segunda-feira, agosto 30, 2010

Minha irmã faz aniversário hoje



Hoje minha irmã faz aniversário. Esta foto é da festa de aniversário do ano passado. Um ano apenas, nosso vínculo aumentou ainda mais, pois muita coisa aconteceu comigo e com ela neste período. Corações na mão, e conversas francas que nunca tivemos, dores compartilhadas. Quando estou triste, não vou pra casa da mãe, como fazem todos os homens, vou pra casa dela. E fico lá também quando ela está triste. Nesses últimos meses nos unimos na alegria dos passeios e na saúde (nossa) e da família que andou cambaleando. Falo de mim para ela, ela me dá conselhos, me ajuda com o modo de organizar meu dinheiro, impõe regras de convivência se estou em sua casa,  busca-me na estação quando fica tarde e estou na rua exausto depois de um dia de trabalho. Vamos ao teatro, a shows, agora pretendemos viajar. Às vezes, ao atravessar uma rua, ela me estende a mão como fazia quando me levava para escola. Vou ser sempre seu irmão menor, talvez o filho que não teve.

Apesar de ter uma vez brigado terrivelmente com ela por ignorância (e ciúme, pois sou ciumentíssimo também com os irmãos), para mim ela é o GRANDE AMOR, aquele que fica. Amor que nos vê na medida que temos, com todos os grandes defeitos, aceitando-os com a paciência de quem compreende também a nossa incapacidade de ser diferente, mas nunca deixando de indicá-los com a ternura de quem não nos quer ferir. Ela me melhora. E enquanto o tempo passa, eu que fui criança ao lado dela, eu a vejo, e no curto tempo que nos separa, acredito que tudo dará certo. Talvez ela não saiba que em seu lançar-se bravamente na vida, ela vai desbravando caminho, permitindo assim que também eu, também nós irmãos, primos, pais, sigamos no rumo mais certo. 

Por isso, sinto-me feliz, nas vezes que eu posso levá-la comigo neste caminho paralelo, que bem ou mal vou esboçando, e que ela sempre me estimula a seguir. Feliz aniversário Márcia, Marcinha, Cinha, Marismárcia.


2010

Ando mais do que nunca muito pessoano




Sinto-me múltiplo.

Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos

que torcem para reflexões falsas

uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.



Fernando Pessoa



domingo, agosto 29, 2010

Sem ruído - Twitter


Adoro os microcontos diários dessa turma do SEM RUIDO. Recomendo de novo:

sábado, agosto 28, 2010

sexta-feira, agosto 27, 2010

Periscópio para o Rio



Antes de chegar, o coração fica nas alturas.

Dos hermanos, cartaz e síntese



Cartaz deste filme argentino mais que  bacana, nele está reproduzida uma de suas cenas mais bem sacadas, quando se desenrola entre os protagonista um um diálogo deliciosamente irônico e cheio de humor. Mas o filme é rico dessas cenas sensacionais, como a visita ontológica à embaixada para roubar salgadinhos e vinho, o vexame na festa da tia, e o sapateado do Édipo Rei encenado no fim, junto aos créditos.

Como é um filme do Burman, é um filme humanista, que trata das relações afetivas entre parentes. Aqui, dois irmãos sexagenários. A irmã terrível controladora insensível, o irmão passivo, sofisticado e triste. A perda da mãe, lança um contra o outro, à decisão de vender a casa, mudar de rumo e resolver - sem esquematismo - a relação de ambos, ao mesmo tempo que simetricamente ocorre a descoberta para ambos de novos amores. Lindo.

quinta-feira, agosto 26, 2010

GARRAFAL

HOJE, MEU DEUS, HOJE. AQUELA SAUDADE ASFIXIANDO MEU DIA.

Malabarismo fotográfico



Eu gosto das cores do gramado, do Pão de Açúcar, do azul celeste desta manha, da sombra que interferiu revelando o auto-retrato.

Antes da aula


Casa do Estudante, no Aterro do Flamengo
Rio, agosto de 2010.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Dos hermanos, Daniel Burman



[Daniel Burman. Ponto. É gênio. Seus filmes sobre os pequenos são imensos. Os atores brilham. Eu fico sempre sentindo que estou perdendo tempo sem fazer filmes, sem escrever bons roteiro, sem ir à lida de produzir arte. Eu quero chegar a isso nos meus filmes: às relações humanas em primeiro plano com graça e gracejo. Eu poria aquela corrosão da ironia, e talvez perdesse o humano com excessiva dramatização. Esse filme, Dos hermanos, a gente sente que o cinema pode ser mais e é.]

