quarta-feira, novembro 28, 2007

FADO EM SANTOS - EM PROCESSO

INICIANDO O PROCESSO DE MONTAGEM DE FADO EM SANTOS

RUMOS LITERATURA - ITAÚ CULTURAL


ITAÚ - RUMOS - Primeiro encontro

1.
[Caderno de impressões]
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Hoje foi o grande encontro com os pesquisadores selecionados pelo RUMOS LITERATURA - ITAÚ CULTURAL. Apesar do frio, uma recepção calorosa. Uma enorme alegria de integrar um grupo de pesquisadores tão interessantes e competentes. Gente daqui de São Paulo e de outros pontos do Brasil, sotaques maravilhosos, vozes para serem ouvidas com enorme prazer. Todos os organizadores, muito simpáticos (adorei a Babi) e com um compromentimentos enorme para com a arte brasileira. (...) E a sensação de que este encontro é espaço propício para novos caminhos.
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OS SELECIONADOS E SEUS PROJETOS

CATEGORIA CRÍTICA LITERÁRIA:

Andréa Catrópa, 33 anos, São Paulo/SP
Projeto: Palavras Átonas Sobre Fundo Branco - Um Quadro da Crítica Sobre Poesia Contemporânea
Nasceu e reside em São Paulo. Mestre em Teoria Literária pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de São Paulo (FLCH-USP), onde participa do Grupo de Pesquisa de Poesia Moderna e Contemporânea. Edita o jornal de literatura O Casulo. Ela também integra a coletânea 8 Femmes (2007) e é uma das organizadoras da Antologia Vacamarela - 17 poetas brasileiros do XXI (2007).

Antonio Marcos Pereira, 36 anos, Salvador/BA
Projeto: Crítica literária como interpelação e exploração: a produção crítica de Bernardo Carvalho, 2001-2207
Nasceu e reside em Salvador. É doutor em Lingüística pela Universidade de Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor no Departamento de Letras Vernáculas do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia.

Douglas Pompeu, 24 anos, Campinas/SP
Projeto: O Mercado da Crítica
Natural de Indaiatuba, atualmente reside em Campinas. Cursou dois anos de Letras na Universidade de São Paulo (UNESP) e transferiu-se para o curso de Lingüística na Universidade de Campinas (Unicamp). Há quatro anos tem se dedicado ao estudo e à produção de poesia como também à tradução. No momento, inicia estudos na área de Estética e Semiótica.

Rodrigo Almeida, 22 anos, Recife/PE
Projeto: Processos Multimidiáticos de Colaboração e Interatividade na Crítica Literária Brasileira Contemporânea: Um Estudo de Caso do Site Overmundo
Nasceu em Recife, onde atualmente conclui Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Estagiou na Massangana Multimídia Produções, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), participou da elaboração do Jornal-Laboratório Coque, premiado recentemente com Prêmio Caixa de Jornalismo Universitário. Atualmente participa de um projeto de extensão sobre crítica e produção textual.

CATEGORIA PRODUÇÃO LITERÁRIA:

Adelaide Calhman de Miranda, 36 anos, Brasília/DF
Projeto: Entre o Proibido e o Impensável: A Homossexualidade na Literatura Brasileira Contemporânea
Nasceu e reside em Brasília. Arquiteta e urbanista pela Universidade de Brasília (UnB), onde fez mestrado em Teoria Literária, atualmente pesquisa a relação da literatura com gênero, sexualidade e espaço.

Arali Lobo Gomes, 20 anos, São Paulo/SP
Projeto: Disritmia Narrativa: A Literatura de Mutarelli
Baiana de Santo Estevão, reside em São Paulo. Cursa o 2º ano de Letras na Universidade de São Paulo (USP) e atua como revisora da Editora Linux New Media.

Cláudio Daniel , 45 anos, São Paulo/SP
Projeto: Re-Visão da Poesia Brasileira - 1980-2000
Nasceu e reside em São Paulo. Publicou vários livros de poesia, entre os quais A Sombra do Leopardo e Figuras Metálicas, e o de contos Romanceiro de Dona Virgo. É editor da revista eletrônica Zunái (www.revistazunai.com.br) e mantém o blog Cantar a Pele de Lontra (http://cantarapeledelontra.zip.net ). Atualmente, faz mestrado em Literatura Portuguesa na Universidade de São Paulo (USP).

