quarta-feira, abril 30, 2008

Outras fotos da virada

Il Martilelli
Momento peitinho da estátual do Municipal de São Paulo
Sob o sol da Orquestra Imperial
Encontrando Margarida e Márcio
Minha noite metal
Clique metalingüístico no Bar do Estadão de Kenan e Marcela

terça-feira, abril 29, 2008

VIRADA CULTURAL

[Mais duas montagens de panorâmicas da virada - não são perfeitas, já que realizada à mão, sem auxílio de tripé, e com gente em movimento. Mesmo assim posto, gosto delas pois elas dão ganho de dimensão ao espaço, e, ainda que tremidas (e talvez por isso), passam impressão de dinamismo. Sem compromisso com a realidade, elas são as que melhor traduzem a sensação deste dia.]

segunda-feira, abril 28, 2008

VIRADA CULTURAL



Eu fui à Virada Cultural São Paulo 2008 e foi incrível. Tudo foi ótimo, tudo esperava, assim como contratempos que foram mínimos. Vi amigos, dance e cantei (mal, como sempre), andei andei e fotografei muito (tantos espaços da cidade que estava louco para fotografar há anos). [Sim, fotografar é também um prazer para mim]. A cidade de São Paulo ofereceu um espetáculo surreal. Como se a cidade tivesse sido bombardeada e todos os habitantes tivessem saído de casa e ocupado os espaços públicos: gramados em parques, ruas, ruelas, shoppings, monumentos públicos. Foi um ataque sem violência (para mim, para muitos) e sem bomba. Os policiais andando em bando pareciam ressuscitar aquela imagem do exército em marcha tomando a cidade. Também me surpreendi com a juventude e a beleza das pessoas. De onde essa cidade tirou tanta gente linda de uma hora para outra. Saltei de palco em palco do sábado (minha maratona começou as 18) e seguiu até as 18h30 do dia seguinte. Preferi no final (também, porque exausto) não ver o Jorge Ben, nem tentar Fabiana Cozza e Jair Rodrigues no Municipal pois estava, literalmente, destruído. Dormi um tantinho junto ao caixas de banco do Cine Olido, e ronquei, segundo testemunhas. Achei e desencontrei gente, saltando de atração em atração. Tudo excelente. O clima, a cidade, o ritmo, e aquele excesso enlouquecido de pessoas, tudo achei o máximo. Não reclamo nem do aperto. Os banheiros péssimos, e uma sujeira para fazer garis menos felizes e alegrar aqueles que recolhem latinha de cerveja.
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Do que vi, faço a lista que carece de fotos (mas são tantas) que vou demorar a postar. Quem não foi por medo, ou desculpa, ou medo sagrado, sorry, a perda foi imensa. Com a graça é que espero termos outra no novo ano, e please, deixando de fora rap (que como comprovado nesta edição, é uma forma de chutar a violência que - falsamente - ele vem dispersar em suas letras) e o funk, para o bem da civilização.
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Lista:
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- Rock instrumental na República

- Beirute com amigos no Bar do Estadão (no qual ando me tornando habitué)

- Gal Costa na Ipiranga com a São João: a "senhora piloto-automático", uma sombra do que um dia foi Gal (ali, cantando a mais que martelada "Sampa" e seu "Balancê..." sem balancê).

- Mutantes, divertidos numa hora chata.

- Teatro mágico, não conheço, não achei novo, platéia animada cantando tudo, gente demais, moça na árvore (um espetáculo à parte), gente nas janelas dos hotéis.

- Arnaldo Antunes, bem-comportando numa apresentação leve e deliciosa.

- Lobão, muitos hits.

- Banda de Pífaros de Caruaru, difícil ouvir, ver, viver coisa melhor, gente animada e linda na ciranda mais bacana da Virada.

- Andreas Kisser e cia: uma platéia de roqueiros super-lotada e incrivelmente amistosa.

- Orquestra imperial: a que mais me surpreendeu, mil vezes melhor que no disco. Talma continua zero à esquerda, não canta nada. Performance antológica de Rodrigo Amarante fingindo-se de bêbado.

- Fernanda Takai: uma dona-de-casa simpática que canta suave e bonito.

sexta-feira, abril 25, 2008

Cancioneiro Geral Por Garcia de Resende

Cancioneiro Geral Por Garcia de Resende: "Caniygua sua partindo sse Senhora partem tam tristes s meus olhos por vos meu bem que nunca tam tristes vistes outros nenhuns por ninguem Tam tristes tam saudosos tam doentes da partyda 10 tam canssados tam chorosos da morte mays desejosos cem myl vezes que da vida partem tam tristes os tristes tam fora d esperar bem is que nunca tam trystes vistes outros nenhuns por ninguem "

CANTIGA SUA PARTINDO-SE

Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

Partem tam tristes, os tristes,
tam fora de esperar bem
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.


