcio me ligou com saudades da minha rabugice. E sem sombra de dúvidas estou mais vivo do que nunca. 

Criar o fascinante e o belo, eis uma das metas atuais, e envolve fotografia, amor e amigos. Estou indo atrás para fazer uns retratos com o propósito apenas de serem belos, como aquelas "polaroids" que escrevo a quem me encanta, e que descobri chamarem-se "perfis". E ouço essa cantora deliciosa de Voilà que merece um post à parte que farei à frente. 

Rize, David LeChapelle


Finalmente consegui baixar e assistir RIZE, vigoroso documentário de David LeChapelle sobre a dança Krump (aquela que mais parece uma luta, e está presente em vários dos últimos vídeos da Madona). Adoro dança, talvez por que não saiba dançar, e tenho fascínio por bons documentários com condução que fuja ao convencional. Este vale. E tem a mão do David Lechapelle, que é um dos fotógrafos mais impressionantes em atividade. 

LeChapelle

sábado, setembro 25, 2010

Cleyton na Luz

Na quarta, fui encontrar Cleyton no Museu da Língua Portuguesa, na sua passagem cadente em Sampa. Fizemos umas fotos incríveis na Luz, conversamos um tanto sobre tudo; e ficamos na pizza e na cerveja num ótimo restaurante árabe perto da Paulista.

Cleyton tem dimensões colossais, altíssima figura que porta, contudo, algo de passarinho esperto que pousou no alto da palmeira. Gosto do humor, da perspicácia dos seus escritos, da des-inocência que descortina o mundo com bom olho e ouvido. Num caderno ele anota insighs poéticos que viram contos. Enquanto bebe cerveja e fuma (ele fuma), remenda estrangeiro o sotaque sem elegância dos meninos paulistas. Ele quer ir para Casa do Sol ver a alma de Hilda Hilst na casa. Bruxa de "Osmo", ela deve vagar entre os quartos latindo cães imaginários, sem saber que ele costura para breve uma peça sobre o conto homônimo que traz xerocado na mochila. Ele diz que não, mas acho que ele tem vocação para ir para o mundo. Pelo menos não tem medo do desconhecido, nem de desconhecidos que viraram amigos a distância, seduzidos pelo que escreve e posta no personalíssimo Cleytudo. Ele é ator/publicitário, publicitário/ator, ele é Wally no Carnaval de Olinda, ele é Aquiles em carta que me recitou de cor enquanto subíamos rumo à Paulista. Não quer saber de teatro por cá, ele quer a cidade e seu caos nestes dias em que sol e chuva vão do anúncio à confirmação da Primavera. Ao me fotografar, em uns fotogramas podia dizer quando eu era realmente eu de fato, quando o personagem que criei para residir no Revide. Não sei nada disso. Mas percebi que eu era mais eu (na opinião dele) quando mais solto e sorridente. E lembrei aquele conto do Guimarães Rosa: "Se eu seria personagem de mim mesmo". Acontece que a imagem que temos de nós é sempre distinta do espectador. Então eu roubo-o em imagem e posto aqui, sem consentimento, para marcar o quanto foi bom vê-lo nesta passagem, quando luz e cor tentam ser, em vão, o que provisoriamente fomos em setembro de 2010.

Exercitando novos poderes


E essa mania minha de fotos. Essas são do super Cleyton Cabral amigo do Blog dos 30, e que eu já tinha conhecido em Recife.


quinta-feira, setembro 23, 2010

REvide/REvisão

Hoje não sinto tanta necessidade de escrever. Posto mais fotos. E ando meio que cansado de falar em primeira pessoa. Mesmo de pôr poemas, letras de música, tudo que sub-repticiamente me revelam. Acho que é o momento de dar um rumo novo para o Revide, que não era para ser e acabou essa coisa diarinho. 

Cessou a luz, e até me cansei de um bando de pessoas recentemente. Fiquei exigente de novo. Isso implica mudanças que planejo.

