quarta-feira, abril 29, 2009

Todos os caminhos me levam a Santo André


Hoje fui ao EMIA para planejar com Celso a exposição de fotos da casa, pensar em imagens, no texto e nas entrevistas. Mais um projeto que promete. Revi a FSA, tomara que tudo dê certo dessa vez. Meus documentos perdidos no metrô continuam perdidos. Cartão não chegou. Vem a virada. Quero fazer filminho de um minuto para concorrer no festival. Hoje no cursinho um aluno me filmou contando histórias para turma, 160 alunos e um silêncio impressionante. E mais: para me ouvir falar de Ferreira Gullar, Marcelino Freire, para contar por que Clarice Lispector é maravilhosa. E da aula de ontem, já apareceram uns alunos com os livros da Lygia Fagundes Teles. Tanta gente bacana. Sinto-me um privilegiado. 2009 está um ano feliz.

terça-feira, abril 28, 2009

Por que estou falando pouco de cinema


Não entendi Across The Universe. Moulin Rouge eu custei, depois vi ali tanta beleza. Transpotting se gastou de assistir, como Laranja Mecânica, Pulp Fiction e Corra Lola corra (seus filmes irmãos). Se não viu O triste destino de Amelie Poulain, precisa largar tudo, assistir, sem pestanejar. Invejo quem escreveu Brilho eterno de uma mente sem lembrança, Quero ser John Malcovitch, Denise está chamando. Há filmes tristes que são demais, que nos derruba, destrói: todos do Kieslowski (se não viu, veja a trilogia das cores e siga adiante), O céu que nos protege, Perdas e danos, aquele da Bjork, o Brokeback Mountain, O talentoso Ripley, Blade Runner, Embriagado de amor, Cinema Paradiso. Do Brasil, anote: Terra estrangeira, Cão sem dono, Central do Brasil, Eles não usam black tie, A falecidada, Deus e o diabo na terra do sol, Um céu de estrelas. Dos modernos insanos e domesticados, gosto do David Lynch, Cronemberg, Hal Hartley, Tim Burton, Tarantino, Shyamalan. Fora desta lista, os maiores Wong Kar-way e Pedro Almodóvar. Woody Allen renascido. Aquele Sexo mentiras e vídeo tapes e aquele Verdades e mentiras são demais. Falta aqui uma lista longa de latinoamericanos (argentinos), e outra dos clássicos maiores. Estranhamente, não estou conseguindo ver filme nenhum, assisto a séries compulsivamente.

A cor amarela


Meu lado brega canta feliz.

domingo, abril 26, 2009

Conversas com WOODY ALLEN


Eu ganhei este livro que queria há muito, livro que pensei em comprar na feirinha do livro, e que não comprei, pois não fui. O certo é que a dedicatória, de tão bonita, talvez deva figurar como presente principal. Assim, o melhor seria começar o post com as seguinte palavras: "Ganhei uma dedicatória estupenda, que chegou acompanhada de um estupendo livro, ambos se completam, e agradeço o que Woody Allen tem a dizer sobre cinema, e agradeço, o que Lucas tem a dizer sobre mim." 

Disseram que na câmera de Woody Allen o protagonista é a palavra. A palavra que está presente também nos seus trabalhos, seja no ensino da Literatura, nos diversos ensaios e críticas literárias, nos roteiros, curtas, cartas e posts de blog. Espero que goste deste livro de um jornalista sobre um cineasta, presenteado a um cienasta por um jornalista.

Lucas
Abril/2009

Revidando o Márcio_LG

E acontece de vez em quando aqui no Revide, de um comment virar post (e gosto de deixar assim, em Inglês, pelo ressoar do "T" final), de um leitor/comentarista virar autor/comentado, pois muito me interessa o diálogo, pois a gente "que escreve" tende a um enorme grau de solidão, e é sempre uma alegria grande saber que em algum canto, em algum lugar, bateu a nossa voz.

