sexta-feira, abril 30, 2010

Jaguardarte Jabberwocky

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!"

Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvora Tamtam êle afinal
Parou, um dia, sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, ôlho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta, e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

"Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!"
Êle se ria jubileu.

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

Haroldo de Campos
1971.



Jabberwocky

'Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe;
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.

"Beware the Jabberwock, my son!
The jaws that bite, the claws that catch!
Beware the Jubjub bird, and shun
The frumious Bandersnatch!"

He took his vorpal sword in hand:
Long time the manxome foe he sought--
So rested he by the Tumtum tree,
And stood awhile in thought.

And, as in uffish thought he stood,
The Jabberwock, with eyes of flame,
Came whiffling through the tulgey wood,
And burbled as it came!

One two! One two! And through and through
The vorpal blade went snicker-snack!
He left it dead, and with its head
He went galumphing back.

"And hast thou slain the Jabberwock?
Come to my arms, my beamish boy!
O frabjous day! Callooh! Callay!"
He chortled in his joy.

'Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe;
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.

Lewis Carroll (Charles Lutwidge Dodgson)

in Alice através do espelho.


[Eu tinha certeza que tinha publicado este poema aqui no Revide. Usei o buscador e não está. É estranho, pois durante anos ele frequentou as minhas aulas de literatura. A decodificação desse poema com as crianças e adolescentes era um prazer imenso. Nele está aquela famosa tragetória do herói de Jung que o Joseph Campbell roubou para salvação/e queda do cinema americano. A estrutura fechada: chamado da aventura,  entrada na floresta, encontro com o conselheiro, enfrentamento da fera, vitória do herói, superação e eterno retorno quase síntese a própria épica. É a experiência da descida que gera a Alice corajosa do desfecho. É meio tolo e esperto, simultaneamente. Então quando assisti ao Alice de Burton, fiquei surpreso de saber que ele usou-o como espinha dorsal para sustentar sua versão do livro de Lewis Carroll. Acho sua Alice no país das maravilhas uma das mais belas versões, embora tenha traído (e eu agradeço) o aleatório da trama de Carroll - já que nela, a graça está fundada na linguagem do que na trama. Não gosto da Alice-donzela-guerreira, mas entendo o acerto de Burton onde veem o erro, pois o diretor não pode trair o seu próprio estilo, e nele, embora pareça desconfortável, fez gritar hiperbolicamente seus gostos. Ainda estou engendrando dissertar mais sobre o Alice, mas por enquanto é isso].


[Aqui, varias versões do poema].

Ana Maria (da série Gentes)


ANA MARIA 


Ana não é uma pessoa. Ana é um palíndromo. Ela vai e volta, dentro e fora de seu eixo. Ela sempre se faz e refaz, entregue ao gosto, à paixão. Ana se lança com dor e fúria movida a cada momento por um mistério que também é Ana. Seu tempo não é linear, ela vive ciclos. Renova-se segundo Paixões. Artes, livros, peças, profissão, amores, algumas amizades. Mas cada paixão muda algo em Ana. Ela mimetiza, assimila, recompõe. Ana antropófaga: devoradora contumaz, Maria por provocação, mas toda vocação de atriz. Ana só não se trai porque o que faz Ana ser Ana, é o N de seu centro, o salto de si para si. Ação de alguém que não teme o risco de por saber-se muitas, ser essencialmente ela mesma.

Saúde

E hoje eu acordei melhor. Fui trabalhar. As aulas foram ótimas, pois os alunos são incríveis e amorosos sempre. Almocei bem. O Marcos do Henfil levou lá o note para eu conversar na net. Conversei com a câmera, parecia recortado e colado no fundo brando. A lembrança de um tempo anterior que eu estava doente e amparado, fez de repente, da nostalgia algo feliz. Talvez esse seja o destino afinal, pois eu não sei mais a direção. Sei que de repente o mundo diz que eu ando magro demais. E foram porquês, crases, pronomes em verbos aula após aula. O dia foi-se. Eu me apaixonando de novo. Cheguei meio aos pedaços a noite em casa. Encontrei a irmã, Doni. Uma comida ótima pronta. Elaine, toda felicidade, e gato, e Rogério chegou gritando músculos de academia. Mãe me liga bem. Eu digo eu te amo. Todos conversamos. Rimos. O irmão saiu para dar beijo na boca, pois está se achando o homem mais lindo do mundo.


A doença parece que passou faz séculos.


Respondi emails. As bonitas mensagens no Orkut. Achei a solução para aquele conto difícil, mas ainda não escrevi, está aqui na mente o segmento. Uma mensagem do Djalma no cel. O Djalma está entre as pessoas que mais gosto neste mundo. Aquele torpedo perdido do Fabiano, do Guarujá, dizendo bem do meu canto à Janete. E receber elogio no Vivo deixa a gente lesado para o dia. Ontem mesmo li a resenha bonita que escreveu para Clarice, Vou roubar aquele quadro dele na primeira oportunidade! Ele tá brincando! E tem mais aquela pendência de dias e dias: não atinei ainda a decisão de pôr aqui aquela foto. Mas farei, cedo ou tarde, para pontuar consideração e afeto. 