Eduardo de Araújo Teixeira, Mauá/SP
Projeto: Marcelino Freire: Entre o Rap e o Repente
Nascido no ABC paulista, é doutor em Estudos Comparados pela Universidade de São Paulo. Cursou direção e roteiro na ELCV de Santo André; dirige curtas e produz documentários. Ensaísta de arte e crítico literário, edita o blog Revide e leciona na Ong Instituto Henfil.

Joana Darc Ribeiro, 35 anos, Inhumas/GO
Projeto: Entre Ruínas e Epifanias: Figurações da Experiência na Crônica de Caio Fernando Abreu
Nasceu e reside em Inhumas. Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo em Assis (UNESP-Assis), onde defendeu tese sobre o conto de João Antônio e Rubem Fonseca, é professora substituta de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Goiás.

Luciana Araújo, 27 anos, Taboão da Serra/SP
Projeto: Testemunho e Formalização Literária da Experiência Marginal
Nasceu e reside em Taboão da Serra. Jornalista, é mestranda em Teoria Literária da Universidade de São Paulo. Finalista do Concurso de Contos Luiz Vilela. Trabalhou, entre outros veículos, para a Folha de S. Paulo e a revista EntreLivros.

Luciene Azevedo, 38 anos, Uberlândia/MG
Projeto: Blogs: A Escrita de Si na Rede dos Textos
Nasceu no Rio de Janeiro, reside em Uberlândia. Doutora em Letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), é professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Sua pesquisa atual dá ênfase aos seguintes temas: narrativa contemporânea latino-americana, performance narrativa, cinismo e autoficção.

Luisa Destri, 22 anos, São Paulo/SP
Projeto: A língua pulsante de Lory Lamby
Nasceu e reside em São Paulo. Jornalista formada pela Cásper Líbero, é aluna de Letras na USP. Trabalha como repórter freelance e como corretora de redações no Colégio Santa Cruz.

Luz Pinheiro, 40 anos, São Paulo/SP
Projeto: A Construção dos Narradores do Romance Cinzas do Norte, de Milton Hatoum
Nascida em Manaus/AM, atualmente reside em São Paulo. Formada em História pela UFAM, é mestre em Literatura Brasileira e Doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada, todos os títulos obtidos pela Universidade de São Paulo (USP).

Marlova Aseff, 36 anos, Florianópolis/SC
Projeto: Escritores-tradutores: A Influência da Literatura Traduzida por Escritores Contemporâneos em Suas Próprias Criações e no Sistema Literário Nacional
Gaúcha de Santana do Livramento, reside em Florianópolis. Jornalista formada pela PUCRS, acaba de concluir o doutorado em Teoria Literária na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e fez estágio de doutorado na Universisat de Barcelona. Trabalhou na imprensa gaúcha e catarinense. Participou da edição dos livros Memória de Tradutora, com Rosa Freire D'Aguiar e O nome do Jogo, de Ruy Carlos Ostermann.

Samantha Braga, 31 anos, Belo Horizonte/MG
Projeto: O Zapeur e a Cidade: a Narrativa Caleidoscópica de Luiz Ruffato
Bacharel em Comunicação Social; especialista em Língua Portuguesa; mestre em Literaturas de Língua Portuguesa; doutoranda em Literatura Comparada. É professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas e coordenadora do curso Comunicação Social do Centro Universitário UNA.

Shirley Carreira, 51 anos, Rio de Janeiro/RJ
Projeto: Imigrantes: Representações e Identidades Transculturais na Literatura Brasileira Contemporânea
Nasceu e reside no Rio de Janeiro. É professora da Universidade Grande Rio (Unigranrio), onde é também coordenadora de Língua Inglesa do curso de Letras. Formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem mestrado e doutorado pela mesma universidade em Lingüística Aplicada e Literatura Comparada, além de pós-doutorado em Literaturas de Língua Inglesa pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Faz parte do Banco de Avaliadores do SINAES/ BASis.