O Márcio_LG, vez ou outra, aparece aqui e comenta. E isso me leva ao blog dele sobre cinema, muito amplo, pessoal e bonito. Eu gosto de passar lá e ler o que ele tem visto, e suas impressões. Mas o blog dele não aceita comments, mas tem um email para gente responder, caso queira. E fica assim um forum íntimo entre autor leitor do blog. Mas o meu email é uma droga, leva séculos para abrir, e no pop-up que se abre, tanta gente tímida, que nunca comenta nada, se anima a escrever. Eu pedi há muito tempo para ele rever esse conceito, e ele acabou de postar num comment o seguinte:

marcio_LG disse...
Mas pra que servem os comentários, afinal? Para dizermos o óbvio, tipo, concordo com isso, discordo daquilo? Por isso ficamos numa pop-up? Fodam-se os comentários! E vida longa aos blogueiros que ainda andam pelas ruas...

Eu não concordo nada com o Márcio, não há blog onde eu entre que não leia os comments, pois eles completam (para mim) o que foi escrito. Não é questão de vaidade (mas também pode ser), os comments permitem saber a quem falamos, além de ser um espaço para descobrir afinidades, gostos, compartilhar impressões que achávamos ser só nossas. Conhecer outros blogs, gente distante de nós e próximas no interior. E quantos posts meus nasceram de comentários, pois me senti de um modo ou de outro, provocado? (Não é isto que acabou de fazer seu commment?)Como negar o valor dessas janelinhas pop-ups? Por isso refuto essa idéia de "blog" como sinônimo de "diário fechado". Palavras (como toda arte e comunicação) só existem porque existe o outro, a quem falamos. E nada mais triste do que falar sozinho, como os solitários, os andarilhos nas ruas, bêbados, homens que enlouquecem no grande silêncio sem respostas.

sábado, abril 25, 2009


Um homem volta à sua cidade depois de uma ausência de mais de 20 anos. Ao entrar em um bar, ele reconhece a pessoa com quem viveu, na adolescência, uma intensa relação - na verdade, seu primeiro grande amor. Eis o ponto de partida do monólogo Só, escrito pela jovem dramaturga italiana Letizia Russo em cartaz no Sesc Avenida Paulista, em São Paulo, com a interpretação de João Miguel e a direção de Alvise Camozzi.

PARA VER SÓ

Ontem eu saí para ver SÓ. Gosto muito do João Miguel. Mas aquele vazio todo. Aquele chão de mármore branco. Aquela água minando. E luzes. Aquele despejo de palavras de um sujeito apaixonado por outro rapaz. Eu sou um sujeito cínico. Não tenho coração para mais nada. Meu coração está na casa errada, aquela coisa de camisa de botão. E tinha tantas palavras na peça, que foi rápida. E há aquele alvoroço no final, o alvoroço bonito do João Miguel dentro do personagem que quer quebrar tudo. A autora italiana estava na platéia. Acho isso a razão dele ter gaguejado em cena. Não sei o que ela achou. Ela deve só saber escutar em italiano. A gente aplaude monólogos de pé. E uma peça chamada SÓ não precisa mais do que um ator. No final aplaudimos de pé também a autora (grátsi). Cheguei uns quinze minutos para o início da peça sem ingressos, fui o último a botar nome na lista de espera e entrei. Entrou mais gente depois. E o teatro estava cheio. Uma mulher que chegou muito arrogante ofereceu-me um ingresso por vinte reais. Mas eu pago meia entrada, esperei. Eu ando me arriscando por bobeira. Às vezes não vale a pena insistir no erro. Visões de mundos, tempos diferentes, encontros e desencontros que não colidem. E eu vou desistindo de marcar datas, quero tudo para agora, no improviso, pois percebi que o acaso me favorece. E se não foi dessa vez, pelo menos tivemos tudo aquilo, longo diálogo, ainda que não chegando a nada. Mas a gente vive de conversa? Eu me sinto mais valendo a pena, e não quero mancada. Sou um desatento que exige tudo. E ver SÓ só resgata minha independência esquecida, e me lembra que eu mereço essa grande sorte por que sei pensar, e sei dizer tudo, admiravelmente, no olho que olha, sem pastiche. Decidi me dar uma noite (ou resto) da noite de bem comigo mesmo na rua. E arranco mesmo no ar condicionado suspiros de metrô, de todas as estações, e isso deixa doce a auto-estima. A vida é um grande teatro. E eu decidi, de verdade, a não ligar nunca mais, para nada, foda-se. A gente é responsável pelas decisões no tempo presente, indiferente do tempo. Sem embargo, tente padecer a lucidez extrema, sinto-me tão puto com aquela última mensagem, estava me preparando para ser feliz como no clipe do Elephant Gum. E o que se seguiu foi uma longa frustração, diante daquele intenso encontro fugaz. Uma espécie de funk irado. 


