terça-feira, junho 29, 2010

A chegada

E de repente, por tudo que acontece, me parece uma preparação para partida.

sábado, junho 26, 2010

Diarinho de viagem


Cheguei no Rio na quarta, pela manha, e de repente o enorme sol de um dia bonito, e assim tem sido. Um tal Rodrigo, de esbarrao. Desencontros varios, acabei no Ibis no Centro da cidade, depois vim para ca, casa das amigas. Depois desses dois dias em que era eu e a cidade, a boa companhia das amigas e dos amigos das amigas. Essa forma deliciosa de pronunciar s e r do portugues. Uma grande apresentacao de trabalho na UFRJ, Rosangela nao pode ir, mas Helo estava aquele radiante sol. E agora essas longas viagens na Lapa, Gloria, Praia Vermelha, Copacabana. Vendo o Brasil existir nas ruas daqui, onde todos insultam aparelhos de teve. Adoro peixe frito com qualquer cerveja. E meu voo cancelado na ultima hora, entao deixo para voltar na segunda a noite. E assim vai.



terça-feira, junho 22, 2010

segunda-feira, junho 21, 2010

Brasil 3 X 1

Jogo do Brasil. Pipoca com Dom. Casa da irmã. Mãe, Pek, Pat, Lucas, Nick, Marcos. Descoberta da exclusão. Celulares que não atendem. Janete. Mensagens para ninguém. Escrita daquele texto bom "Chorar o morto". Preparação para viagem.





domingo, junho 20, 2010

Toy Story 3


[Sabe sair do cinema feliz depois de assistir uma animação de uma extrema e inesperada melancolia? Da animação inicial ("Noite & Dia"), até o último frame do filme, a constatação de estar assistindo a obras-primas.]




[Saí do trabalho, jantei, decidir ver o desenho da Pixar por que não há desenho da Pixar ruim. Esbarro no meu sobrinho Lucas na entrada do cinema, que comprou por acaso ingresso para mesma sessão, e que está lá com os amigos do Ninjitsu para ver o filme. Então, vimos juntos, e foi bom]. 

O ano da morte de José Saramago


E de repente, penso nele entrando triunfal no Inferno, encarando o grande demônio de chifres recurvos e tratando-o pelo nome de Deus. Penso no horror maravilhado de um descrente cheio de fé nesse fogo eterno onde já não faz mais sentido as ideologias naufragadas, a mais-valia, o proletariado. Penso-o, humanamente reduzido a uma eterna velhice, sem Pilar, que foi seu amor derradeiro, correspondido; entendendo (como sempre entendeu) que o Paraíso é esse: a vida na terra, e que o esquecimento, este sim, é o enorme vazio sem Deus, sem criação, sem o olhar dos homens.




















[Então, na sala de aula fico sabendo que José Saramago morreu. Eu, que amava seus romances. Eu, que praticamente só gosto de contos. Eu, que acho Ensaio sobre a cegueira, O evangelho segundo Jesus Cristo, Jangada de Pedra e A história do cerco de Lisboa, dos melhores romances que existem. Eu que escrevi aquele longo ensaio sobre o conto "Cadeira", "Ensaio de uma queda", que é o único do qual me orgulho por inteiro. Só agora eu posso ficar comovido e triste com sua morte. Eu já careço dos seus bons livros (havia também os muito ruins) pois me fascina a sua prosa bonita, de ir jogando com a palavra, com a construção do texto, com o sentido primeiro do que se diz e da forma de dizer; prosa que me encanta, inspira, influencia]. 

sexta-feira, junho 18, 2010

Fé na festa

Ouvindo.
Link.

37

Calça 42 folgada e aquele gosto por academia;
A promessa de um quadro de presente;
A espera de que o mar suba domingo até aqui;
A mala verde que comprei na Paulista, para ir ao Rio;
Aquele chinelo crocks que estreei na sala de aula para fazer rir os alunos nesta quinta;
O lanche rápido com o amigo professor;
A compulsiva leitura de jornais;
As boas conversas com o Marcos que sempre me deixa usar seu notebook;
O melhor croissant quatro-queijos do mundo, no final da Oliveira Lima;
O desgosto que me deu a leitura do último livro do Dalton Trevisan (tão tão tão ruim);
Os diálogos que vão de madrugada pelo msn;
O final das temporadas assistidas do House, Nurse Jackie, Desperate housewives, Lost;
Uma quantidade avassaladora de filmes a que assisti nos dias de febre, e não botei aqui;
O macarrão com molho que fiz para comemorar o aniversário do Dom, meu amigo;
A visita incendiária do Pedrerico e da mãe (cada vez mais velhinha) no dia do jogo;
O reencontro de Sarolta no Facebook;
A jaqueta bacana, que eu uso e me faz sentir bonito;
Os fones de ouvidos novos
O acordo de produção fechado;
As fotos que farei da barriga de Paula;
A matrícula naquele curso que vai ser de cair o queixo;
O apartamento bárbaro para locação ao lado do Sesc-Consolação;
Um trabalho hiper-profissional com orçamento grande para o fim deste ano;

Essa casa cheia de solidão há cinco ou seis dias

E aquela sensação de que estive hibernando.



quarta-feira, junho 16, 2010

Pausa







Dia de completo e absoluto recolhimento.










