quinta-feira, abril 26, 2007

ÓIA SÓ, ÓIA


Ó PAÍ, Ó (Mas, para ver o quê?)

"Ó paí, ó" é uma gíria baiana que significa "olhe para aí, olhe"; e isso talvez seja o que de mais interessante se encontrará no filme, talvez por isso a expressão seja repetida à exaustão.
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Ó paí, ó poderia muito bem ter o título de Cinderela baiana 2 - a saga do acaraxé continua, [lembra do primeiro? com a estrela em ascensão Carla Perez; Lázaro Ramos era apenas uns secundário]. Isto por que não só o espaço geográfico é o mesmo, a música é a mesma, os esteriótipos são os mesmo, o universo todo é o mesmo, só mesmo a pretenção é maior.
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Ó paí, ó é um típico filme (ruim) de Cacá Diegues, só que "dirigido" (não sei se essa palavra é adequada) por Monique Gardenberg. Ó paí, ó pode ser definido como uma comédia-drama-docudrama, mas a impressão mais forte mesmo é de assistir a um carnaval fora de época (de qualquer época).
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Isso aqui ô ô, é um pouquinho de Brasil, yá-yá?
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Ó, paí, ó não é só a comprovação definitiva de que Monique Gardenberg é péssima diretora, mas a confirmação de que ela não é diretora. Simplesmente por que não importa a fonte do roteiro, se próprio (Genipapo), se adaptação literária (Benjamin) ou pecinha rudimentar (Ó, paí, ó), ela sempre é péssima. Digo "ela" já que podemos reconhecer entre os integrantes de sua equipe uma série de pessoas talentosas, mas que na "orquestração da artista" soa desafinada, a ponto de constranger até mesmo o espectador.
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A expressão "ó paí, ó" é um convite para ver, mas ver o quê? Antes assumisse que é um filme para "ouvir", melhor, para "soar" e "suar" em sua premene micaretagem.
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No final, nem despacho ou descarrego salva o filme. Aliás, prova que ter conteúdo com atabaques, letras ruins e sacolejos é realmente uma missão impossível. Seu ataque "precário" e "pueril" aos evangélicos revela a mão-dupla do preconceito. E se "Jesus não salva" o filme, menos ainda Lázaro Ramos.
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Melhor mesmo é "purificar" os ouvidos com "Saudade da Bahia" de Dorival Caymmi, na sofisticada articulação de João Gilberto.

quarta-feira, abril 25, 2007

MÁXIMAS MÁXIMAS IV

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Se você fizer o que realmente gosta
nunca vai ter que trabalhar.
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(anônimo)

O GRANDE CIRCO MÍSTICO

O médico de câmara da imperatriz Teresa - Frederico Knieps -
resolveu que seu filho também fosse médico,
mas o rapaz fazendo relações com a equilibrista Agnes,
com ela se casou, fundando a dinastia de circo Knieps
de que tanto se tem ocupado a imprensa.

Charlote, filha de Frederico, se casou com o clown,
de que nasceram Marie e Oto.
E Oto se casou com Lily Braun a grande deslocadora
que tinha no ventre um santo tatuado.
A filha de Lily Braun - a tatuada no ventre
quis entrar para um convento,
mas Oto Frederico Knieps não atendeu,
e Margarete continuou a dinastia do circo
de que tanto se tem ocupado a imprensa.

Então, Margarete tatuou o corpo
sofrendo muito por amor de Deus,
pois gravou em sua pele rósea
a Via-Sacra do Senhor dos Passos.
E nenhum tigre a ofendeu jamais;
e o leão Nero que já havia comido dois ventríloquos,
quando ela entrava nua pela jaula adentro,
chorava como um recém-nascido.
Seu esposo - o trapezista Ludwig - nunca mais a pôde amar,
pois as gravuras sagradas afastavam
a pele dela o desejo dele.
Então, o boxeur Rudolf que era ateu
e era homem fera derrubou Margarete e a violou.
Quando acabou, o ateu se converteu, morreu.