Minha irmã chegou aqui em casa. Para ela, para mim e para o irmãozinho brilham estrelas. As músicas novas do mp3 estão apontando outra direção. Cris disse que iria me dar alta se eu não ligasse mais e fosse para o outro caminho não castigado, sem registro, e que tudo é começo, e não é tortuoso. Lembro que tenho que fazer a resenha de Alice. Que tenho que declarar imposto. Receber Janete amanhã. Fazer Almodóvar com mãos de cuidado (mas pra ver esses filmes com quem? e meu coração canalha esfria) estou pensando. Eu penso sempre. A irmã está quase caindo no sono, tomou banho, deitou lá no quarto. Ela está a pessoa mais feliz do mundo com seu notebook conectado em 3g. Toda boba. Veio para visita, para verificar se estou bem. Partirá manhanzinha no seu carro para o trabalho. A irmã é mais que a alma boa de Setsuan. Eu também trabalho amanhã. Vai ser bom ler aquele conto do Marcelino Freire. Tudo está melhor. As amígdalas que são radares do meu epiléptico estado emocional. E estou animado para fazer mais do que tenho feito. Tomei de novo PENICILINA, e não morri. Deixei de teimar a sua alergia?

Tudo isso é justamente que faz tudo melhor. Essa entrada macia na normalidade. 

quarta-feira, abril 28, 2010

CERÂMICA


Os cacos da vida, colados, formam uma estranha xícara.
Sem uso,
ela nos espia do aparador.
Carlos Drummond de Andrade
 [In José & Outros.José Olympio, 1967]







De domingo para cá

Febre para matar com dipirona
Posto de saúde
mil complexos na veia
Bezetacil
Umas 300 gostas de dipirona depois
(aula pela manhã caindo aos pedaços)
Febre intermitente
Banhos para não convulsionar
Visita ao médico,
Exames
Amoxicilina
Nistatina
Ácido ascórbico
Paracetemol
3 dias de uma dor de cabeça interminável
Vez ou outra, entro, olho aqui
Inapetência
Enjoos, muitos.
Força nenhuma para qualquer coisa
Boca que racha
Gargarejo com vinagre e sal
Leve redução febre
Garganta sem melhora.
Super crise noturna de pânico
Taquicardia, insônia, alucinação
(efeito dos vários remédios?)

E ainda querendo melhorar
para manhã.

[Não, 2010 não esta sendo nada fácil!]

segunda-feira, abril 26, 2010

Febre

Dia de febre

rezando para amanhã

acordar bem.



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A alma boa de Setsuan


[Ontem, com febre e tudo, fui com irmãs e amigos assistir no TUCA, A alma boa de Setsuan. Tudo com direito a foto com Denise Fraga (gentilíssima) e direito a encontro na casa da irmãzinha para falar de tarot e astrologia].

domingo, abril 25, 2010

JANETE


Janete é a mulher mais mulher que eu conheço. Tudo nela grita o feminino, berra em excesso, afetos e afetações, lágrimas-rios, entregas totais, desconcertantes ciúmes, perdões colossais repousando ressentimentos indissolúveis. Ela é carioca, mas poderia ser aquela mulher Gabriela subindo o telhado de Jorge Amado. Ela é aquela eficiência profissional, a lei como um dogma. Ela que assiste à muita gente na dor, e é cheia de dedos para afetos familiares. E por que ela é tão tremendamente mulher, anda com dificuldade de achar aquela metade super-homem. E ela quer a felicidade das domésticas, das lavadeiras, da mãe em zanga nos engarrafamentos. Mas como conciliar a exuberância extasiante de ser Janete, paixões que fulminam e subúrbio? Ela quer o impossível? Quer as roupas quaradas no varal do peito, os claros lençóis da ternura agitados, os braços do eleito entrelaçando a cintura na proteção que ela aparenta não precisar? 

Janete ainda não é isso. Para mim, Janete é um sol, a garantia da dispersão de nuvens. O grande sorriso aberto em gargalhadas: ela é a hipérbole da alegria. Três minutos: amiga de infância para vida toda. Ela manda declarações de amor em irresistíveis torpedos. Janete anda militar e entristeceu um pouco. Mas é aquela nuvem, o sol está lá, acima da neblina. Como está sempre São Paulo que ela adora. Todos os congressos, eventos culturais, santas-efigênias. Dos perfumes, sapatos, bolsas. Ela seria facilmente aquelas personagens de Sex and city. Tão tão tão mulher que é. O feminino em pessoa. O feminino gigante que só pode sentir o impacto e devolver ao mundo todo sentimento. Ela merece uma canção de Chico Buarque. Ela merece mesmo, é um Chico Buarque todo, completo e inteiramente seu.

Ontem, com Janete

Eu tenho uma reação contraditória quando entro na internet e você não está. Eu fico triste por você não estar, e feliz porque sei que está na vida. 





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O programado para noite não deu certo.

Saí. 
Meio entregue ao acaso.
Muito entregue ao acaso.
Ao acaso.

o acaso é essa luz que de repente, quando está tudo muito escuro se faz. 

Celeste, no sobrenome. Achei bonito.


ESTRELAS, no pano negro da noite.

sábado, abril 24, 2010

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Hoje, em rota de 


colisão com um meteoro. 
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Mas, 
amanhã:

A alma boa de Setsuan

Impressão

Uma impressora nova para fazer os escritos se tornarem coisas concretas.