Como o João Miguel, eu quero parecer sóbrio,  fingir que não enceno um belo melodrama. 

quarta-feira, abril 22, 2009

Aquarela brasileira



Vejam esta maravilha de cenário
É um episódio relicário
Que o artista num sonho genial
Escolheu para este carnaval
E o asfalto como passarela
Será a tela do Brasil em forma de aquarela.
Passeando pelas cercanias do Amazonas
Conheci vastos seringais
No Pará, a ilha de Marajó
E a velha cabana do Timbó
Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos coqueirais
Estava no Ceará, terra de Irapuã
De Iracema e Tupã

Fiquei radiante de alegria
Quando cheguei na Bahia
Bahia de Castro Alves
Do acarajé
Das noites de magia do candomblé
Depois de atravessar as matas do Ipu
Assisti em Pernambuco à festa
Do frevo e do maracatu
Brasília tem o seu destaque
Na arte, na beleza e arquitetura
Feitiço de garoa pela serra
São Paulo engrandece a nossa terra
Do Leste por todo o Centro-este
Tudo é belo e tem lindo matiz
O Rio dos sambas e batucadas
De malandros e mulatas
De requebros febris
Brasil, essas nossas verdes matas
Cachoeiras e cascatas
De colorido sutil
E este lindo céu azul de anil
Emolduram, aquarelam o meu Brasil

Lá, lá, lá, lá, iá...
Lá, lá, lá, lá, iá...

Silas de Oliveira

Vanessa da Mata


[Finalmente um clipe de verdade, pena que a música já enjoou. Eu que não ouço rádios, não enjoo nunca. ]

segunda-feira, abril 20, 2009

Carvalho


Há um silêncio grande na casa hoje
Porque alguém está partindo
E há caixas de papelão
E movimentos de pés e mãos nos armários
(assim talvez nasçam os fantasmas das casas)

Há um silêncio de oxímoros gritando no calado das bocas
Os dentes trancados entre gengivas sem sorrisos

O menino foi embora
4 anos dos passos das primeiras palavras choros gargalhadas altas
grande sorriso na boca grande

(...)

E sua ausência arranca de mim um pouco do que sou,
eu
tão sozinho comigo mesmo,
nesta triste pessoa do singular.


Entre os muros da escola

[Morto de vergonha de Letícia e Rodrigo, que ao me perguntarem se assisti a tal filme, sempre respondo  "tenho, mas não vi", espremo um horário entre as três e cinco da madrugada para me dedicar a este filme francês - Entre os muros da escola, - Palma de ouro em Canes.] 

Singelo, sem grandes efeitos, sem roteiro (esquemático) aparente, hiper-dialogado e com cara de documentário, 
Entre os muros da escola é daqueles filmes que escondem a costura, e chega a um fácil aparente que é dos mais difíceis de se co
nseguir. Não é um filme que avance a arte do cinema, a Palma me parece excessiva, mas não sei com quais filmes concorriam, mas o filme tem ideia, e traduz tão bem essa questão de encontros e choques da diversidade racial/cultural. A França, como microcosmo pensante do mundo (viva a Revolução Francesa) de beleza e arte, bota olhar arguto na questão do convívio, da troca, da aprendizagem, da sensibilidade, dos descaminhos da juventude, da construção do sujeito, dos limites, da hierarquia, etc etc. E há quem  não veja nesses filmes questões que figuram em O casamento de Raquel, Gran Torino e no Slumdog Millionaire, com maior ou menor ênfase.

