sexta-feira, maio 25, 2007

terça-feira, maio 22, 2007

LÁGRIMAS SOBRE A TELA


POMORIE, BULGÁRIA

Sim, a Búlgaria existe, falta mesmo saber se o Acre existe, já que a Globo não conseguiu me convencer

NU COM A MINHA MÚSICA

Penso ficar quieto um pouquinho lá no meio do som
Peço salamaleicam carinho bênção axé shalon
Passo devagarinho o caminho que vai de tom a tom
Posso ficar pensando no que é bom

Vejo uma trilha clara pro meu Brasil apesar da dor
Vertigem visionária que não carece de seguidor
Nu com a minha música afora isso somente amor
Vislumbro certas coisas de onde estou

Nu com meu violão madrugada nesse quarto de hotel
Logo mais sai o ônibus pela estrada embaixo do céu
O estado de São Paulo é bonito penso em você e eu
Cheio dessa esperança que deus deu

Quando eu cantar pra turba de Araçatuba verei você
Já em Barretos eu só via os operários do ABC
Quando eu chegar em Americana não sei o que vai ser
Às vezes é solitário viver

Deixo fluir tranqüilo naquilo tudo que não tem fim
Vaca manacá nuvem saudade cana café capim
Coragem grande é poder dizer que sim

Caetano Veloso

[Caetano erra na geografia (como Bethânia desafia/desafina no canto da vida), mas a letra é uma beleza e eu rôo minhas unhas até sangrar. Uma canção que eu canto de vez em quando com minha amiga Ana Palindrômica.]

MUITO ROMÂNTICO

Não tenho nada com isso nem vem falar
Eu não consigo entender sua lógica
Minha palavra cantada pode espantar
E a seus ouvidos parecer exótica

Mas acontece que eu não posso me deixar
Levar por um papo que já não deu
Acho que nada restou pra guardar
Do muito ou pouco que ouve entre você e eu

Nenhuma força virá me fazer calar
Faço no tempo soar minha sílaba
Canto somente o que pede pra se cantar
Sou o que soa eu não douro a pílula

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior
Com todo o mundo podendo brilhar no cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras sou muito romântico.

CAETANO VELOSO

segunda-feira, maio 21, 2007

O PÚCARO BÚLGARO

20.05.2007 - as 19h
SESC ANCHIETA
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Fui assistir a "O púcaro búlgaro", de Aderbal Freire Filho.
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Uma comédia insana, atores incríveis, cenografia brilhante, direção maravilhosa. Então, por que não funciona? Por que saí do teatro como quem perdera a piada?
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Diferente de "O que diz molero" penso que desta vez o romance-em-cena não funcionou. O problema não parece ser a inadequação de se transpor um gênero para outro meio (por que isso o diretor já realizara com sucesso), tampouco a culpa é de sua trama dadaista/surrealista. O problema mesmo parece ser o entruncado da linguagem da novela, repleta de volteios e trocadilhos.
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Os jogos de palavras são geniais mas não se permitem apreender ao ritmo de metralhadora. Como que cientes de tal deficiência (levar o espectador a compreender o sentido em profusão vertiginosa), os atores investem num dinamismo de interpretação (com direito a uma pletora de sons, ruidos, jogos de luz, mímicas e gagues), para compensar certo "hermetismo" que resulta deste encadeamento selvagem das palavras e seu sentido, o texto simultaneamente lúdico e intelectual de Campos de Carvalho.
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O esforço físico dos atores (estarrecedor é o trabalho de corpo) para traduzir o que "se narra" não é suficiente para que o público apreenda o ritmo de metralhadora de palavras, sons, pensamentos. Sobra então a sobrecarga de gestual, insuficiente para os que não são apaixonados por comédias físicas. Este sou eu. Este é o meu caso.
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Então, difícil avaliar esse "O púcaro búlgaro". Tudo parece perfeito, mas penso, como espectador, que o problema mesmo é a inadequação do texto escolhido, já que este não se permite penetrar, fruir, deleitar.

Workshop de roteiro com Miguel Machalski

Rosma(ninho) fazendo cara de louca
Ya-ha-bibs

Workshop de roteiro com Miguel Machalski

Tiago, fazendo cara de Tiago.
Agora "peliculista"

Workshop de roteiro com Miguel Machalski

Celso Luz, Cristina e Normita. Amigos.