Avatar do M. Night Shyamalan



Talvez seja o trailler mais longo da história do cinema, como se o original tivesse umas doze horas de duração e o filme fosse seu resumo. Cenas intermináveis de chatos Tai shi shuan, lacunas que são preenchidas com longos diálogos, interpretações histriônicas. Falta emoção, falta clímax, tudo são belos e intermináveis efeitos. É quase inacreditável pensar que este seja um filme do M. Night Shyamalan e que ele estragou no cinema um desenho com uma história fantástica. O pior é que tem continuação. 

Jolie Salt



[Assisti ontem. Este filme é sensacional].

MSN

Não sei se é vírus, não sei o que há, só sei que o MSN não entra de jeito nenhum, e estou me sentindo amordaçado.

terça-feira, agosto 24, 2010

Reflexos telegráficos


Resfriado danado, com coriza mas sem febre. Viagens. Exposições. Canções. Encontros. Encontrões. O mar. A anestesia. Dores fortes no peito e nas costas. A sensação do divino. A casa do Walter Salles com seus grandes quartos. As notícias da Jô. A saudade que ando tendo e que quase me sufoca de repente não mais que de repente. A leitura da biografia (judaica) de Lispector. O número tremendo de fotografias. Sentei nas Laranjeiras e pedi aquele peixe que perdeu o gosto. O Cristo Redentor de costas para mim. O jardim Botânico. A casa dos estudantes que é tão linda. A notícia da morte da mãe de Rosângela. Na praça Tiradentes, ao ladinho do hotel, aquela surpresa. A solidão festiva de vir caminhando a pé pelo Aterro até "em casa". Teresa Cristina cantando com Seu Jorge. São sempre sete mangos de táxi. A curva em que se lia a placa "aqui se roubam celulares". Uma hora e meia depois do Rio, eu inaugurando aula com sala lotada. O café com a irmã antes de partir. Caríssimo. Rio no Rio. O tremor das mãos. O sono perturbador. A beleza daquele contato. Os sebos de Santos com o cágado de Pepetela. E já volto, rápido. Desço o acontecimento. Essa carência de Deus. Aquele orgasmo infernal. A aula passada sobre Fernando Pessoa. A longa conversa com Dom. A leitura dos blogs, os emails que respondo. A promessa íntima de ligar, ver mais gente que amo. Por fim o arroz com cenoura que preparei. Os ovos fritos. Fiz no fim aquele café para fortes, tão preto quanto a noite africana que caiu. 

Ouvindo o silêncio do fundo da casa, bateu a saudade do pai.



segunda-feira, agosto 23, 2010

Viajando de allstar


Igor no domingo



[O Igor tem nome de monstro corcunda de livros góticos e sombrios filmes bês. Mas ele, que é santista, gosta mesmo é do sol de cada dia que Deus dá aos seus e aos ateus; aos místicos e agnósticos; aos fanáticos por fé. Olhos verdes de maconheiro sentimental, é daqueles que contam as mais duras tragédias entre sorrisos. Já foi um pouco de tudo: menino-capeta, lutador, modelo, palhaço, vendedor, hoteleiro, agora quer fazer massoterapia. Quer ter, finalmente, o destino nas mãos?]

Zeróis - Exposição de Ziraldo no CCBB-RJ

SUPER ASILO



[Auto-retratos com panorâmica, por enquanto. Logo boto umas imagens da exposição.]

