domingo, julho 27, 2008

Recortar e colar: um post que descobri agora

Você viu a tradução de Angela-Lago que acaba de sair pela Scipione para este poema? É legal também e o livro está lindinho.


Dizem: — Com tempo passa.
Mas não passa, na verdade.
Sofrimentos enrijecem
Como tendões, com a idade.

Tempo testa o sofrimento,
Mas não é o seu remédio.
Se passa ao passar o tempo,
Não havia enfermidade.


Ela dá um título para o poema: para a hora sem remédio. Espero que não seja seu caso.

[Fuçando o Google encontrei como comentário postado no meu REVIDE este poema. Trata-se de mais uma versão/tradução em torno de um poema de Emily Dickinson. Posto aqui, para destacar mais essa possibilidade de tradução, e me redimindo de não ter lido a tempo. Pena que postaram anonimamente. ]

sábado, julho 26, 2008

CHORO BANDIDO

Mesmo que os cantores
Sejam falsos como eu,
Serão bonitas, não importa,
São bonitas as canções.
Mesmo miseráveis os poetas,
Os seus versos serão bons.
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons.

E daí nasceram as palavras
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu pra mim.
Você nasceu pra mim.

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido,
Minha musa, vai cair em tentação.

E eis que menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim.
Me leve até o fim.

Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação.
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões,
Saiba que os poetas, como os cegos,
Podem ver na escuridão.

E eis que menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim.
Me leve até o fim.

Mesmo que os romances
Sejam falsos como o nosso,
São bonitas, não importa,
São bonitas as canções.
Mesmo sendo errados os amantes,
Seus amores serão bons.

Chico Buarque e Edu Lobo

Pra dizer adeus

Vou pra não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sozinho
Tão sozinho amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Desse meu caminho
Ah, pena eu não saber
Como te contar
Que o amor foi tanto
E no entanto eu queria dizer
Vem
Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus

Edu Lobo/Torquato Neto Adeus

terça-feira, julho 22, 2008

Como diz o Djalma: "Ela"


Atenção especial para os tamancos vermelhos. Ai que saudade do João Paulo II.

Materialismo



BEM DE CONSUMO QUE SÓ ME FEZ BEM (antes da 1a. parcela)

segunda-feira, julho 21, 2008

A vida dos outros

Assisti com Marcelas e não achamos nada demais. Atualmente, repensando. Cópia para Tininha, que adorou o filme (ou terá o ator do filme).

Hamlet 2000

Novas aquisições. Não parecia, mas achei ótima esta versão, hiper-estilizada (beirando o kitch) mas que flui maravilhosamente bem.

Madre Joana dos Anjos


Novas aquisições.

Memórias do subdesenvolvimento


Novas aquisições.

ETIMOLOGIA: ACHINCALHAR

ACHINCALHAR: provém de a + chinquilho (por tratar-se de jogo em que são comuns as vaias e os chacotas) + -ar; observe-se que o DA2 registra: talvez derivativo de chincalho (= chancalho) "sapato velho", cf. espezinhar, de pé, com sentido análogo de "vexar".
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Jogo do Chinquilho

