terça-feira, dezembro 30, 2008

2009


preparação para 2009
inicio de despendidas de 2008
blog fechado para balanço
até ano vindouro
.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Jogo de cena, de Eduardo Coutinho



Atendendo a um anúncio de jornal, oitenta e três mulheres contaram suas histórias de vida num estúdio. Em junho de 2006, vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano, atrizes interpretaram, ao seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas.

[Uma idéia aparentemente simples. Um documentário (?) surpreendente. Talvez o que tenha visto, ao lado de "Santiago", de melhor em 2008]. 

Dezembro 2008

Sesc-Paulista, durante gravação e entrevista para novas realizações. Um pouco mais tenso do que de costume.

Fotografado por Celso Luz.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Nove Noites, de Bernardo Carvalho


A descoberta deste livro e deste autor. 

[Romance de investigação, mescla de gêneros: histórico, reportagem, autobiografico, policial, metalingüístico. [Indianismo seco?] De novo o retorno ao realismo, mas não mais de tese, romance de incerteza, cético, cínico; e misteriosamente comovente. Poesia das pedras. Um título descolorido, já que nada diz do tanto que o livro contém.]
-
-
-
Apontamentos para um possível ensaio
-
- Reescritura de uma narrativa de viagem (a investigação), do viajante (de Quain), ou de viajantes (do narrador, de Quain, do pai);
- Neste caso eu e outro entre duas lacunas, interesses e projeções;
- Kuarup, de Antônio Calado?
- A impossibilidade de resgatar a memória, daí a vacuidade, as elipses, retomar e deduzir;
- A incerteza de confiar no escrito;
- Ênfase nas ações, num desenvolvimento épico, mas sem grandeza;
- Um tanto investiga o Brasil;
- Espreita por trás das matas dois ou três contos borgianos;
- Pensei no Quain de Borges, mas não há parentesco;
- Quain = Quem? (pois sonoramente o nome vai se modificando na narrativa);
- Marquei no meu exemplar oito pontos que sugerem intervenções do fantástico;
- Para exorcizar o exótico a narrativa seca, desencantada, mas que realismo é este?;
- Novamente, a fragmentação de perspectivas para composição do enigma Quain;
- Mais do que o suicidio em si (o desfecho "fecha", mas dilui o encanto) o mistério é Quain;
- Sub-repticiamente : incesto e homossexualismo;
- A trama oculta a carpintaria da linguagem;
- Metódica construção do suspense em ganchos sutis;
- Paralelismo, um tanto em Quain o desvendamento do eu-narrador?;
- A linguagem de Manoel Perna em desacordo com as possibilidade de expressão do personagem (vide. p. 104);
- Por que de Drummond, na página 102 a "Elegia 1938". Paisagem interior?
- Interessante reinserção de mesmos fragmentos cá e lá;
- Romance policial, pensando-se no crime, no detetive-narrador que deduz e confunde-se com o objeto obsessivamente buscado.

"(...) Numa das vezes em que me falou de suas viagens pelo mundo, perguntei aonde queria chegar e ele me disse que estava em busca de um ponto de vista.  Eu lhe perguntei: "Para olhar o quê?" Ele respondeu: "Um ponto de vista em que eu já não esteja no campo de visão". Eu poderia ter dito a ele, mas não tive coragem, que não precisava procurar, que se fosse por isso não precisava ter ido tão longe. Porque ele nunca estaria no seu próprio campo de visão, onde quer que estivesse, ninguém nunca está no seu próprio campo de visão, desde que evite os espelhos. Às vezes me dava a impressão de que, a despeito de ter visto muitas coisas, não via o óbvio, e por isso acreditava que os outros também não o vissem, que pudesse se esconder. O que eu vi, nunca falei. Fique à sua espera. O que eu ouvi, já não sei se foi de fato ou fruto de um conjunto de imaginações, minha e dele, a começar pelas visões de que me falava. (...)" (p. 100)



Nove noites, de Bernardo Carvalho.


segunda-feira, dezembro 22, 2008

RESÍDUO

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, dezembro 20, 2008

"Meu livro no Itaú Cultural"

O livro Protocolos Críticos, resultante do programa Rumos literatura 2007-2008, do Itaú Cultural, será lançado em 15 de dezembro, como parte do evento Seminário Internacional Rumos Literatura - Crítica Literária.

A publicação apresenta 16 ensaios críticos que analisam aspectos das obras de Caio Fernando Abreu, Milton Hatoum, Hilda Hilst, Lourenço Mutarelli, Luiz Ruffato, Marcelino Freire. O livro examina também a produção de blogues literários, da literatura homoerótica, traduções, um mapeamento da poesia contemporânea, o mercado da crítica literária no Brasil, entre outros temas.


[Meu livro é arrogância. O trabalho é coletivo. Gente de altíssimo nível. Um orgulho enorme. Colaboro com "Marcelino Freire: entre o rap e o repente". Publicado nestr livro que propõe olhares novos sobre a literatura contemporânea, e uma nova crítica. 

terça-feira, dezembro 16, 2008

PROTOCOLOS CRÍTICOS

Coquetel de lançamento do livro Protocolos Críticos, Itaú Cultura, 16.12.2008. 19h.


segunda-feira, dezembro 15, 2008

Minissérie Capitu

Uma versão maravilhosa de Dom Casmurro.

