domingo, outubro 31, 2010

Nova Iguaçu


No Bar Abacadabra com amigos, na noite de sábado para o domingo, depois de perder o celular na Praia da Urca e voltar para encontrá-lo no mesmo lugar que deixei, antes, almoçar com os meninos na Santa Teresa, agora pouco justificar voto perambulando nas ruas onde o funk é uma realidade de esquina, e o sorvete é bom demais, após um churrasco nesta casa boa em que fui/sou tão bem recebido. Daqui a pouco voltar para casa na Lapa. Tudo vai bem, e mal tive tempo de entrar e dizer que existo. Existo. Exit.

terça-feira, outubro 26, 2010

Pessoa recentíssima


Então mais uma sobrinha-neta. (Estou pensando no Lucas, na Nicole), e agora a  Gabriela, filha da Diene. Gabriela é mais uma pessoa recentíssima para lembrar que o tempo vai passando e vai sempre chegando gente melhor para nos fazer acreditar que está tudo sempre começando. Jogo no ar, quero morder, ela ri ou fica meio aparvalhada, pois todo adulto é bobo frente aos bebês. Eu sou mais. E gosto deles. Eu gosto dela e quero que ela faça parte, também, da minha vida.

domingo, outubro 24, 2010

De "O búfalo"

(...)Mas a girafa era uma virgem de tranças recém-cortadas. Com a tola inocência do que é grande e leve e sem culpa. A mulher do casaco marrom desviou os olhos, doente, doente. Sem conseguir - diante da aérea girafa pousada, diante daquele silencioso pássaro sem asas -, sem conseguir encontrar dentro de si o ponto pior de sua doença, o ponto mais doente, o ponto de ódio, ela que fora ao Jardim Zoológico para adoecer. Mas não diante da girafa que mais era paisagem que um ente. Não diante daquela carne que se distraía em altura e distância, a girafa quase verde. (...)

Este é um trecho de um dos contos de Clarice Lispector que mais me fascinam. 

sábado, outubro 23, 2010

terça-feira, outubro 19, 2010

Mãe

Hoje, aniversário da minha mãe. Que se repita, tantos mais dias, para alegria de nosso amor.

segunda-feira, outubro 18, 2010

CERÂMICA

Os cacos da vida, colados, formam uma estranha xícara.
Sem uso,
ela nos espia do aparador.

Carlos Drummond de Andrade



Fazendo arte na Bienal



Acordei super tarde, e mais tarde estava quando descobri que o horário de verão tinha começado. Ainda assim, para não perder o domingo, liguei para Cris e chamei o Dom para irmos a Bienal. Quatro da tarde, e estavamos no ponto da Luz, ainda a caminho. Mas deu tempo de fazermos uma "excursão" pelas obras, e na correria fotografar e nos divertirmos demais. De lá, para uma churrascaria sem churraco, e outro pulo para Mauá onde eu e Dom conseguimos assistir ao Tropa de Elite 2, que merece post a parte. E fiquemos nisto. 

Bienal


Eu e Cris em frente ao Museu da Língua Portuguesa

domingo, outubro 17, 2010

As Palavras




As palavras saem quase sem querer,
rezam por nós dois.
Tome conta do que vai dizer.
Elas estão dentro dos meus olhos,
da minha boca, dos meus ombros.
Se quiser ouvir é fácil perceber.
Não me acerte, não me seque,
me dê absolvição.
Faça luz onde há involução.
Escolha os versos para ser meu bem e não ser meu não.
Reabilite o meu coração.

Tentei, rasguei sua alma e pus no fogo.
Não assoprei, não relutei.
Os buracos que eu cavei não quis rever
Mas o amargo delas, resvalou em mim.
Não deu direito de viver em paz
Estou aqui para te pedir perdão
Não me acerte, não me seque,
me dê absolvição.
Faça luz onde há involução.
Escolha os versos para ser meu bem e não ser meu não.
Reabilite o meu coração.

As palavras fogem se você deixar
O impacto é grande demais
Cidades inteiras nascem a partir daí
Violentam, enlouquecem não me fazem dormir
Adoece e curam, não me dão limites
Vá com carinho, no que vai dizer
Não me acerte, não me seque,
me dê absolvição.

Faça luz onde há involução.
Escolha os versos para ser meu bem e não ser meu não.
Reabilite o meu coração.

