quarta-feira, agosto 27, 2008

Festa da Nossa Senhora Achiropita

De volta ao tempo das quermesses de igreja.

A megera domada


Assisti no Cultura Artística em São Paulo, A megera domada (de William Shakespare) e dirigido por Cacá Rosset. 24.08.2008. Foi bom. Talvez longa demais. Talvez falte. Abunde.



SLOGAN


CULTURA, a tevê que faz bem.


Alguns slogans são muito bons, este é um exemplo.

Marcando data

Dia 26 de agosto de 2008.

Operação da minha mãe, clínicas.sp

Eterno (fragmento)



(...)
eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata
é minha mãe em mim que a estou pensando
de tanto que a perdi de não pensá-la.


Carlos Drummond de Andrade

sábado, agosto 23, 2008

O corsário do rei



De repente a descoberta de um disco antigo, mas sempre novo, como tudo que Chico Buarque e Edu Lobo fazem. Uma beleza.

sábado, agosto 16, 2008

Audácia impulsionou carreira de bailarina



Ivonice Satie, uma das grandes personalidades da dança deste país, era uma bailarina de traçado espacial forte, impulsionada pela audácia. Uma bailarina marcante, riscando o palco com inteligência

Cássia Navas
Uma coreografia se compõe de muitos elementos; o principal deles: o bailarino, a partir de quem tudo se constrói -espetáculos, companhias, festivais, teatro, escola, faculdades-, estruturas que vão povoando de movimento a cultura do mundo.

Ivonice Satie, uma das grandes personalidades da dança deste país, era uma bailarina de traçado espacial forte, impulsionada pela audácia. Uma bailarina marcante, riscando o palco com inteligência.

Jamais perdida, a força motriz de sua dança foi temperada por um raro bom senso, que lhe permitiu uma carreira ímpar de empreendedora: inaugurou companhias e modificou grupos, mirando o futuro ancorada na bagagem que trazia de mestres e colegas.

Trabalhou no centro e na periferia, em grupos públicos e particulares, sua vocação para abertura de novas frentes, sendo conjugada com a preocupação com a formação de platéias, inquietações que conduziram seus grupos para fora de suas sedes, dançando em muitas partes e de várias maneiras.

Em uma carreira intensa, à coragem de suas ações somava-se, como herança de seus antepassados japoneses, a condução de uma dança guiada por uma visão histórica ampla, quase eterna.

Como os verdadeiros artistas da dança, ela tinha sido tocada pela eternidade, lá, no palco, em instantes nos quais tudo parece parar, o espaço do mundo cabendo dentro do corpo de cada um. Um momento fugaz, que muitas vezes temos o privilégio de vislumbrar, compartilhando públicos e artistas de um sentido de suspensão, fruto de vigorosa inversão de nosso cotidiano.

Ivonice Satie queria e lutou pela eternidade em vida. Como um "shogun" (guerreiro) do Brasil, ela sabia que a vida, mesmo a escoar-se por entre os nossos dedos, merece ser celebrada e respeitada como uma obra de arte.

Cássia Navas

[Fiquei apaixonado por esse texto, e por Satie]

sexta-feira, agosto 15, 2008

Conversas com Almodóvar, de Frederic Strauss

Comprei este livro na FNAC online, o preço estava ótimo, e chegou rápido, no dia seguinte ao pedido. É mais um daqueles livros apaixonantes, os diretores são autores plenos, dizem coisas incríveis, inteligentes, vêem o que ninguem percebe. A antena da raça, como disse Pound, os artistas. Almodóvar é tão brilhante, tão revelador. O que dizer?

TALVEZ ISSO:

Alguns livros provocam em quem os lê uma espécie de felicidade macia.

"Lusa: a Matriz Portuguesa" exposição no CCBB

Dia 13.08.2008, fui até o Centro Cultural Banco do Brasil ver a exposição de artefatos portugueses que abarca da pré-história à Idade Média e período das colonizações. Recomendo. Ainda mais para saber das influências greco-romanas e árabes na cultura portuguesa que migrou para o Brasil e nos constitui também. Uma beleza de viagem pelo tempo. É uma exposição macérrima, mas recomendo.


