terça-feira, novembro 25, 2008

"Aqueles dois", Cia Luna Lunera


VIRIL DELICADEZA


“Queríamos tanto salvar o outro.
Amizade é matéria de salvação.

Mas todos os problemas já tinham
sido tocados,
todas as possibilidades estudadas.

Tinhas apenas essa coisa que havíamos
procurado
sedentos até então e enfim entrado:

Uma amizade sincera.”



Clarice Lispecto
r



Assistir aos atos concentrados dos Prêt-à-porter dos atores-criadores de Antunes Filho, depois ver esta peça que vem de Minas Gerais pela Cia Luna Lunera, ajuda a reconhecer certos traços que vem a definir um teatro contemporâneo mais inventivo que se desenha no Brasil contemporâneo. Um teatro que aspira à comunicação com o público, mas sem cair na armadilha da encenação fácil, porque mais centrado no ator, reduzindo os demais elementos a um mínimo que tenciona para, da contenção, extrair o máximo de expressividade. Tudo o que não é pouco.

.

"Aqueles dois", apresentado pela companhia mineira, realiza tal proeza, avançando onde o Prêt-à-porter por vezes derrapa, por certa carência de ousadia que parece residir na crença demasiada, de que o menos é sempre mais. Assim ocorre quando a contenção excessiva represa o gesto criador em esquemas e limitações impostos à encenação. Não me contradigo. Aqui e ali, a criação nas mãos dos atores, a pesquisa, o adensamento no gesto e na palavra, com o diferencial, no caso da Cia Luna Lunera, do risco de encenar um texto literário sem vertê-lo exatamente em texto dramático.

.

O conto "Aqueles dois", que dá nome à peça, é um dos textos mais conhecidos de Caio Fernando Abreu, penúltima narrativa de seu livro Morangos Mofados. A trama é de fácil apreensão: dois rapazes, Raul e Saul, recém-contratados em uma repartição, desenvolvem um forte vínculo de amizade que evolui, de maneira ambígua, para um envolvimento amoroso. Embora não se concretize sexualmente, tal relacionamento fará com que sejam banidos do emprego. Solidão, amor, repressão sexual, perda e intolerância são questões urdidas nesta narrativa para além da problemática homossexual.

.

O espetáculo começa por surpreender ao colocar em cena quatro atores de tipos físicos bastante distintos que não dividem os papéis de Raul, Saul, ou quaisquer outros personagens presentes no conto. Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves, Rômulo Braga são simultaneamente Raul e Saul; todos são os homens e mulheres emparedados no escritório, isolados em apartamentos; todos chefes e subalternos; narradores e objetos de narração. O ator não divide personagens, é multíplice, converte-se em todos. E num lance de quebra brechtiana (cerne do espetáculo), representam a si próprios: atores que encenam e que, voltados para o público (desnudos), homenageiam o autor da peça, Caio Fernando Abreu.

.

O que se faz de mais notável na “encenação” de “Aqueles dois”, é o fato de os encenadores levarem quase às últimas conseqüências a aplicação dos conceitos de fragmentação, multiplicidade e simultaneidade. Chamo de “conceito” (por leitmotiven), pois não se executa na peça somente uma ruptura com a linearidade da narrativa, que no conto é esboçada em flashbacks e reiterações de cenas e frases (sem esquecer as similaridades - até sonoras - entre Raul e Saul). A construção do espetáculo se faz igualmente por fragmentos[1], com recorrente construção e desconstrução de ambiente executada pelos atores, à vista do público, num processo que integra a encenação.

.

No palco, organizado em forma de quadrado[2] (por isso mais adequado ao formato de arena), o espaço construído é por vezes o do escritório, mas também às beiras, converte-se nos quartos dos protagonistas, nos meandros da área de café. Também, num mesmo espaço apresentam-se múltiplos tempos, evocados pelas frases burocraticamente reiteradas pelos atores, aqui e ali simultaneamente construído pelo figurino, por um tirar e pôr de camisa, a movimentação de um objeto cênico. Fragmentando tempo e espaço (e concentrando num só cenário essa multiplicidade), o trânsito temporal reitera a rotina estafante. Presente e passado tornam-se uma coisa só, inolvidável. Marca-se, assim também, a despersonalização a que estão sujeitos todos os funcionários da repartição: unidos e isolados, cada um preso ao seu próprio tempo e espaço. Literalmente: um deserto de almas desertas. Por isso mesmo, a saída faz-se pelas cartas, contato com o mundo de fora, cartas que são canções, que não pertencem à cena (leitura de carta de Caio Fernando Abreu), que denunciam.

