quarta-feira, março 31, 2010

Muito apaixonado

Estou muito apaixonado por esse disco da Karina Buhr. Ouço na esteira enquanto corro. Karina anda me depurando, e lavando a alma com essas músicas sentimentais de esvaziamento. E depois de tudo, sim, acho finalmente que o fim é uma coisa boa. Agora as coisas fazem todo sentido. Vejo-me lúcido, inteiro Eduardo. Falhas humanas e algum esplendor. Amanhã conhecerei minha sobrinha nova. Bebês vem ao mundo para nos fazer melhores. E Paula está grávida, toda radiante amor. Foram vitais os reencontros de amigos no Baile do Baleiro. Meus irmãos me amam tão verdadeiramente. Faço o plano das peças com os amigos (A alma boa, Quaresma, Capote, tou ávido de tudo). Vou sair com Margarida, João, Cristiane, Marcos que me convidou para beber o bode (!) e vou, Janete que chega em São Paulo para gente ir dançar com o Luiz. Charlene decidiu me apadrinhar os currículos. E conversar longamente com aquele menino Guilherme sobre Hitchcock e Warhol, num dia que eu estava tristíssimo, me fez um bem! Hoje recebi mensagem mais linda de Letícia, tão amorável. E aquele outro do menino-Gabriel, que aniversariou. E das declarações em sala de aula dos meus alunos de quinta série que agora estudam para o vestibular. 

Depois da conversa Terminal, toda cegueira de repente se foi, surpreendentemente partiu-se. Posso dizer. E nem me sinto ridículo, pois fui absolutamente fiel aos meus sentimentos, as vísceras abertas. E depois de ouvir sob a pele das palavras, o sentido exato, o nocivo mal, o anti-amor, desvaneceu a angustia. Ainda há alguma dor, mas dor sem nenhum rancor, sem ranço, esvaziado agora num vazio bom. Nada de morte súbita. Braçada para praia. Amo os textos que escrevi, não postados, jamais postados, que terão um destino bonito de entremear meus contos. Já não têm endereço. Isto porque sinto que mereço o "delicado da vida" (isso eu roubei de Clarice), sei que quero só perto de mim aqueles que quiserem meu bem. Os dias pela frente - com aqueles rios-correntes - serão um tanto melhores. Quero-os plenos, plenamente. E que tudo soe leve, doce, com humor, deboche e naturalidade.

Agora botão de foda-se acionado para tudo que não é amor. O fim do fim sem reversa perversão. Porque, sim, eu sou mais a imperfeição que dá título ao disco de Karina Buhr. E ela me soa agora tão engraçada, pois hoje, agora, quem eu escolho sou "eu".


terça-feira, março 30, 2010

HOJE

Reunião com Mateus, Paula e coordenadores. Orçamento decidido. Agora vamos começar a aventura de mais um novo documentário. Estou, de repente, muito empolgado e feliz em saber que farei algo aqui em Mauá, sobre um assunto que me é recorrente, o Período Militar.

Convocação extraordinária

Meus amigos, queridos, eu preciso muito muito muito de felicidade. 

Me dêem uma força aí, que agora vamos ao futuro!

segunda-feira, março 29, 2010

Eventos

O nascimento de Gabriela.
A operação da mãe.
As francas conversas com a irmã.
O reencontro com amigos queridos.
A dificuldade em me concentrar.
A obsessiva academia.
A tragédia na vida do amigo Sérgio.
Este estado premente/mente sentimental.
Os muitos alunos novos.
Minha introspecção pondo aflição a todos da casa.
O fim dos filmes e das séries.
A ausência de animais na casa.
A expectativa grande profissional.
O convite para aqueles trabalhos.
O artigo para revista +Soma que adio.
A pendência com a Fundação.
O livro de contos que saiu tristíssimo.
Aquele otimismo vindo do Rio.
Os documentários em preparação.
As fotos onde tudo parece tão bem.
A inexplicável ternura dos homens.
A necessidade de dar fim ao Revide.
Aquela cantada e ligações às quais resisto.
A carteira de motorista.
As noites insone.
O email sincero do amigo.
As cinco horas de conversa com Cris no msn.
A visita do casal de noivos.
As exigências do Pedro que não quer o tio assim.
O sumiço impossível da chave de casa.
Os pesadelos que repetem mesmos personagens.
Os claros planos para o futuro.
A espera daquela ligação tão necessária
para desanuviar de vez ressentimentos

E esse aniversário precipitando essas tempestades,
emanando raios, as frias gotas que me atingem
ante este muro que não rui, que não quer ruir
e que talvez não irá ruir nunca mais.