Workshop de roteiro com Miguel Machalski


Workshop de roteiro com Miguel Machalski

Eu e Marcela, querida amiga mineira.

Workshop de roteiro com Miguel Machalski


Workshop de roteiro com Miguel Machalski


Um curso excelente. Revi amigos. O professor Miguel Machalski é incrível. Apresentei o argumento do meu longa-metragem "A segunda vida de Salvador Agreste". Muitas e importantes dicas de construção do roteiro.


Matéria do DIÁRIO DO GRANDE ABC ONLINE

http://cultura.dgabc.com.br/materia.asp?materia=586279
18/05/2007 - 07h05

Roteiro: saiba como fazer envie esta matéria por e-mail
Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC




Uma das máximas do argentino Miguel Machalski é “o personagem que mais surpreende o público antes surpreendeu o próprio autor”. Quem não ligou nome à pessoa, pense nos filmes Menina de Ouro, de Clint Eastwood, Mar Adentro, de Alejandro Amenábar, ou Femme Fatale, de Brian de Palma, por exemplo. Machalski não foi o autor dos roteiros destes filmes; foi consultor, e de outros projetos também.

Para falar sobre o papel do roteiro na elaboração de um filme, do roteirista como ator invisível do mesmo e como usar o cinema na exploração de conflitos de e entre personagens, Machalski faz nesta sexta-feira, em Santo André, a palestra Anatomia do Roteiro, com apoio da ELCV (Escola Livre de Cinema e Vídeo). Tem entrada franca e é aberta ao público em geral, a partir das 19h30, no anfiteatro do Teatro Municipal.

É a primeira vez que o consultor, supervisor, script editor e tradutor de roteiros audiovisuais vem ao Brasil para falar sobre seu campo de atuação. Além da palestra, Machalski dará uma clínica de roteiro exclusiva para alunos da ELCV. Na semana que vem, na Cultura Inglesa da Vila Mariana, em São Paulo, fará workshops, que estão com inscrições esgotadas. Na próxima terça-feira (22), fará nova palestra aberta ao público, às 19h, no Centro Brasileiro Britânico (r. Ferreira de Araújo, 741, Pinheiros, São Paulo).

Desenvolvimento de roteiros, assessoria em pitching (como apresentar, em resumo, uma história, seus pontos de vista criativos e viabilidade) e consultoria de projetos são os ramos de ensino em que Machalski atua em Paris, onde vive há 30 anos. É professor do CEEA (Conservatoire Européen d’Ecriture Audiovisuelle), além da EICTV (Escuela Internacional de Cine y Televisión, de Cuba) e de projetos de pós-graduação em roteiro da Factoría del Guión, em Madri, Espanha. Ministra oficinas em cidades européias e em Buenos Aires, sua terra natal.

Machalski presta serviços para produtoras da indústria francesa como Gaumont, TF1, FR3 e Studio Canal, e companhias de médio porte em outros países. Fez consultoria de roteiros para os filmes Billy Elliot, de Stephen Daldry, Intimidade, de Patrice Chéreau, Plata Quemada, de Marcelo Piñeyro, Sarabanda, de Ingmar Bergman, Tango e Goya, ambos de Carlos Saura, e Spider – Desafie Sua Mente, de David Cronenberg.

Machalski não pretende impor regras, pelo menos, não tem sido essa a ementa de cursos e oficinas que tem ministrado. Ele fala de roteiro como um organismo dentro do qual os personagens são o coração, e por isso recebem dimensões emocionais. O objetivo do roteirista, segundo Machalski, é converter personagens em pessoas, que, como tais, devem ter lados obscuros e mudanças inesperadas.

Assim como é notório constatar que o cinema argentino contemporâneo tem emplacado histórias bem amarradas em linguagem cinematográfica, também é notório lembrar que o roteiro era um dos alvos críticos na engrenagem do cinema brasileiro. Em sua visita ao Brasil, Machalski deve demonstrar que para uma boa história chegar ao público, conhecer a técnica da linguagem é tão importante quanto explosões de criatividade. Ou seja, seguindo um aforismo conhecido no meio cinematográfico, com um bom roteiro pode-se fazer um filme ruim, mas de roteiros ruins nunca sairão bons filmes.