sexta-feira, abril 23, 2010

MARGARIDA


Fui procurar o tipo de flor que se chama margarida, para escrever sobre minha amada amiga. E descubro, estarrecido, que margarida não é uma flor. Margarida pertence à família dos girassóis, dos crisântemos, o imenso grupo Asteraceae. Espécies vegetais unidas num único e coletivo ser. Olhe com atenção seu centro amarelo: são várias flores reunidas, circulada por uma maior, de pétalas brancas: toda desejo de polinização. Margarida é atração de insetos; orgia da natureza que quer espalhar-se em branco/amarelo-alaranjado contra a monotonia desse verde mundo de matas. Então percebo que é isso Margarida, a pessoa. Nós nunca olhamos Margarida direito. Ela se deixa ser no mundo, com sincera humildade, sem gritar presença. Nenhum narcisismo no seu ser. E no entanto, tudo nela evoca alegria, nos apascenta num mundo de temores constantes. Ela não só é plural: ela não quer nunca estar sozinha. Seu prazer está em se fazer coletiva criatura, sempre cercada de amigos que borboloteiam sua inflorescência. E para isso, não há distância para Margarida: ela quer ir ao mundo. Assim, quando menos esperamos, damos com ela em shows, peças, saraus, encontros: onde haja gente. Pois não resiste a espraiar a amizade que congraça. Margarida congrega (ela gosta de unir, colar amizades na amizade). Ela não quer se bastar. Ela enfeita caminhos com discrição; e sem que saiba, sua presença torna, sim, o mundo, o nosso jardim de primavera. Tudo por que Margarida não usa a máscara da pessoa, expõe com leveza as sua pétalas. Gosto demais dessa amiga de irresistível e imediata simpatia que conheci pela mão de Cilene, e que me a/colheu no ato como seu amigo. Margarida, como já disse há muito tempo, pertence também à qualidade das pessoas que não existem. Pois Margarida não é mera pessoa. Margarida é o ramalhete maior de amores. “Ela” são flores. 

Do baú


Um dia de sol, em Santos.

A gente não sabe o lugar certo de colocar o desejo



PRIMEIRO PECADO


Todo dia, toda noite
Toda hora, toda madrugada
Momento e manhã
Todo mundo, todos os segundos do minuto
Vivem a eternidade da maçã
Tempo da serpente nossa irmã
Sonho de ter uma vida sã


Quando a gente volta
O rosto para o céu
E diz olhos nos olhos da imensidão:
Eu não sou cachorro não!
A gente não sabe o lugar certo
De colocar o desejo


Todo beijo, todo medo
Todo corpo em movimento
Está cheio de inferno e céu
Todo santo, todo canto
Todo pranto, todo manto
Está cheio de inferno e céu
O que fazer com o que DEUS nos deu?
O que foi que nos aconteceu?


Quando a gente volta
O rosto para o céu
E diz olhos nos olhos da imensidão:
Eu não sou cachorro não!
A gente não sabe o lugar certo
De colocar o desejo


Todo homem, todo lobisomem
Sabe a imensidão da fome
Que tem de viver
Todo homem sabe que essa fome
É mesmo grande
Até maior que o medo de morrer
Mas a gente nunca sabe mesmo
Que que quer uma mulher.

[Pensando muito nesse projeto de "Literatura e Corpo" e por contiguidade, no desejo. Então veio à cabeça essa música do Caetano. Vieram outras também: "Tatuagem" e "À flor da pele" do Chico; "Índigo Blue", e outras bantante carnais. DE "Primeiro Pecado", eu adoro o ritmo estranho, versos sublimes com quebras vulgares/triviais (eu não sou cachorro não!). Lembrei que foi trilha daquele "A dama da lotação", ponochanchada rodriguiana (que o adorou). Filme onde uma Sônia Braga linda e inconsequente tira a calcinha/tanguinha embaixo de uma árvore. Eu gosto demais dessa cena, tão tão tão simples e insolitamente vulgar. E eu concordo: "A gente não sabe o lugar certo de colocar o desejo".]

Relação, relações

Hoje, aulas e mais aulas.
Cheguei horrivelmente atrasado, atrasado sempre, como posso!
Em São Bernardo do Campo fui ver Di, Gabi, Vânia, Joel, Éder.
Mensagens perdidas no celular.
Todos os dias eu falo aqui com Cris e Janete.
[A gente combinou um porre homérico em casa,
para matar todo espírito-de-porco que nos aflige a alma.
Ela trará saquê, e eu quero a caipirosca de kiwi
para me destruir fígado e enxaguar o coração]
Quem anda ligando para mim?
Mas o principal é: quem não.
[Toda vitória sua é felicidade também]
Pensando naquele trabalho do Corpo.
Esperando notícias boas.
Lendo aquele "Pilades e Orestes" para palpitar na peça
E não é que aborreci sem saber como o menino?!
Fechando acordo do documentário
Pensando roteiros para o João.
O novo disco de Tereza Cristina.
Pilhas novas para as mesmas velhas músicas rolando a trilha da vida no mp3.

Querendo demais do tempo, sempre.
E não chegam claras as respostas.
[Mas cada fala sua deixa meu coração mais tranquilo.]
E os ingressos comprados para essa semana.
Ainda dá tempo de ser triste.


Agora
18kg a menos.

Grandes expectativas.

E incrivelmente, hoje, dois novos contos.

quinta-feira, abril 22, 2010

Elaine (da minha série Gentes)


ELAINE


Prirmã: Ela veio menina morar em casa. Era brejeira, arisca, tinha aquele sotaque forte, de T soando o t-I-a entre os dentes. Ela era já o grande amor que faltava, a irmã por eleição. De toda parentela-prima (confessarei) sempre, a minha preferida. Ela trouxe os vestidos floridos, a corda de pular, o talento para cozinha, o gosto pelas Janis, Hendrix, Doors; por Raul, Elis, uns baianos. Teve seu modo hippie de ser (a saia verde, rodada de gase). Estranha hippie sem subversão. E compartilhamos amigos que o tempo levou. Eu sempre achei que deveria defendê-la, mas ela soube ser dura e dona de si na hora exata. Mas vai ser sempre uma menina, com uma mulher-interior enorme. A fragilidade oculta da força, a tolerância fingindo paciência; e a represada cólica de um mundo que não é como deseja. Seu meigo é duríssimo. Mas ela tem mão de cuidar, e afeto para as crianças, para os bichos, para os doentes, para seus amores. Ela, ninguém sabe, sabe ser maior que todos nós, tolerando-nos como crianças mimadas. E também por isso eu tenho esse amor por ela.