29.03.2010

No show de surpresa do Zeca Baleiro



domingo, março 28, 2010



"Hoje, eu estou assim: em total estado Bergman"








.

sábado, março 27, 2010

Quem sabe isso quer dizer amor



Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira

Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos vitais
Pequenos fragmentos de luz

Falar da cor dos temporais
Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer

Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça

Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar

Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar,
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer.

quinta-feira, março 25, 2010

O conto

Hoje escrevi outro conto que está na linha dos meus contos terríveis: "Mater dolorosa". Gostei demais, mais que um parto, uma espécie de aborto.

quarta-feira, março 24, 2010

Eu no clipezinho do PREMIO RUMOS - ITAÚ CULTURAL



[Participaçãozinha simpática lá no super ITAU CULTURAL, diálogo gravado com o pessoal +Soma. Gostei do resultado, curto, grosso, e nada palavroso. Só a voz, estranhíssima].

domingo, março 21, 2010

Irmãos lambe-lambe


[Minha irmã consegue alegrar meu dia quando eu estou muito muito muito triste. Como disse antes, ela é assim: uma espécie de sol, um sol que sabe bem posar de estrela. ]

Sexy star


[Pedi que ela fizesse uma pose glamurosa, de Marilyn e Dietrich. Ela sabe bancar a star.]

Minha irmã


Em estado premente de bom humor!

sexta-feira, março 19, 2010

quarta-feira, março 17, 2010

17.

Hoje, a operação de minha mãe.
E ao mesmo tempo, o nascimento de Gabriela,
pela manhã, a filha primeira de Diene.

Em ambos acontecimentos o meu medo da morte.
Só penso no trágico.
Estou sempre com medo, com horror da perda.
Então rezo, me arrepio, fico naquela exasperação.

*

E no meio de tudo isso, estou aqui
Uma conjuntivite súbita pintou de vermelho o olho esquerdo.
Mas a febre foi embora e o outono se precipita mandando um frio real.

Agora, convalescente sem voz.
Eu, em frente a turmas imensas como um palestrante afônico
O corpo em desacordo de mim,
me boicotando,
querendo eu o mal de mim?

Estou todo mudo no lento-acelerado das mudanças do mundo.

Quero mais o bem da vida:
A vida
que me gera e que nasce nesse dia 17.

Quero o bem maior de todos, sem morte, finais infelizes, sem mudez.

*

Como se já me preparasse para outro aniversário.


*

E hoje chegou pelo correio O menino mais inteligente do mundo.

segunda-feira, março 15, 2010

Eu não quero nenhum tipo de amor nunca mais



[E bateu esse filme no meu. Dois irmãos e um pai impiedoso].

Picnic, de Joshua Logan



[Mil coisas para fazer, e eu parei para ver esta cena de Picnic, que o Djalma nos apresentou na aula de cinema, e que é das coisas mais lindas que há. E em dias como estes, eu sinto tanta saudade dos meus amigos de curso, dos filmes discutidos cheios de paixão pelo Djalma, e aquele desejo nosso de querer fazer tudo caber no espaço da tela].

Eu sou um sujeito que se deixa fotografar

O dia centrado naquele desafiador "Inferno feliz". Visitas, as melhores, e o ânimo refeito da febre, do corpo moído etc. Numa sentada, metade da história, até o entrave. Aí "A visita da velha senhora" veio me bater, e não resisti. Achei a versão bonita com Ingrid Bergman, e ainda mais com legenda. Baixei. Zapeei encantado. Só falta assistir. Errei apenas mandando recado "quando" não devia, e na hora já não podia falar daquele nó, o celular picotando paalaavrras: a vida é só engassgo. E hoje o Marcíolo fez inacreditáveis 32 anos. Caramba! Liguei, cumprimentei. E Marcíola ligou para falar comigo, e o pequeno Gabriel. E depois Luquinhas da Patty. E Pedrão me ignorando o papel de tio. Gente toda colorindo dias. Assim eu perco a sensação de só. Recados bonitos por email, diálogos longuíssimos de computador. Parei e pensei na canção-caetana: "Fino menino me inclino pro lado do sim." Sempre pendendo meio manco, engraçado, agigantando-se, no raciocínio rápido, preciso. Roteiro de viagem, literatura e Warhol. E de repente a melhor sacada: a precisão em dizer o que nunca foi dito e eu já sabia sem que eu soubesse:

Eu sou um sujeito que se deixa fotografar

domingo, março 14, 2010

Soul Art - Blog do Gabriel


Este é o blog do Gabriel: artes gráficas e outras artes, pois ele é irriquieta criatura.
Orgulho grande de ter sido seu professor.

http://soulart.org/

sábado, março 13, 2010

Doença

Ontem fui visitar minhas amigas Ana e Cristina, o jantar foi ótimo, cheio de bom humor. Só o visitante estava caindo aos pedaços, um pouco já febril. A noite foi infernal, tomei todas as dipironas, paracetemol, etc etc. Cinco banhos depois, nada. Às seis mandei recado para coordenador adiando as aulas que iniciariam no cursinho justamente neste sábado. Suando os ossos, o dia inteiro se arrastando. Bom que veio minha irmã, mais tarde minha prima, meu irmão, todos para cuidar do doente inveterado. Ser sozinho deve ser a pior coisa do mundo. Quê fazer então emparedado: rever filmes, vir aqui e escrever. Nem um pézinho na rua. A sensação de um dia cheio de bons planos completamente perdido, e esses amores verdadeiros ao meu lado.

Dia 13 postei aqui

No blog das 30 pessoas:



quinta-feira, março 11, 2010

O menino mais esperto do mundo

[Bastou cinco minutos folheando este livro-quadrinho para me apaixonar completamente, paixão fulminante. Mas bolso vazio não combina com olho grande. Hoje na internet, fui lá e comprei o meu e um para dar de presente a sempre querida pessoa. Não tem jeito. A gente manda no coração da gente? E os trens incessantes, as estações, tudo se quedando em grandes silêncios, ofegantes respirações, troca de pés pelas mãos e aquele beijo que não saiu e que ficará em dívida. Tudo custando tão menos que Este menino mais esperto do mundo.]

Para baixar bons filmes

Impressionante a quantidade de filmes bons que tem neste site. Vagalume Rosa. Em todos os links,  você baixar a legenda automaticamente ( legenda não-colada ao filme, que odeio). Para baixar é necessário ter instalado o BitComet, que eu uso e recomendo, pois é possível dar preview (ou seja, ver a qualidade do filme antes de baixa-lo inteiro, e principalmente se "é" realmente o filme que deseja). Depois de instalar o BitComet no computador é só baixar os torrents, ele se abre automaticamente e copia o filme no seu computador. Aconselho somente a deixar o BitComet desligado enquanto estiver usando a internet, pois ela fica lenta, já que todos recursos são usados para baixar o filme o mais rápido possível. Desista se não tiver banda larga, demorará um século. Mas fica a dica.

Uma poesia nova

Quando lavo o rosto pela manhã é como se tivesse tirado os pesadelos da noite mal dormida.
Como um pão e empurro com o café pelo estômago abaixo com raiva.
Ao pegar o prato do almoço, ligo a TV e não estou mais sozinho.
Depois vem o computador e vejo o mundo inteiro.
Ao desligar, a mesa e tudo em cima se torna inútil, ineficaz.
Pego a folha branca com vontade de preenchê-la.
Penso um pouco e sei que verdades e mentiras são questões de ponto de vista.
As palavras não são dignas de serem colocadas uma após a outra.
O café é amargo como o que penso da vida.
E mais uma vez não sei o que vivo e não sei o que penso.
A vida é externa, a guerra já começa em nós por dentro.
A paz é uma palavra muito curta para fazer efeito.
A sensação de ter asas não me agrada mais, quero rastejar.
Nas coisas que comprei hoje não me apoio mais.
Olho em volta e as sensações estão mortas, vivo é o meu querer.
Toda vez que chegamos no topo olhamos para baixo.
Não, não é por causa da vitória conquistada, somos o começo da caminhada.
Quando deixo minha mente vazia, ela não se apoia em barreiras.
Os livros bem pensados são prostitutas bem pagas pela vaidade.
A diferença dos medíocres, é que eles sabem capitalizar no caos.
Deus me acordou cedo hoje, e me disse para calar a boca. 
Como sempre no mundo, a teimosia gera o bom senso. 
Tantas praias, tantos por do sol, tanta alegria, e limitamos o que são tantos. 
A poesia poderia ser uma solução para a insanidade. 
Mas o egoísmo do homem deixa a alma em segundo plano. 
O estômago dói, e os dedos tocam as teclas rapidamente. 
Tudo para dar sentido numa coisa chamada vida. 
Entre os dentes e o resto, a boca toca a mão direita e não sente nada. 
Entre sons e uma leve chuva, a coisa mais sem sentido é olhar a verdade. 
Embora quisesse parar, agora sei que não se para o sangue. 
E os dedos continuam a se movimentar, não para o prazer, e sim parar de sofrer.
Deixarei tudo aqui nesse papel.
E o quebra cabeça estará perdido quando não registrar as respostas.
Nada de mais, um retorno ao grande nada.
Frases que nos acompanham por toda uma caminhada.
E no final vou por um título nada criativo.
E ao parar vou voltar a me iludir.
Vivendo.