Io che non vivo

Siamo qui noi soli
come ogni sera
ma tu sei più triste
ed io lo so perché.

So che tu vuoi dirmi
che non sei felice
che io sto cambiando
e che mi vuoi lasciar.

Io che non vivo
più di un'ora senza te
come posso stare una vita senza te
sei mia, sei mia
mai niente lo sai
separarci un giorno potrà.

Vieni qui ascoltami
io ti voglio bene
te ne prego fermati
ancora insieme a me.

Io che non vivo
più di un'ora senza te
come posso stare una vita senza te
sei mia, sei mia.

Io che non vivo
più di un'ora senza te
come posso stare una vita senza te
sei mia, sei mia, sei mia.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Estamos aqui sozinhos
como cada noite
mas você é mais triste
e eu sei o porque.

Sei que quer dizer-me
que não é feliz
que eu estou mudando
e que quer me deixar.

Eu que não vivo
mais de uma hora sem você
como posso estar uma vida sem você
você é minha, é minha
nunca algo, o sabe,
nos separar um dia poderá.

Venha cá, escute-me
eu lhe quero bem
lhe peço fique
ainda comigo.

Eu que não vivo
mais de uma hora sem você
como posso estar uma vida sem você
você é minha, é minha

Eu que não vivo
mais de uma hora sem você
como posso estar uma vida sem você
você é minha, é minha.

[De "Vaga estrelas da Ursa", da peça "Aqueles dois", do "msn da minha amiga Norma]
.
[Os trabalhos de gravação - Eu, Lucas e Celso - foram de sexta a domingo, razoavelmente satisfatória, mas com captação do material necessário. Agora, questão de tempo para lapidação. Seguimos].

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Sobre a escova e a dúvida




"Meu duvidar é da realidade sensível aparente - talvez só um escamoteio das percepções. Porém, procuro cumprir. Deveres de fundamento a vida, empírico modo, ensina: disciplina e paciência. Acredito ainda em outras coisas, no boi, por exemplo, mamífero voador, não terrestre. Meu mestre foi, em certo sentido, o Tio Cândido. (p. 165)"

"Quantas mangas perfaz uma mangueira, enquanto vive? - isto, apenas. Mais, qualquer manga em si traz, em caroço, o maquinismo de outra, mangueira igualzinha, do obrigado tamanho e formato. Milhões, bis, tris, lá sei, haja números para o Infinito. E cada mangueira dessas, e por diante, para diante, as corações-de-boi, sempre total ovo e cálculo, semente, polpas, sua carne de prosseguir, terebintinas." 
(...)
"Ando a ver. O caracol sai arrebol. A cobra se concebe curva. O mar barulha de ira e de noite. Temo igualmente angústias e delícias. Nunca entendi o bocejo e o pôr-do-sol. Por absurdo que pareça, a gente nasce, vive, morre. Tudo se finge, primeiro; germina autêntico é depois. Um escrito será que basta? Meu duvidar é uma petição de mais certeza. "(p. 166)

Até hoje, para não se entender a vida, o que de melhor se achou foram os relógios. É contra eles, também, que temos que lutar... (p. 167)

O tempo não é um relógio - é uma escolopendra. (A violeta é humildezinha,  apesar de zigomorfa; não se temam as difíceis palavras.)(p. 169)

in Tutaméia, de João Guimarães Rosa.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

CAPITULO 73 - O CONTRA-REGRA

O Contra-Regra

O destino não é só dramaturgo, é também o seu próprio contra-regra, isto é, designa a entrada dos personagens em cena, dá-lhes as cartas e outros objetos, e executa dentro os sinais correspondentes ao diálogo, uma trovoada, um carro, um tiro. Quando eu era moço, representou-se aí, em não sei que teatro, um drama que acabava pelo juízo final. O principal personagem era Ashaverus, que no último quadro concluía um monólogo por esta exclamação: "Ouço a trombeta do arcanjo!"

[A lenda do Judeu errante surgiu no século XVI. Ela narra que Cristo foi ridicularizado por um sapateiro judeu enquanto carregava a cruz para o Calvário. O Sapateiro, que às vezes é chamado de Ashaverus, ao vê-lo passar, incitou Cristo a ir mais depressa. – “Eu vou, mas tu deverás esperar até meu retorno”, replicou Cristo. Assim, Ashaverus foi condenado à imortalidade e a vagar pela terra até o dia do retorno de Jesus Cristo.]

Museu da Língua Portuguesa - 30.11.2008

 
Posted by Picasa

Mapa do Rio no tempo de Machado

 
Posted by Picasa

Museu da Língua Portuguesa

 
Posted by Picasa

Exposição Machado de Assis

 
Posted by Picasa

Delírio - Exposição Machado de Assis

 
Posted by Picasa

Museu da Língua Portuguesa

 
Posted by Picasa

Museu da Língua Portuguesa

 
Posted by Picasa