Heloísa Buarque de Hollanda



Dia 13.08.2008 conheci esta pessoa incrível, mais um presente do Itaú Rumos, pois é minha orientadora do projeto Marcelino Freire: entre o rap e o repente. O encontro foi em São Paulo, no Hotel Ville, pertinho do Sesc Consolação, onde ela veio do Rio para participar de um debate (Cartografia WEB literária) sobre literatura e internet. Aproveitando a vinda dela do Rio de Janeiro, eu e minhas amigas rumeiras Arali e Luciana Araújo tratamos logo de agendar este encontro "ao vivo", uma reunião para discussão dos ensaios literários que acabou em almoço e um excelente bate papo. Sem palavras para dizer a simpatia que é Heloísa, daquelas pessoas pelas quais nos apaixonamos no instante exato em que conhecemos.

FALE COM ELA

Se tem um filme pelo qual eu sou completamente apaixonado é este. Por isso, FALE COM ELA.

domingo, agosto 10, 2008

[Das listagens #01]

Os discos que carrego por que me espantaram ou me alegraram, e por que me fizeram e me fazem mais feliz:

Fascinação - Elis Regina
Milton Nascimento - Ao vivo
Pétala - Djavan
O melhor de Luís Gonzaga
Almanaque - Chico Buarque
Álibi - Maria Bethânia
Go back - Titãs
Legião Urbana - V
Legião Urbana - Dois
Cambaio - Chico Buarque e Edu Lobo
Aso vivos - Chico César
Mensagem - diversos
Vinícius de Moraes
Raul Seixas
Bloco do eu sozinho - Los hermanos
Ventura - Los hermanos
Sem lenço sem documento (o melhor de) - Caetano Veloso
Caetano e Chico juntos e ao vivo
Estrangeiro - Caetano Veloso
Circuladô de Fulô - Caetano Veloso
Ideologia - Cazuza
Janes Joplin
Beatles
Elis e Tom
Fa-tal: Gal a todo vapor - Gal Costa
João Gilberto - O mito
Secos & Molhados - 1973
Malásia - Djavan
Pantanal - diversos
Os saltimbancos - Chico e outros
A arca de Noé - Vinícius e Toquinho
Unplugged MTV - Gilberto Gil
Acústico MTV - João Bosco
O sorriso do gato de Alice - Gal Costa
Novos Baianos - Acabou chorare
Fina Estampa - Caetano Veloso
O grande circo místico - Chico Buarque e Edu Lobo
Cássia Eller - Cassia Eller
Paulinho da viola
Maritmo - Adriana Calcanhotto
Uma palavra - Chico Buarque
Um e dois - Titãs
Mais - Marisa Monte
Maria Rita - Maria Rita
Barulhinho bom - Marisa Monte
Verde anil amarelo cor de rosa e carvão - Marisa Monte
As canções que você fez pra mim - Maria Bethânia
A dama do encantado (Tributo a Aracy de Almeida) - Olívia Byington
Afrossambas - Vinícius de Moraes e Baden Powell
Cartola - Cartola
Valsa Brasileira - Zizi Possi
Do cóccix até o pescoço - Elza Soares
Vermelho - Vanessa da Mata

Âmbar - Maria Bethania
Namorando a rosa - Bethania e outros
Brasileirinho ao vivo - Maria Bethânia
Essa boneca tem manual - Vanessa da Mata

Atualmente:
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Maria Rita - Samba meu
Fernanda Porto - Fernanda Porto
Hoje - Gal Costa
Céu - Céu
Kavita - Mariana Aydar
Roberta Sá
Kleber Albuquerque
Lenine
Rita Ribeiro - Rita Ribeiro
Amy Winehouse - Black to black
Rubi