.

Com o foco em terceira pessoa, “Aqueles dois” apresenta grande economia no discurso direto. Restringem-se os diálogos a fragmentos soltos, inseridos no corpo da narrativa, mais sugeridos (em expressões, letras de canções) que explicitados. O conto faz-se, portanto, pelo comentário, evocado pela palavra poética repleta de sugestões imagéticas. Tais características estruturais reafirmam a dificuldade de transposição do narrativo para gênero dramático.

.

A transposição integral de um texto literário para o palco, sem que a conversão para o gênero dramático seja realizada, produz um choque de linguagens que limita enormemente a expressão teatral, posto que cerceia o potencial expressivo desta arte. Comumente, encenadores fazem-se reféns do texto, limitando-se a ilustrar o narrado, produzindo um eco que esvazia a mensagem. Entretanto, a aproximação entre estes dois gêneros afins, mas distintos, tem servido de base para experimentações que superam as barreiras com maior ou menor sucesso. Um bom exemplo – ao qual podemos filiar “Aqueles dois” - é à técnica romance-em-cena desenvolvida pelo diretor Aderbal Freire Filho em três espetáculos de grande sucesso de crítica e público[3]

.

Aderbal definiu a técnica desenvolvida por ele (romance-em-cena) como: “o jogo da ilusão do teatro levada ao paroxismo: o discurso em terceira pessoa e a ação em primeira. O passado e o presente se confundem. Aristóteles e Brecht sentados à mesma mesa. A adaptação é “apenas” cênica, não se transforma o texto narrativo em texto dramático.”

.

No romance-em-cena há narração, mas não existe a figura do narrador, pois as narrações são ditas como falas pelos atores. Nas peças que dirigiu, observa-se a proximidade com o teatro épico, pois as ações proliferam num fluxo vertiginoso. Atores desempenham múltiplos papéis, e o texto literário é integralmente apresentado. É interessante observar que se tratam de três romances/peças que tendem à sátira, sustentando-se não só na encenação (vertiginosa), mas na própria “linguagem dos escritores”, uma prosa marcada pelo humor, pela ironia, e repleta de trocadilhos e jogos de palavras.

.

Neste sentido, Cia Luna Lunera avança na técnica “conto-encenado” porque lhe é infiel, já que elege uma narrativa curta que dilata com delicadeza, dosando a “fidelidade à prosa poética do escritor gaúcho” a um inventivo uso de canções, sons, objetos e achados físicos (coreografias e expressão corporal) e uso de recursos de mídia. “Aqueles dois” avança também, no sentido de adensar o que o texto meramente sugere, sem pudor de alterar a ordem de frases e acontecimentos do conto. Se os atores narram passagens integrais do texto, não se furtam à execução de cortes/fraturas cujo objetivo parece ser enfatizar dados muito sutis.

.

Pulverizado (descentrado) o protagonismo da peça, a atuação torna-se um equilíbrio de forças, ou melhor, um tour de force coletivo que impossibilita indicar uma ou outra atuação, já que todos parecem compor uma só engrenagem a serviço do texto, da encenação. Oscilando entre momentos de grande energia e dinamismo (a montagem da rotina incessante e vazia do escritório, por meio da aceleração e vertigem da movimentação dos atores) e momentos líricos, mais simbólicos e poéticos (a dança/confronto entre os corpos que se sustentam uns aos outros), o que obtém é um complexo momento de intimismo e empatia com o público, embora todo o tempo exponham ao público a construção da própria cena. Se retomam passagens já encenadas (narrando diretamente longos trechos), visam reorientar de modo mais direto o entendimento da platéia, como forma de contornar o fragmentário, ou reafirmar a quebra, mesmo, da ilusão do palco. Neste sentido, buscam a comunicação e a delicadeza; palavra, apuro técnico e emoção, um equilíbrio possível entre Antunes e Aderbal.