Já disse que as janelas da minha casa não dão para lugar nenhum? Que vivo uma vida sem paisagem? Que o sol  não chega à janela? Que demoro a saber a temperatura do dia? A sensação é de emparedamento consentido. Mas resisto, pois sobrevivo mesmo a muita coisa e não dá para sair correndo por aí sem rumo.

E a questão principal é que poderia ter REvidado e não REvidei. A opção pela dignidade (parcial) me deixou com aquele nó no peito. Talvez amanhã ache realmente que valeu a pena, porque hoje, para ser sincero, fica em mim esse amargo travo.

Nem dócil nem doce, sinto também essa gana de ferir e estou contido. E isso fervilha no estômago, e sinto azia, roo as unhas, tenho fúrias de coisa nenhuma. Uns dias a certeza de que  não ando bem. Aparte isso, sinto que é tempo de unidade. E tudo está dando certo nas mais diversas perspectivas. Mas não venci, estou vencendo. Breve, estarei bem. E agradeço a ajuda de você, você e você. 

Na segunda fui à casa da Cris; ontem, à academia; hoje, estive com Kleyton em Sampa. É duro pensar que amanhã terei 14 h de trabalho.

A torneira da cozinha está pingando. Amarrei um bargante, parece uma torneira com dor no siso, uma torneira com caxumba. Uma torneira doente.

Saiu esse conto novo, que é terrível, como todos os outros do INFERNO FELIZ. Reinventei o começo, e é esse: 

A menina em frente à porta, de vestido branco e cabelo preso em trança, não recendia a lírios, era pálida, pequena, magra. Todo seu olhar era para Carolina que ainda agora secava no avental a mão de desengordurar  panelas. Não dizia nada, a menina somente mirava a dona da casa com misericordioso riso de rancor. Aquela menina era sua filha morta.

O título é curto, grosso, cafuzu: "Demônio". Gosto dele.

terça-feira, setembro 21, 2010

Dos males que vem para bem






Tem jeito não, às vezes a gente só chega 
realmente ao bem, 
pelo exercício cruel da honestidade.  





segunda-feira, setembro 20, 2010

domingo, setembro 19, 2010

Céu da Independência







Olhando o céu no show da Céu. 

[Eles são os dos muito amados ex-alunos que logo viraram amigos e que vão pra vida: Aline, Natasha e César. Chegamos umas seis músicas antes do fim do show da Céu, que foi lindo. Mas eu confessei-lhes que já vi/ouvi Céu demais, que fui ali por causa da boa companhia. 

A manhã ainda livre, fomos direto pro museu do Ipiranga que estava ali ao lado e que eu não visito há uns dez anos. A sessão de fotos que não poderia faltar, a beleza e a promessa de dias sempre solares. Eu quero a alegria dos janeiros e das primaveras que breve virão, para todos os dias. ]

Água doce



Então me chamaram na sexta a noite, e eu fui na Água Doce, cachaçaria de Santo André com essas figuras extraordinárias. A surpresa (deles) de que eu sou tímido, pelo menos antes do terceiro copo de cerveja. Com  cachaça e kiwi eu começo a me soltar, mas eu sou um puro diante desses garotos e garotas que fazem a minha alegria nas aulas de quinta. 

quarta-feira, setembro 15, 2010

Paixão poética



Beijo no Drummond

CANTADA

Você é mais bonita que uma bola prateada
de papel de cigarro
Você é mais bonita que uma poça dágua
límpida
num lugar escondido
Você é mais bonita que uma zebra
que um filhote de onça
que um Boeing 707 em pleno ar
Você é mais bonita que um jardim florido
em frente ao mar em Ipanema
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
de noite
mais bonita que Ursula Andress
que o Palácio da Alvorada
mais bonita que a alvorada
que o mar azul-safira
da República Dominicana

Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana.