João Roiz de Castelo-Branco, in Cancioneiro Geral, III, 134.


[Poema palaciano apresentado na aula de hoje.]

O que leio


[Chegou este livro constante dentro do pacote de livros fornecidos pelo Itaú Cultural a meu pedido. Li a muito tempo, corrido, lá na USP. Relendo, percebo umas reflexões bastante úteis para elaboração do meu ensaio sobre Marcelino Freire.]

Sumário
1. Interpretação e história (Umberto Eco)
2. Superinterpretando textos (Umberto Eco)
3. Entre autor e texto (Umberto Eco)
4. A trajetória do pragmatista (Richard Rorty)
5. Em defesa da superinterpretação (Jonathan Culler)
6. História palimpsesta (Christine Brooke-Rose)
7. Réplica (Umberto Eco)

SELVAGENS

A família Savage. Acabei de assistir a esse pequeno e delicioso filme. Gente emperrada, depressiva, familia problemática, levada irônica para romper com o melodrama, ótimas interpretações. Um filme triste-triste: uma beleza.


Direção de Tamara Jenkins, com Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco.

Uma leitura possível


[Escrevi uma longa digressão sobre o enredo deste livro, ao publicar, o computador engoliu. Não era para ser. Fica a capa, valendo tudo o que aqui se perdeu e não será dito.]

quarta-feira, abril 23, 2008

Um achado

Este site é um achado, incrível ferramente para relacionar biografia, autores, eventos. Eu que adoro pesquisa, me delicio com essas tiradas da internet.

http://www.ponteiro.com.br/mostrad0.php?w=6065

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Literatura e Fotografia VI (Olivier Rolin)

Embora um ampliação, que me deu em Praga a sobrinha de Franz, tenha para mim um valor especial, nem por isso deixa de ser uma fotografia muito conhecida, a mesma, sem dúvida, a que Borges aludiu, nessa noite de que te falei, em Buenos Aires, e onde se vê Kafka, de pé sobre o empedrado, em frente a uma loja com o letreiro de Herman Pollak: veste um fato de três peças cinzento, um casaco escuro, tem um colarinho redondo e um gravata – aparentemente a mesma roupa que noutra fotografia onde está encostado ao pedestal de uma coluna, com a sua irmã Ottla -, e um chapéu cuja sombra lhe desce precisamente, sobre o rosto, até aquela linha debaixo dos olhos, deixando na luz a boca grande de sorriso triste, o nariz, e o lóbulo inferior das orelhas.
Olivier Rolin, O Bar da Ressaca ( em Praga, Buenos Aires e Trieste)

Roubado de: http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/003878.html

MEUS AMIGOS ANTI-DEPRESSIVOS




Minha outra casa, com meus amigos anti-depressivos, ouvindo rádio, comendo (excessivamente) e assistindo a pedaços de filmes. Segunda, 22 de abril.

TERREMOTO

[Sentado na biblioteca do Henfil preparando a aula sobre Gil Vicente, às nove horas da noite desse dia 22 de abril de 2008, senti o chão tremer. Pensei, é impressão minha ou está tremendo? cheguei a pensar, o prédio está para desabar? mas continuei escrevendo. Na sala, ao entrar, as alunas perguntaram onde eu morava, e me disseram do tremor. Na Globo, a escala de 5.1 iniciada no oceano, atingindo principalmente cidades do litoral. Algum burburinho na imprensa. Coisas que antes não aconteciam começaram a acontecer. É um começo. Os começos são imprevisíveis].

segunda-feira, abril 21, 2008

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[Protestos generalizados dos meus queridos amigos me fizeram retirar daqui o texto-poema que consideraram muito deprê em relação ao meu aniversário. Como sou influenciável e levo meus amigos a sério, decidi cumprir. Excluí o texto, e todo o resto.]

quinta-feira, abril 17, 2008

TELEDUC

http://teleduc.nied.unicamp.br/~rumos/literatura

(para lembrar)

terça-feira, abril 15, 2008

Porto Alegre (Nos Braços de Calipso)

Amarrado num mastro

Tapando as orelhas
Eu resisti
Ao encanto das sereias
Eu não ouvi
O canto das sereias
Eu resisti

Mas chegando à praia
Não fiz nada disso
Então eu caí
Nos braços de Calipso
Eu sucumbi
Ao encanto de Calipso
Não resisti

Desde então eu não tive
Nenhum outro vício
Senão dançar
Ao ritmo de Calipso
Pois eu caí
Nas graças de Calipso
Não resisti
Ao encanto de Calipso
Só sei dançar
Ao ritmo de Calipso.