Margarete pariu duas meninas que são o prodígio do Grande Circo Knieps.
Mas o maior milagre são as suas virgindades
em que os banqueiros e os homens de monóculo têm esbarrado;
são as suas levitações que a platéia pensa ser truque;
é a sua pureza em que ninguém acredita;
são as suas mágicas que os simples dizem que há o diabo;
mas as crianças crêem nelas, são seus fiéis, seus amigos, seus devotos.
Marie e Helene se apresentam nuas,
dançam no arame e deslocam de tal forma os membros
que parece que os membros não são delas.
A platéia bisa coxas, bisa seios, bisa sovacos.
Marie e Helene se repartem todas,
se distribuem pelos homens cínicos,
mas ninguém vê as almas que elas conservam puras.
E quando atiram os membros para a visão dos homens,
atiram a alma para a visão de Deus.
Com a verdadeira história do grande circo Knieps
muito pouco se tem ocupado a imprensa.

JORGE DE LIMA

segunda-feira, abril 23, 2007

a noite do aquário


Germano Pereira, Chico Carvalho e Clara Carvalho - photo by Lenise Pinheiro

a noite do aquário

uns dizem que foi no bar baiúca, outros, no djalma. mas ninguém discute que a primeira apresentação de elis regina em são paulo tenha sido numa sexta-feira, na praça roosevelt, entre as ruas augusta e consolação. para o dramaturgo sérgio roveri, o local exato não importa. o que vale saber é que neste mesmo dia uma mulher, que viera de um vilarejo portuário prestes a desaparecer do mapa, chora desamparada na praça, por não encontrar o marido, que a trocara por outra. de volta à insólita cidade, sua tristeza apenas aumenta quando o filho mais velho, pedro, a deixa. depois de oito anos longe e quatro cartas enviadas, estas decoradas por josé, o irmão mais novo, pedro volta para buscar a família e levá-la à brasília, cidade que começava a se desenvolver. inicia-se então um jogo misto de silêncios, emoções rasgadas, traumas ressentidos e dor, muita dor. assim é a noite do aquário, em cartaz às sextas-feiras, no espaço dos satyros um. o espetáculo faz parte do projeto 'e se fez a praça roosevelt em 7 dias', que conta com sete peças, uma em cada dia da semana, às 19h, sempre com um autor e diretor diferentes. mais informações em www.satyros.com.br
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.lucas guedes
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[o texto/sinopse é do meu amigo lucas, que aceitou contribuir com este meu blog, que vezenquando revida. falei para ele escrever do jeito dele, no estilo dele, e saiu essa beleza. nem preciso dizer que ele escreve bem demais, porque pensa bem demais, porque age bem demais, ou seja, uma pessoa demasiada. ou, como diria o velho guimarães rosa, pessoa que "abre os vãos do horizonte". os meus horizontes sempre, que tenho o privilégio de sua companhia o tempo que posso, pois ele está todo minuto nas suas mil ocupações, no jornalismo (que é seu ofício), na puc (onde faz curso na pós), no macunaíma (onde faz teatro) e na igreja (pois é um cara religioso). ainda arranja tempo para assistir a tudo que sai em são paulo e dar beijos na boca. e eu, na minha sempre limitada vidinha, só posso agradecer que ele e meus amigos incríveis existam para aprimorar minha existência de pessoa casmurra.]

