segunda-feira, junho 30, 2008

domingo, junho 29, 2008

PROGRAMA

Um programa incrível para transformar divx em dvd com menu, multiplos canais de som, legendas selecionáveis e de ótima qualidade. Simplesmente surpreendente.

Software: ConvertXtoDVD 3.v3.1.0.26-TE_001

HULK 2

Um filme HISTÉRICO, para dizer o mínimo. Não sei por que insisto.

Pequeno grande filme

A Pixar escorrega, mas não erra (digo isso porque não gosto do uso de humanos reais do filme). Wall-E é um filme arriscadíssimo, é um filme mudo em tempos de vertigem sonora. E é um filme com um ritmo lentíssimo para os padrões atuais (pelo menso em toda primeira parte). É uma das magníficas criações da Pixar, cada vez mais consciente de que não está dialogando só com as crianças, muito mais com os adultos. Sinto só falta de mais alegria, pois o filme caminha numa onda melancólica, que nem o final consegue dissipar. Uma beleza.

quarta-feira, junho 25, 2008

Labirinto Kane, por Jorge Luis Borges




CIDADÃO KANE, UM FILME ESMAGADOR

Citizen Kane (cujo nome na República Argentina é El Ciudadano) tem pelo menos dois argumentos. O primeiro, de uma imbecilidade quase banal, quer subornar o aplauso dos muito distraídos. É formulável assim: um milionário oco acumula estátuas, jardins, palácios, piscinas, diamantes, carros, bibliotecas, homens e mulheres; à semelhança de um colecionador anterior (cujas observações é tradicional atribuir ao Espírito Santo) descobre que essas miscelâneas e pletoras são vaidade das vaidades e tudo é vaidade; no instante da morte, deseja um único objeto do universo, um trenó devidamente pobre com que brincou na sua infância! O segundo é muito superior. Junta à recordação de Koheleth a de um outro niilista: Franz Kafka. O tema (simultaneamente metafísico e policial, psicológico e alegórico) é a investigação da alma secreta de um homem através das obras que construiu, das palavras que pronunciou, dos muitos destinos que destroçou. É o procedimento de Joseph Conrad em Chance (1914) e do belo filme The Power and the Glory: a rapsódia de cenas heterogêneas, sem ordem cronológica. Esmagadoramente, infinitamente, Orson Welles exibe fragmentos da vida do homem Charles Foster Kane e convida-nos a combiná-los e a reconstruí-lo. As formas da multiplicidade, da desconexão, abundam no filme: as primeiras cenas registram os tesouros acumulados por Foster Kane; numa das últimas, uma pobre mulher luxuosa e doente joga no chão de um palácio, que é também um museu, com um quebra-cabeças enorme. No fim, compreendemos que os fragmentos não estão orientados por uma secreta unidade: o odiado Charles Foster Kane é um simulacro, um caos de aparências (corolário possível, já previsto por David Hume, por Ernest Mach e pelo nosso Macedônio Fernandez: nenhum homem sabe quem é, nenhum homem é alguém). Num dos contos de Chesterton – The Head of Caesar , creio – o herói observa que não há nada tão aterrador como um labirinto sem centro. Este filme é exatamente esse labirinto.

Todos sabemos que uma festa, um palácio, uma grande empresa, um almoço de escritores ou jornalistas, um ambiente cordial de franca e espontânea camaradagem são na sua essência horrorosos; Citizen Kane é o primeiro filme que os mostra com alguma consciência dessa verdade.
À execução é digna, em geral, do vasto argumento. Há fotografias de profundidade admirável, fotografias cujos últimos planos (como nas telas dos pré-rafaelistas) não são menos precisos e pontuais do que os primeiros.
Atrevo-me a suspeitar, no entanto, que Citizen Kane perdurará como “perduram” certos filmes de Griffith ou de Pudovkin, cujo valor histórico ninguém nega mas que ninguém se resigna a rever. Padece de gigantismo, de pedantismo, de tédio. Não é tão inteligente, é genial: no sentido mais sombrio e mais germânico dessa má palavra.

Jorge Luis Borges
Sur nº 83, Agosto de 1941

terça-feira, junho 24, 2008

O que estou lendo


Veneno remédio
José Miguel Wisnik

Uma epifania chamada Clarice Lispector

(...)

O bonde vacilava nos trilhos, entrava em ruas largas. Logo um vento mais úmido soprava anunciando, mais que o fim da tarde, o fim da hora instável. Ana respirou profundamente e uma grande aceitação deu a seu rosto um ar de mulher.


O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto.

A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego.

O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranqüila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles.

Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mascava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir — como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio. Mas continuava a olhá-lo, cada vez mais inclinada — o bonde deu uma arrancada súbita jogando-a desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão — Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava — o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. (...)