[Do disco novo, estou apaixonado por essa composição de Péricles Cavalcanti que Adriana Calcanhotto gravou, e que é uma das canções que iluminam um disco que parece feito para entristecer. Nesta canção, o humor, o delicioso deboche em que a referência erudita (Ulisses seduzido por Calipso) se mistura com o ritmo brega do Pará e adjacências, o calipso (que dá nome a banda de Joelma e Chimbinha), ganhando em significado. Todo o arranjo, e a levada da voz de Calcanhoto (sem experimentar os arroubos/excessos do próprio gênero) é uma paródia (aqui, acho que como "canto homenagem") a esse ritmo popular/popularesco que toca nas rádios. Mais uma vez, a cantora não perde a oportunidade de misturar a sofisticação de seu canto com a música mais chã, como fez ao regravar o funk de Claudinho e Buchecha, baladas melosas da Jovem Guarda e de Roberto e Erasmo, além de simular dance com poemas. Não me parece "aqui" jogo de mercado de Calcanhoto, pois canta sem a exaltação que o gênero pede. Antes, penso que ao flertar com o calipso, posiciona-se como alguém que não carrega preconceito pelo que toca na rádio. (Lembro numa entrevista que ela fala o quanto ouvira nas AMs com a empregada de casa). Às vezes, penso que essas canções suavizam o pesado que há em Adriana Calcanhoto, certa frieza que se traduz mais por uma melancolia que define a sua forma de cantar e não escapa ao que escreve.

De certo modo, penso que essa escolha só revela o desconforto que sente ao ser enquadrada como "elite" da música brasileira. O incômodo de estar no rol dos "eleitos", pertencer a tradição mais sofisticada da MPB, que hoje é bonito negar; não para ser popular, mas para desfazer as amarras das classes, que inegavelmente há e que determina o gosto por isto e por aquilo que se faz em arte. Caetano, Gil e Bethânia transitam bem por esses espaços, mas por trás deles há uma biografia que os salva, e um "tropicalismo" fundado para harmonizar (sem conciliar) tais contradições. Acho que é um desconforto que ela contorna em escolhas de "música para novela", mas no cômputo geral do disco, são meros escapes, pois o grosso é sempre o mais sofisticado das belas artes, da literatura, das canções e compositores. Mesmo assim, gosto desse "encantamento por Calipso", que é um encontro amistoso, que está no disco como alegria e congraçamento para estes e outros ritmos-da-moda, talvez porque saiba que só está no cd para vazão oswaldiana, um jocoso e esperto poema-piada.



[Nesse atual desejo do artista brasileiro em "ser do povo", empregnar-se do povo -- achando que ali é que se encontra o "autêntico" e o "puro", o naif libertador do artista -- sinto sempre que há muito mais de ideológico do que de natural. Aderir à classe C, por parte de artistas como Marisa Monte, Arnaldo Antunes etc, é muito mais entendê-la (intelectualmente) do que senti-la de fato. (Carlinhos Brown é outra coisa, pois fala de dentro, a atualmente, bastante mal). Saem-se melhor sempre aqueles, ainda que mais intelectuais e sofisticados, têm um pé na cozinha e de lá, dando-se com prazer à mistura, cozinham (na pressão) uma boa síntese, como Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Rita Ribeiro, Pedro Luís, ainda assim com derrapagens no meio do caminho.]

