sábado, janeiro 30, 2010

Ave Frida


[Me perguntaram recentemente o que é "beleza na contramão". É isso que é Frida Kahlo, um belo que surge de uma personalidade, nada fácil ou pausterizável, um tipo de "des/beleza". Fascínio que reorganiza o nosso olhar. Por isso, nem todos enxergam do mesmo modo ou veem beleza no que é mais].

Jogos de armar

Memória do Tangram aprendido na escola.

Geometria


e Arte

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Brincando com o Lucas no PhotoScape


Então eu liguei para o Lucas e ele veio me ver. Assistimos um filme que baixei mas não estreou nos cinemas brazukas ainda, "A Estrada", com Viggo Mortensen. Como ele precisava atualizar o Orkut, ele me pediu fotos novas. Descarreguei aqui no pc, e aproveitei para mostrar esse programa de edição que adoro, PhotoScape, e ele aprovou. O resultado é esse de cima, em lápis, 3d e pontilismo. 


Já a foto p&b, saiu assim, sem retoque, do clique dele. Para quem quer saber como sou: pessoa-de-dia-da-semana, prosaico de havaianas, shorts curtos sempre, olho na tevê, mãos rogando sucesso, sofá que precisa trocar e a mochila única, sempre ao meu lado, mesmo quando não vou a nenhum lugar.

Vício Frenético.



[E eis que num filme policial que tinha tudo para ser óbvio, salta com cenas de rara inteligência, desnorteio, enquadramentos e formas de filmar inusitados. O diretor, claro, não poderia ser americano, no caso, nada menos do que Werner Herzog. O histrionismo de Cage a (bom) serviço do papel, com proliferação de répteis e feras num roteiro insano, mas tão insano que se torna surreal, over em cada crescendo de cena, de modo que o desfecho se torne absolutamente inverossímil, e tenhamos que repensar o filme todo, e saber em qual momento determinado o que se assistiu não passou de um delírio do policial-viciado em drogas (heroína, cocaina, crack, vicodin), putas e jogo. Tudo mais e melhor do que visto neste tipo de cinema que às vezes é muito eficiente na condução das emoções do espectador, mas raramente memorável. Herzog, neste filme de encomenda, tira a acepcia do cinema americano, e embarca na podridão: lugares horriveis, personagens grotescos, vulgaridade até não poder mais. New Orleans é qualquer pais de terceiro mundo africano. E a cena das iguanas, além de outras tantas, em que o policial fuma um baseado interrogando um suspeito, tortura duas velhinhas (uma, paralítica), um jacaré observa outro jacaré atropelado, ou que a alma de um bandido morto metralhado começa a dançar ao som do jazz. Ontológico.]

Pata pata

object height="344" width="425">
[Reencontrei no youtube. Tudo é tempo presente. E gostando muito. Gostando demais dessa Pata pata, com Daúde e seus inacreditáveis 50 anos de idade].

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Saint-Andrés-au-bord-de-la-campagne


D.J.Alma, Celso, André, João e eu
27.01.2010.

Sou dos que ainda recebem email de Lispector

Letícia manda Lispector

Na terça fui embaixo de tromba dágua ver menina-Letícia na Paulista/Cultura. E a gente se reviu, e ela me passou o livro de roteiro que o Rodrigo comprou na Argentina para mim. E nós conversamos. Comemos lanche. Fotografamos um pouco. Depois procuramos esse conto da Clarice Lispector, que ela diz que tanto ama, que ela mais ama - e descobrimos que nós dois também amamos o mesmo romance de Clarice - Uma aprendizagem, ou O livro dos prazeres. Ela me confessou que é um tanto Lóri. E eu tirei uma foto dela com a câmera cor-de-rosa dela (ela estava com um visual super-fashion-week, tipicamente Letícia blasé. Não tenho a foto aqui. Vou pedir que me envie. Não encontramos lá na Livraria Cultura o livro, e visitando as prateleiras de cd falamos do nosso ódio da Ana Carolina, e tantas breguisses e semi-cantoras atuais. E eu tive que concordar com Conrado, porque o DVD da Fabiana Cozza ficou muito ruim, e ninguém no mundo merecia que fosse tão mal dirigido. Tão sem arte, ela que é a maior cantora jovem do Brasil. E depois procuramos esse conto de Clarice em vão. Ontem, abri o email e vi o recado:

Edu, encontrei o conto na internet. Leia e veja se também gosta.

um beijo,


Eu sou dos que recebem email com conto de Clarice Lispector sem ser falso, sem ser spamm e com exclusividade. E vou ficando mais insuportável por ter essas amizades únicas que me fazem tão bem.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Tarocco Soprafino


Este é para mim, o tarot mais bonito do mundo, o Tarocco Soprafino. Saiu em 2000, são as 78 cartas  (arcano maior e menor), numa edição da Il Meneghello, Milão/Italia. O original é de 1835, de Gumppenberg. O desenho é Carlo Dellarocca. Só dá para comprar no ebay. Se quiserem me presentear, eu aceito. Emolduro, ponho na casa nova, que o tarot prediz que em breve eu terei. E convido para tomar cafezinho.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Das pessoas que gosto de dialogar

De repente eu senti uma falta enorme de umas pessoas que não vejo há um bom tempo. De discutir filmes comerciais com Paranex, que me mostra incríveis trabalhos seus, e outras animações geniais, e me põe para pilotar o x-box, eu que nasci apenas com dois dedos esquerdos, e bota na mão um iphone que chegou do ebay, quando nem se falava ainda de iphone.

E saudade da Cris do colégio, de conversar horas com Cris, até no telefone, e muitas vezes sobre tantas coisas e sobre nada. E da alegria jovial do Douglas e suas piadas sobre vacas e hamburger; da Márcia e do balé. E do João que é bacana, pois está sempre meio lesado e apaixonado por um filme que vira outro projeto depois outra coisa; João que gosta das baladas que não vou. Saudades de um tempo grande de conversas com Lucas, o não-sobrinho, mesmo por msn, e que terminava abruptamente em discussões que eu não sei porquê. Conversas que foram minguando até não existirem mais, como fonte que seca, escassez extrema, coisa que acontece.

Saudade de conversar com o outro Lucas, meu sobrinho-primo-neto, inclassificavel criatura de 13 anos que sofre já de angústia existencial e que diz que não se reconhece muito bem num mundo tão complicado, e sente que pensa tão diferente de todos a sua volta, que o acham estranho, e eu me lembro que era como eu me sentia exatamente aos 13 anos. Saudade da companhia do meu primo Márcio, um sujeito tão bom, honesto, pacato, esforçado, meio que sobrevivente entre escombros de família e que traz, ainda, certa melancolia que já portava quando bebê e que não se perdeu, como se as coisas fossem, mas não para o rumo certo.

Saudades de conversar com Sueli, que literalmente casou-e-mudou, mudou para Portugal, mudou de si, mudou; e encerrou um ciclo que começava em Silene e vai até Margarida (eu gosto tanto de falar com ela), passando por Conrado, e pela familia tão verdadeira de Si. Das conversas do Florisvaldo, que eu conheci quando tinha uns 13 e que, não sei, acho que não passou dos 20, morto com tiros na cabeça numa briga banal. A pessoa mais triste do mundo. Com sua inteligência que eu reconhecia longe, e das drogas, e da dureza, e de tanto irmãos, e do desamor dos pais e de nenhum futuro. E que chorou quando no despedimos para-sempre, lá no Correio, onde eu orientava os menores-bolsistas carentes. O Florisvaldo que por minha causa decorara o Drummond, que gostava de poesia, que queria tanto ser feliz, e que tinha um amor enorme por mim. Flo que é um buraco em mim, o que mais se aproximou de um filho que não vingou.

Sinto saudade de rir conversando com Raquel, que me apresentou Caetano. Saudade de como minha mãe era doce na infância, sem rancor, sem frustração, uma doçura irrecuperável, de seu amor que era então "incondicional". Saudades de conversar com o estofador da porta em frente, quando era menino, cujo nome se perdeu: ele, a mais atenciosa criatura. Do Serquinha, que translera a bíblia e falava tranqüilo de Deus. Das aulas do Djalma, que é alguém de quem gosto tanto por me me ensinar a ver filmes, e a pensar a liberdade que a gente deve se permitir na vida. Das conversas desses amigos que vem aqui e renovam tudo, e saudade das conversas dos meus velhos amigos (quando jovens) quando não se tinham abatido - alguns sob o peso do tempo e da realidade - que secam os sonhos.