COMISSÃO DE SELEÇÃO:
Alckmar Luiz dos Santos é graduado em Engenharia Elétrica, mestre em Teoria e História Literária e doutor em Estudos Literários, principalmente com teoria do texto, literatura e filosofia, hipertexto e texto digital, poesia. É também poeta, romancista e ensaísta.
Heloisa Buarque de Hollanda é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenadora do PACC/UFRJ e autora, entre outros, de Impressões de Viagem e Esses Poetas - Uma Antologia dos Anos 90.
Jaime Ginzburg é professor e coordenador do programa de pós-graduação em literatura brasileira da Universidade de São Paulo, e atua nos grupos de pesquisa Literatura e Autoritarismo e Escritas da Violência.
Leda Tenório da Motta é professora na PUC/SP, pesquisadora do CNPq, tradutora e crítica literária. Tem ensaios publicados em revistas estrangeiras e atuação nos principais cadernos de cultura do país. É especialista na obra crítica de Haroldo de Campos. Publicou, entre outros, Sobre a Crítica Literária brasileira no último meio-século e Céu Acima - Para um tombeau de Haroldo de Campos.
Lourival Hollanda é professor de Teoria Literária da Universidade Federal de Pernambuco, atua principalmente nas áreas de história e construção do discurso literário.
Luís Augusto Fischer é professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Publicou vários livros de contos, crônicas, ensaios e teoria literária, entre os quais Mario Quintana: Uma Vida para a Poesia; Um Passado pela Frente: Poesia Gaúcha Ontem e Hoje e o Dicionário de Porto-Alegrês.
Claudiney Ferreira, jornalista e gerente do Núcleo Diálogos, como representante da instituição e presidente da Comissão.

CARAVAGGIO - Agora, o filme

PARA ALÉM DO CUIDAR


Super-blog da minha amiga Maria CrisTininha (Coordenadora)

http://paraalmdocuidar-educaoinfantil.blogspot.com/

Luandino Vieira no Brasil - Balada Literária Nov.2007

Enquanto uns descansam, uns lukas carregam pedras

sexta-feira, novembro 23, 2007


CORDEL DO FOGO ENCANTADO



Chover (ou Invocação Para Um Dia Líquido)

O sabiá no sertão
Quando canta me comove
Passa três meses cantando
E sem cantar passa nove
Porque tem a obrigação
De só cantar quando chove*

Chover chover
Valei-me Ciço o que posso fazer
Chover chover
Um terço pesado pra chuva descer
Chover chover
Até Maria deixou de moer
Chover chover
Banzo Batista, bagaço e banguê

Chover chover
Cego Aderaldo peleja pra ver
Chover chover
Já que meu olho cansou de chover
Chover chover
Até Maria deixou de moer
Chover chover
Banzo Batista, bagaço e banguê

Meu povo não vá simbora
Pela Itapemirim
Pois mesmo perto do fim
Nosso sertão tem melhora
O céu tá calado agora
Mais vai dar cada trovão
De escapulir torrão
De paredão de tapera

Bombo trovejou a chuva choveu

Choveu choveu
Lula Calixto virando Mateus
Chover chover
O bucho cheio de tudo que deu
Chover chover
suor e canseira depois que comeu
Chover chover
Zabumba zunindo no colo de Deus
Chover chover
Inácio e Romano meu verso e o teu
Chover chover
Água dos olhos que a seca bebeu

Quando chove no sertão
O sol deita e a água rola
O sapo vomita espuma
Onde um boi pisa se atola
E a fartura esconde o saco
Que a fome pedia esmola

Seu boiadeiro por aqui choveu
Seu boiadeiro por aqui choveu
Choveu que amarrotou
Foi tanta água que meu boi nadou.

Cordel do Fogo Encantado

sexta-feira, novembro 16, 2007

Amigos no Cinema para ver MUTUM - 13.11.2007

A foto (que não deu certo) dos três: Letícia, eu e Lucas.


Eu e minha amiga-aluna para assistir ao MUTUM.

Eu e meu amigo Lucas.


Lucas, MUTUM de graça no Cine Bombril (Conjunto Nacional) com direito a debate com a diretora do filme.

Letícia e Lucas (companheiros de cena e cinema)

SELECIONADO (PRÊMIO) ITAÚ CULTURAL - RUMOS

http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2662&


A edição 2007-2008 do programa Rumos Literatura recebeu, entre março e julho de 2007, 577 inscrições (de 24 estados brasileiros). Foram selecionados 16 projetos: quatro na categoria Crítica Literária e 12 em Produção Literária.