Entre os muros da escola sintetizou tanto da experiência que vivi em sala de aula, que me comoveu demais por aspectos que tangem a difícil relação professor/aluno, entorno escolar e cultural. Por isso acabei escrevendo um comentário longo, longo demais, quase panfletário, sobre minha experiência como professor, angústias, decepções; até rascunhar um diagnóstico sobre o porquê da falência do ensino paulista. Poupo a quem me lê de tal caceteação, e recomendo o filme, belo filme triste.

domingo, abril 19, 2009

Ingenuidade

Não, eu não podia me enganar assim
com uma criança qualquer
que veio ao mundo bem depois de mim
Eu não reclamo o que ela fez
Só condeno a mim mesmo
Por ter me enganado outra vez.

Eu fiz o papel de um garotinho
quando arranja a primeira namorada
na ingenuidade acredita em tudo
por que do amor não entende nada.

Eu que tantas vezes machuquei meu coração
E levei tantos anos pra curar
Fui tornar a molhar meus olhos
que eu luto há tanto tempo pra enxugar.

(Serafim Adriano)

[O samba está em Zii e Zie de Caetano Veloso, que se lança agora, e na faixa treze (meu número de sorte) traz uma canção que diz tudo, sem precisar acrescentar].


sábado, abril 18, 2009

Todas as aves do mundo de amor cantavam...


Todas as aves do mundo de amor cantavam...
e os grandes horizontes se estendiam multicores
e os dias da vida eram tão raros ainda
que os podiam enumerar, só por suas lembranças.

Todas as aves do mundo de amor cantavam...
mas grandes mares se abriram para passagens belas como ritos,
e os dias se tornaram tão numerosos e densos e duros
como essas pedras das fortalezas em montanhas antigas

E agora são na verdade os dias inumeráveis
e cada um com sua angústia, e todos eles se entrechocam,
e a noite vem mais cedo e há tempestades entre as nuvens.

E eu queria que todas as aves do mundo de amor cantassem,
mas um vasto silêncio, uma vigília de morte
estende céus frios, céus escuros sobre amargos corações.


Cecília Meireles



[Ando apaixonado pelas imitações de  cantigas medievais realizadas por Cecília Meireles.]

Confessor Medieval (1960)



Irias à bailia com teu amigo,
Se ele não te dera saia de sirgo?

Se te dera apenas um anel de vidro
Irias com ele por sombra e perigo?

Irias à bailia sem teu amigo,
Se ele não pudesse ir bailar contigo?

Irias com ele se te houvessem dito
Que o amigo que amavas é teu inimigo?

Sem a flor no peito, sem saia de sirgo,
Irias sem ele, e sem anel de vidro?

Irias à bailia, já sem teu amigo,
E sem nenhum suspiro?

Cecília Meireles.

[in Poesias completas de Cecília Meireles – v. 8. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.)



Acabou de acabar meu aniversário

Sobrevivi a mais um ano, sem morrer de doença, acidente, crime. Ser um sobrevivente de mais um ano é motivo de comemoração interior. Estou comemorando. Sem esperar ganhei uma festa realmente surpresa, e agradeço aos amigos todos que vieram, pois não é nada fácil ser amigo do Eduardo.

quinta-feira, abril 16, 2009

Beirut - Elephant Gun



Tão bonita a canção. Tão bonita a dança. Tão bonito o clipe.