sexta-feira, abril 20, 2007

A LOUCURA DE ISABELA

Isabela enlouqueceu em um dia de sol, quando as flores mostram as cores mais vibrantes. Enlouqueceu de uma hora para outra. Um minuto, e estava louca.
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Foi levada com camisa-de-força direito para um ambiente fechado, onde só podia receber duas visitas, três vezes por semana, sob o olhar atento de um gordo de jaleco que mais parecia um açougueiro. Nesta ocasião a mãe levava-lhe romances de Sartre, Pirandello e Flaubert, que Isabela não lia; que Isabela empilhava; que Isabela usava para alcançar a janela e ver a tevê na sala ao lado.
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Isabela amava tevê. Isabela fora uma menina normal e delicada antes de enlouquecer completamente. Quando criança amava a Xuxa e queria ser paquita. Passou água oxigenada no cabelo, memorizava as canções e sabia todas as coreografias, que ensaiava com Eloísa, sua melhor amiga. Mas quando Eloísa morreu fulminada diante de uma Isabela atônita, Isabela desistiu de dançar, de cantar Ilariê, de usar chuquinhas, e desistiu de aprender espanhol, que era para ter mais chances de ser paquetita na Argentina. Tornou-se uma garota silenciosa, que gostava de ver televisão, de assistir noticiários trágicos, programas de auditórios, Castelo Ra-tim-bum, séries de heróis japoneses vestido com colãs, melodramas mexicanos, programas de venda, especiais de saúde, novelas da Rede Globo, videoclipes da MTV. Mas do que gostava mesmo era de programas sobre namoros.
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Isabela era louca por beijos, beijos de toda espécie, beijos e mais beijos. Gostava quando o mocinho dizia “eu te amo”, e das vilãs que eram esbofeteadas cruelmente.
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Isabela era uma garota diferente. Isabela amava filmes antigos, os musicais de mulheres aquáticas. Tinha sonhos eróticos com Rock Hudson, até descobrir que ele era gay. Jamais o perdoou por isso, embora se sentisse atraída pelo andar manco da Marilyn Monroe, pela elegância de Audrey Hepburn, e por Gilda, que se desnudava em público. Apaixonou-se perdidamente pelos filmes assassinos de Alfred Hitchcock (“Rebecca”, ela assistiu a umas trinta vezes! Jamais a esqueceu.), e muitas noites sonhou que era apunhalada no chuveiro por Antony Perkins.
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Isabela louca empilhava livros. Exagerava no batom. Usava xuxinhas nos cabelos, pintava as unhas com caneta Bic, assistia escondida a filmes pornôs.
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Isabela adorava ler revistas femininas, Carinho, Carícia, Capricho. Quando cresceu, fazia todos os testes da Nova. E, moderna, se interessava por todas as matérias. Como levar seu marido à loucura na cama. Como ser uma executiva de sucesso. Filhos ou Profissão? A ginástica da mulher moderna. O que um homem espera de uma mulher. Como dar e receber prazer. Roteiro seguro para o ponto G.
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Isabela se comovia com o drama das mulheres albanesas, e ia às náuseas cumprindo todos os regimes, porque nada lhe interessava a não ser a perfeição. E aquelas revistas eram o guia exato para o sucesso. Para a beleza. Para o amor. Dizia mantras em frente ao espelho: você é linda! você é poderosa! você pode! Repetia insistentemente, dias e dias. Metia-se numa balança, que não se movia. Desconfiava das balanças. Começou a achar que era observada. Entrava num salão e todos olhavam para ela. Diziam: gorda! Diziam: fracassada! Lembrava-se do desastre da amiga, do mergulho ao fundo do poço, da espuma de cachorro louco. Mas continua a repetir seus mantras, e responder enquetes da Marie Clair. Até que um dia seu reflexo lhe respondeu.
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Então começou a ouvir vozes. As vozes diziam, faça isso, faça aquilo. Coisas insanas, que Isabela não fazia por que lhe pareciam estúpidas.Raspe a sobrancelha esquerda! Saia com meias trocadas! Escove os dentes com gelatina! Usava fones de ouvidos, aumentava o som. Deixou de atender telefones. Não mais saía de casa, vendo a Hebe, a Galisteu, a Gimenez. Que falavam, falavam. Bocas ruidosas a ruminar. Vacas, a vomitar e engolir, a macaquear e mugir insanamente. Via também noticiários, jornalistas com seus intermináveis boa noite, boa noite, boa noite. Isabela vomitava vendo os beijos. Já não precisava meter o dedo na goela. Tarcísio e Glória, Tony Ramos e Glória Pires, Fábio Assunção e Malu Maeder. Vomitava. Era aplaudida nos programas de auditório. Vozes que mandavam: fume Free! Beba light! Fique thin! Babe, coca! Fume! Fume! Fume! Uma imensa chaminé industrial. Grite: “Jesus te ama”. “Glória!”. E ela gritava. Glória! Gritava. Isabela gritava. Glória! Glória Menezes e Glória Pires sorriam, sobre o aplauso histérico de uma platéia evangélica. A menina pastora gritava feito Hitler, enquanto um pregador chutava uma santa preta.
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Quando levaram Isabela para o sanatório, já não reconhecia ninguém, e chamava toda gente com o nome de personagens de novelas. Os comprimidos que tomava foram, gradativamente, abafando as vozes. Isabela empilhava os livros que a mãe lhe trazia com afeto, e que não eram de fácil digestão, porque a mãe de Isabela não entendia nada de literatura. Quando conseguiu alcançar a altura certa da porta e mirar a televisão na sala de visitas, uma poética lágrima escorreu do olho esquerdo de Isabela. A tevê do sanatório só sintonizava dois canais, e não havia som. Era o macaquear de bocas mudas que Isabela tentava preencher com um turbilhão de memórias mal sintonizadas. Lamentava que já não se aplicassem choques elétricos no manicômio porque assim ao menos, pensava, poderia sentir-se viva, ativa e luminosa, como um televisor de plasma, 32 polegadas.
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[Meu curta mais recente, no formato conto. 20.04.2007.]
[Revisado 22.04.2007]