Tininha (da minha série Gentes)


 TININHA


Há algo nela (ela não sabe) que é puro amor. Amor cristão que é entrega, dor e um tanto de com/paixão. Tininha dá-se, entrega-se em grandes sacrifícios, e nesse dar, por vezes ela perde-se de si. Ela evoca, chama, reúne, consagra, congrega: seu jogo é coletivo, de mãos dadas, giro em círculos, toda canto popular e divina força sagrada. Ela é samba-exaltação, festiva alegria de quem aspira (por retribuição) ao melhor da vida. Porque dando afeto, ela o deseja; porque dando abrigo, ela almeja-o; porque há no seu ser mãe, essa irrepresável vontade de ser mais filha. Ela é constância, cuidado, abrigo. Ela é toda uma casa avaranda que se presta a receber, que se oferece a ser habitada. E sendo a casa, ela perde, por vezes, a medida de sua real grandeza, e só quando viaja, ela se encontra. Pois a minha amada amiga só se sabe ela mesma, nas distâncias.

[Ontem eu comecei a fazer aquilo no álbum do Orkut, pôr fotos, e fazer declarações-sínteses para gente que gosto demais, como nos meus já famigerados cartões-de-aniversário. Esse eu postei ontem para Tininha, Maria Cristina. Acho que ela gostou.]

quarta-feira, abril 21, 2010

Yerma, de Federico García Lorca

Bodas de sangre, de Federico Garcia Lorca

A casa de Bernarda Alba, de Federico Garcia Lorca

[Tenho adoração pelo Lorca de "Yerma", de "Bodas de sangre", de "A casa de Bernarda Alba", fúria de castração do desejo e opressão, pesadíssima, vigorosa, que tão bem fala a nós latinos e tão melhor que os russos das modas atuais. E que ponho aqui, por que acho sempre esquecido].

Sobre o processo de criação do meu livro Inferno Feliz.

Ontem, dois novos contos digitados de Inferno Feliz, esse livro de contos que não está sendo um sofrimento escrever. Ele me deixa muito satisfeito, pois depois de anos julgo ter encontrado um tom, um estilo que permite a cada um saber que é um texto meu a partir das três primeiras linhas. Parece bobagem, mas é uma conquista de anos. Uma conquista duríssima, pois não há realmente criador sem linguagem.

O que preciso agora é ajeitar o tom do livro, suprimir textos que não se adequam ao tom soturno, irônico, por vezes corrosivo, e também o difícil exercício de cortar. "Memórias da casa dos loucos" talvez seja o mais problemático, pois me apeguei às tiradas da protagonista, a casa/a louca - a manicômica narradora, de humor histérico e professoral, mas muito disperso, como só caberia a uma louca "varrida". É um livro todo que carecia maturar na gaveta, embora reúna muitos contos antigos. Mas gaveta depura. E há alguns contos que embora o enredo/idéia estivesse comigo há anos, só realizo agora, como é o caso de "Para Paco, que gostava de meus contos", uma estranhíssima narradora contista, protagonista que mantém uma relação incestuosa com seu irmão-Paco, que o constrói e o descontrói sucessivamente. Ali pus os gregos, as moiras, o Destino, a tragédia. Ele tinha vindo inteiro uns sete anos atrás, mas muito calcado em A casa de Bernarda Alba e um tanto de textos do Federico Garcia Lorca.

Mas então houve o Lucas Guedes para me apresentar os autores contemporâneos, me ensinar a bem reler o senhor Marcelino Freire, e tudo se aclarou, como se tivesse encontrado minha turma. É que o peso das leituras dos "grandes autores" gera justamente aquela "angústia da influência" (conceito do Leopold Bloom) que a gente pena a superar, e que nos castra. Entretanto Inferno Feliz é um todo Eduardo, não emulo mais autores que gosto, mas não nego que no caldeirão estão mil-misturados Clarice, Rosa, Freire, Dalton, Cortázar, Machado e Borges. Roubei deles tudo que havia potencial em mim, e que fazia amá-los. A introspecção e a fluidez clariceana, com epifanias; o barroquismo poético-verbal e o gosto pelo sagrado transcendente em Rosa, a ligeireza e verve do discurso marceliniano (e aquela fala-drama); o quebrado da frase e o erotismo desbundado do vampiro, as suspensões de Cortázar que cria o insólito do prosaico (o paradoxal nas contradições dos narradores num mundo insólito), a ironia e o desencantamento machadiano com seus personagens sempre não-confiáveis; aquelas citação entrecruzadas, a narrativa como cifra/intertextual  de Borges.

Interessante essa consciência plena do processo sem me sentir castrado, talvez porque tudo está já introjetado, agora sou todo eu mesmo a escrever dominando melhor as palavras e o ritmo, com conhecimento maior gramatical. Ainda assim, nunca sei o desfecho de qualquer conto que inicie e me espante com o destino dos personagens que são, TODOS, sempre eu mesmo. 

terça-feira, abril 20, 2010

Mensagem no msn do Lucas, meu sobrinho de 13 anos

”A nossa capacidade de amar é limitada e o amor infinito; este é o drama.”

Na Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André com meus amigos

Ontem estive na Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André. 




Para encontrar Margarida, desmarquei dentista (agora pro final do mês), desmarquei saída com alguém que diz que me quer bem, e fui ver minha amiga. Ela se atrasou, liguei tanto até que a bateria arriou e já não podia ligar para quem devia, e quando cheguei vi o recado. Vou ligar.