"Melancolia"

Por quê?
a geometria não exclui a melancolia.
Quero o triunfo da linha reta,
garantia de um ponto fixo.
Continuarei meu caminho como?
Como um Édipo errante.
Quero algo certo.
ou a certeza de que no mundo,
nada é certo.
Paralizo-me.
E não é sono, preguiça,
É pensamento, perplexidade.
Incoerência da vida.
Tudo: quantidade e volume.
A esfera me faz sofrer.


Sueli Aduan


[Ela me mandou por comment, eu achei bonito e quis colocar a ilustração/inspiração de Dürer para o poema. Ela tem um blog bonito, que recomendo: Ofício de escrever. Posto também para agradecer o privilégio de ter aqui, a me ler, admiráveis pessoas.]

terça-feira, junho 15, 2010

Vinho e Queijo e luxuosas presenças





E eu aqui, nada chique, com meu queijo na mão.


[Então houve esse encontro na casa da minha grande amiga Tininha, com os melhores queijos do mundo e os vinhos mais deliciosos. Queridas pessoas muitas, e de repente era festa. Foundie que desandou e umas pessoas que passaram do ponto, mas o baco-apolo que há em mim transforma tudo em bom teatro, faz algum drama mas sempre sabe rir de si e do tosco das gentes. Não é por essas e outras que a vida é mais?]

segunda-feira, junho 14, 2010

Da melancolia

Tem jeito não: esse nó no peito que bate e volta tempos e tempos e que não é o coração, o peito, disfunção generalizada dos órgãos.  Isso, sou eu. Hoje, por exemplo, dormi a tarde toda e acordei assim, nesse estado. E tudo poderia ser diferente. "Mas acontece que eu sou triste."

sábado, junho 12, 2010

Da mania de fotografar



Vejo aqui as fotos. Há fotos demais. Reflexo de certo narcisismo certamente, e uma boa dose de prazer. São cuidadas para serem bonitas, mas não são artísticas. Falta-me a técnica, ainda mais, falta em mim o gosto pela técnica. São registros, fotodocumentam o evento pessoal, não se prestam a jornais, são assim como memórias do prosaico da vida, não querem aspirar a nenhum momento de grandeza. Minhas fotos não transcendem. Transcender --  ah! e eu lembro do Cartier-Bresson  -- está no momento único que técnica, sensibilidade, e alguma coisa que é Deus se conectam.

E pensando bem, as melhores não são as espontâneas, são as que dirijo, aquelas nas auais coreografo as pessoas em ação e elas, constrangidas ou entregues ao momento do clique, se deixam captar. É por isso que gosto de fotografar pessoas, amigos, parentes, amores. Constato que as pessoas amadas ficam mais bonitas nas fotos, eu mostrando sem querer o olho de afeto com que as vejo, olhar que vai de graus de ternura a desejo. Eu quero iluminar aquele brilho essencial da pessoa.

Mas não são as fotos em si que me interessam. São os momentos das fotos que quero chapar. Que ela capte a energia do instante, a dinâmica daquele momento quando eu quero que se estampe no rosto, na expressão, nos olhos dos fotografados, a vida. Que elas estejam o mais perto do que são (não de fato), mas para mim. Eu quero a "verdade" subjetivada; o filtro é esse meu "eu" tão narciso. No final, eu me orgulho dessas fotos. Do ser captado em pixel. Trago para casa, descarrego no computador, clareio, mudo as cores, interfiro no enquadramento, ponho aqui e ali uma outra luz. Interferir é ferir? Aferir outro significado? 

Quero-os belos como no meu pensamento. Quero-os o meu pensamento. Quero-os a minha memória que se vai minguando, e eu não quero que ela nunca me desampare. Fotografar é fazer um pouco mais essas pessoas minhas, pois cada foto devolvida (e apreciada) é um presente que lhes dou, sendo eu mesmo, o recebedor daquela presente entrega. O tempo que elas estiveram comigo. Que foram minhas. Quero-os todos, egoísticamente, sempre meus. Aprisioná-los é minha forma estranha de amor. Quero-os como minhas pequenas biografias de gentes. Eu que tiro de todos algo, quero-os sempre, para sempre, mais meus?