segunda-feira, abril 16, 2007

SOBRE A EXISTÊNCIA DA ALMA

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O meu amigo Sérgio, numa das suas tiradas sensacionais lá no MSN saiu com essa:
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"Ate hitler tinha alma... alguma
coisa precisa keimar
eternamente né?"
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Eu, entendendo o potencial explosivo da frase, reconfigurei para roubá-la, mas acabei com uma crise de consciência (ou ética). Então o que fazer para não perder no limbo uma frase tão inteligente? Retransformar e dar crédito a quem é de direito:
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"Ficam os católicos, os protestantes,
os cardecistas bradando o valor e a importância
de se ter alma.
Grande coisa! Até Hitler tinha alma;
afinal, alguma coisa precisava
queimar eternamente."
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[Sérgio Oliveira]
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domingo, abril 15, 2007

RETRATO EM PRETO E BRANCO

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ERRO CRASSO


Marco Licínio Crasso foi membro do primeiro triunvirato romano, juntamente com Pompeu e Júlio César. Era um político medíocre, ambicioso e interesseiro. Tomou a ofensiva na Síria contra os Partos, mas foi derrotado por um erro grosseiro de estratégia militar.

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Em 53 a.C. confiante na superioridade numérica de seus centuriões numa batalha contra os sírios, e disposto a estraçalhar logo os inimigos, o general romano Licínio Crasso decidiu ganhar tempo cortando caminho por um vale estreito. Foi a decisão mais estúpita da história militar. Os sírios fecharam as duas únicas saídas do vale e o exército de Crasso, ele incluído, foi massacrado. O que sobrou dele foi apenas a expressão “erro crasso”.

O ÚLTIMO GRITO DA MODA (até o título é ótimo)

Sim, eu invejo a Marcela e suas grandes sacadas criativas




REINVENÇÃO DE CARTAZES


Inclusive, adoro pessoas que manipulam cartazes de filmes e fotos. Este por exemplo, é da Marcela, mulher rádio-tevê, roteirista e pasteleira.


TEMPOS DE CÂMERAS DIGITAS

Nestes tempos de câmeras digitais, o que mais vemos são fotos lindas. Já não dá nem para distingüir fotógrafos profissionais de amadores (ainda que eles refutem esta minha singela opinião). Com tanta gente fotografando tão lindamente seus filhos, seus amigos, seus animais, suas viagens, é indubitável que o passado fica, cada dia, mais e mais bonito.