Mas fui ver Margarida. Fui rever a ELCV, ver Márcio, Cris, ver Sérgio e outras pessoas de lá, de quem gosto, que me tratam sempre tão bem. Adoro a ELCV, eu era "um" antes de entrar na escola, e saí "esse", tão mais livre, tão mais completo. Foi lá que conheci as pessoas que ainda hoje são da maior importância na minha história ainda que já menos presente na rotina dos dias, - nem começo a citar, pois vai faltar gente. Saibam ELCVs, eu devo muito. Graças a vocês minha vida virou mais cinema, virou mais teatro, que virou mais literatura também, e virou essa arte que persigo e posso almejar porque aprendi muito lá, e avanço.

Margarida é aquela FLOR. Aquela miúda, espraiada, amorosa, fértil alegria. Eu tive a idéia de pôr no orkut um álbum que chamarei "GENTES", que é um antinecrológico, ou seja, ali vou colocar fotos que eu mesmo vou tirar de pessoas que me encantam, que fazem parte da minha vida. E vou pôr uma pequena biografia, à maneira daqueles meus cartões postais. É um projeto humano, uma forma de mostrar meu bem-querer, e me divertir homenageando com anti-epitáfios a vida, que precisa ser cantada no tempo presente.






E agradeço demais todo o dia de ontem a Margarida e Cris, pelas esfirras, pelas Originais, por ouvir meus contos e também tantas coisas tão pessoais que disse, com atenção. Agradeço o fato de terem compartilhado comigo todos aqueles sentimentos que são tão comuns em nossas humanidades, e vocês me dizem tão sem reservas, os grandes sentimentos domundo. Vocês são tão especiais! Inspiradoras! Vocês não têm noção, mas eu sei, e pontuo a grande medida de mulheres que são, com esse amor que lhes tenho e que é crescente.


E agradeço à Margarida também o livro de Clarice Lispector, tanto quanto pelas fotos que (ambas) fizeram de mim. Registros legais desse vivente inquieto, aquele reflexo de nós em pixels, nós também, pontos luminosos na vida.


Então eu recebi esse email

Eu escrevi amargo, mas sincero, aquele post do meu aniversário. E recebi esse email, que estou cometendo a indiscrição de pôr no Revide, forma de agradecer à Michele. Forma de agradecer também às outras mensagens que me mandaram no Orkut, no email, comments, e em scraps-depoimentos. Esse foi, de repente o aniversário que mais me fez feliz em muitos anos, saber que por aí há tanta gente bacana que gosta de me ouvir falar. 

E Michele, que posso dizer? desejar sucesso, alegria e felicidade também para você. Você só me fez confirmar com seu bonito email, que a vida é realmente interessante demais o tempo todo.


De que adianta um título acadêmico, uma tese que ninguém lerá e que de fato acrescenta bem pouco ao fato de ter existido Guimarães Rosa, de existir Mia Couto?

Talvez saber que  você é admirado,que tudo escrito por você é de muito bom gosto.
Fico lendo seus textos e pensando... quero ser  assim quando crescer.
Nessa correria de trabalho, faculdade, marido, filhos, todos os dias à noite arrumo um tempinho para ler seus textos.
Tanto tempo lendo você, e associando tantas outras coisas,decide fazer o curso de Letras. Estou no primeiro período.

Linda semana.
Abraços.
Michele Isensee.


segunda-feira, abril 19, 2010

Eu sou dos que pedem conselhos


Sim. Eu sou dos que pedem conselho. Meditam, questionam, recusam, mas no fim acatam. Peço conselho para irmã, para Cristiane, para Margarida, para Tininha, para o João, para o Du, para o Conrado, para Letícia, para o Luís, para todo mundo, mesmo que tenha metade da minha idade. Presencial ou online, não importa, eu quero ser aconselhado, eu já tenho minha cabeça que não me deixa em paz e que me faz errar-errar. Eu erro tanto que minha humanidade está acima de qualquer prova. Por isso peço conselho para Deus também, à noite quando durmo, como se fosse criança. Pois, sim, sou deslavadamente carente de atenção, de afeto, de cuidado. E ainda assim sou cético, tantas vezes, e possuo um olhar desesperançoso, cínico e descrente das coisas do mundo e das pessoas. Entretanto, eu quero o bem da vida, e o bem da vida está no agir, não no estado de entrega e catatonia. Gosto de acreditar nos pontos súbitos de iluminação. O momento mágico em que brilhamos especiais, e que aquilo significará mais para sempre. Por isso a minha alma repousa em Lispector e Rosa. Só  transcendência alucina com todas (EXPLOSÃO) as respostas. 

domingo, abril 18, 2010

Do aniversário

Foram tantas as mensagens de feliz aniversário, tantas, e tão bonitas pelo Orkut (como responder tudo? Mando coletivamente esse abraço a todos). E outras no celular, lindas, apitando carinhos. E as ligações de longe, de Marcela (e fiquei tão surpreso!). Aquelas outras, mais próximas e inesperadas de João, Ana Maria, Marcinha, Rosângela etc etc. Tudo que me fez ficar muito feliz, menos pelo aniversário, e muito mais por ser lembrado por amigos que são os mais queridos. Gente de quem tenho sentido muita falta. 

Num aniversário que trabalhei o dia todo, houve também o presente dos três incríveis alunos de Mauá, que me trouxeram bolo de chocolate e me deram um cinto para eu me livrar dos cordões, agora que não seguram mais minhas calças frouxas os 13kg a menos. Também houve parabéns. Bonitos depoimentos secretos, outros por email. Houve o convite de Tininha e Ana para ir lá, enterrar esse aniversário com vinho e boa companhia. E por fim, cá em casa, bolo trazido pela minha irmã amada, em companhia da mãe, irmãos/primos, Dom, Rô, Pedrerico.  