.

A tentativa, contudo, de dar mais atualidade à história (com citações a cineastas mais modernos, como Pedro Almodóvar, e outros artistas) é falha, pois não conseguem espantar a impressão de que “Aqueles dois” circunscreva-se, inevitavelmente, a um período específico do passado, ainda mais, levando em consideração conquistas (pelo menos legais), no campo dos direitos dos gays. “Tu me acostumbraste” (citada/cantada várias vezes, bem como outros boleros, e canções de dor de cotovelo), remete ao passado, e permite a explicitação da alma melancólica e sentimental de Raul e Saul, “moços velhos” de coração interiorano, reprimidos sexual e afetivamente (em relação à mãe, à noiva, e ao desejo que um tem pelo outro). Se canções e castrações soam datadas e piegas, esses desconcertos são superados pelo fato de que são justamente os versos (e desenhos) que se prestam à explicitar a paisagem interior dos personagens; os sentimentos que um e outro não se permitem confessar.

.

O que a Cia Luna Lunera traz de mais significativo na fusão que realizam entre Teatro e Literatura, é o mérito de equacionar distintos elementos: fidelidade à literatura de Caio Fernando Abreu, depuração e rigor cênico, inventividade criadora a serviço da emoção. Não é pouco. Sem violar o texto (por si, auto-suficiente), investiu-se criativamente na expressividade do ator, o que de certo modo significa o investimento na figura humana. Mais que submeter a prosa narrativa à quadratura da cena, a concepção do espetáculo buscou potencializar aquilo que no texto era esboço, integrando à encenação a noção de contato e encontro entre iguais (quatro homens), tendo possivelmente como ponto de partida jogos de atores, técnicas de contato-improvisação.

.

“Aqueles dois” termina por não uma peça rigorosamente gay, já que nela não se investe no potencial de choque/escândalo - que a encenação de peças de temática homossexual normalmente valorizam, - mas na solidão do homem. Fiéis à sutileza (talvez demasiada) do texto, a interpretação dos quatro atores deslinda a evolução emocional e afetiva de Raul e Saul, e com viril delicadeza valoriza a eloqüência dos corpos em contato ante sentimentos emudecidos. Esvaziam assim quaisquer possibilidade de converter “Aqueles dois” em discurso acusatório, manifesto prosaico à discriminação homossexual. Sem escamotear a tensão erótica dos protagonistas, o foco recai na construção de um terceiro objeto, nem literatura nem teatro: poesia encenada com o corpo, - lugar onde paira o conto e a criação de Caio Fernando Abreu.


------------------------------------------------

1 - O cenário é constituído de elementos mínimos máquinas, gavetas, luminárias, cabides, garrafas, todos compondo a cena ao serem postos no chão do palco. Há igualmente mesinhas, aparelho de tevê, rádios/vitrola, discos, amplificador de som, deslocados para beiras e trazidos para cena conforme a necessidade de demarcar mudanças espaciais. Apenas uma parede é utilizada na fixação de cartazes/desenhos presos com fita adesiva.

2 - Amovimentação dos atores, na encenação que constrói ao público o espaço do escritório (também próximo do desfecho, quando se retrata/relata a solidão de Saul a vagar desolado entre as mesas), é constituída de numa movimentação geometrizada, com gavetas e objetos barrando os caminhos, e atores se entrecruzando, chocando-se, reafirmando a idéia de labiríntico, de emparedamento, opressão, ausência de rumo, impressões construídas pela repetição dos movimentos dos atores.

3 - A técnica romance-em-cena já foi utilizada por Aderbal em: A Mulher Carioca aos 22 Anos, de João de Minas (1994); O que Diz Molero, de Dinis Machado (2004); e O Púlcaro Búlgaro, de Campos de Carvalho (2006).

BOSSA NOVA, Balé Stagium


Fui ver no sábado, 22.11.2008, o Balé Stagium. BOSSA NOVA. Teatro do Edifício Itália. 20h.
Belo belo. Daqueles espetáculos que nos dão uma alegria enorme.