Vanessa da Mata

[Reggae lindo demais. Poético. E está aí, uma das canções mais bonitas do disco atual.]

sexta-feira, outubro 15, 2010

Marcelino Freire


Marcelino Freire, na Paulista.
Clique meu para entrevista sobre microcontos.

11.10.2010

quinta-feira, outubro 14, 2010

Um indício que não me permite mais desviar do fato mais difícil da vida. A impossibilidade de negação e adiamento. Fim também de uma temporada de supostas alegrias. A certeza de que as coisas não poderiam ter sido diferente, nunca serão iguais, nunca serão as mesmas, e que serão piores. Mas o desejo de seguir. 

Para pontuar:

Mauá
14.10.2010.

terça-feira, outubro 12, 2010

O Masoquista e o Fugitivo

Há gente que escolhe sorrir
Há gente que escolhe chorar
Você escolheu a segunda opção
E eu escolhi sair
Não gosto de masoquismos
Eu prefiro me divertir

A nossa relação tem tudo pra não dar certo
Você só quer perder
E nada que fica assim pode vencer
Eu insisto em ser feliz
Mesmo que minhas condições me testem
Eu insisto em ser maior
Pra estar sempre melhor

Há gente que escolhe sorrir
Há gente que escolhe chorar
Você escolheu a segunda opção
E eu escolhi sair (lalala)
Não gosto de masoquismos
Eu prefiro me divertir

Pois vá diante, que eu vou adiante
E assim quem sabe,
Você chorando será do jeito seu, completo.



Vanessa da Mata


Feriado


Strange days, bizarre pictures.

segunda-feira, outubro 11, 2010

Pedrerico, Pedrão


Tem graça dizer que ele faz/fez minha vida melhor?

Paula e João


Paula agora é mãe, mãe de João. João, com seus três dias à luz e aos olhos que o vemos. Paula estreia com ele a maternidade, ele a faz mãe, ela que o fez inteiro filho. Neste onde frio de outubro, saúdo calorosamente a chegada de João. Que seja bem-vindo à vida.

domingo, outubro 10, 2010

http://www.youtube.com/user/vanessadamataoficial

Livros novos



E aquela deliciosa coleção da folha, que grita no meu ouvido que preciso de tempo:

O príncipe, de Machiavel
A revolução das espécies, Charles Darwin
A interpretação dos sonhos, Sigmund Freud

quarta-feira, outubro 06, 2010

Inter urbano


[Na Estação da Luz, sob o clique do Cleyton Cabral.]

terça-feira, outubro 05, 2010

O desejo na canção

Escrevo um longo ensaio sobre "O desejo na canção", estes são os textos:


O QUE SERÁ QUE SERÁ
Chico Buarque

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o padre eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá.
O que não tem juízo.



PECADO ORIGINAL
Caetano Veloso

Todo dia, toda noite
Toda hora, toda madrugada
Momento e manhã
Todo mundo, todos os segundos do minuto
Vivem a eternidade da maçã
Tempo da serpente nossa irmã
Sonho de ter uma vida sã

Quando a gente volta
O rosto para o céu
E diz olhos nos olhos da imensidão:
Eu não sou cachorro não!
A gente não sabe o lugar certo
De colocar o desejo

Todo beijo, todo medo
Todo corpo em movimento
Está cheio de inferno e céu
Todo santo, todo canto
Todo pranto, todo manto
Está cheio de inferno e céu
O que fazer com o que DEUS nos deu?
O que foi que nos aconteceu?

Quando a gente volta
O rosto para o céu
E diz olhos nos olhos da imensidão:
Eu não sou cachorro não!
A gente não sabe o lugar certo
De colocar o desejo

Todo homem, todo lobisomem
Sabe a imensidão da fome
Que tem de viver
Todo homem sabe que essa fome
É mesmo grande
Até maior que o medo de morrer
Mas a gente nunca sabe mesmo
Que que quer uma mulher.