O jogo do chinquilho consiste no arremesso de uma malha de forma a derrubar um pino, que se encontra num tabuleiro, no chão. Cada derrube do pino vale dois pontos, quem conseguir ter a malha mais próxima do pino obtém um ponto. O jogo termina aos vinte e quatro pontos. No entanto, durante o jogo, os participantes com menos pontuação podem impôr regras, designadamente a mudança de jogo chamado “à sinca”, em que o jogador pontua sem que a malha passe a linha de colocação do pino, bem como mandar a malha por baixo da perna.
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Chancalho, derivativo provavelmente de chanca, pé grande, feio. Por analogia: sapato grande e tosco. Regionalismo: Portugal. Calçado rústico com sola de madeira; tamanco 4 Rubrica: futebol. Regionalismo: Brasil. a chuteira ou a sua sola 5 Derivação: por extensão de sentido. Regionalismo: Trás-os-Montes. m.q. perna de pau 6 Derivação: por analogia. Uso: pejorativo. perna masculina comprida e magra
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Chanca: de origem controversa, segundo Nasc. e AGC, provém do persa antigo zanga 'perna', através do latim tardio zanca, tzanga "espécie de calçado"; JM registra o étimo latino planca "prancha, tábua"; tanto do ponto de vista semântico quanto fonético parece mais plausível a primeira hipótese, da mesma origem que sanca (ver), com variação gráfica s-/ts/: ch-/tch/
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Chacota (Regionalismo de Portugal): dança de provável origem trovadoresca, de forte caráter chistoso, popular no sXVI, e que era acompanhada por música de guitarras. 3 canção ou trova satírica. 4 (1452) Derivação por analogia: atitude ou dito zombeteiro, desdenhoso; chança, escárnio, zombaria. Ex.: era alvo de cachota devido à gagueira. 5 m.q. enchacota.
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Chacota: vocábulo formado sobre uma base chac, onomatopéia que, segundo Corominas, “é imitativa do ruído de castanholas, de outros instrumentos ou de quem ri convulsivamente“; a maioria dos estudiosos do vernáculo considera o vocábulo como um empréstimo do castiço chacota (1517) 'vozerio e alegria, misturados com ditos e gargalhadas'; observe-se, contudo, que a palavra já está documentada no português desde o sXV, enquanto o registro que se tem do vocábulo catiço data do sXVI, o que torna problemático aceitar a hipótese de tratar-se de um empréstimo do espanhol, salvo se for encontrada documentação neste idioma anterior à apontada por Corominas.


[Só para lembrar que qualquer palavra abarca um universo.]

Censurado no YOUTUBE



De repente, entro no Youtube e recebo uma mensagem a informar que incorri em delito na minha conta. Não me pergunte por quê, já que o video postado era autoral, durava poucos segundos, não tinha som, cenas de nudez, nada. Só descobri que não há espaço para discussão, eles vão lá e tiram, e ainda ameaçam a sanções que não tenho a mínima idéia quais serão. Portanto, aproveitem enquanto podem, pois não sei até quando estarão no ar as imagens do "OVNIS INVADEM MAUÁ-1", já que a segunda parte foi ceifada da rede. Meu orgulho de já ter chegado a 240.791 exibições e 153 comentários (a maior parte achincalhando-nos (a mim e ao vídeo), o que não deixa de ser uma delícia tal provocação).

domingo, julho 20, 2008

Entrevista

Entrevista com Marcelino Freire em 18.07.2008 - na Augusta

segunda-feira, julho 14, 2008

RIBEIRÃO

Meu olhar mergulhou
Pra dentro do teu olhar
E olhou
Como um míssel olha
Apaixonado
Para o alvo
Como a bola
Ante-vê o gol
Como a pólvora
Olha pro fogo
Explosão
E a sede diante
De um ribeirão

E viu beleza
Na tua natureza
No trabalho nobreza
Amor

Celso Sim

sábado, julho 12, 2008

TRANSCENDENTE RIBEIRÃO

Aprendendo a ouvir RUBI

Por conta da Cris estou aprendendo a ouvir Rubi. Mais uma epifania musical.

ANNIVERSARIUS

Em relação à etimologia da palavra aniversário, ela vem do latim anniversarius, [anni + ano, vers = que retorna arius = data] que significa "o que volta todos os anos ou o que acontece todos os anos."

Quanto ao costume de comemorar o dia do nascimento de alguém, segundo estudiosos, tal prática teve início em Roma: “Esta solenidade, que se renovava todos os anos, era festejada sob os auspícios do Gênio que se invocava como a divindade que presidia ao nascimento das pessoas. Costumavam erguer um altar sobre a relva e o cercavam com ervas e plantas sagradas. Junto desses altares as famílias ricas imolavam um cordeiro”*


O nosso conhecido bolo de aniversário, por sua, originou-se na antiga Grécia, quando se homenageavam, no sexto dia de cada mês, à deusa Ártemis. Tal festa era realizada com um bolo cheio de velas que simbolizavam a claridade da Lua que se espalhava à noite sobre a Terra.

*Dicionário da Mitologia Latina. Spalding, Tassilo Orpheu. Editora Culturix. São Paulo, 1972 – p. 159).