28/11/04

Ferréz


[Nunca pensei que postaria Ferréz, mas aí está completo o poema que do qual Cássia Kiss lê um fragmento no filme Os inquilinos. O trecho ficou tão bom em sua voz, que não resisti. E lendo-o, gosto das palavras e das idéias nebulosas postas no texto, embora, como sempre, me irrite o que meramente "discurso".]

Mais tarde

quarta-feira, março 10, 2010

Ações

Assistindo: Dexter, quarta temporada
Lendo: Como escrever um conto, de Gabriel Garcia Marquez
Ouvindo: "Fina estampa", de Caetano Veloso
Escrevendo: dois roteiros, "Passagem a Passadena" e "Flores de chumbo"
Comendo: salada, merluza, ovos cozidos, carambolas
Bebendo: água

Correndo na esteira e à espera.

De todas, a espera, a ação mais exaustiva?

terça-feira, março 09, 2010

Minha irmã anda bem bonita






Adoro usar o advérbio "bem" no sentido de "intensidade". E de fato, há muito tempo não há substantivo que defina a pessoa da minha irmã Márcia, que nunca sendo a mesma, é um permanente estado de estender bondade, modificando o próximo, acrescentando significado às pessoas, atribuindo sentido ao tempo e espaço. Adverbial criatura minha irmã, amorosa/mente, cordial/mente, boa/mente, coraçãomente rosiana. Nunca a vi sem empreender uma metafísica busca pela felicidade, o que se move invisível e nos apreende. Ela quer alcançar esse sentido que nos escapa, a transcendência nos gestos prosaicos, pois ela nunca descuida da vida verdadeira. E nesse sentido, somos iguais buscadores, pois não queremos menos que o entendimento e espírito intangível; cada qual, contudo, a sua maneira. Ela avança, assim, tempos afora em direção aos mistérios que já estão em si, sem que saiba. Com seu toque quântico, que ela não sabe, é poderoso porque nada nela é menos que o puro afeto. O bem-ser que está para além de um bem-estar espalha-se compartilhado na pessoa que é. A gente se cura, se alegra e se ilumina é de sua franca luz. E ela é minha irmã amada, tão querida, dada a mim e a todos nós por divina: pura dádiva?

segunda-feira, março 08, 2010

Pedrerico e a bola de cristal



Frames one and two.

Paisagem por cima do muro



Ontem, na casa de minha irmã, uma boa reunião com três dos nossos parentes mais queridos.

Quartinho de despejo

Para não atulhar mais o Revide com meus contos, microcontos, maus poemas, idéias/ficções frouxas, criei um apêndice dele, um "Quartinho de despejo", que vai ficar aqui, sem nunca ser outro blog independente. 

Novamente



(...)
Enquanto sofre, o coração intui
Que ao mesmo tempo que machuca o tempo
O tempo flui

E assim o sangue corre em cada veia
O vento brinca com os grãos de areia
Poetas cortejando a branca luz
E ao mesmo tempo que magoa o tempo
me passeia

(...)