Vontade de voltar lá no estúdio que não há mais, e ficar horas falando sobre Durer e Mucha com o Airton, que sempre me apresentava ilustradores e animes fascienates. Da família do Airton e seus amigos, que durante um tempo bom foram meus. De ver Rosana na Igreja. Lindalva, inconsequente, mas tão menos amarga, no shopping. Do Carlos livreiro e seu mau humor, sua misantropia, antes de virar o que virou. Do Du feliz, da Lê, da Marcela dos dias ensolarados de Sampa, a mais moderna e sempre com uma visão nova sobre o cotidiano. Do Tiago, do humor pra dentro do Tiago, falso loser, clown lírico e ingênuo querendo a urgência de uma paixão.

Mato sempre que posso, e converso e visito, a Ana Palindromica, capaz de apaixonada discorrer longamente sobre filmes, teatro, música; saltando e se reconstruindo e sendo mais ela quanto mais outra a sua paixão. E Tininha que tagarela viagens, o entusiasmo personificado em tudo que é viver, nossas confidências sentimentais cheias de riso. E sinto saudades de Susanna e Débora, no carro quando vínhamos da USP. De Eva e seu humor elegante.

Saudades até de monologar com os alunos, e encontrar a minha voz e a voz deles, e nos entendermos dialogando. Escrever aqui, como maneira também de dialogar, sanar saudades, lembrar ausências, ainda que faltem as vozes dos que me ouvem.

o iê-iê-iê da Pitty



De repente eu gostei demais desse iê-iê-iê da Pitty. É uma música, que com exceção desse refrão ("Que você me adora/que me acha foda") poderia tranquilamente ser cantada pelo Roberto Carlos. O Arnaldo Antunes fez um disco inteiro (o mais recente) sobre o gênero (o título homônimo). Mas é daqueles discos "projetos", enquanto Pitty recolocou de fato o gênero pra tocar e ser cantado pela molecada. E até o retrô do clipe com dancinha, tudo evoca uma Jovem Guarda mais dark, muito mais estilosa do que outsider/marginal. Gosto disso. E a música é uma delícia, com todo brega, melodramático e ingênuo do estilo.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE

Será que será um filme bonito como parece? Meio, assim, adolescente encontrando o amor? Não se perderá naquela vontade burguesa de ser inglês no Brasil (melancolia tipo importação) e com sotaque sulista? Eu que fui adolescente introspectivo e melancólico, simplesmente nunca consegui pensar num bom roteiro sem clichês, fico com boa impressão das imagens do trailer.

Nine (8 1/2 transformado em Musical Estadunidense)

Clique aqui

Fellini 8 1/2

Um que tenha (o retorno)

Um que tenha, fenix da net, para baixar cds atuais de MPB em mp3.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Caminhos


De Alice in wonderland

- Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?
- Isso depende bastante de onde você quer chegar", disse o Gato.
- O lugar não me importa muito...", disse Alice.
- Então não importa que caminho você tomar, disse o Gato.
- ... mas é que eu preciso chegar a algum lugar, acrescentou Alice
- Oh, querida, mas para chegar a algum lugar, a única coisa que precisa fazer é caminhar bastante".

Participação na matéria sobre Mia Couto da Revista Problemas Brasileiros

Entre novembro e dezembro conversei com o jornalista Maurício Monteiro Filho sobre o autor moçambicano Mia Couto, para uma matéria/perfil sobre o autor e sua obra. A revista saiu agora em janeiro, com contribuição minha e do meu amigo/mestre/orientador Carlos Serrano. Para os que não sabem, meu doutorado compara as obras de Guimarães Rosa e Mia Couto na perspectiva do sagrado (também do choque entre o moderno e o arcaico). Para quem quiser acessar, deixo link.