Miguel Machalski – palestra sobre roteiros de cinema. Nesta sexta-feira, às 19h30. Anfiteatro Heleni Guariba (auditório do Teatro Municipal) – pça. IV Centenário, s/nº, Centro, Santo André. Tel.: 4433-0716. Entrada franca.

quarta-feira, maio 16, 2007

De vez em quando um pouco de transcendência

CONTRADIÇÃO

Num documento obtido na INTERNET, cujo título é “Como escrever legal”, encontram-se, entre outras, as seguintes recomendações:
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1. Evite lugares comuns como o diabo foge da cruz.
2. Nunca generalize: generalizar é sempre um erro.
3. A voz passiva deve ser evitada.







[Alguns textos bastante simples podem ser absolutamente geniais]

JOÃO CABRAL DE MELO E NETO

domingo, maio 13, 2007

OS TRÊS MAL AMADOS

Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo e Neto

sexta-feira, maio 11, 2007

quarta-feira, maio 09, 2007

CONTOS NEGREIROS- I



Por hora é apenas uma recomendação suave, do livro Contos negreiros, de Marcelino Freire; depois vai meu largo comentário (que talvez vire "ensaio") sobre os dois contos que mais gostei. Eu que, conservadoríssimo, odeio TODOS os modernos brasileiros e vou de África e Portugal para satisfazer meu gosto por literatura contemporânea em língua portuguesa. Confesso ter me rendido por fim aos encantos da prosa bárbara de Contos negreiros, o melhor dos livros anteriores do cabra Marcelino Freire. Não que eu não leia os novíssimos, leio sim, principalmente contos, mas claudicante, pois tudo ou é pobre no trato ou um sobrecarrego de palavrinhas da onda. São sempre as mesmas frases com torções joyceanas, o "eu" intermitente, a violência dos fodidos, a face lívida de chapados e putos. Escrevem para transgredir, mas transgredir o quê? para chocar quem? para revelar o quê? para denunciar o quê? Tenho um dó desses marginais-beatniks fora de época, de todo esse noveau roman com retardo de uns 30 ou 40 anos. Arsenal de palavras para encurtar o fôlego do pobre do leitor e escamotear no fim, idéias de curto alcance. Estou fora.


Mas...





nada tem me deixado verdadeiramente feliz a ponto de dizer, com certa afetação castelhana, que imensamente me gustan as falas-dramas desse menino Marcelino.

domingo, maio 06, 2007

VIRADA CULTURAL - 2007










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Fui à Virada Cultural de 05/05/2007. Andei andei andei. Muita gente! Muito cansativo! Sou definitivamente um tiozinho. Na verdade, a idade só fez oficializar o que sempre fui. Não tenho pique para tanta municipal-felicidade encantoada e festiva; para esse excesso de tudo afunilado num ou dois dias. Prefiro a felicidade alongada, distendida, morosa e confortável. Estou cada ano mais um bom "bossa-novista" que não toca, não canta e não dança. Descobri o amor pelo conforto, que não significa exatamente amor pelo "luxo". Minha baianidade está mais para Caymmi que o cacarejo e saltinhos da Sangalo.
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Pouco sono e fome foram os ingredientes para o meu típico mal-humor indigesto, que a companhia iluminada suportou bravamente.
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Mas foi uma Virada bacana, pois teve a ótima desculpa para ir (finalmente) ao teatro do Ibirapuera ver Mariana Aydar e Roberta Sá, com direito a outros convidados (como a famigerada Leci Brandão). Show de agito, mas visto com contemplação lá no gargarejo. O teatro do Niemayer é a coisa mais linda que há. É entrar na escultura. Faltou máquina para flechar o momento. Mas gostei de tudo: lindo demais. Faltou a peça de teatro que queríamos ver, faltou o filme assistiríamos (Baixio das Bestas), mas valeu significativamente pelo antes, pelo durante, e o depois. 
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[FINDA AQUI O MOMENTO DIARINHO DO REVIDE. E estamos conversados por hoje].