COMO ACENDER UMA VELA PELA WEBCAM

UM WEBFILME MUDO (FOTOGRAFADO) DE EDU E EDU NO MSN
[Ignore o texto, e preste atenção nas imagens]













quarta-feira, abril 15, 2009

Anotação: Macunaíma e o canto da Iara

Hoje eu e Letícia concluímos as gravações de mais uma parte do documentário Literatura e outras artes: "Macunaíma e o canto da Iara". Gravamos num beco grafitado da Vila Madalena a parte de entrevista de Iara Rennó sobre sua adaptação para música do romance Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade. Ausências, imprevistos, problemas técnicos e outros percalços não impediram que a entrevista transcorresse de forma solta, mais que agradável, pela atenção dessa moça de olhar perspicaz, desenvoltura com as palavras e talento indiscutível para fazer música. Isso já ressoa na prosa mais intrincada de Mário que ela transpôs em "Macunaíma, ópera tupi" em estado de canção, prosa da qual ela diz ouvir música.

E sigamos.

terça-feira, abril 14, 2009

Notas rápidas

A Bjork no filme Dançando no escuro é a coisa mais comovente do mundo. Eu ainda ouço com atenção redobrada a Amy Winehouse (seja qual for o seu destino). Não sei nada de moda, mas há quem fique incrível com um simples jeans. Almodóvar é meu diretor favorito, mas adoro filmes-catástrofe. Não tenho medo das palavras, mas meço com precisão geométrica as necessárias. Ambiciono um livro de entrevistas do Woody Allen da Cosac Naif, possível que encontre na feirinha da USP, mas haverá tempo na quinta? E não é que agora todas as pendências resolveram (me) bater à porta. Ok, só um instantinho. Estou escrevendo, já atendo.

Uma postagem amarela, ou "diário de debutante"


Comprei passagem de avião para o Rio, ficarei na casa de uma moça a qual ainda não fui apresentado. Preciso preparar longo roteiro para poupá-la da incômoda presença intrusa que insiste em dormir depois das quatro. Janete falou que ela irá me amar. Duvido. Digo sempre, sou um cara antipático, mas a cara (nas fotos)  me desmente. Insisto, sou antipático, mas um antipático fotogênico, quem acredita?

Acordei tarde e acertei no café. Ficou bom. Fiz salada: tomate, pepino, cebola. Faltou azeite. Falta tanta coisa para eu ser um solteiro saudável. Graças a Deus existe a Geralda para cuidar de mim, passar como um vendaval e deixar a casa como nova. Eu gosto tanto de vê-la cantarolar Roberto Carlos pela casa, resmungar com Pedrerico, falar de sua raiva mentirosa de um cão que partiu e não mais voltou. Sei que ela tem medo do fantasma do meu pai, mas ela tem amor por mim, e de
ixa marcas disso na arrumação, nas camisas passadas e tão bem dobradas no guarda-roupa.

Ensinei o Pedrerico a brincar com os bonecos dos Transformers inventando diálogos e histórias. Mas ele prefere destruição em massa, armagedons, holocaustos. E o tio dele tem esse coração pacífico, e se desdobra num amor renitente por esse menino nada meigo, aos 4, viciado em internet, xbox e carros.

Paula combinou às 10 e chegou às 13h30. Trouxe câmera e passamos as fitas DV do Samba lenço para o notebook já que meu player da sala não topou parada. Antes, ela sentou, e enquanto eu lavava a louça e fazia gelatina falamos de amor e do tempo ao som do cd do Rubi. Depois roemos a sobra do ovo de Páscoa na frente do computador, e ouvimos o som roubado do show da Fabiana Cozza. Impossivel uma amizade mais desejável numa segunda-feira chuvosa, chuva adiada da Semana Santa.

2h20 de academia, parece muito, mas o negócio está grave, gravíssimo;

Recebi fotos de Lukino da ida ao show, com Marcelino e amigos. Carecia foto daquele bar da Madalena, com paredes de notáveis. Cartola, Pixinguinha, Nara, Caymmi, Glauber. Noite boa e total;

Aulas à noite com mãos de ferro para 160 alunos, mas com direito a riso coletivo, leitura cheia de afeto do conto as "Gêmeas", de Nelson Rodrigues. Ensino com alegria, entusiasmo, ironia, humor e malícia. Cada aula como um encontro.