Músicas do espetáculo:


ÁGUAS DE MARÇO – intérprete: Elis Regina – autor: Antônio Carlos Jobim
SÓ TINHA DE SER COM VOCÊ - intérprete: Elis Regina – autor: Antônio Carlos Jobim
CORCOVADO - intérprete: Elis Regina – autor: Antônio Carlos Jobim
BERIMBAU – intérprete: Odete Lara – autor: Vinícius de Moraes
SAMBA EM PRELÚDIO – intérprete: Geraldo Vandré – autor: Vinícius de Moraes
LOBO BOBO/O PATO – intérprete: Pery Ribeiro – autores: Carlos Lira e Ronaldo Boscoli
RAPAZ DE BEM – intérprete: Johny Alf – autor: Johny Alf
DINDI – intérprete: Maysa – autores: Antônio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira
CANTO DE OSSANHA – intérprete: Maysa – autores: Baden Powel e Vinícius de Moraes

“Bossa Nova”
Ficha Técnica

Coreografia: Décio Otero
Direção Teatral: Marika Gidali
Trilha Sonora: Décio Otero
Edição de Trilha Sonora: Marcelo Jannuzzi
Figurinos: Décio Otero, Marika Gidali
Elenco: Ana Paula Tavernaro, Aleksandro Pereira De Souza, Danielle De Oliveira, Eugênio Gidali, Flavia Costa, Eduardo Mascheti, Juliana Figueredo, Edilson Ferreira, Michelle Caegari, Jorge Lima, Paula Perillo, Marcos Palmeira, Marcos Veniciu

segunda-feira, novembro 24, 2008

Relendo aquele conto de Morangos Mofados


Li aos 16 anos.
Reli algumas vezes, que nem todos os contos me encantam, espantam, estarrecem.
Agora relendo alguns, por conta do espetáculo que assisti.
:
Obsessivamente os mesmos:
:
Aqueles dois
Sargento Garcia
Caixinha de música.
:
Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu.

A paquidermica empresa de José Saramago


Leio agora este novo romance (romancinho) de José Saramago, A viagem do elefante, que começou morno, mas esquentou e está uma delicia de ler. É, sim, um Saramago menor, o mesmo de O conto da ilha desconhecida e As intermitências da morte. Ou seja, ainda menor é acima da média de muita coisa que se vem escrevendo por aí. A prosa, aquela beleza, no início a sensação de prosa repisada dos livros anteriores (sim, há muito disso), desenvolve-se pesado, (no começo) sem grande novidade, com as correntes obsessões deste narrador saramaguiano, que o dito escritor Saramago diz ser ele mesmo (sic). Mas um estilo, uma mão personalíssima, tão singularmente trabalhada por ele: os volteios frasicos, as inferências metalingüísticas (seja para explicar uma palavra, para explicar por que o romance está sendo construído dessa ou daquela forma) - à maneira do distanciamento de Brecht -, aqui e ali uma cutelada no catolicismo, as denúncias de mazelas sociais, o amor à ação coletiva do homem, à História de Portugal, à encenação de ações insólitas, e longas viagens épicas de transformação interior (não sei se há a presença do cão, do idoso e da mulher guia, é avançar na leitura para confirmar).
:
Assim, ainda que pareça mais do mesmo, há sempre o deleite da linguagem serpeteante, labiríntica e cheia de novidades - sem nunca perder o fio do jogo narrativo, de enredar o leitor na condução da trama, que faz este velho senhor um Autor maiúsculo. Sigamos o paquidérmico compasso.
:
:
:
"Por duas vezes, antes de chegarem a porto salvo, se tal se podia chamar a duas dezenas de casebres afastados uns dos outros, com uma igreja descabeçada, isto é, só com meia torre, semnave industrial à vista, ainda lhes caíram em cima duas bátegas, que o comandante, já perito neste sistema de comunicações, interpretou logo como dois novos avisos do céu, decerto impaciente por não ver uqe estivessem a ver tomadas as medidas preventivas necessárias, as que poupariam à ensopada caravana resfriamentos, contipações, defluxos e mais do que prováveis pneumonias. Esse é o grande equívoco do céu, como a ele nada é impossível, imagina que os homens, feitos, segundo se diz, à imagem e semelhança do seu poderoso inquilino, gozam do mesmo privilégio. "
:
:
:

A viagem do elefante, José Saramago, Companhia das Letras, 2008. p. 67

BUDAPESTE, de Chico Buarque


Um livro insuficiente.
:
{aguarde crítica}

CAPITU


"Capitu", série da Globo dirigida por Luiz Fernando Carvalho.
Adaptação do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, a ser lançada em dezembro.