ÍNDIGO BLUE
Gilberto Gil

Índigo blue, índigo blue
Índigo blusão
Índigo blue, índigo blue
Índigo blusão

Sob o blusão, sob a blusa
Nas encostas lisas do monte do peito
Dedos alegres e afoitos
Se apressam em busca do pico do peito
De onde os efeitos gozosos
Das ondas de prazer se propagarão
Por toda essa terra amiga
Desde a serra da barriga
Às grutas do coração

Índigo blue, índigo blue
Índigo blusão
Índigo blue, índigo blue
Índigo blusão

Sob o blusão e a camisa
Os músculos másculos dizem respeito
A quem por direito carrega
Essa Terra nos ombros com todo o respeito
E a deposita a cada dia
Num leito de nuvens suspenso no céu
Tornando-se seu abrigo
Seu guardião, seu amigo
Seu amante fiel.



TATO
Arnaldo Antunes

o olho enxerga o que deseja e o que não
ouvido ouve o que deseja e o que não
o pinto duro pulsa forte como um coração
trepar é o melhor remédio pra tesão
um terço é muita penitência pra masturbação
a grávida não tem saudades da menstruação
se não consegue fazer sexo vê televisão
manteiga não se usa apenas pra passar no pão
boceta não é cu mas ambos são palavrão
gozo não significa ejaculação
o tato mais experiente é a palma da mão

o olho enxerga o que deseja e o que não
ouvido ouve o que deseja e o que não
depois de ejacular espera por outra ereção
o ânus precisa de mais lubrificação
por mais que se reprima nunca seca a secreção
o corpo não é templo, casa nem prisão
uns comem outros fodem uns cometem outros dão
por graça por esporte ou tara por amor ou não
velocidade se controla com respiração
o pau se aprofunda mais conforma a posição
o tato mais experiente é a palma da mão

o pinto duro pulsa forte como um coração
gozo não significa ejaculação
o ânus precisa de mais lubrificação
por graça por amor por tara ou pra reprodução
ouvido ouve o que deseja e o que não
velocidade se controla com respiração
trepar é o melhor remédio pra tesão
o tato mais experiente é a palma da mão
se não consegue fazer sexo vê televisão
o olho enxerga o que deseja e o que não
uns comem outros fodem uns cometem outros dão.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Vanessa vem chegando


[Será que as canções dela continuarão falando tudo o que eu estou sentindo com dois anos de antecedência? Será que, apesar disso, ela vai conseguir me fazer ainda mais feliz? E por que não não tem a música "Perfume barato", que roubada de um show achado no youtube, eu fiquei viciado/dependente? Espero ansioso a trilha que me embalará na entrada de 2011.]

Henfil


[Betinho. O começo. Filme meu e de Paula. Mauá. Reunião tensa em 3 de outubro de 2010.

sábado, outubro 02, 2010

Do que me faltam registros fotográficos




Aquela declaração bonita que os alunos me fizeram e eu fiquei meio sem jeito e comovido e disfarcei que era a febre. E por que não pôr culpa na febre o fato de eu ser assim sentimental?


Aquele carinho da irmã em cuidar de mim, a cama arrumada, a toalha à espera, e a comida que estava ótima depois disse mal humorado que era pouca.

O olhar e a cantada rápida que sempre me faz pensar que o mundo anda muito estranho, no melhor sentido.

O aluno no qual esbarrei e veio comigo até Mauá, naquele dia que tive que correr pra ponte Orca, quando eu estava tão tão tão triste, que doía tanto que eu achei que não ia aguentar, e me desviou a atenção dizendo as coisas boas-banais que põe nosso pé no chão para entender que tudo é mais. 

Aquele conversa com meu amigo Duds sobre o Chico Buarque, sobre a Itália, e o amor que nos devasta. O fato de ele ouvir atentamente esses meus difíceis sentimentos com a paciência que um irmão não teria, e ser tão bom comigo que me fez voltar mais leve ao trabalho e menos doente.

O recorte do professor Flavio di Giorgi, que o camara-aluno de Mauá trouxe para mim e conversamos longamente, pois nós dois ficamos fascinados por esse sujeito extraordinário que escreveu o estupendo texto "Os caminhos do desejo".

O Pedrerico gostando dos soldadinhos verdes do Toy Story que eu comprei para ele.

O email agressivo que eu disse que não leria, pois realmente eu não estou na vida para perder meu dia com rancor ou autocomiseração de ninguém.


O convite da Cris.


O beijo de longe que veio da Janete. 

O fato de eu entrar no msn e você me bombardear com a melhor frase do dia. 

Essa sensação de Deus que de repente voltou, e está comigo agora. 

[Tudo que as fotos não registram, e eu registro, dato, pontuo, neste blog a dois passos da despedida.]