Obra do escritor moçambicano revela altas doses de magia e sensibilidade


MAURICIO MONTEIRO FILHO





Mia Couto / Foto: Arquivo pessoal


No lançamento de uma de suas obras, o livro infantil O Gato e o Escuro, o escritor moçambicano Mia Couto conversa com uma das crianças presentes, que estende seu exemplar para ser autografado. Depois de se apresentar e fazer ao menino algumas perguntas que ele próprio acaba qualificando de estúpidas, Couto ajoelha-se para ficar à altura de seus olhos e indaga:
– Você tem medo do escuro?
O garoto, em vez de responder, lhe faz a mesma indagação.
– Sim, eu tenho – assume o escritor.
– Não precisa ter medo. O escuro é só o que colocamos nele – diz o menino.
Mia Couto reconhece a frase. Nem poderia ser diferente: foi ele mesmo quem a escreveu, na obra que era lançada naquele momento.
“Fui consolado por uma citação de mim mesmo, dita por uma criança”, admirou-se Couto. E se deparou ali com o que considerou uma das grandes realizações de seu ofício de escritor.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Origami


[Adoro origamis difíceis]

Arrancada

Primeiros passos rumo ao documentário. Orçamento feito pela Paula.

Speedy consertado e descoberta de mais uma roubalheira da telefônica.

Rascunhos de um curta/longa sem nome.

Garganta matando.

E tudo segue.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Retrato do desconhecido

Ele tinha uns ombros estreitos, e a sua voz era tímida,
Voz de um homem perdido no mundo,
Voz de quem foi abandonado pelas esperanças,
Voz que não manda nunca,
Voz que não pergunta,
Voz que não chama,
Voz de obediência e de resposta,
Voz de queixa, nascida das amarguras íntimas,
Dos sonhos desfeitos e das pobrezas escondidas.

Há vozes que aclaram o ser,
Macias ou ásperas, vozes de paixão e de domínio,
Vozes de sonho, de maldição e de doçura.
Os ombros eram estreitos,
Ombros humildes que não conhecem as horas de fogo do
amor inconfundível,


Ombros de quem não sabe caminhar,
Ombros de quem não desdenha nem luta,
Ombros de pobre, de quem se esconde,
Ombros tristes como os cabelos de uma criança morta,
Ombros sem sol, sem força, ombros tímidos,
De quem teme a estrada e o destino
De quem não triunfará na luta inútil do mundo:
Ombros nascidos para o descanso das tábuas de um caixão,
Ombros de quem é sempre um Desconhecido,
De quem não tem casa, nem Natal, nem festas;
Ombros de reza de condenado,
E de quem ama, na tristeza, a sombra das madrugadas;
Ombros cuja contemplação provoca as últimas lágrimas.
(...)


Que se abriram diante de mim como um abrigo,
E que me trouxe de repente os dias mortos,
Em que me descobri como outrora,
Livre e limpo, como no princípio do mundo,
Envolvido na suavidade dos primeiros balanços,
Sentindo o perfume e o canto das horas primeiras!
Não direi do seu olhar!


Não direi do seu olhar!
Não direi da sua expressão de repouso!
Ainda não sei se era dele esse olhar,
Ou se nasceu de mim mesmo, num rápido instante de paz
e de libertação!


Augusto Frederico Schmidt

Das microcríticas cinematográficas




O desejo de aprofundamento do mistério na religiosidade do Brasil (sic) profundo. A perspectiva arcaico popular e o choque com a modernidade. A intenção patente de revelar o que há de belo e transcendente no povo pobre e bom que está à margem da margem do Brasil. Aquela busca do país não contemplado, dos confins, mas o sagrado reduzido a exotismo para contemplação da intelectualidade primeiromundista. Ênfase em personagens masculinos que nunca chegam a homens. (Nunca é fácil ser bicha no cinema brasileiro. Tudo é mundo cão, ou melhor, mundo cadela). Maneirismo. Aquela câmera (sempre na mão) sob efeito lisérgico, querendo glauberizar-se em vão. Maneirismo do cinema off-Globo realizado por gente da Globo. Planos longos e silêncios entrecortados de gritos histéricos e aqui e ali escatologia. Uma angústia existencial que tem pouco a ver com o Brasil, para vexar Rosa, fazer Mário de Andrade arrotar no túmulo. Pretenção de obra séria, grandiosa. Câmera (sempre na mão) que passeia passeia e não chega a lugar algum, ou que chega ao lugar-comum. Direção histérica de personagens histéricos em interpretações histéricas. Entretanto, sem contundência. Deus é mais. Pena. Ótimo argumento e boas idéias que se frustram. Síntese: um filme histérico. Um filme que me fez lembrar aquele diretor (histérico!!!) de Recife, de amarelos mangas e baixios: a ênfase em marginalizados reforçando esteriótipos e preconceitos. Bela fotografia que não salva. Bons atores que não salvam. Um filme condenado ao esquecimento.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