Pelo menos nas fotos. Esta, por exemplo, roubei do orkut de não sei quem. Fora a data posta aí, um erro crasso, alguém terá coragem de dizer que estou errado?


quinta-feira, abril 12, 2007

SONETO LXV

O bronze, a pedra, a terra, o mar sem fim,
Se a morte impõe a todos seu rigor,
Como a beleza há de durar assim
Se não tem mais que a força de uma flor?
Será que o sopro do verão perdura
Contra o assédio dos dias de tormenta,
Se nem a pedra se conserva dura
Nem os portões de aço se sustentam?
Terrível reflexão! Como ocultar
Do Tempo a sua mais cara riqueza?
Seu pé veloz que mão há de parar?
Quem lhe proíbe o desgaste da beleza?*
Ninguém: só se um milagre faz-se impor,
E em tinta negra esplende o meu amor.

William Shakespeare


Since brass, nor stone, nor earth, nor boudless sea,
But sad mortality over-sways their power
How with this rage shall beauty hold a plea
Whose action is no stronger than a flower?
O, how shall summer’s honey breath hold out
Against the wreckfull siege of battering days,
When rock’s impregnable are not so stout
Nor gates of steel so strong, but Time decays?
O fearful meditations! whare, alack,
Shall Time’s best jewell from Time’s chest lie hid?
Or what strong hand can hold his swift foot back?
Or who his spoil of beauty can forbid?
O, none, unless this miracle have might,
hat in black ink my love may still shine bright....

A VOZ DO MAR

na nave língua em que me navego
só me navego eu nave sendo língua
ou me navego em língua, nave e ave.
eu sol me esplendo sendo sonhador
eu esplendor espelho especiaria
eu navegante, o anti-navegador
de Moçambiques, Goas, Calecutes,
eu que dobrei o Cabo da Esperança
desinventei o Cabo das Tormentas,
eu desde sempre agora nunca mais
cultivo a miração das minhas ilhas.
eu que inventei o vento e a Taprobana,
a ilha que só existe na ilusão,
a que não há, talvez Ceilão, sei lá,
só sei que fui e nunca mais voltei
me derramei e me mudei em mar;
só sei que me morri de tanto amar
na aventura das velas caravelas
em todas as saudades de aquém-mar
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Geraldo Carneiro
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[Só posso dizer que este poema, como definição do gênio Camões, como construção poética, como poema metalingüístico, como obra da pós-modernidade (a dicção é moderna, apesar do tom-homenagem tão camoniano), como poesia da alma, está entre as "coisas" mais belas que li e ouvi.]

O TAL TOTAL

o amor é o tal total que move o mundo
a tal totalidade tautológica,
o como somos: nossos cromossomos
nos quais nunca se pertenceu ao nada:
só pertencemos ao tudo total
que nos absorve e sorve as nossas águas
e as nossas mágoas ficam revoando
como se revoltadas ao princípio,
àquele principício originário
onde era Orfeu, onde era Prometeu,
e continua sendo sempre lá
o cais, o never more, o nunca mais,
o tal do és pó e ao pó retornarás
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Geraldo Carneiro
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[Como é fácil falar mal da Televisão. Ontem, estava eu zapeando e dei com o Conexão Internacional, uma entrevista do Roberto Dávila com Geraldo Carneiro, poeta para mim completamente desconhecido e tradutor de William Shakespeare, e leitor compulsivo de Camões e Pessoa. Uma entrevista bem despretenciosa, sem aquela coisa arrogante dos medalhões poetas de gabinete, invernais parnasianos que-não-morrem. Aí voltei a crer que há possibilidade na poesia, eu, que ando tão desacreditado das literaturas]


MINHA HOMENAGEM AO PAPA BENTO XVI

Fiquei absolutamente impressionado com a semelhança do atual Papa, Joseph Ratzinger, e o nosso querido e lendário mestre Yoda. Devido as atuais declarações do papa sobre casamento e origem das espécies, só posso pedir a Deus que a Força esteja conosco.