sexta-feira, agosto 08, 2008

Fora da ordem




MusicSRC.com - Music Videos

Circuladô de fulô

Circuladô de fulô, de Caetano Veloso

Esse disco foi uma verdadeira revelação na minha vida, um soco no estômago, uma chuva boa, uma tomada de consciência. Na contracapa do disco/cd, está "...mas as polcas não puderam ir tão longe", uma frase de Machado de Assis tirada de "Um homem célebre", narrativa que trata de um compositor popular que sonha em ser um clássico. Tudo em desacordo com o disco que não tem nada de modesto, grande em tudo, e que revelou para mim o quão longe poderiam chegar as canções. Acho o disco mais literário de Caetano (está lá "A terceira margem do rio", o poema de Haroldo de Campos que dá título ao disco, a canção homenagem à professora "Neide Candolina") Tudo que nele é dito me interessa e reverbera no que penso do mundo, da literatura, da arte, do Brasil. Tristeza, desencanto, deslumbre, cinismo, alegria, esperança. Talvez por isso, nada que Caetano cante -- suas escorregadelas na fase de apodrecimento da sua relação com Paulinha (no disco, está no auge do amor) -- podem tirar o impacto que foi para mim este disco, o amor que tenho pelo artista extraordinário que é. O show que só vi em vhs, anos mais tarde, completou o fascínio. Nada é igual o que tinha visto, o sentido de performance, de arte encenada, de festa, de exautação e afronta, tudo comunicável, direto, dito sem concessão. O cd ao vivo acrescenta (o que parecia impossível) ainda mais complexidade e beleza ao disco de estúdio. Único. Dionisíaco. Para náufragos e não-náufragos.
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1. Fora de Ordem
2. Circuladô de Fulô
3. Itapuã
4. Boas Vindas
5. Ela Ela Enviar letra
6. Santa Clara, Padroeira da Televisão
7. Baião da Penha
8. Neide Candolina
9. A Terceira Margem do Rio
10. O Cu Do Mundo
11. Lindeza

AMERICANOS / BLACK OR WHITE

Americanos pobres na noite da Louisiana
Turistas ingleses assaltados em Copacabana
Os pivetes ainda pensam que eles eram americanos
Turistas espanhóis presos no Aterro do Flamengo
Por engano
Americanos ricos já não passeiam por Havana
Viados americanos trazem o vírus da aids
Para o Rio no carnaval
Viados organizados de São Francisco conseguem
Controlar a propagação do mal
Só um genocida em potencial
– De batina, de gravata ou de avental –
Pode fingir que não vê que os viados
– Tendo sido o grupo-vítima preferencial –
Estão na situação de liderar o movimento para deter
A disseminação do HIV

Americanos são muito estatísticos
Têm gestos nítidos e sorrisos límpidos
Olhos de brilho penetrante que vão fundo
No que olham, mas não no próprio fundo

Os americanos representam grande parte
Da alegria existente neste mundo

Para os americanos branco é branco, preto é preto (e a mulata não é a tal)
Bicha é bicha, macho é macho
Mulher é mulher e dinheiro é dinheiro

E assim ganham-se, barganham-se, perdem-se
Cocedem-se, conquistam-se direitos
Enquanto aqui embaixo a indefinição é o regime

E dançamos com uma graça cujo segredo nem eu mesmo sei
Entre a delícia e a desgraça
Entre o monstruoso e o sublime

Americanos não são americanos
São velhos homens humanos
Chegando, passando, atravessando
São tipicamente americanos

Americanos sentem que algo se perdeu
Algo se quebrou, está se quebrando.



Caetano Veloso

Canção d'Além-mar em Portugal

Meu documentário com Heloísa Valente, Marcela Prado Paiva e Tiago Franco Marques em Portugal. 2008.

Minha resenha do Rasif no Cronopios


TRECHO DA MINHA RESENHA PUBLICADA NO CRONOPIOS
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Do mesmo modo que o árabe, a “língua indígena” vai dar no intérprete que traduz, no conto “Tupi-guarani”, as reivindicações dos índios que, furiosos, invadem o teatro Amazonas. As palavras ameríndias guiam o autor, com sua sonoridade, e vão dar numa proliferação de toponímias, nomes de bichos, lugares, costumes e sons, num livro entranhado em contos que dialogam e distendem-se como no conto que abre o livro, “Para Iemanjá”. Nele, o mar (e as águas) é leitmotiv de Rasif e além de ser um canto de louvação à orixá-senhora das águas, denuncia a dessacralização da natureza, o desrespeito e a ação assassina do homem. O lirismo de “Para Iemanjá” é dos mais imensos: “Oferenda não é essa perna de sofá. Essa marca de pneu. Esse óleo. Esse breu. Peixes entulhados. Assassinados. Minha Rainha (...) Não são para o teu altar essas lanchas e iates. Esses transatlânticos. Submarinos de guerra. Ilhas de Ozônio. Minha Rainha. /Oferenda não é essa maré de merda. Esse tempo doente. Deriva e degelo” (...) (p.21).
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PARA
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http://www.cronopios.com.br/site/lancamentos.asp?id=3441

segunda-feira, agosto 04, 2008