(Foto)Síntese

Já foi outono para Tininha, quando as folhas se perdem, e Inverno longo, duradouro; e breves dias de verão. Quinta fui ver Tininha com minha irmã. Ontem, domingo, ela foi nos visitar e ver a casa da irmã, o jardim florido, a mesa, o lustre de gotas de cristal. Já andava melhor, e a dor atenuada. Eu que fiquei tão preocupado. E o para-além-de-cuidar que ela aplica a tantas crianças, tão Davi contra Golias, faz-se voltar nas mãos da minha irmã para ela. Todos nós, igualmente, cariciosos de a querer melhor. Então eu que a havia visto tão sofrida, e triste, e murcha a vi reflorir. Tininha que merece a certeza das estações, sua regularidade, o sol ameno da primavera com chuvas que não derrubam e que dão mais vida à vida.

Recomeçar

Recomeçar é bom. Hoje, assim, como o primeiro dia do ano.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Pai eu tou grávida

paSSeio





Na lista das urgências que me fazem tão bem e me fazem tanta falta, está esta que se realizou na quarta no Aquário de São Paulo (lá no Ipiranga): sair com meus dois sobrinhos-afilhados Gabriel e Letícia. As crianças da família são dos seres mais amados. Sair com os pequenos para lugares que nunca fui, é garantia de alegria, pois eles se empolgam até com escadas de metrô, e tudo para eles é novo, divertido, instigante. Pipocas, dropes, máquinas fotográficas, esfirras, taça de sorvete do Habbibs. Não há máscara, mau humor, desatenção. E sempre estão me lembrando que o mundo é algo maior-melhor que tragédias, corrupções, doenças que nos abate. É quando me dispo do cinismo que bem funciona no enfrentamento de um mundo sem qualquer delicadeza e estou mais eu, mais descomprometido, sem ter as respostas, sem precisar das respostas. Eu gosto de conversar, de ouvir falar da escola, dos amigos, do que acham disto e daquilo, do que os faz alegres. E é muito bom saber que faço parte desse momento da vida deles.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Pequena tragédia tecnológica

O hd do antigo computador queimou. Um queimar não-literal, pois não há fogo, incêndio, fumaça. Mas há dano. Não permite acessar o disco, ler, tirar de lá três ensaios literários longuíssimos, sofridos, cujo arremate lhes faltava. Mas não é só. Filmagens da infância primeira do meu sobrinho Pedrerico. Documentações de imposto; currículos; trabalhos revisados; anotações; projeto de pós-doc. Muitos textos fechados em definitivo. A versão final (e única) de vários contos que tinha a esperança de pôr em livro. Fotos, fotos de muitos eventos, de muitos encontros; viagens. E músicas, filmes, vídeos curtos encontrados sei lá onde . etc. Não há fumaça, nem brasa, nem carvão, mas está tudo de certo modo meio que reduzido a pó. Soube que há quem repare tais discos, é um processo muito difícil e bastante caro. Não fiz backup. Não confio em backups. Meus dvds com backup já se estragaram. Pendrives tornaram-se inacessíveis. Já perdi tantos e tantos dados que posto em nuvem (em contas de email e hds virtuais). Há a chance de conseguir uma e outra coisa com parentes e amigos para os quais compartilhei cópias. Contudo, de um modo geral, muita coisa está perdida. E agora me vem a memória que tenho guardado velhos escritos que fiz à mão.Outros, em cópias em carbono do tempo em que se datilografa e se faziam cópias-carbono: elas resistem firmes, em pastas, nos meus armários. A tecnologia é uma facilitadora, permite velocidade de trocas, intercâmbio, mas na preservação de dados (e memórias) costumam ser um fracaSSo. Talvez por isso aqueles tomos medievais talvez enterrem em definitivo os Quadcores, porque, por mais incrível que pareça, parecem menos sujeitas a queimar.