Fred Martins

A single man, de Tom Ford


Assisti no domingo, no Unibanco. O título equivocado "Direito de amar". A dor profunda de um professor universitário que perde seu companheiro (por 16 anos) num acidente de carro. Incapaz de superar a perda, acorda decido a se matar. O filme se concentra neste dia, em que vaga em sua vida prosaica, preparando-se para o suicídio que cometerá à noite. Neste processo, revisa o encontro com o amado, o impedimento da família de comparecer ao velório, o encontro com uma antiga namorada que quer seduzi-lo, um jovem michê e um aluno muito jovem, fascinado por suas idéias. Impecável enquadramentos, fotografia, figurino, nem um segundo, um fio fora do lugar, o que inevitavelmetne nos lembra que é um filme Tom Ford, e Tom Ford é pura moda. Há algo de clipe, de rigorosamente estético, mas desejo de denunciar com honestidade, sem militar (embora haja discurso), a causa gay. E apesar de não querer "dar bandeira", um filme absolutamente gay, na música, nos detalhes, na obsessão pela beleza e corpo dos moços, no amor possível em cada esquina onde se dilui o melancólico e cresce a possibilidade de vida. Enche os olhos, menos de lágrimas, pela melancolia que sustenta, sem emocionar (para o bem e para o mal) de fato, com seus flashbacks, seu desfecho fantasminha. A narrativa se passa nos 60, investigativa da sociedade hipócrita que não mudou tanto. A single man nunca abre mão de pontuar as convenções sociais, marcando sua filiação com aqueles filmes bonitos do Douglas Sirk. Foco obsessivo nos detalhes. Interpretação contida de Colin Firth. Falta um grande salto, uma grande cena, mas um passo a frente, belamente necessário.

[Não consegui escolher o melhor cartaz, que tem a elegância que traduz o filme. Então pus todos, para que cada qual eleja o preferido.]

Os inquilinos

Sérgio Bianchi suavizando o tom de "filme-tese" sobre a inviabilidade crônica do Brasil, mas mirando a periferia com a mesma mão pesada de sempre para tratar (!!!!) do fracasso diário dos bons, honestos e pobres. Aqueles planos e enquadramentos preguiçosos e/ou rudimentares. Salvo por um enredo firme que prende, algum carisma dos protagonistas e dos vilões (terríveis!!!). Um filme inteiro à espera de ação. Boas cenas na escola com Cássia Kiss que lê e ilumina um texto de Ferrez. O tom grosseiro, as frases empedradas, as metáforas pedregosas e mais óbvias, do mundo cão. E o humor sarcástico, ferino. Pouco cinema, mas eficiente por cutucar questões de um país violentamente cruel. 

Lobisomen

Adoro o gênero terror. Assisti na quarta, em Mauá. Grandes efeitos. Mas fraco, fraco em todos os sentidos: enredo, interpretação, envolvimento.

sábado, março 06, 2010

Escrevo

Estou em crise, e escrevo. Escrevo compulsivamente. Talvez por que as férias não tenham chegado ao fim. Talvez pela angústia que o tempo presente me apresenta. Talvez por que sempre doa esse ponto final, onde caberiam vírgulas, e andavam reticências. E a indisposição grande de sair, de novidades. Não adiantou minha irmã vir com seu tarot e dizer tanto do que já está aqui, mais que amadurecendo, passando do ponto dentro de mim. Apodrecendo.

Sigo. Exaustões de academia. Manuais de roteiro. Estou um tanto perdido. Cíclope ante Ulisses: eu sou Ninguém. Tive insônia. Esses filmes não me apetecem. A barba anda grande. Isso tudo não faz muito sentido, e faz. Recebi uns convites, declino. De todo desejável, desejo? A catalogação adiada dos livros, mas todos os compromissos maiores foram resolvidos, e agora? Ando em estado de espera, de pausa. Pausa.
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Recebo visitas, recados. Alguns emails me deixam triste. Canções como se ouvisse pela primeira vez. Gosto tanto de "Só as mães são felizes" e "Blues da Piedade". Reouço este Cazuza que demorei a degustar. Aquele bolero brega que a Elis faz parecer estupendo (e é) "Dois pra lá dois prá cá". "Me deixas loucas" e "Se eu quiser falar com Deus", me importunando. Combinei isso com "Meu coração ateu", da Betha. Aviadei completamente? Quase morro na esteira. Eu não estou normal: o meu normal é a rotina, minha companheira de barco sem motim. Há tantos desejos por aí, e assolam. E simultaneamente a isto a vida faz-se.

[Os cabelos grisalhos da minha mãe sem câncer são tão bonitos. É o fim do câncer generalizado dos últimos dois anos. Já Tininha e eu planejamos a Argentina. Então por que me sinto doente?]