MÁXIMAS MÁXIMAS III

Quem passa a vida buscando uma fortuna
acaba encontrando um infortúnio
William Shakespeare

quinta-feira, abril 05, 2007

SEÇÃO NOSTALGIA - 2000

Como vou fazer aniversário, andei mexendo nas velhas fotos, e deu nisto aí embaixo. A seção nostalgia em que coloco as fotos dos meus VELHOS alunos.
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Espero que gostem, por que é provisório, logo vou deletá-las, fiel ao compromisso de que este blog, não é meu diário pessoal, mas arquivão de coisas que acho interessantes.
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CLIQUEM SOBRE AS QUE QUISEREM AMPLIAR E COPIEM À VONTADE.
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É isso.

Naves, parte 2

quarta-feira, abril 04, 2007

A HORA DO HOUAISS: Verbete "pensar"

Do latim tardio penso, as, ávi, átum, áre:
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(1) 'pensar, cogitar', no latim clássico: 'pesar, examinar, ponderar, considerar, meditar, ruminar, compensar, ressarcir; permutar, trocar, cambiar; satisfazer'.
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(2) Verbo freqüentativo de pendère 'pesar, examinar, ponderar; estimar, prezar; ter de peso, pagar, dar em paga, expiar', do qual deriva por meio do radical do supn. pensum.
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O latim tardio pensáre parece ter sido um desaguadouro das acepções do latim cogitáre 'pensar, meditar, ter um pensamento ou sentimento, formar uma idéia, conceber' e do latim putáre 'calcular, examinar, apreciar, avaliar, estimar, prezar, julgar, crer'.
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Cogitáre 'pensar' é cultismo, sua forma divg. vulgar é cuidar 'tratar de; pensar', o latim putáre não veio para o português a não ser algum derivado seu como o adjetivo putativo.
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Da convivência entre cogitáre e pensáre terá surgido a expansão semântica de pensáre para as acp. 'cuidar de, tratar de' comuns ao português (sXIII), ao espanhol (sXIV), catalão (sXIV) e francês (sXII).
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A propósito do francês panser 'cuidar de', deve-se ter em mente que até o sXVIII encontra-se um que outro registro da grafia penser (a grafia atual é o modo como os franceses estabeleceram a distinção entre as duas áreas semânticas de pensar).
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Nascentes, comentando a ampliação semântica de pensar para 'cuidar de, tratar de', admite que talvez tenha havido a influência do verbo cuidar, do latim cogitáre; por sua vez, o TLF, ao comentar a mesma expansão semântica do verbo penser 'exercer atividade mental' para 'cuidar de', admite a possibilidade da influência de expressões como penser de 'tomar cuidado de, preocupar-se com' correntes em francês no sXII; finalmente deve-se observar que pensar é divg. erudito de pesar.
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Ver pend-; f.hist. sXIII pensedes, sXIII penssamos, sXIV pensar, sXV péénsey, sXV penção, sXV pesaaes 'submeter algo ao raciocínio lógico', sXIII pensava, sXIII penssou 'aplicar penso'

domingo, abril 01, 2007

SERAPIS


Serápis ou Serápio (Osíres-Ápis) é o deus egípcio principal do tempo das dinastias gregas dos Ptolomeus, posteriores à ocupação do país por Alexandre Magno

Serápis e o malfeitor

Ao malfeitor que dormia ao pé de um muro carcomido apareceu Serápis certa noite em sonho e recitou, dizem, um oráculo: "Ó tu que estás deitado, ergue-te e vai dormir, infeliz, noutra parte."
Ele acordou e foi-se embora. Súbito, o carcomido muro maciçamente despencou por terra.
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De manha, o Grato malfeitor fez sacrifícios aos deuses, acreditando que o deus se agradasse dos maus. Mas de noite, Serápis lhe recitou um outro oráculo:
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"Pensas, infeliz, que me importam os iníquos? Se não deixei que morresses, se de uma morte sem dor escapaste, é que estás destinado à cruz."
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in Epigramas, de Paladas de Alexandria