terça-feira, janeiro 12, 2010

A partida



No fundo o tema que mais me interessa é a morte. Então eu assisti a esse filme chamado "A partida", de Yojiro Takita que ganhou oscar, (o que significa bem pouco). Eu, que nestes janeiros ando um sentimental drummondiano, chorei o filme inteiro, num filme onde há momentos de intenso humor, de delicadeza, de amor. Esqueçam aquela conversa de que japoneses comemoram e sorriem quando ocorre a passagem da vida para morte. Balela, a morte é sempre um tragédia. De singularidades da cultura (ou do filme), está o fato de que se come todo o tempo e se expõe os homens e os mortos. Eu que gastei a palavra transcendência em posts que não eram para tanto, digo que é A partida que dá a maior dignidade, a maior beleza, para esse que é o grande trauma de todos nós. Porque somos mortais. Por que findamos. Porque - desejamos para além do tempo escasso que nos é dado - perdurar. Eu que encontrei numa manhã o corpo morto do meu pai sem nele reconhecer (ou reconhecer tão somente aquele vácuo da ausência do que antes era vivo) só posso louvar esse filme, e recomendá-lo, em tempos em que a morte no cinema se converteu em mero espetáculo pirotécnico.

Pintura paródias de David Barton







Tarô




domingo, janeiro 10, 2010

Tarô, notebooks, origamis e outras elocubrações

[ou, momento diarinho]

Em luta sem trégua contra a Telefonica e contra o Speedy, que cai cai cai mais que balão em usina de São João. Escrevi um conto novo, que acho muito bom, ontem as 4h30 da manhã, com o título "Fora de si". E pensei um curta legal para dirigir com Okuma (que me pediu roteiro) e o fugidio Joaozinho, enquanto há férias, muito novelle vague com encontros e separações com e sem dramas, correndo por SP, ABC, lugares bonitos que andei visitando. Releio aos saltos Susan Sontag, de quem gosto. E brinco em casa manipulando fotos neste notebook hp que estou aprendendo a amar. Pois o amor pode ser aprendido. Mas o que mais faço mesmo é ficar abusando do "e" e dos gerúndios, enquanto curto a moleza da casa, pois os dias estão bem quentes, oscilando entre o calor ardente e a chuva que desaba. Assisti ontem com prima e Dom ao Retrato de Dorian Gray às duas da manhã, comendo pipoca, eu que cheguei rabugento demais, me admiro como podem me suportar quando eu mal me suporto. E tantos filmes baixados, novíssimos, que vou pegando de recomendação em sites e blogs, enquanto é tempo. Para semana, planejar novo passeio com os sobrinhos, talvez no zoologico, no Butantã, ou no Museu do Ipiranga, ou ao teatro. Fotografá-los também. Levar dobraduras bonitas. hoje quero mais é fazer isso, ir lá na mesa dobrar papel para presenteá-los de maneira tao pessoal. O notebook lindo que comprei para minha irmã Márcia que está prestes a chegar, preto, philco, já anunciei o presente (eu sou como o Pedro, eu não sei guardar segredo). Ela ficou comovida. Eu adoro dar presentes muito caros (quando posso) sem motivo, sem aniversário, sem Natal, pois eles desconcertam o presenteado, e isso é bom. A visita agendada à casa da minha gran-amiga Tininha para quinta, vou levar comédias românticas. Ontem eu e o Pedro inventamos um jogo com as cartas do tarô, no qual ele inevitavelmente sai o vencedor: a torre vence o louco pois cai em cima dele, o carro passa por cima do papa, o pendurado pendura até o diabo, e só quem vence tudo mesmo é a morte. E damos novo sentido (nada-místico ou filosófico) ao tarô de Marselha. E eu aqui pensando que tudo são ecos da alegria da visita de Janete que ainda ressoa nessa casa. Janete, que me mandou por torpedo a mensagem mais bonita que recebi neste 2010.