Só Pedrerico já é a festa, e ficou emocionado de ganhar o primeiro pedaço de bolo. 

Exausto até não poder, (mas, exausto mesmo!) como raramente fico, eu caí na cama e desmaiei. E assim fiquei mais velho. Estou mais velho agora. Agora sento e escrevo. 



QUEM NÃO TEM ESTÔMAGO, PARE POR AQUI POIS VAI SOAR MUITO DEPRÊ

Não gosto do estado de nostalgia que me dá a época de aniversário. Há os que pensam que não gosto do aniversário. Mas não é o aniversário, mas a nostalgia de épocas anteriores, do que foi bom e se perdeu, até mesmo das ilusões, do olhar ingênuo sobre o mundo. Mas de tudo, o que dói, é principalmente a sensação de que tudo está passando depressa demais, e que eu, definitivamente procrastino a vida, mantenho-a em suspensão para depois lamentá-la. Não sinto que fiz realmente algo de duradouro, de significativo. Eu me empenhei, de certo modo, na construção de "mim mesmo", em aperfeiçoar coisas para as quais tinha aptidão, e fiz disso minha profissão e robbies, tudo que anda me decepcionando demais. Fora o fracasso emocional em tantas frentes, salvo, talvez, as boas amizades.

Hoje, avalio que fui pouco prático em relação às necessidades materiais. E para mim, qualquer um que tenha tido um filho e o visto crescer, está anos luz à minha frente. Por isso ando olhando minha estante de livros e filmes com certa náusea. É como uma carga que arrasto, e que anos depois, é âncora, peso morto. Vai acabar num sebo, mas antes, será vendido por quilo. E os dvds virarão lixo tecnológico, refugo. De que adianta um título acadêmico, uma tese que ninguém lerá e que de fato acrescenta bem pouco ao fato de ter existido Guimarães Rosa, de existir Mia Couto?

Todos meus artigos, caceteiam o que há, o que existe. A vida não carece de emenda, ou comentário.

Nesse período que quero mudar de casa, olhar esses móveis e esse excesso de tudo me angustia. Não caberão em qualquer lugar que queria ia, terei que me livrar da maior parte deles. Será, então, como me livrar não apenas de tempo e dinheiro investido, mas em grande parte, das minhas crenças antigas. Uma mutilação que só prova que são muitos anos perdidos. 

Fazer aniversário para mim agudiza a sensação de fracasso, que visto por quem está de fora soa como grande frescura. Contudo, eu sou assim desde que me lembro, eu padeço de angústia existencial, e não há terapia, filosofia, antidepressivo, bola, clichê de autoajuda que me vão tirar essa sensação premente de que fracasso, e que cada aniversário pontua derrotas e impossibilita o pulo do gato para fora do estado de coisas atual. É como se a escolha da estrada errada lá atrás não desse acesso a estrada mais acertada. O destino é o grande deserto de Jó.

Sim, houve tudo que há, os fracassos, as realizações prosaicas, as histórias de amor que terminaram em desamor, às vezes, num anti-amor. Gente que veio e partiu. Esquecimentos todos. Há fotos que sorriem ilusões de felicidade, tudo que o tempo irá corroer, pois foi o que vi naquela mala embaixo da cama, do meu pai, quando morreu. E isso tudo vem, para mim, forte, vigoroso a cada aniversário. Compreende?



Mas o de 2010 foi bom, mesmo com tudo isso martelando a alma e um pouco mais. O resto é drama na ausência de uma boa, e nunca desejada, tragédia. Por que, por mais incrível que parece, eu ainda acho que a vida é interessante demais o tempo todo.

sábado, abril 17, 2010




Porque me sinto 


completando milhares 


de anos. 
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{Detalhe para a "fonte de texto": Book Antiqua.}

sexta-feira, abril 16, 2010

Invictus

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.


William E Henley
(Tradução de André C S Masini)

[Do filme INVICTUS, enviado pelo Du Santinon.]

O Edu e o Du


Às quintas-feiras nossos horários batem, então eu ligo pro Du, ele nunca reconhece minha voz, e vezenquando vou na Biblioteca da Anhanguera (onde ele trabalha) para ler revistas, para conhecer os amigos, para ver que ele é o xodó de todas as mulheres do lugar que o saúdam com três beijinhos, e o caramigo de todos os camaradas, que lhe dão "salve" quando passa. Então, só o fato de ser dia de exclusiva amizade já aumenta o nosso ego, faz a gente crescer de feliz. 

Hoje fomos comer bolo. Ele devorou uma torta holandesa com três garfadas, encheu a boca, e eu não tive tempo de registrar o momento exato em que ele se transformou numa criança de 6 anos, com as bochechas pontudas de bolo. 

[Mas eu já escrevi aqui no Revide que o Du "é uma pessoa que não existe", então chega.] 

Ele está apaixonado agora pela poesia do Wally Salomão, e muito vidrado/sentimental com uma menina blogueira que assina o dia 17 no "dos 30". Aí descemos para vasculhar sebos à caça do Wally, enquanto falávamos do filme que ele me deu - Palavra Encantada - do poema "Eu vi o rei passar", e tantas outras coisas mais.

Ele me fez explicar/justificar o abandono deste blog, e o retorno desse blog. Perguntando porquês, se está tudo lá, mas sem tom de crítica. Ele não está bravo nunca. E descemos a Oliveira Lima até o sebo Poesia e Cia, do meu velho amigo Carlos. Ele comprou o Bufólicas, da Hilda Hilst, com ilustrações do Jaguar. E lemos na calçada onde passavam pessoas, poemas-satíricos com histórias imorais, um deles, "A fadinha lésbica". Todos poemas com "moral da história". E rimos. E nos despedimos com aqueles tapas nas costas que são abraços.