Ferreira Gullar

terça-feira, setembro 14, 2010

Volver

Voltei, voltar é bom. Preciso me organizar. Reconstruir uma nova rotina e pôr os trabalhos e atividades em ordem. Preciso preparar um ensaio novo com certa urgência para apresentar no Rio. Preciso é agora voltar ao braçal, aulas mais para compensar as diversas perdidas e dar um upgrade nas aulas que eu estou desgostando demais. E dar seguimento aos projetos mais pessoais.  

segunda-feira, setembro 13, 2010

Antes, durante, depois e logo mais






Um dia com os amigos atores de Ilhéus. Encenação Teodorico Majestade na Caixa Cultural do Rio dia 12.09.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Vermelho


Janete me fotografa como se eu fosse um super-heroi. E eu acho isso legal.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Voo

E quando eu acho que nada mais vai acontecer, acontece. Foi assim no dia que eu cheguei, quinze minutos para o avião partir, correndo feito louco de Mauá para o aeroporto, a ponto de botar o cinto e o avião sair voando. Cheguei, fiz aquela chamada, comi no Amarelino, a cara de frente para Biblioteca Nacional e para o Teatro, a praça com pombos. O clima falsamente frio, deliciosamente úmido, uns moradores de rua perambulando, gringos em algaravia, a comida que não foi boa, e aquele cafezinho que pedi e veio pra mesa com um minibule. Depois o telefonema, o metro. Ipanema. 16. E aquilo tudo que não se espera que aconteça e acontece, e a gente acha que já sabia todos os truques e nos desconsertam. Já disse num outro canto que "todos os caminhos me levam para o mar".

Deixo anotado essa queixa:

Eu queria que quem me quisesse, me quisesse mais.

E para não esquecer:

Sou mais feliz no Rio.

domingo, setembro 05, 2010

Por uma vida menos ordinária

Não, não quero uma vida banal. Eu quero realizar as coisas na medida do meu coração. Falando assim é brega, mas dizer "coração" é dizer que quero só o que me faz bem. As viagens para lugares que me deem gosto por conhecer. Encontrar amigos cuja amizade não só não se tenha esgotado, mas se amplie e renove; e que haja ali sempre o prazer pela companhia. Filme que ver por gosto, não para citar. Livros, uns poucos que valham tanto mais reler do que ler. Agora, um amor que não me traia (não fisicamente, pois não dou a mínima para isso), que não me traia no "amor", que é a única coisa que vale a pena. Eu não quero uma vida banal. Quero que tudo tenha significado, feito o avião de papel que o Pedrerico me deu hoje, com a promessa que eu desenhasse nele algo muito bonito (foi o que me disse).
O frio lá fora, as fotografias, os textos escritos no blog que vão ficando para trás, os alunos que vão passando, os que voltam, os que deixam recados bonitos para mim. A saúde melhorada. Os cursos que me ensinam coisas que se integram ao meu ser e que desnorteiam minhas certezas. O esforço na academia para moldar o corpo  a imagem e semelhança interior. Eu não quero uma vida banal, embora a vida pareça assim, no distante espaço onde estou. Mas de repente me liguei que não é a geografia, pois não adianta mudança se você leva com você a mediocridade daquele que você é. Olho para trás indo adiante (eu faço muito isso, não sou daqueles que vivem com leveza o tempo presente, eu ando com as bagagens nas costas, todo esse peso é o que sou). Eu sou dos que se arrependem enormemente das coisas QUE FEZ, tanto quanto daquelas que deveria ter feito. Ando meio com saudade de Deus. Não tenho nenhum medo quando o avião sobe para o céu. Não há um lugar hoje onde me sinta realmente desconfortável. O tempo anda fazendo eu sentir que me pertenço. Não abdico ao gosto de somar epifanias a orgasmos. Ainda assim sou triste. Ser triste é a minha condição existencial.
Tenho enorme prazer pela Arte pois gosto da inquietação que elas refletem, elas são continuidade daqueles que a geraram, e seguem existindo para depois deles. Sei que ajudei alguns a acharem uma direção, a darem o primeiro passo numa carreira, apresentei-lhes um poema, uma imagem, uma canção. Os gestos simples que ecoaram, eu só descubro depois e me orgulho, sim, da  minha participação. É que eu tenho o horror da efemeridade, eu quero o perene, eu quero também transmutar esse meu eu em algo que viva além de mim. Uns fazem filhos. Eu quero fazer o belo. Quero que minha vida ecoe e faça sentido na vida das pessoas que me circulam. Sou ambicioso. Eu não quero uma vida banal.

sábado, setembro 04, 2010

s.o.s.