Um cara me pediu dinheiro pois estava perdido, precisava pegar ônibus, aquela conversa etc etc. Cansei de julgar. Dei. Disse, vá com Deus. Boa sorte. Às vezes é preciso deixar o cinismo de lado e acreditar no desconhecido.

No Jóia, comprei um bolo de cenoura e ganhei um café. Estavam para fechar. Quer que a gente frite um espetinho? Quem sou eu para esticar o dia de trabalho de alguém.

Por fim, estou em paz comigo mesmo, com minha webcam e meu talento para dormir pouco e acordar bem humorado. Mas não é que me faz falta falar com o moço que sem perceber me viciou em noturnas conversas vadias?
Por tantos comments que vão pingando tão gentis neste meu blog Revide, que no começo era para ninguém (JURO), não me furto a revidar provocações de notórios desconhecidos. Este post diário de debutante dedico a literatos anacrônicos (e a outros escritores que julgo medíocres): Tezza e Hatoum.

Abril já foi o mais cruel dos meses. O meu está sendo ótimo. Elliot estava errado.

segunda-feira, abril 13, 2009

Aniversário

Faço aniversário agora, 17, e só quero beijo na boca e amor, porque aniversário só é legal mesmo na casa dos vinte, e os algarismos correm, avançados. Envelhecer (não me venham com história!) é uma droga, mas como é inevitável (o oposto sendo a morte), melhor que venha a idade atapetada de afetos. Por isso, eu que antes não queria presentes, quero; também beijos e amor. Não tem mistério comigo, sou dos que se derretem quando bem manuseados.

Panorâmicas de celular



Sim, eu consigo fazer fotos bonitas com celular.

domingo, abril 12, 2009

ANDO MEIO TWITTER ULTIMAMENTE

Tem dias que a gente acorda meio Twitter.

Sumiço

De repente, me deu uma vontade tão grande de não estar aqui diante deste computador. Se isso não for melancolia, acho que deu pau no meu sistema. Alguém pode me dar um tapa?

Grave

Alguém me passou um trote pelo celular, devo retribuir a ligação?

Agudo

Desconfio que o que recebi não foi um trote, mas uma cantada esperta de alguém que deseja ouvir minha voz.

Páscoa

Só minha mãe lembrou de me dar um ovo de Páscoa. Parece que não, mas isso mexe com a nossa autoestima.

Mãe

Eu reclamei do amor e ela disse que preciso urgentemente de alguém para ter ciúmes.

Teatro

E de repente me deu vontade de assistir a uma peça tão espetacular que me me faça chorar de soluçar. Nunca solucei no teatro.

Internet

Acho que o fato do Emule ter facilitado tanto baixar filmes, me afastou do cinema.

Cinema

Choro sempre e tão somente no cinema. Será que é o anonimato que me deixa mais emotivo.

Cel

Para quem não sabe, homens também esperam ligações.

Libido

Sabe, esse negócio de emagrecer anda mexendo terrivelmente com a minha libido. Aliás, alguém poderia me dizer por que libido é uma palavra feminina?

Compulsão noturna

- Alô, sim, São Paulo. E quanto é? Serviço completo? 69. Sim, o apartamento fica a duas quadras... Não tem desconto? Podia descer e pegar na esquina, sai mais barato?... aqui é perigoso. Sim... um cara só... chama na portaria, eu desço, aqui ninguém liga. Moro sozinho... tudo limpo. Ok, e quanto tempo demora? É? Quente? De lamber os beiços? Tudo isso? E de conchinha? Puxa, mas a gente pode conversar depois? De conchinha é mais caro? Droga, queria tanto de conchinha! Mas serve espaguete. Puta... à Putanesca mesmo.