sábado, janeiro 09, 2010

Cássio Loredano







A caricatura é um desenho cuja base é deformação da figura do retratado, um rebaixamento jocoso, já que visa o humor, posto que evidencia e exagera (no mais das vezes, de maneira grotesca) os traços mais marcantes do retratado. Em Loredano, penso que a caricatura adquire outra dimensão. Se é possível rir das figuras de grandes autores que retrata (a preferência por artistas e escritores é notória), ela nunca parece (pelo menos a mim) "rebaixar parodicamente a figura", antes, reafirma-se como uma síntese reveladora do sujeito. Seu desenho nada tem de excessivo, singulariza-o a economia do traçado (sempre sinuoso e hiper angulado, dinâmico, fino) que ressalta o essencial, dizendo e comentando criticamente o artista. Mário de Andrade retratado como o Abaporu diz muito sobre sua brasilidade modernista. É isso que sinto no trabalho de Loredano, a possibilidade de realização crítica da persona/máscara do retratado, mais revelador que a própria fotografia.

Buñuel no traço de Loredano




[O pretexto era dizer que acabei de ler "Meu último suspiro" - auto(se possível)biografia  escrita a quatro mãos por/sobre Buñuel e (por) Jean-Claude Carriere. Googlando, no entanto, eu cheguei à caricatura de Loredano, único "artista do gênero" do qual tenho um livro].


Cores

De ontem para hoje, reassistindo aqui em casa aos filmes de Kieslowski. O Branco e o Vermelho, e a certeza de que sempre há alguma coisa a mais para se descobrir nesse diretor, que durante anos foi o meu preferido.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Começo e fim





E eu gosto dos filmes, dos livros e das canções, porque restam.

Dorian Gray e o seu retrato


Adaptação de Oliver Parker para O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde.

Mania de fotos



Ando com mania de fotografar. Saio com os amigos, e vou torturando-os, dirigindo as fotos sem pudor e sem medo de vexame. Essa é um exemplo, na Pinacoteca do Estado com Janete. As outras, invenções, manipulações, como se não tivesse nada a fazer. Talvez não tenha. Mas faço.



quinta-feira, janeiro 07, 2010

Querida



Longa é a tarde, longa é a vida
De tristes flores, longa ferida
Longa é a dor do pecador, querida

Breve é o dia, breve é a vida
De breves flores na despedida
Longa é a dor do pecador, querida
Breve é a dor do trovador, querida

Longa é a praia, longa restinga
Da Marambaia à Joatinga
Grande é a fé do pescador, querida
E a longa espera do caçador, perdida

O dia passa e eu nessa lida
Longa é a arte, tão breve a vida
Louco é o desejo do amador, querida, querida
Longo é o beijo do amador, bandida
Belo é o jovem mergulhador, na ida
Vasto é o mar, espelho do céu, querida, querida
Querida

Você tão linda nesse vestido
Você provoca minha libido
Chega mais perto meu amor bandido
Bandida, fingido, fingida, querido, querida.

Tom Jobim

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Motel Selvagem




Pensei em criar uma micronarrativa com o título Motel Selvagem.

Começaria assim:

Sempre pensou em comer alguém num motel. Ela chamaria Deus, cairia de quatro por ele, e de joelho encheria a boca, idolatrando-o com gosto. Impassível, ele a algemaria no ferro da cama, que pegaria fogo. Por requinte, ele a escaldaria na banheira de hidromassagem a fim de amaciar sua carne, todo carnívoro que era, freudianamente açougueiro com vocação para cirurgião. As preliminares, executadas com a crueza de um Jack, ela se abriria inteira pra ele, exalando ocultos odores a sua carne branca-rosada. No que sobrasse para a necropsia, o detalhe da correntinha no tornozelo, a marca do queimado do biquini, a certeza de que ele começara a devorá-la a partir das unhas vermelha dos pés. Nos quartos ao lado, amantes furtivos em silêncio, excitadíssimos com os gritos da moça (no depoimento prestado, estranhamente, ninguém ouvira nada). GOSTOSA DEVORADA A CRU, estamparia desonesto jornal de domingo, descrevendo com erro as primícias do ato, chamando-o assassino frio, quando cada estocada, amolecendo tijolos, embaçando os espelhos do teto. A água rolando na boca, ele temperaria com mel, morangos e renda chantilim da calcinha dela. Intuiria a salivação dos quartos vizinhos, mas não convidaria ninguém para seu banquete canibal, todo de encher a boca, de engordar olhos de inveja. Denunciado pelo faxineiro vouyer, dentinhos de rato dissimulado no olho mágico estrategicamente invertido com que não contava. Há gente para tudo nesta vida! Horas depois, saciado, ambos os corpos seriam expostos na 15a. DP (DP não, ele diria, negando): ele algemado na poltrona desconfortável, ela, corpo e membros, sobre a mesa, uma perna em um canto, outra no outro, como naquele filme, Instinto Selvagem, só que em flagrante delito a moça não daria aquela cruzada de pernas.  Estaria ali mais como uma Madonna nua em início de carreira, exposta (decúbito dorsal), toda material girl. Um crime apaixonadamente executado no Motel Selvagem.