"Amor", de Clarice Lispector

Tarantino, em exercício de estilo




O Death Proof é uma bobagem. Tudo que parecia sagaz e questionador em Pulp Fiction, Quentin Tarantino revelou ser mero acidente. Mesmo assim, seus filmes valem por um estilo de direção que é toda dele -- talvez por que não seja dele, e sim um jeito singular de colar referências diversas, filmes bons e ruins, o pior do pop e o melhor do trash. E tudo isso sem esquecer os diálogos deliciosos (para os quais ele é imbatível) e todos aqueles seus pastiches estilosos.

segunda-feira, junho 23, 2008

Ladrões de Bicicleta, de Vittório De Sica

Uma obra-prima de Vittório De Sica. Ou melhor: um filme que transcende.

sexta-feira, junho 20, 2008

São Paulo Fashion Week bom para macaco

Cavalera.

KUNG FU PANDA



Meu fascínio pela animação em computação gráfica só aumenta, ainda mais quando surge uma obra-prima pela excelência do nível técnico, impacto visual, roteiro impecável, cheio de sagacidade e beleza poética. Tudo, porém, redundaria em fracasso se não valesse uma velha máxima: desenho tem que ser lúdico e divertido. Kung Fu Panda, em tempos de contabilizar chega aos 100%.

Recortar colar

(...) Estou um tanto cansado da imposição de dogmas para abordagem, há excelentes leituras de obras literárias usando instrumentais distintos, desde que a obra abra espaço para isso. risco e bom senso, acho que isso é que impulsiona bons críticos (...)

Hiato no chat

RUMOS

...

A POESIA DA CANÇÃO

Hoje a idéia, que tome fôlego e avance.

terça-feira, junho 17, 2008

Novas aquisições agora em dvd

Assisti remasterizado no Cinesesc há alguns anos. Lá também assisti ao "Quanto mais quente melhor". Casanova é um filme que me provoca um profundo estranhamento e uma igual atração. O artificialismo do filme e seu humor difícil me angustiou tremendamente. Ao mesmo tempo, é um filme tão estranho, tão sofisticado, tão surpreendente, que sigo impactado pelo ousadia e requinte de Fellini, que sempre, sempre surpreende. Aliás, meu Fellini predileto é o Satyricon, mas como esquecer o Amacord e 8 1/2 e Noites de Cabíria. O bom é não ter que escolher.


Um lugar ao sol, audio em espanhol e inglês, legendas em português. Lembrança da aula do Djalma, que considera o beijo entre Montgomery Clift e Elizabeth Taylor o mais belo do cinema. Na verdade, um beijo que não se mostra. Realmente, antológico.


segunda-feira, junho 16, 2008

O fim dos tempos

[Tantos vão odiar esse filme, que é mais B que muitos filmes B, e interessante demais, com seu ritmo lento e incomum para as platéias do "fim dos tempos". De novo, toda a paranóia americana no seu máximo furor. A questão ecológica é bobinha, e não sustenta. O abandono (graças a Deus) do final surpreendente frustra a platéia, que precisa (este é um blockbuster) de uma solução para o que está posto em pauta desde o início, embora ele anuncie (desde o começo) que o fenômeno não será devidamente explicado. Mas M. Night Shamaylan é tão hitchcockiano em seu "The Happening" (calcado no mistério mesmo, que há em Os pássaros, filme irmão deste), que compensa o desfecho insosso. Eu acho que vale a pena, ainda que ninguem compartilhe comigo desta opinião. ]

quarta-feira, junho 11, 2008

Olivier Messiaen e o paraíso

Chapeuzinho Vermelho

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem…
(Fátima Bernardes): … mas a atuação de um caçador evitou a tragédia.

CIDADE ALERTA (Datena)
Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades?
A menina ia para a casa da avozinha a pé ! Não tem transporte público!
E foi devorada viva! Põe na tela! Tem um “link” para a floresta, diretor?

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura.

REVISTA MARIE-CLAIRE
Na cama com o lobo.

JORNAL O ESTADO DE S. PAULO
Fontes confirmam que Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

REVISTA VEJA EXCLUSIVO!
Ações do Lobo eram patrocinadas pelo governo Lula e o PT.

Frases da Semana da VEJA:“Está claro que houve tentativa de quebra de sigilo bancário da Chapéu por parte de Dilma e Tarso Genro. Eles têm que cair. ” - Arthur Virgílio

JORNAL ESTADO DE MINAS
Chapeuzinho come o lobo enquanto o lenhador vai prá floresta com a vovó.

JORNAL ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.

JORNAL O POVO
Sangue e tragédia na casa da vovó!

REVISTA CARAS
Chapeuzinho fala a CARAS:
“Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa”

REVISTA PLAYBOY
Veja o que só o lobo viu!

REVISTA ISTO ÉGravações revelam que lobo foi assessor de influente político de Brasília.

REVISTA G MAGAZINE
Lenhador mata o lobo e mostra o pau !