HOUSE























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Sou apaixonado por séries. a mais recente paixão é por House. Comecei a assistir pela 3a temporada, já que cada episódio apresenta-se independente do conjunto, como em Arquivo-X, "mãe de todas as séries modernas".
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Como não consigo assistir a nada descompromissadamente, comecei a refletir sobre a estrutura dramática de House e sua gênese no campo das séries americanas atuais.
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House surge como um cruzamento entre Plantão Médio (E.R.) e C.S.I - Investigação Criminal, com direito a um protagonista com distúrbio de personalidade. House é uma fusão dessas duas séries de sucesso porque nela temos o espaço do hospital e um protagonista excêntrico que investiga, não um crime, mas "um caso médico". Como o investigador Monk (da série homônima) e o protagonista "técnico" de C.SI. eles são gênios perspicazes e com dificuldade de se relacionarem com o mundo para além de suas atividades profissionais.
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Dr. House é um misantropo, um homem com um "aleijão-emocional" que responde a todos com imenso sarcasmo e se mostra indiferente à dor alheia; tratanto pacientes, médicos-residentes, chefes e amigos com extremo sarcasmo. Pois são justamente as tiradas virulentas e diversas vezes "devastadoras" que tornam a série irresistível. Dr. House é por vezes uma metralhadora de "tiradas" inteligentes e letais. Lembra de certo maneira, o Sawer de Lost, mas sem o mal-caratismo ou modo mercenário do "anti-heroi" de Lost. House é um insensível-mor, pragmático, com faro técnico e genial. Como dito, a ele cabe "investigar" (como em C.S.I.) doenças que outros médicos não conseguem diagnosticar, seus residentes agem, por isso, como os subalternos de C.SI.
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Portanto, em House há o entrecruzamento do "detetive" e do médico de E.R., pois Dr. House colhe "pistas/sintomas" dos pacientes para chegar ao diagnóstico preciso e à cura. Neste processo a série vai tratando das relações entre Dr. House, seus subalternos, chefes e pacientes. Há sempre um mistério a ser resolvido, um diagnóstico que precisa ser rapidamente descoberto e sem o qual o paciente irá inevitavelmente morrer. A série é por isso uma corrida contra o relógio, que mantém o campo de interesse do espectador, apesar da linguagem incessantemente "científica", suavizada pelas tiradas virulentas de House, e as relações de amor e ódio entre os demais personagens.
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O modo astuto e perverso de House entra em choque frequente com o lado emocional de todos. Os roteiristas tensionam a relação indiferença X afeto para manter constante o "conflito" na trama da série. Estão a impelir o personagem a uma transformação a qual ele sempre foge, mas termina-se por revelar.
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Com House como centro, não poderia faltar um "drama pessoal", para criar a "empatia" do público com o anti-herói da série. Dr. House sofre de contínuas dores no joelho, e é essa dor freqüente que o torna viciado em "analgésicos" cada vez mais fortes. Fazendo com que Dr. House sofra, humaniza-se o personagem, constrói-se a empatia com a audiência (ele tem seu lado mal, mas salva os pacientes), e insinua-se o porquê de seu constante mal-humor e desprezo/inveja pelos que não sofrem.
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Para além do episódio diário com sua trama pontual e independente, temos uma "narrativa" que se fundamente na vida do Dr. House, e se espande ao longo das temporadas, pois trata de investigar as razões de "ser" de House. Pingam aqui e ali informações sobre sua família, suas ligações "afetivas", sua descrença na humanidade, e tudo que se liga ao lado humano (a filosofia, a religião, etc). Há igualmente a "vida" dos personagens que orbitam em torno de House, seus "dramas" pessoais (como em E.R., como em C.I.S.), mas é em House que está o maior campo de interesse. Politicamente incorreto, ele é o personagem que ataca a todo o tempo o senso comum, o sentimentalismo, as obviedades; um anti-herói moral, ainda que um "super-homem" no campo do pensamento dedutível.
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Ou seja, uma série muito interessante. Um desafio contínuo para os roteiristas, que precisam se desdobrar para além da "histórinha" de cada episódio, e mergulhar no desvendamento psicológico de House e seus "satélites".
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05/2007

quinta-feira, maio 03, 2007

EM PESSOA

AS IDENTIDADES DO POETA

(trecho)

(...)

Fernando Pessoa caminha sozinho
pelas ruas da Baixa,
pela rotina do escritório
mercantil hostil
ou vai, dialogante, em companhia
de tantos si-mesmos
que mal pressentimos
na seca solitude
de seu sobretudo?

Afinal, quem é quem, na maranha
de fingimento que mal finge
e vai tecendo com fios de astúcia
personas mil na vaga estrutura
de um frágil Pessoa?

(...)

Carlos Drummond de Andrade
In Farewell
Record, 1996
© Graña Drummond

[Carlos Drummond de Andrade em poema sobre Fernando Pessoa]