José Dias

Putíssimo, decidiu que não gastaria mais nenhum superlativo para falar de Capitu.

Stephan Doitschinoff


sincronicidade. fui ao masp ontem. adorei a exposição de grafiti. do que mais gostei: os trabalhos de stephaen doitschinoff que tem tudo a ver com umas buscas literárias minhas. religiao. violência. tempo. sexo. falseamento do real. tradição. brasilidade. cultura popular. ai tininha manda pelo orkut um link para um documentário sobre o trabalho dele em lencóis. e não podendo fotografar no masp tive que roubar o que vi.



Eu e o espírito de porco


.

terça-feira, janeiro 05, 2010

13 - 27 - 31 - 38 - 42 - 46

Agora que saiu o resultado da megassena acumulada, e descubro - com certo desconforto - que não sou um novo bilionário, é hora de atualizar a lista de projetos para 2009. A primeira medida, deveria ser jogar o bilhete fora, e desistir de vez da esperança de enriquecer por intermédio da matemática. Mas não sei, sou fiel à divina Providência.

Acho que cedo ou tarde o William Bonner vai aparecer no noticiário dizendo que os números anteriores não valeram. Depois, a Fátima Bernardes anunciará que o prêmio bilionário teve treze acertadores, e que um deles teria postado na lotérica de uma cidade do interior (para Globo, Mauá é interior de São Paulo). No final, depois dos suicídios trágicos de doze sorteados, a constatação de que o único ganhador com bilhete preservado terá sido eu. É, eu tenho esperanças, esperanças que se remoçam a cada ano. Deveria guardar os números e persistir na virada para 2011, 2012 ou 2013 etc.

Acontece que minha esperança tem curta duração, não daria nunca conta de expectativa tao distante, minha ansiedade poria dano ao meu estômago, e talvez lá pro ano de 2020 quando saísse meu prêmio, já não teria estômago para tanta alegria. Tanta espera, espectativa e avidez pelo grande prêmio, faria de mim um ressentido, um frustrado ganancioso, mesquinho, miserável do caramba e, para meu azar (contraditoriamente) um cara sem futuro. Por isso, rasgo o bilhete, e deixo definitivamente a esperança e a úlcera bilionária no passado.

E para mostrar que não guardo ressentimento dos astros, de Deus, da divina providência ou do inventor da Teoria dos Jogos, posto fraternalmente os números os números que fracassaram comigo mas que podem representar o sucesso e a alegria vindoura de alguém.

Solidário, desinteressado e humilde eu me tornarei, graças ao bilhete falho, o dinheiro perdido de uma coca-cola anã, que me livrou de outra dor de estômago, um homem melhor. E quem há de dizer que o dinheiro ou sua ausência não nos torna pessoas melhores?

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Watermelon man

Férias

Hoje com Janete e Ricardinho, a experiência de visitar a exposição de Cora Coralina e assistir ao vídeo sobre a origem da Língua Portuguesa, e um videopoema extraordinário. Como a primeira vez. De volta à Pinacoteca depois de tantos anos, a beleza das obras todas. Fotos, Paulista. Um dia que passou rápido demais na melhor companhia. Ando gostando demais de estar de férias.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Virada na Paula


ANO NOVO

20102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010[sec.21]2010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010210020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010201020102010