09 de julho de 2008, Pedrerico, meu sobrinho, faz seus loquazes quatro anos. Hoje, 12 de julho de 2008, sua festa de aniversário com direito a escorregador, gangorra e cama de bolinhas.

quarta-feira, julho 09, 2008

Giulietta Masina


Pálpebras de neblina, pele d'alma
lágrima negra tinta
lua lua lua lua

Giulietta Masina

ah, puta de uma outra esquina
ah, minha vida sozinha
ah, tela de luz puríssima

(existirmos a que será que se destina)

ah, Giulietta Masina

ah, vídeo de uma outra luz
pálpebras de neblina, pele d'alma

Giulietta Masina

aquela cara é o coração
de Jesus

(Caetano Veloso)

Fazer um filme, de Federico Fellini




O enorme prazer de ler este livro com relatos pessoais de Fellini tanto mais da vida de quem faz filmes do que do próprio cinema. Uma inteligência extraordinária, neste, que se não fosse um dos maiores cineastas, seria certamente um grande escritor, pela beleza do texto e aguçado senso de observação.(Amacord)

Fellini, sobre Anna Magnani e Noites de Cabíria

Para As noites de Cabíria, ao contrário, lembro que no início havia apenas um pequeno conto, um personagem idealizado por Anna Magnani. As coisas caminharam assim: Rossellini procurava uma deixa, um pretexto, uma idéia para rodar um filme curto, de 45 minutos, para juntar a um curta-metragem já realizado e inspirado em Voce umana, de Jean Cocteau. Ou melhor, não, agora me lembro bem, foi a própria Magnani quem, tendo me encontrado num restaurante, comentou: "Em vez de ficar aqui comendo, que você acaba engordando e perdendo aquele ar romântico de morto de fome, por que não escreve uma boa história para aquele louco de seu amigo Roberto?"É obvio que a história devia "Fazer chorar, rir, ser um pouco neo-realista mas agradável, bem-feita como os filmes americcanos de antes da guerra, também devia representar um ato preciso de acusação à sociedade, mas que sugerisse uma palavra de esperança, além de ter, a todo custo, uma música romana".
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Considerava Manani simpática, a admirava, mas desconfiava daquele ar sombrio de rainha dos ciganos, dos longos olhares silenciosos, inquisitivos, das risadas roucas nos momentos mais inesperados. Parecia sempre ressentida, entediada, altiva. E no entanto era uma garotinha tímida que atrás do aspecto ameaçador, agresssivo, escondia uma ingenuidade, um pudor selvagem, um entusiasmo travesso e o sentimento forte, repleto, de uma verdadeira mulher, daquelas que se gostaria de encontrar mais vezes.
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Então, conversando um pouco com Pinelli, alinhávamos da melhor maneira possível uma historinha que não era nada má. Falava de uma prostituta agressiva e sentimental que, certa noite, passeando pela via Veneto, vê uma mulher maravilhosa de casaco de visom saindo de maneira impetuosa de um night-club seguida por um homem alto, forte, de smoking, um ator famosíssimo. O homem brigava de modo violento com a mulher -- sua amante -- e no final a esbofeteava. Quando entra ainda furioso no imenso Cadillac, ele surpreende o olhar atordoado, estupefato, da prostituta que assistira à discurssão. Por um repentino capricho de exibicionismo provocatório, o ator a faz entrar no carro e a leva paa sua casa, uma mansão luxuosa e fantástica, onde pede uma refeição à base de lagosta e champagne. Mas quando os dois estão quase sentando à mesa, eis que desponta a amante decidida a continuar com a briga. O homem corre para trancar a prostituta no banheiro e ela, de lá, fascinada e curiosa, continua a assistir com entusiasmo à luta. Mas os dois já não brigam mais, os tons de vozes haviam abaixado e ouvia-se um longo silêncio... (...)(p. 94)
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[in Fazer um filme, de Federico Fellini, Civilização Brasileira, Rido de Janeiro, 2000.]

terça-feira, julho 08, 2008

MÁXIMAS MÁXIMAS

"No Capão Redondo é onde a foto não tem inspiração pra cartão postal"

Mano Brown, no prefácio do livro de Ferrez.

Sarah Bernhardt



Serão nove horas quando a senhora quiser.

domingo, julho 06, 2008

Filmes recentes


De volta ao cinema de Mauá, assistindo a toda produção estadunidense.

sexta-feira, julho 04, 2008