LAVOURA ARCAICA



Um filme que adoro, uma adaptação impecável do livro de Raduan Nassar.
:
"Lavoura arcaica", de Luiz Fernando Carvalho

O cabeleira, de Franklin Távora em quadrinhos

Graphic novel

Editora Desiderata

a partir do roteiro de “O Cabeleira” (assinado por Hiroshi Maeda e Leandro Assis),

obra literária de 1976, escrita por Franklin Távora em 1876.

Baseada por sua vez nos cordéis sobre a vida do assassino pernambucano José Gomes.

MACUNAIMA ÓPERA TUPI

MINHA AMIGA SUSANNA E SEUS DIÁLOGOS LITERÁRIOS


Minha amiga mais que especial Susanna Ventura montou este diálogo-espetáculo com esses três artistas fabulosos que tive o prazer de conhecer. Apresentei há alguns meses, um vídeo-montagem para a apresentação nos Sesc sobre Franz Kafka. Eis aqui, aulas-espetáculos mais do que recomendadas.

:
:
:

Correios patrocinam

Diálogos Sonoros
música e literatura

Com
Susanna Ventura, Márcia Accioly, Clóvis Tôrres e Kátya Teixeira


Dia 26/11/2008 às 20h - Na hora de trabalhar, pernas pro ar!
Visitando a literatura e a música brasileiras nos deparamos com a delícia da irreverência de personagens memoráveis,
acompanhadas e protagonizadas pelas aventuras e pela simpatia de alguns célebres malandros e preguiçosos que,
evocados a qualquer tempo, provocam o riso. Desta maneira, criamos um espetáculo bem humorado e inteligente, leve e provocativo.
Em realidade, uma boa "conversa fiada", acompanhada de cantoria e da interpretação do ator Clóvis Tôrres.


Curadoria e elaboração de textos
Márcia Accioly e Susanna Ventura

Direção Musical
Kátya Teixeira e Márcia Accioly

Susanna Ventura - leitura e comentários dos textos
Clóvis Tôrres - interpretação e diálogos

Músicos
Kátya Teixeira - voz, violão
Ricardo Vignini - violão e viola caipira
Cássia Maria - percussão e vocais
Produção
Andrea Gatto e Tôrres Produções Artísticas

Assessoria de Imprensa
Luciene Balbino




Realização
SESC/SP
Tôrres Produções Artísticas

Patrocínio
Correios


SESC POMPÉIA
Choperia
Rua Clélia, 93
tel.: (11) 3871-7700
www.sescsp.org.br

Entrada Franca

sexta-feira, novembro 21, 2008

NOVOS CONTOS

Contos novos escritos (e velhos, reescritos) e não publicados:
:
Introdução ao pânico
Amanhecer de Adamah
Oedipus
Monte Santo
O imitador de passarinhos
A invenção de Fernando Pessoa
Medo de Tom Waits
Para Paco que gostava dos meus contos
O dia da ira
O assassinato de Rubem F.
Pracinha
O planetário de Deus
:

RENE MAGRITTE

quarta-feira, novembro 19, 2008

PROFISSÃO REPÓRTER




Para mim, o melhor programa da televisão brasileira.

sábado, novembro 15, 2008

VICKY CRISTINA BARCELONA


Ontem, eu, Marcela e Lucas fomos ver este filme do Woody Allen no Unibanco. Uma beleza de filme! Um filme hiper falado, divertido e imprevisível; deste velhinho que está cada vez mais rejuvenescido.