Eis aí meu nome como aparece lá entre os doze. Estou me sentindo bastante feliz porque vou poder desenvolver a análise de um autor que admiro e, principalmente, mostrar minha "leitura" de um livro (Contos Negreiros) que acho "o mais relevante" (não serei nada modesto) em termos de literatura contemporânea. Como sou apaixonado pelo conto (e minha tese foi justamente sobre a contística de João Guimarães Rosa e Mia Couto), sinto-me preparado para escrever sobre Marcelino Freire. Um tanto menos confortável, é preciso dizer, pois a perspectiva será completamente outra na análise destes contos.
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Eu que sempre tive um certo cansaço para "ler" autores "porradas" (à exceção de Rubem F.), pago com a língua.
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Mentira.
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A prévia do trabalho é que Marcelino está para além de um mero analista crítico da realidade social (urbana) brasileira. Não faz literatura de denúncia. Não escreve panfleto. Seu partido é a arte contra o politicamente correto. A sociedade brasileira não é equânime.
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{{{{O brasileiro é antes de tudo um capiau selvagem, todo coração, aço e fúria, produto de uma civilização de contrabando. É um todo coração cordial e desumano. É um estômago ruidoso e ávido por engolir o que lhe caia ou esteja ao alcance da mão. Se é a carne o outro, se é o olho do outro, se é o bem alheio, ele não se priva de desejar. Em sua solidariedade cabocla, o que faz, por vezes, é devolver remoído, mastigado, como um bom mingau (ou mau angu) deglutido e regurgitado para os seus irmãos (memória dos nossos tupinambás). A solidariedade do brasileiro se faz de restos, do que não vai faltar no fim do mês, do cueiro que já não serve para o menino, do lençol que amarelou no armário.}}}
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Marcelino entendeu tudo isso, é um "cavalo" num transe de Plínio Marcos e Clarice Lispector. Um torpor que só poderia se passar num terreiro ou numa encruzilhada (clareira e cruz). Meta nisto tudo, urbanidade, cosmopolitismo, o repente, o rap, uma cosmovisão do ser que transgride as normas, do pobre que não é coitadinho [...que é gente humilde/que vontade de chorar] -- e se é, nem tem lá muita consciência disso, -- porque revida. Amo essa gente calejada da obra de Marcelino (um anti-Rosa), essa gente sem Deus ex machina.
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Isso que digo é uma prévia para se ter a medida do que falarei desse pernambucano que anda marioandradiando em São Paulo. Entenda-se por "marioandradiando": agitando o panorama literário insosso, com seus autores de olhar umbilical (monologar de um "eu" choroso que de tanto se pensar, ressuscitaram os parnasianos da forma pela forma). Cansei dos arremedos de introspecções proustianas, de joyceanos de terceira, com seu fluxo inconsciente.
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Com uma "dicção/linguagem" própria (nem sempre certeira, mas que admite a possibilidade do erro), esse tal Marcelino está por aqui agitando os velhos para publicar, e estimulando os novos a mostrar-se. Principalmente, lembrou que literatura é também festa, é também pensar o entorno, palavras no papel para reproduzir a vida e o vício (literatura é artifício). Diz que escreve para se vingar. É com prazer que quero meter-me nesses seus negros cantares.

quinta-feira, novembro 15, 2007

A César o que é de César

Chico Cesar escreve sobre "Quando o céu clarear"

Achei na comunidade da Fabiana Cozza:
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"é moda cantar samba. boa essa moda. fabiana canta samba. mas não está na moda. a moda é passageira, a gente sabe. fabiana é guia, profunda. autoridade civilizada que pede licença. fabiana canta samba, mas pode cantar qualquer coisa. e tudo que canta está ali ligado ao seu samba. fora da moda. rio principal, permanente. de uma alegria dolorosa desses rios que levam de arrastão o sossego das gentes, que amolece pedras, que se tranqüiliza nele mesmo. no compromisso de não secar, na consciência de crescer. isso é voz de preto insubordinado, o canto dela. parece coisa de rapper do capão redondo, o olho injetado. a saliva de um quase desprezo por qualquer possibilidade de opressão junto com os fonemas bem articulados e a nota certa. feito faca de marujo amotinado. a elegância de quem canta o que sente e precisa cantar senão o rio seca. louvemos sua presença, com reverência e desassossego: vem tempestade por aí."
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chico césar