Então houve ontem




Fui ao teatro no Ibirapuera ver Fabiana Cozza cantando Elizete Cardoso.

sexta-feira, abril 10, 2009

À flor da pele ("O que será")


O que será que me dá que me bole por dentro
Será que me dá
Que brota a flor da pele será que me dá
E que me sobe as faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo me faz implorar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente que não devia
Que desacata a gente que é revelia
Que é feito aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos toda alquimia
Que nem todos os santos será que será
O que não tem descanso nem nunca terá
O que não tem cansaço nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro será que me dá
Que me perturba o sono será que me dá
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os tremores me vem agitar
E todos os suores me vem encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz suplicar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem juízo

Chico Buarque

quinta-feira, abril 09, 2009

Revidando longamente um post da Letícia


Eu gosto de flores. Flores são plantas inúteis, não alimentam, não dão fruto. Flores só existem para serem belas. Daí o parentesco das flores com a arte e com a poesia: a total e absoluta gratuidade de sua existência. O privilégio de existir sem motivo. E eu gosto de girassóis ainda mais, porque são flores exibidas, explícitas e rudes. Se fossem poesia, seriam (e são) matéria poesia concreta. Cá em casa, quando tínhamos um quintal grande, criávamos girassóis. Obcecados, passavam o dia entortando o pescocinho para ficar no melhor ângulo sob o sol. Depois secavam. Ficavam flores tristes. [Toda flor que morre sem ser colhida é uma flor triste, pois é um presente que não encontrou destinatário, flor que cumpriu seu destino]. Mas os girassóis davam sementes dulcíssimas, que faziam a felicidade do papagaio que tínhamos em casa. As asas cortadas, ele desfilava desengonçado no quintal de vermelhão. E talvez por desprezo, por nós o termos abortado seu destino silvestre com livre acesso ao céu anil, nunca emitiu um som inteligível. Já que era inútil querer ensinar-lhe um nome que ele não aceitava como seu, ficou sendo tão somente o louro. Grasnava, mais corvo que papagaio, embora verde, amarelo, o bico cinzento para castigar quem ousasse vir com conversa de "dá o pé louro", e partir sementes de girassol. Era um nordestino atarracado, duro, irrascível. Não tinha a menor vocação para papagaio de pirata. E por ser tão desinteressante, a gente deixava ele caminhar chapliniano em liberdade. Vez ou outra só, nos impressionando com alguma mirabolante acrobacia, para parar de súbito, arretado, logo quando queríamos mais. Assim foi, até que um dia, percebendo as asas crescidas, ele levantou voo sem ao menos dizer um tchau. Voou desse jeito, sem anúncio, como uma galinha num conto de Clarice Lispector, na epifania de uma tarde perdida. Sem poesia e sem função, deixamos morrer ao lado da cerca os girassóis maduros, e esquecemos também de plantar aquelas últimas sementes livres do destino de alpiste. Por isso, toda vez que vejo girassóism me vem à cabeça o quintal da infância, papagaios, Chaplin, e despedidas sumárias de quem a gente nem sabia que queria tanto bem.



[Era para ser apenas um breve comentário sobre girassóis lá no blog da Letícia Santinon, mas acabou virando um post que passo para cá, não sem antes avisar que são meus amigos que escrevem que me inspiram a escrever].

quarta-feira, abril 08, 2009

Ribeirão


Meu olhar mergulhou
Pra dentro do teu olhar
E olhou
Como um míssel olha
Apaixonado
Para o alvo
Como a bola
Ante-vê o gol
Como a pólvora
Olha pro fogo
Explosão
E a sede diante
De um ribeirão

E viu beleza
Na tua natureza
No trabalho nobreza.

Amor.