Chegando em casa, encontro email dele, com o Wally Salomão recitando poemas no cd do Rapa, umas coisas que ele disse "deixaram ele maluco" antes de saber quem era esse poeta. O email dizia o seguinte:

Taí Edu! abraço porco! gostei bastante de lhe ver hoje, fica bem e qualquer coisa me liga, desculpa não ter reconhecido no telefone, eu perdi mesmo a agenda toda, só transferi o número para outro chip, e sou um relaxado da porra, mas gosto demais de você Edu, de verdade. abraço porco!

É danado o Du. E difícil dizer o quanto gosto do "porco", pois ele dá sentido à luta pela paz, ao fim da fome, e ao direito de todos de sermos felizes nesse mundo difícil. E antes para os que não sabem: "porco" é o seu adjetivo máximo, o qual ele dedica a todos nós - seus amigos - e é como um título de Phd para o Du no quesito amizade. E eu honro.


Turma de Santo André - Noturno


Eu tenho uma alegria enorme de lecionar para essa turma. Não está todo mundo aí. Mas essa sala pega fogo.

quinta-feira, abril 15, 2010

Os velhos

De madrugada, com olho de fogo, acordado até digitar um conto de 2003 no livro "Inferno Feliz". Em "Os velhos" não há um traço de cinismo. Das narrativas mais ternas e pungentes que já escrevi. E só reconheci a autoria pela letra. Quase não emendei: os reparos de quem já domina melhor a gramática e o ritmo da frase. Transcrevi quase sem alterar uma linha, e chorei nas três vezes que cheguei ao final, como se não fosse eu que houvesse escrito. Talvez por que, em nenhuma história que arquitete, saiba antes (um anti-Poe) seu desfecho.

quarta-feira, abril 14, 2010

Significado do nome

Minha irmã Márcia, encontrou este site sobre significado dos nomes, etimológico e numerológico. O meu diz o seguinte:


SIGNIFICADO DO NOME EDUARDO

ORIGEM DO NOME EDUARDO

Qual a origem do nome Eduardo: ANGLO-SAXÂO

SIGNIFICADO DE EDUARDO

Qual o significado do nome Eduardo: PRÓSPERO GUARDIÃO.

SIGNIFICADO E ORIGEM DO NOME EDUARDO - ANALISE DA PRIMEIRA LETRA DO NOME: E

Muita inteligencia e poder de comunicação, apontam para sua necessidade de falar, embora nem sempre diga tudo o que lhe vem àcabeça. Segue sempre movido pela razão, e se enfurece quando é desmentido ou contrariado. Sempre pensa muito, e isso interfere naconcentração do que está fazendo. Pode vir a ser um excelente escritor, advogado ou professor. Mas para isso deve aprender a controlar seu nervosismo e se observar para não virar um tagarela.

E nesse ínterim


...e neste ínterim, nasceu a Gabriela. A Diene, que eu vi bebê, virou mãe. Assim, tudo se renovou de novo. Pois é isso que fazem os bebês: essa gente novíssima e super-evoluída, eles vêm ao mundo para que o mundo seja um lugar menos triste. Ou como costumo dizer, para cobrir esse buraco que há em todos nós, esse nicho existencial que está na alma e que não tem santidade que preencha, só esse súbito "amor para vida inteira".






Milhões de coisas para ver, pouco tempo e pouco dinheiro. Mas vejo tudo que posso. Ando aqui na mão, já com uns ingressos. Quando não estou bem acompanhado, vou por mim.

"O museu é o mundo", de Hélio Oticica lá no Itaú Cultural

- Alice, de Tim Burton (estou escrevendo longamente, mas demora)
- Pecados da carne, um filme gay sobre a paixão de dois judeus ortodoxos (e a grande pergunta: “Por que Deus criou o desejo?” ). Seja do lado do Papa ou da Torá, na hora de definir a quem entregar seu amor, os gays sempre se dão mal.
- Shutter Island, finalmente um filme realmente bom do Scorsese com o DiCaprio. Mas falta algo, embora goste muito. 
- Como treinar o seu dragão, desenho magnífico, DreamWorks Animation (saí maravilhado)
- Los Cronocrimes, do Nacho Vigalondo (Excepcional ficção científica, roteiro brilhante para poucos recursos)
-  O velho e o mar, e Meu amor. (duas obras-primas em animação do russo Alexander Petrov)
- Três idiotas, comédia indiana de cair o queixo


E tantos outros filmes que vi, discos que me estarrecem, mas que custa tempo pensar e pôs. Mais tarde posto aqui para que vejam por onde ando.

terça-feira, abril 13, 2010

João anda triste

E hoje, voltando para casa, me veio inteiro esse novo conto, que eu peguei no ar, rabisquei na palma da mão o início-estopim, e escrevi num jato. Conto que porque acabei de escrever, acho a coisa mais bonita do mundo.



Voltando para casa, às cinco da manhã, manhã, manhanzinha, parei a leitura do livro para filmar a paisagem da janela e as pessoas dormindo no trem que sacudia para Mauá. Pus também música que ouvia no fone de ouvido do mp3 na câmera e filmei a página do conto lindo que estava relendo, Frontal com Fanta. Tudo que edito, com leitura em voz alta, para agora postar lá, no Blog das 30 pessoas.