Scarlett Johansson, Penelope Cruz e Javier Barden

quinta-feira, novembro 13, 2008

Pássaro proibido

Solto está o pássaro proibido
Perigo, cuidado, sinal nas ruas
Plumagem clara e brilhante
Ao sol e a lua transparente
Ao corisco e a maré, ao corisco e a maré

Eu canto o sonho na cama
Do jeito doce e moreno
Eu canto
Pássaro proibido de sonhar
O canto macio,olhos molhados
Sem medo do erro maldito
De ser um pássaro proibido
Mas com o poder de voar, mas com o poder de voar

Eu canto o sonho na cama
Do jeito doce e moreno
Eu canto
Voar até a mais alta árvore
Sem medo, tranqüilo, iluminado
Cantando o que quer dizer
Perguntando o que quer dizer
O que quer dizer meu cantar, o que quer dizer meu cantar?


(Caetano Veloso e Maria Bethânia)

quarta-feira, novembro 12, 2008

DALTON TREVISAN




"Só a obra interessa. O autor não vale o personagem. O conto é sempre melhor que o contista. Vampiro sim, de almas. Espião de corações solitários, escorpião de bote armado. Eis o contista. Só invente o vampiro que exista. Com sorte, você adivinha o que não sabe. Para escrever mil novos contos, a vida inteira é curta. Uma história nunca termina. Ela continua depois de você.Um escritor nunca se realiza. A obra é sempre inferior aos sonhos. Fazendo as contas percebe que negou o sonho, traiu a obra, cambiou a vida por nada. O melhor conto só se escreve com tua mão torta, teu avesso, teu coração danado. Todas as histórias, a mesma história, uma nova história. O conto não tem mais fim senão começo.  Quem me dera o estilo do suicida em seu último bilhete."
.
{01} Discurso de Dalton Trevisan no prêmio que recebeu em Portugal.
.
{02} Recebeu o segundo lugar mas não foi buscar, mandou bilhete, mas que bilhete!

{03} Para depois não sairmos por aí falando que não temos mais nenhum escritor que preste
.
{04} Fonte: blog CINEMALETRA... que copiou de JAROSINSKI, que por sua vez já tinha copiado do bog do Solda, que por sua vez tinha chupado do blog Gazeta do Povo/blog Sobretudo.

PARATI PARA MIM

Lendo com atenção esse livrinho feito a quatro mãos.

Roma no Google Earth




Como não amar História, Geografia, a Internet, etc depois dessa ferramenta incrível chamada Google Earth.

http://earth.google.com/rome/

HARRY PODRE



Fim tristíssimo do último volume do Harry Podre e as relíquias da morte. J. K. Rowling é uma excelente narradora de trama de ação. Livro violento, violentíssimo, com uma sangreira desatada para arrebentar os corações da crianças que leram o volume 1. Para detratores da autora, yes, eu li todos os volumes. Os primeiros quando ainda lecionava nas 5as, 6as, 7as, 8as séries. Pus aluninhos para ler o volume 1 e 2 por módicos 11 reais cada (comprados no Submarino). Metade da classe leria o 1 e a outra o 2, tudo sabendo claramente que não resistiriam. Sucesso total. Incrível ver os guris de 5a e 6a. discutindo livros de maneira empolgada, livros extensos e sem ilustração, depois trazendo notícias de que seriam adaptados, depois reclamando pois o livro era muito melhor. Ou seja, podemos questionar passagens inteiras dos romances (violência, autoritarismo, consumismo, maniqueísmo), mas é inegável que fez um bem enorme para os garotos, que descobriram que literatura não tem que ensinar nada, que ler é um prazer, e que não se deve temer livros grandes sem ilustração. Acabar o Harry Podre é lembrar esse período que já vai longe, recordar aqueles alunos que, pelos meus cálculos, já podem até mesmo ter terminado a faculdade.

domingo, novembro 09, 2008

Pau de computador


De vez em quando, o computador (ou a internet) dá pau. Esse é um pau de publicação aqui do blogspot. Não ficou bacana?