Celso Sim


Curta de Almodóvar: "A conselheira antropófaga"


Um curta novíssimo de Pedro Almodóvar, gravado junto com o filme Los abrazos rotos

Sem sangue, sem alma, sem teatro





Sabe quando você vai assistir a um espetáculo teatral e se sente enganado? Pois é, pode experimentar a sensação indo ver Sin Sangre na mostra do teatro chileno contemporâneo, SESC Vila Mariana. Projeção numa tela de alta definição de imagens feitas em palco mescladas a recursos de computação gráfica. Não, não há a questão presencial, os atores não estão lá, há a platéria, há a tela, e o projetor ligado. A proposta é aproximar a linguagem do teatro ao do cinema. Bem, imagens captadas por câmera, com atores interpretando um texto, com closes, travellings, close, decupagem etc etc, não é teatro querendo aproximar-se do cinema, é só cinema (ou vídeo). Com a interpretação característica do teatro, Sin Sangre é um cinema impostado, mal-feito, modorrento, infeliz. Com a historinha recheada de clichês vagabundos de filme de gangster (soldados que voltam para vingar, menininha que sobrevive escondida a incendio e também volta para se vingar, etc etc), tudo fica ainda pior. Silêncio constrangido da plateia numa sessão que se arrasta e não empolga. Não, sorry, não é teatro, é cinema - e mau cinema, acrescentemos. O resto é mistificação.

Auto-retrato atualizado


AutoRRetrato conforme o novo acordo ortográfico.

segunda-feira, abril 06, 2009

Questão

Ando querendo muito, recebendo bastante, mas insatisfeito por não ter o que, de repente, parece-me importante para dar sentido/amplidão ao conquistado. Entende?

O caminho para Meca


Ainda no Rio, não resisti e fui assistir à peça O caminho para Meca, que tinha perdido quando passou aqui em São Paulo. Foi hiper-recomendada - por um crítico amigo - que a considerou imperdível. Não sei se por causa da expectativa, eu me decepcionei. De fato Cleyde Yáconis está extraordinária como protagonista do texto do sul-africano Athol Fugard, mas uma peça inteira nas costas de uma grande atriz?!! Isto por que a atuação dos dois atores que contracenam com ela (sic) está muito aquém da performance de Yáconis. Tão pobre em todos os sentidos: impostados, convencionais em cada gesto feito arremedos de gente. Não sei se assisti a peça com olhos preguiçosos, mas confesso que fui mergulhando num grande sono. Triste, pelo esforço de uma Yáconis, acima da média numa peça em que até o cenário parece (também) querer puxá-la para baixo, assim como a luz pobre, o som desinteressante, a direção burocrática. Minimalismo? Nada, tudo de menos: pouca ousadia e imaginação. No final, a peça me soou como um monólogo em que a intervenção dos outros atores parecia só interromper o caminho de Yáconis. Confesso que cochilei. Duas ou três vezes, perdido no caminho para Meca.

Acho mesmo é que faltou o que o título me sugeria. Transcendência.

OSGEMEOS







Aproveitei minha ida de um dia ao Rio para ver no Centro Cultural Branco do Brasil a exposição (linda, mas insuficiente pelo número pequeno de trabalhos) dos artistas plásticos Osgemeos. E esses rapazes grafiteiros se impõem sorrateiramente no cenário artístico nacional, claro, por causa da projeção fora do país. Já estão invadindo museus e espaços culturais onde muitas obras de "arte" mais servem para expulsar o público, com seu pedantismo intelectual, seu vazio "conceitual", reiteração do mesmo. Contra essa orda insossa, estão aí Osgemeos que não temem o figurativo e as cores; muito intuitivos mas sempre impactantes. Pensei na Bienal do Vazio, que era tempo de abrir para esses rapazes (e outros) que fazem uma arte linda, acessível (mas não pobre), tão de olho no Brasil. A impressão com o trabalho deles, é de estar diante de um surrealismo feliz, de uma arte naif urbana, um cruzamento de pop arte e quadrinho de feira do sertão. Ainda assim eles nos desnorteiam com a criatividade, a abertura para uma arte imaginativa, mas executada com absoluta apuro técnico e precisão. Osgemeos apresentaram no CCBB trabalhos joviais e sofisticados, rompendo com o espaço da moldura, propondo interatividade, um olhar crítico que essas imagens - lindas que postei - não dão a dimensão do trabalho. Agora estão trabalhando com esculturas e instalações, mas sempre de modo personalíssimo, cheio de humor, beleza, encantamento.

sexta-feira, abril 03, 2009