Memórias da casa dos loucos [fragmento]





O primeiro sintoma de loucura é a alegria. Risos abertos de orelha a orelha que deformam o rosto, a gargalhada em espasmos que desconcerta e instaura desordem e desconfiança. Ser feliz não é normal. É preciso prender, amarrar em abraço de pano e fazer calar. Só no silêncio reina a normalidade, braços pendendo, postura ereta na cadeira, o equilíbrio da colher de sopa. Nem um resquício de heresia escorrendo pelas bochechas, caindo e manchando braços de cera, ex-votos de Nossa Senhora da Piedade. A paz da mordaça, da insulina na veia, a eletricidade festiva dos choques.

Tenho visto cruzar estes meus umbrais muita gente fora de si. Cabeças de vento, aéreos, loucos varridos, lunáticos, mancos do juízo, esquecedores profissionais, tremelungos, gente curtida em cachaça e vodca, perdida nas pedras, nos pós, gente a dar com pau! E tem de tudo: craques ineptos, bocós de mola, mulheres prementemente deprimidas, suicidas incompetentes, recalcitantes de um modo geral. Fora do geral: personalidades históricas, colecionadores de números primos, capicus, tementes de Deus, místicos, mímicos, possuídos, despossuídos, possessos, sovinas, o diabo! Cá, na casa das rainhas loucas, quem reina mesmo é a Paz.


[Mais uma narrativa do meu INFERNO FELIZ, livro in progress.]

  

Domingo


[Tks pelo click].

segunda-feira, abril 12, 2010

Resposta

Sim, sim, - eu repondi para ele - eu "ficciono/ficcionalizo" a vida. E quem não? A diferença é que também faço por escrito. 

domingo, abril 11, 2010

Hoje , com o João



O João Emerson é uma das cem melhores pessoas do mundo. Ele é meu amigo. Passamos a tarde toda no shopping de Santo André fazendo coisas que se fazem num shopping: tomamos café expresso, sorvete casquinha, deixamo-nos ser comidos com os olhos, experimentamos umas blusas modernas, eu comprei uma das minhas indefectíveis camisas Heringing preta (e estranhamente uma branca), tomamos expresso. Ele me veio com uma frase genial: - "No final, a nossa mãe é a única (e definitiva) mulher da nossa vida". A gente girou para cima e para baixo, livrarias, lojas de informática, com breaks para ele fumar seus três tristes cigarros. Conversamos sobre filmes, sobre as produções curtas que vamos fazer, sobre aniversário - eu 17 e ele 19 (os dias!!!), e o destino de sermos homens rumando para a grisalhice. Dele ouvi o conselho mais direto e masculino que um homem pode ouvir, o de que eu tenho é mesmo que sufocar todo esse sentimento com sexo. Pois o que arrebentou esse passeio chato de shopping, foi o fato de a gente falar muito - ele das suas e eu das minhas -descrenças amorosas. Ele, muito mais sábio que eu, listou linha a linha todo o processo. E eu estou no estágio seis, que é o "foda-se, perigando recaída", mas já saindo pro "ódio" é chegando no "desprezo". Desprezar é quase o estágio final, ele me ensina, quando você encontrar a pessoa e com certo nojo de você, repete para si mesmo: "mas como eu pude sofrer por isso?". E para quem não sabe, o último e derradeiro estágio é a "indiferença".

E eu gosto muito do João, porque ele é meu amigo, e por que sem mais nem menos eu recebi hoje a noite, de quem não esperava, este estranho convite para o vermelho do Masp. 

Janete e Luís


Ontem, era sexta-feira, estive com Janete, sua amiga e Luís. Eu vaguei na garoa, na chuva para ver a Janete, que me deixou esperando horas. Depois ela chegou. Continuou a garoa. Minto. A garoa aumentou. Mas havia aquele sol. O sol era Janete. E logo estava rindo, e estava feliz, porque ela sempre me faz feliz. Só mais tarde veio o Luís, depois que o Jordinho me acariciou, deitou no meu colo, começou a me morder, tirar a minha roupa, e quis fazer sexo comigo. O Jorginho é um cão dachshund.No final não houve pizza, não Chico Xavier, houve bem pouco encontro, mas teve bebida, gravação digital, foto na Sony, notícia de jornal, e partida na chuva. Mensagens no celular que me fazem sempre feliz. Um estranho trem rumando para o ABC.

Mais uma vez (Não quero mais amar Johathan)

Não quero mais amar Jonathan.
Estou cansada desse amor sem mimos,
destinado a tornar-se um amor de velhos.
Oh! nunca falei assim -
(...)

Mesmo que Jonathan me olvide
e esta canção desafine
como um bolero ruim,
(...)

Quero enfear o poema
pra te lançar meu desprezo,
em vão.
Escreve-o quem me dita as palavras,
escreve-o por minha mão.

Adélia Prado

Luís Fabiano


Eu gosto da arte dele. E gosto de virar a madrugada conversando com ele coisas muito tristes, que vão e vem dele para mim e se espelham e se retraem, fazendo do nosso diálogo, contraditoriamente uma alegria. 

E esse trabalho é sobre a violência contra a mulher, no qual a face da popstar agredida se perde no negro que recobre seu clarão de dor, tudo que faz dela menos uma mulher, um ser inteiro em sofrimento.

Ele escreve aqui, impressões de viagens, de filmes, do que o aflige no mundo e suas ficções. Ele fez Letras (como eu) e mora perto do mar. Quando o Revide hibernou, soube que ele me lia com grande atenção e silêncio. E foi um dos primeiros que leu os textos do meu livro e pontuou coisas que eu não via no inacabado Inferno Feliz. E das coisas mais insólitas: ele me ensinou, às quatro da manhã a etimologia da palavra camarada