Umbigo roxo ou A volta da Marcela

Minha amiga Marcela voltou à atividade com blog, agora com esse novo (e com umas coisas do anterior), um pouquinho mais melancólico, mas com certas tiradas irônicas/sarcásticas inteligentes que são a cara dela. Por exemplo, esse post sobre Promessas para santos:

Cogitei em não entrar mais na internet, o que seria realmente difícil para mim, mas não sei qual o pé de modernidade de São Judas. Talvez ele não considere uma promessa legítima. O que São Judas entende de orkut, blogs, msn. blip, twitter e etcs? Vai me dizer que ele tem perfil no facebook? Se sim, talvez seja mais interessante mandar um e-mail. Ahn?
Ela me aconselhou a entregar uma cesta básica por mês. Achei interessante. Não sairia muito caro, não seria cansativo como subir uma escadaria de joelhos, e ainda tem apelo emocional. Dá certo em programas de TV, talvez dê certo para mim.
Contei pra ela que não cumpri uma promessa uma vez. Será que tem problema?
Eu estava na sexta série e meu pai disse me daria uma moto Jog se eu não pegasse nenhuma recuperação. Eu sabia que a probabilidade era pequena, pois estava mal em inglês, então resolvi fazer uma promessa para São Longuinho. Se eu não pegasse recuperação, daria 500 pulinhos.
Deu certo, eu não peguei recuperação, mas... também não ganhei a Jog. Nada mais justo que não dar os 500 pulinhos, certo? Errado. São Longuinho ficou puto. Tão puto que espalhou minha fama de má pagadora por todo o reino das divindades, de forma que meus pedidos nunca mais foram atendidos. Acho que São Longuinho é uma espécie de serasa do céu. Não há São Jorge que me salve, muito menos Santo Antônio, que resolveu tomar todas as dores do Longuinho e ferrar minha vida amorosa pra todo sempre. O jeito é torcer para que São Judas não faça parte dessa patota e me ajude, afinal, são doze cestas básicas, certo São Judas?

.
NÃO VALE A PENA?
.
Recomendo, esse UMBIGO ROXO
.
http://umbigoroxo.blogspot.com/

Nelson Rodrigues

Projetando 2009

PÓS-DOC
.
.
.
Marginais e marginalizados na literatura de Marcelino Freire

ou

A prosa impura de Marcelino Freire

Elza Soares

GRANDE Elza.

Uma foto ficando antiga


2007

José Saramago

Um desenho maravilhoso


Nova aquisição.

sábado, novembro 08, 2008

Mary GrandPré



Ilustradora do Harry Potter


Alvorada

Alvorada lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo
a alvorada.

Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
E o que me resta é bem pouco
Ou quase nada, do que ir assim, vagando
Nesta estrada perdida.

Cartola

[Sintético e lindo]

quinta-feira, novembro 06, 2008


Meus amigos de Orkut


HABEMUS OBAMA


E andam por aí falando do fim da História. O novo chash da bolsa e o presidente negro metem o dedo na intelectualidade cega. O mundo avança, para o bem ou para o mal e cada vez sabemos menos onde tudo irá parar.

domingo, novembro 02, 2008

Doces bárbaros


Capitaneado por Caetano Veloso e Gilberto Gil o Tropicálismo foi um movimento artístico da década de 60 que, usando deboche, irreverência e improvisação, revolucionou a música popular brasileira.  Caetano, Gil, Gal Costa e Maria Bethânia uniram-se em 1976 para formar um grupo denominado Doces Bárbaros, para apresentações no Anhembi (São Paulo). O espetáculo durou menos de um mês, já que Gil e o baterista Chiquinho Azevedo foram presos com maconha em Florianópolis. Retomado pouco depois, o show bateu o recorde de bilheteria do Canecão (Rio de Janeiro), onde permaneceu por dois meses. Dessa experiência nasceu o álbum Doces Bárbaros Ao Vivo, fortemente influenciado pela contemporânea fusão do jazz-funk, com um toque brasileiro. As letras, poéticas e cheia de paixão são um verdadeiro documento de uma era, escritas com maestria numa atmosfera pesada marcada pela ditadura militar. [texto adaptado].
.
[Esta postagem foi motivada pelo fato de ter encontrado o registro filmado desta apresentação(o documentário de 76, "Os Doces Barbaros")  na internet. Uma alegria imensa, pois só tinha visto pedaços.]