domingo, agosto 22, 2010

sábado, agosto 21, 2010

Adentrando um conto de Borges



Como se de repente eu estivesse dentro da Biblioteca de Babel, não a bíblica, mas a de Borges; e tudo fosse mágico, fantástico e sagrado. Pois há algo de divino nos livros, uma vibração que no Real Gabinete Português de Leitura destrói o que há de mundano na praça em frente, onde o busto de Camões vigia o edifício com um olho só. A esquina é suja, mendigos perambulam na praça, carros atravessam a rua estreita, bandeiras tremulam cores vibrantes para ninguém. Enquanto pombas defecam sem glória nas pedras da antiga corte do Brasil, entro no edifício. O silêncio monárquico de outro tempo me cala, ou me cala a surpresa de um templo que se revela num dia banal. Olho em torno. As estantes dão a ilusão de sustentar o teto, pois lombadas fazem paredes esfarelando saberes. Penso num mausoléu de obras em línguas esquecidas. Tomos que não deveriam ter cumprido o destino de livros, atlas de lugares que não há mais, esquecidas páginas que  carunchos roerão; outras, insuspeitáveis relíquias que resguardam segredos memoráveis. Há um universo todo ali. Eu, no centro, olho em torno, o grande lustre magistral sobre mim, a mandala de oito círculos concêntricos. Eu estava dentro do conto borgiano, eu era uma ficção, um personagem  intuindo que entre as estantes (estou certo)  jazia bem calado o nome secreto de Deus.




terça-feira, agosto 17, 2010

segunda-feira, agosto 16, 2010

CONTATOS IMEDIATOS

Criei o - INFERNO FELIZ BOOK PROJECT - com gente boa engajada. Diagramador, ilustrador, capista, revisor, tradutor, locutor, resenhista, orelha, vídeo. Isso no primeiro dia. Vamos ver no que vai dar. 

domingo, agosto 15, 2010

máxima






Olhar para futuro é pensar o presente.









Celso Sim e Arthur Nestrovski



Estou apaixonado pelo disco, e na internet eu achei-os interpretando "O amor", de Maiakovski/Caetano. O vídeo é ruim, mas a música é linda, e Celso Sim tem uma das mais belas vozes masculina e mal aproveitadas da mpb.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Perna de Cobra e Kleber Albuquerque



Santo André é província (ponto). Mas tem esses espaços onde rolam bonitos shows e encontros com pessoas bacanas amantes de música. Nesta sexta era para eu ir jogar bilhar com os alunos do cursinho de Santo André, que me convidaram, e são o máximo, muito amorosos comigo, essa pessoa meio sem-graça. Perdi o horário e fui noutro canto, pois nesse mesmo dia fui convidado para um show-pocket do Kleber Albuquerque, compositor/cantor que eu adoro, tanto que escrevi longo ensaio sobre as letras de suas canções. Então fui lá, eu comigo mesmo. O lugar é o PERNA DE COBRA, pequeno, bonito, elepês colados nos tetos, muitas fotos de cantores nas paredes simulando selos. Batata frita, cerveja e papo. Eu com a garganta em frangalhos. Chego e Margarida e namorado já estão lá. Kleber me reconhece, me cumprimenta, o que acho bacana. Depois vejo a Ivani, já querida amiga que lê meu blog. Lá, um monte de gente bacana com as quais PRECISO estreitar amizade para deixar de ser tatu. Muitas pessoas se apresentam, e o show do Kleber começa à meia-noite. Ele canta bonito demais, é sagaz, irônico, mesmo quando o ambiente não é 100%. Ele sempre dá o seu melhor. Fiquei até o fim (umas duas e pouco) e zanzei de táxi para casa da irmã, pois sábado é dia de labuta. E aliás, foi um grande sábado, com turmas de alunos novos começando. E tudo vai se renovando. As fotos que posto, roubei do orkut da Ivani. Posto, para marcar esse encontro. 

Pra que chorar

quarta-feira, agosto 11, 2010

O ano do pensamento mágico

"A vida se transforma rapidamente. 
A vida muda num instante. 
Você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente".


Joan Didion

Webcam ego trip

segunda-feira, agosto 09, 2010

Vincere



Assisti hoje. Um filme que narra a descida ao inferno da amante e do filho de Mussolini, entretanto tão fascinante quanto a história terrível, é o modo como ela é conduzida. A narrativa é épica, grandiloquente, com planos majestosos, grandes interpretações, música beirando o operístico. A edição é um primor, não lembro de um uso tão fascinante para cartazes/letreiros e ícones sobrepostos ao filme, e mesmos os insertes de filmes dentro do filme (bastante sóbrio) dinamizam a narrativa, e mostra como há ainda muito a se explorar no campo da edição/narrativa-visual do cinema. Assim, o filme de Marco Bellocchio.parece querer recolocar o cinema italiano na posição que teve nos 60 e 70 com os grandes obras, e o final, brusco, nós espectadores queremos é a queda do busto e do homem.

As fascinantes capas de Cleo Pires na Playboy