[Essa idéia de que para renovar a Música é preciso buscar no "povo", remete em certa medida aos encontros felizes do samba, de todo aquele movimento de redescoberta e valorização da cultura brasileira que se deu com a bossa nova, e que seguiu em Vinícius de Moraes, Tom Jobim e Nara Leão inventando a MPB. A diferença é que ali a base era outra. Era o refinamento se adensando com as formas de manifestações musicais saídas quase que diretamente do mais efervescente e fértil da "cultura popular". O que sucede agora é que muitos artistas estão a beber numa música popularesca que é fruto mais que direto da "cultura de massas", por isso efêmera, superficial. Essa idéia de que o povo é que sabe o que é bom, me deixa com a pulga atrás da orelha. Ainda mais por que povo não se restringe a classes mais pobres. Sem condescendência, não concordo com o discurso "é dali que sempre vem o novo, a anarquia ao bom gosto (este sempre esteve atrelado à elite/intelectualidade)". Não concordo com a tese pois sei que a "voz popular" por vezes é extremamente conservadora. Não por acaso, quem traz o novo, geralmente se põe a margem, é vanguarda, e comumente fica de escanteio diante do que é mais convencional/comercial. Joelma e seu Calipso, Calcinha Preta e seu forró eletrônico me soam como filhos bastardos da televisão, mix de madona, chacretes, teclados da jovem guarda, brega internacional e o nacional, do qual são espécie Jane & Ierondi, Vanusa, Rosana, Gretchen e Magal.]

segunda-feira, abril 14, 2008



Ninguém engendra melhor a paranóia americana atualmente do que M. Night Shyamalan. Lembremos "Sinais" lembremos "A vila". Gosto muito deste filhote de hitchcock (pai de tantos), só pelo que ele não cometa o erro do último "A dama da água", e o principal deles, a necessidade excessiva de um final bombástico.

domingo, abril 13, 2008

MÚNDI MÚSICA

MOVIDA MADRILEÑA 2, A SAGACIDADE CONTINUA


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RATOS NO SÓTÃO

...

OBJETOS DO DESEJO

IN EXTREMIS



Sou um homem dividido: Mário ou Oswald de Andrade? A libertação é não ter que escolher. Às vezes Apolo, às vezes Dionísio; por pouco Zé Celso e às vezes Antunes. As decisões enroscadas, enrodilhadas. Inconciliáveis pensamentos em digressão. Entre a forma e o conteúdo. Dividido. Barrocamente insatisfeito.

AMOR A FOTOS ANTIGAS



Semana de 22; Brecheret, Di Cavalcanti, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade e Hélios Seelinger
Dias de tiros para todos os lados sem razão. Grande desânimo em relação a vida. Muito por fazer.

sexta-feira, abril 11, 2008

MARÉ, de Adriana Calcanhoto



Som é onda
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Maré, este meu oitavo disco, é o segundo de uma trilogia. O primeiro é Maritmo, o álbum de 1998. E, como segundo, este tem como mote o mar de volta, o mar "mais uma vez", Maré. E talvez por estar entre o primeiro e o terceiro é que ele tenha ficado tão entre a mulher e o peixe, entre a palavra e o emaranhamento quântico, entre a linguagem e o indizível. Ou entre Ferreira Gullar e Cazuza, entre Augusto de Campos e Dorival Caymmi, entre Cicero e Waly. As canções foram chegando aos poucos e com algumas, como "Mulher sem razão" ou "Onde andarás", eu já flertava, há tempos. Outras surgiram da minha encomenda, como a pérola-Péricles "Porto Alegre"; escrevi letras para melodias ("Maré" e "Seu pensamento"), fiz música para receber letra ("Para lá") e algumas canções simplesmente atravessaram meu caminho. Em determinado momento tive repertório para um álbum triplo, mas como pra mim peneirar pode ser até mais interessante do que acumular canções, fazer as escolhas não foi muito difícil. Todo corte, toda canção que cai dá um certo aperto no coração, mas, por outro lado, é muito legal ver como elas vão se entreiluminando ou contradizendo dentro do quebra-cabeças que começo mas nunca sei direito onde vai dar. [Declaração de Adriana Calcanhotto]

quarta-feira, abril 09, 2008

Manuscrito medieval

Posted by Picasa


Esta é de loor de Santa Maria, do departimento que á entre Ave e Eva.

Entre Av' e Eva
gran departiment' á.

Ca Eva nos tolleu
o Parays' e Deus,
Ave nos y meteu;
porend', amigos meus:
Entre Av' e Eva...

Eva nos foi deitar
do dem' en sa prijon,
e Ave en sacar;
e por esta razon:
Entre Av' e Eva...

Eva nos fez perder
amor de Deus e ben,
e pois Ave aver
no-lo fez; e poren:
Entre Av' e Eva...

Eva nos ensserrou
os çeos sen chave,
e Maria britou
as portas per Ave.
Entre Av' e Eva...

Afonso X de Castela, séc. XIII

terça-feira, abril 08, 2008

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA



Vai sair finalmente a adaptação cinematográfica de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, um livro que adoro. O diretor é Fernando Meirelles, o que podemos esperar?