Entrevista FSA.
Aulas Mauá e Santo André.

só.

Jackson's wedding





[Jackson e Laís. Um belíssimo casamento. Para ficar num só adjetivo.]
[Santo André e Mauá, 3 de setembro de 2010.]

sexta-feira, setembro 03, 2010

Shelter - O abrigo



[Toda a primeira parte do filme hitchcokiana, e a impressão é de que estamos diante de uma obra-prima do suspense. Julianne Moore diante de Rhys Meyers, no papel de psicóloga e paciente com múltiplas personalidades, excelentes como sempre são. De repente um desvio, a trama se torna outra, fantasmal; e a ênfase no enredo empobrece a forma, a condução que era acima da média decai e fica um filme, não ruim, apenas menor. No fim, pouca novidade em seu final terrível, que não deixa de arrepiar, como convém a um bom filme de terror. E como está acima da média de muita coisa que se produz por aí, recomendo.].

quarta-feira, setembro 01, 2010

Buraco


A entrada do túnel?
Um poço sem fundo?
Um buraco negro?
A lua em eclipse?
Apenas um ponto obscuro?
Circunferência sem sentido?

A ampliada a ponta do fim?
Em seu negro, a esperança feliz de um ponto-final?


[Gostei da idéia, mas na realização fracassa, pois não consegue ir além de um bom ponto de partida. E me entediou aqueles longos passeios que não levam a nada. A alma vendida, banalizada, abdicada por algo fútil, não-transcendente. Crítica de um filme que não vai também além. Melhor ficar com Charlie Kaufman original e não seus simulacros.]

Fernando Pessoa: uma exposição-twitter


O crescente domínio da internet, ainda em seus primórdios, já mostra radicais modificações na percepção do homem contemporâneo. A exposição montada no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, de um poeta-ícone da língua, explicita essa mudança, pela inteligente tradução/transposição que faz da literatura para outras artes. 

Adoro as exposições do MLP, talvez pela engenhosidade de se apropriam de algo imaterial (a língua) e traduzem de mil formas diferentes, explorando diversas artes e recursos multimídias e interativos. Primeiro, que toda exposição é uma instalação, é um cenário penetrável. Experimentamos - expectadores - a imersão numa obra que pretende sintetizar o artista. Interessante pensar como a poesia de Fernando Pessoa se mostra pulverizada na mostra, com versos precisos à maneira de uma postagem no twitter, para fisgar essa sensibilidade não-leitora, mas capaz de rápidas associações e ávida por multiplicidade de meios e interação. Desenhos, projeções de poemas, audios, maquetes, vídeos conceituais, livros virtuais, cenários que apostam na multiplicação (em espelho), disposição de livros para consulta (em múltiplos idiomas), informações históricas sobre o poeta, painéis gigantescos, pequenas instalações sintetizando poemas, grafismos vários, material histórico sintetizado, legendas explicativas, iluminação e jogos de luz diferenciados, prateleiras com primeiras edições de livros e revistas do modernismo-português, e objetos do poeta, fotos de acervo de acervo da família/colecionador, manuscritos. Tudo isso enriquecido pela liberdade para repousar e folhear publicações diversas do poeta, bem como a liberação para fotografar e levar a exposição um tanto com eles.


Além de perspicaz, a exposição é bela, propicia uma experiência maravilhosa de imersão poética, já que torna mais vivo e interessante o poeta. Ela estimula, sem ênfase que poderia ser excludente, na opção de textos extensos, formais, e longamente explicativos, o desejo de conhecer o poeta para melhor entender o que ali se vê. Gosto de pensá-la como uma amorosa aproximação/apresentação do poeta, para mim, para todos. 


Ária, Djavan



Ah, ele estava devendo um grande disco depois de cds encadeando músicas chatas com letras ruins. E agora vem esse, como intérprete, cantando lindamente. Não é "Malásia", mas abre os horizontes na esperança de uma reorientação nas letras e canções de seus trabalhos autorais.