FOLHA DE SÃO PAULO
Serra vai dar um choque de gestão na Floresta e responsabiliza Lula pelo ataque do Lobo Mau

Capitão Nascimento 10 MINUTOS Sr Lobo? O SENHOR É UM FANFARRÃO SOLDADO! ESTÁ DE BRINCADEIRA COMIGO! 10 SEGUNDOS PRA COMER A CHAPEUZINHO VERMELHO!

terça-feira, junho 10, 2008

"CANÇÃO D' ALÉM-MAR" em Portugal

http://www.agencialusa.com.br/index.php?iden=16251

RUBRA-RUBRA




“Vá sem demora à avó doente, leva esses doces e não pare para conversar!”. Mas colher flores, quem podia resistir? Vai que rubra encontra o lobo: “Ali fica o caminho, para além do moinho”. E tudo é frio, quando toc-toc, bate e entra. Por ali larga a cesta e se ajeita entre as cobertas: que olho grande, grande orelha, nariz grande, mãos imensas e boca que, por fim, mais maior de tão enormemente, a engole sem piedade. O caçador desconfia e com este fio tira da barriga avó e neta. “Que medo que tive! Que escuridão!” Enchem de pedras o ventre-prisão. Nem bem termina (a menina) de costurar e ‘era uma vez o lobo’; mal abre olho, cai: jaz. “Foi bom”, diz , rubra-rubra, velida e dócil, a garotinha, tão bem segura, no bom caminho.

Eduardo A.

[Da minha série, Contos urgentes]

A liberdade guiando o povo, Ferdinand-Victor Eugène Delacroix


"(...), podemos mover-nos à vontade, e a comida há-de resolver-se, não iremos morrer de fome, também tenho de arranjar roupas, estamos reduzidos a farrapos, a mais necessitada era ela, pouco menos do que nua da cintura para cima. (...)" (p. 217)

"Estava a chover torrencialmente quando alcançou a rua, Melhor assim, pensou, ofegando, com as pernas a tremer, vai sentir-se menos o cheiro. Alguém tinha deitado a mão ao último farrapo que mal a tapava da cintura para cima, agora ia de peitos descobertos, por eles, lustralmente, palavra fina, lhe escorria a água do céu, não era a liberdade guiando o povo, os sacos, felizmente cheios, pesavam demasiado para os levar levantados como uma bandeira.(...)" (p. 225)

Ensaio sobre a cegueira, José Saramago. Companhia das Letras, 2001.

As três graças (Cárites), de Raffaelo Sanzio


[Graças, nome latino das Cárites gregas, eram as deusas da fertilidade, do encantamento, da beleza e da amizade. Aglaia, a claridade; Tália, a musa da comédia e da poesia; e Eufrosina, a deusa da alegria.]

"(...)Não podem imaginar que estão além três mulheres nuas, nuas como vieram ao mundo, parecem loucas, devem de estar loucas, pessoas em seu perfeito juízo não se vão pôr a lavar numa varanda exposta aos reparos da vizinhança, menos ainda naquela figura, que importa que todos estejamos cegos, são coisas que não se devem fazer, meu Deus, como vai escorrendo a chuva por elas abaixo, como desce entre os seios, como se demora e perde na escuridão do pubis, como enfim alaga e rodeia as coxas, talvez tenhamos pensado mal delas injustamente, talvez não sejamos é capazes de ver na história da cidade, cai do chão da varanda uma toalha de espuma, quem me dera ir com ela, caindo interminavelmente, limpo, purificado, nu.(...)"

Ensaio sobre a cegueira, José Saramago. Companhia das Letras, 2001. (p.266)

Os cegos, Pieter Brueghel




"(...) O pior é que as famílias, sobretudo as menos numerosas, rapidamente se tornaram em famílias completas de cegos, deixando portanto de haver quem os pudesse guiar e guardar, e deles proteger a comunidade de vizinhos com boa vista, e estava claro que não poderiam esses cegos, por muito pai, mãe e filho que fossem, cuidar uns dos outros, ou teria de suceder-lhes o mesmo que aos cegos da pintura, caminhando juntos, caindo juntos e juntos morrendo." (p. 125)

Ensaio sobre a cegueira, José Saramago. Companhia das Letras, 2001.

José Saramago sobre Ensaio sobre a cegueira

“Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso”, disse o escritor José Saramago, por ocasião da apresentação pública do seu romance “Ensaio sobre a Cegueira”.

quarta-feira, junho 04, 2008

Descobrindo Sonantes

http://www.myspace.com/sonantes

Um disco inteirinho cantado pela Céu, um verdadeiro milagre.

Céu na Terra


Cada vez mais apaixonante.

Uma "canción" breguíssima que gosto demais



Si No Te Hubieras Ido

Te extraño mas que nunca y no se que hacer
despierto y de recuerdo mal amanecer
espera otro dia por vivir sin ti
el espejo no miente me veo tan diferente
me haces falta tu

No hay nada mas dificil que vivir sin ti
sufriendo en la espera de verte llegar
el frio de mi cuerpo pregunta por ti
y no se donde estas
si no te hubieras ido seria tan feliz

No hay nada mas dificil que vivir sin ti
sufriendo en la espera de verte llegar
el frio de mi cuerpo pregunta por ti
y no se donde estas
si no te hubieras ido...
Seria tan feliz



[Tá lá no filme belo filme de Alfonso Cuarón, "Y tú mamá tambíen!" com Maribel Verdú dançando em frente ao junkebox entes de engolir os garotos.]