terça-feira, novembro 13, 2007

Resposta para Letícia no Orkut que terminou virando outro bicho



Letícia,
acho Fabiana Cozza extraordinária.
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Estou ouvindo QUANDO O CÉU CLAREAR sem parar, o que se tornou quase uma doença. Fabiana Cozza é a primeira cantora que vejo diretamente influenciada por Maria Bethânia (tem muito ali do repertório de Bethânia). Fabiana é uma cantora com uma projeção vocal incrível, e sabe ser dramática sem cair no brega. É um cruzamento de Bethânia, Elis (não estou com o segundo disco aqui para indicar as faixas) e Clara Nunes (acho que tem homenagem para Clara neste título de disco, neste disco todo, o que acha?).

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Fabiana tem um domínio incrível da voz, uma noção de ritmo e um suingue incrível; e não só para o samba, no qual alcança o máximo de sua expressão. Como não sou propriamente um crítico musical, não compreendo as nuances, e por isso não me atrevo a falar da sonoridade do livro. Só "sinto" que Fabiana "entendeu" todas essas cantoras que citei, e buscou neste disco expressar o que aprendeu e apreendeu (dessas e de outras). Mas o pulo do gato/a, é que acrescentou um estilo que surpreende. Já não é apenas tradição. Nem aquele experimentalismo bobo que é meter samba computador abaixo.

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Neste cd ela parece reinventar-se faixa a faixa, e querer nos mostrar as múltiplas possibilidades de sua voz e da canção que se propôs a cantar. Veja os sambas, uns tão diferentes dos outros. Gosto, principalmente, como ela "reinventa" o modo de cantar uma canção já consagrada, para além do que eu chamo (chamaríamos) "interpretar". "Canto de Ossanha", na voz dela, é quase um "comentário" da canção, entre o recitado e a exaltação zelosa. Mas ali, ela desrespeita Elis em tudo, para ser só ela mesma, e afronta também a sonoridade de Baden Powell (seu violão, arranjo), quer valorizar mesmo é a letra de Vinícius de Moraes, quebrando a forma dos versos para fazer com que as palavras (a canção foi regravadíssima, está nos Afrossambas) reconquistem sua força poética. Mas é um afrontar que não nega a "brasilidade" da canção, nem elogio cego à África ancestral, ela quer algo para além disto, já que insere neste canto, ecos de outras negras américas, reverberando os sons milagrosos de Cuba.
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[<-- longo, perdoe, tenho que voltar, repensar e rearranjar esse pensamento. Queria há muito escrever sobre ela, mas estou sufocado de aulas. Então aproveito este dito para você, e colo no meu blog, para o dia em que puder ouvir com ouvidos impuros e escrever algo mais relevante.]


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Tinha gostado do primeiro disco, mas QUANDO O CÉU CLAREAR realmente me surpreendeu porque nele tudo soa grande. Que arranjos! Que sonoridade! Vira samba. Vira jazz. Parece disco de diva negra americana, deusa negra em terreiro de umbanda. Minha prima se queixou do que chamou "excesso ponto-de-macumba". Mas eu amo o batuque. Cedi por completo. A moça é grande, grande, grande. Perto dela Roberta Sá, Mariana Aydar e Maria Rita (que fez um disco lindo aspirando ser samba), e para ser do mal -- incluo Teresa Cristina, -- são umas meninas almejando uma força, uma emancipação que não possuem ainda, e que esta Fabiana Cozza esbanja sem pesar. E com uma convicção que me assusta.

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Parece que vai estar lá na VIRADA LITERÁRIA.

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Vai ter show.

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Pretendo não perder.

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13.11.2007


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Beijos




terça-feira, novembro 06, 2007

Fabiana Cozza - Quando o céu clarear

Que coisa mais linda!
Que voz!
Que disco!
(sou velho, um círculo fino com um furo no meio ainda é um disco para mim)
Que canções!
Que sambas!
Que batuque!

Uma maravilha. Ouço. Ouço. Ouço. Não me canso.
Tenho que falar deste disco, mas por hora é pura fruição: deleite sem dever.