Neste ínterim, me disse que aquele vídeo que eu gravei com o +Soma para o Itaú ficou bonito, e eu só pensei que eu não estava ali ao lado, que sou eu o cara errado, perdido nos prazos e na vida. Que hora são, please? Estou podendo com sentimento desembestado?! Tem tanta coisa que eu não sei de mim, quase à beira da  i r r e v e r s í v e l   i m a t u r ( a ) i d a d e. Descubro-me agora corroído de ciúmes.  Eu, que me perco fácil, na cidade de São Paulo. E listo sem querer nomes de gente que me esqueceu, das quais eu, puro-esquecimento, lembro-me tão bem.

Revi Penélope Cruz cantando "Volver" em "Volver". Das cenas que mais gosto no mundo (E aquela outra do Amante minguante penetrando a vagina de Paz Vega). Sou irreversivelmente brega.

Estou em crise, e escrevo. Compulsivamente. Pus aqueles post its no Desktop, e são dezenas de microcontos, provérbios, mais aqueles escritos que rabisco no caderno, fora roteiro que engendrei com Elaine no dentista e outro, no ônibus e enquanto caminhava a pé para casa. Não tem jeito. Sufocado, mare magnum de palavras ondulando e dormindo até a uma hora da tarde. Vem aí hordas de novos alunos e eu não quero mais nada disso para minha vida. Quero o quê? O que não possuo? O silêncio aveludado da minha paz?

quinta-feira, março 04, 2010

Epitáfio do músico negro 
de New Orleans

Aqui jazz



Depois de uma noite péssima, o dia me amanheceu com alguma coisa de Clarice Lispector no ar.

#04#

Poema

[Ouvi no mp3 a canção Poema de Cazuza e Frejat. Isso é muito bonito na voz de Ney Matogrosso, e eu gosto de desafinar esses sentimentos sob o chuveiro, no pouco mais que dois por dois do meu banheiro de azulejos imperfeitos].

terça-feira, março 02, 2010

Carnaval do Recife 2010



É um filmezinho semi-feliz, pois afinal é a Adriana Calcanhotto que canta a música de Carnaval. Pensei naquela canção dos Loshermanos, pensei naquela "Manhã de Carnaval", que é linda. Mas ficou essa, pois só descobri recentemente a musiquinha calcanhotiana. E quase não tem foto minha porque sou eu quem pilota a câmera. Se tivesse: bêbado, louco e na sargeta. Deus sabe o que faz.

Dos hábitos de leitura

Revista Caras, no consultório do dentista; Liniers no vão do Masp; Zazie ou Salambô, no metrô. Pessoa, Rosa e Bandeira, sempre na cabeceira. Ou então depoimentos de cineastas:
que eu gosto de ler filmes na cama.

#03#

O mistério do leão rampante

Lido assim, de uma hora para outra. Uma sátira que se passa em Londres, com Shakespeare como vilão. Fraco, mas interessante.

segunda-feira, março 01, 2010

Carpe diem quam minimum credula postero

Carpe diem quam minimum credula postero
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.

Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã
Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses
darão a mim ou a você, Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia
não brinque. É melhor apenas lidar com o que se cruza no seu caminho
Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último,
que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar
Tirreno: seja sábio, beba o seu vinho e para o curto prazo
reescale as suas esperanças. Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento
está fugindo de nós. Colhe o dia, confia  o mínimo no amanhã.

Horácio (65 - 8 AC)

O segredo de seus olhos


Extraordinário, para dizer o mínimo. 

*

Nenhum medo de recorrer a clichês. Atuações magníficas. Difícil descrever essa história de amor silenciosa correndo em paralelo com uma trama policial. O espelhamento entre o amor do investigado e do viúvo. A impecável transição entre tempos. A cena da perseguição no estádio de futebol. O interrogatório visto umas cem vezes em filmes americanos e séries americanas, mas conduzido com complexidade e impacto até tornar-se não só verossímil, mas desconcertante. O jogo entre humor, patético e ternura brindado pela interpretação de Guillermo Francella,  como amigo alcoólatra do protagonista. O horror diante da justiça absoluta. E o desfecho - sem um beijo que seja - em que uma porta que se fecha é suficiente para tudo fazer entender. Difícil descrever como numa condução clássica um diretor mais que competente pode ir tão além. Certamente a obra-prima do argentino Juan José Campanella.

*
Destaque para a cena já antológica do elevador: para engasgar, horrorizar, fazer o espectador sentir-se completamente impotente diante da perversidade.