segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Dez coisas que levei anos para aprender

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa. (Esta é muito importante. Preste atenção, nunca falha).

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um
laxante na mesma noite.

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça
humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito(!).

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.

Luis Fernando Veríssimo

domingo, fevereiro 25, 2007

AS ÁRVORES

As árvores são fáceis de achar
Ficam plantadas no chão
Mamam do céu pelas folhas
E pela terra
Também bebem água
Cantam no vento
E recebem a chuva de galhos abertos
Há as que dão frutas
E as que dão frutos
As de copa larga
E as que habitam esquilos
As que chovem depois da chuva
As cabeludas, as mais jovens mudas
As árvores ficam paradas
Uma a uma enfileiradas
Na alameda
Crescem pra cima como as pessoas
Mas nunca se deitam
O céu aceitam
Crescem como as pessoas
Mas não são soltas nos passos
São maiores, mas
Ocupam menos espaço
Árvore da vida
Árvore querida
Perdão pelo coração
Que eu desenhei em você
Com o nome do meu amor.

Arnaldo Antunes

[Eu amo esta canção, adoro o jeito que ele canta, é sensacional e parece uma canção infantil]







MARIA BETHANIA - ÁGUAS

O DESAFINAR DE MARIA BETHÂNIA

Maria Bethânia sob o olhar de Ferreira Gullar


(Texto - contracapa do LP "Recital na Boite Barroco")










"Se uma cantora aprende a cantar e passa a cantar bem, muito bem, ela corre o perigo de cantar bem demais: ela corre o perigo de se tornar uma máquina de cantar, precisa e fria. Isso não acontece apenas com o cantor, mas com todo tipo de artista - pintor, poeta, músico. Gauguin dizia: quando aprender a pintar com a mão direita, passarei a pintar com a esquerda, e quando aprender a pintar com a esquerda, passarei a pintar com os pés. O cantor não tem tantas opções: seu risco é maior. Mas não entenda errado o que eu digo. Não estou dizendo que só quem não sabe cantar, canta bem. Estou dizendo que cantar bem não é cantar correto, segundo se afirma que é correto. Cantar bem é cantar como Bethânia canta: com calor da vida. E por isso que ela diz: "Sei que desafino às vezes. Mas eu também desafino na vida”.Bethânia é aquele tipo de cantora que não deixa dúvida. A gente ouve e já sabe: uma intérprete excepcional. O que alguns discutem é se ela é ou não a maior cantora brasileira de hoje. Mas isso é uma discussão ociosa. O que é indiscutível é que algumas de suas interpretações, de músicas atuais ou do passado, atingem aquele ponto definitivo que as tornam insuperáveis. Ninguém esquecerá jamais a Bethânia do Carcará como ninguém esquecerá também a Bethânia de Anda Luzia. A estas se somam várias outras interpretações e neste disco mesmo podemos citar, apenas como exemplo, Se todos fossem iguais a você de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, ou a irônica recriação de Café Soçaite, para não falar em Baby, de Caetano Veloso, ou em Ele falava nisso todo dia, de Gilberto Gil. Isso define uma grande capacidade de criar a interpretação definitiva, dentro de determinada época, das canções nacionais. Bethânia é uma cantora nacional, deste país, enraizada nele, e na multidão de vozes e cantos que exprimem a nossa vida destaca-se a sua, bela, já turva, já iluminada, que canta por todos nós."


Ferreira Gullar - 1968

sábado, fevereiro 10, 2007

DECLARAÇÃO DE AMOR, Carlos Drummond de Andrade

Por que esta triste el abuelo


Padre quiero que me digas
Por que esta triste el abuelo

Por que esta triste el abuelo
Padre quiero que me digas
Por que esta triste el abuelo
Padre quiero que me digas
Por que esta triste el abuelo

Por que esta triste el abuelo
Que ya no juega conmigo
Ni me lleva de paseo
Que ya no juega conmigo
Ni me lleva de paseo

Abuelo no llores mas
Por que miras hacia el cielo
La abuela pronto vendra
Se ha ido a coger una estrella
Que le pedi pa jugar

Ii
Ya no me cuentas historias
Ni esos cuentos que dan miedo

Ni esos cuentos que dan miedo
Ya no me cuentas historias
Ni esos cuentos que dan miedo
Ya no me cuentas historias
Ni esos cuentos que dan miedo

Ni esos cuentos que dan miedo
Ya no me tapas de noche
Ni rezas conmigo luego
Ya no me tapas de noche
Ni rezas conmigo luego

Abuelo no llores mas
Por que miras hacia el cielo
La abuela pronto vendra
Se ha ido a coger una estrella
Que le pedi pa jugar

Iii
Coge las gafas y tu silla
Que yo te presto un tebeo

Que yo te presto un tebeo
Coge las gafas y tu silla
Que yo te presto un tebeo
Coge las gafas y tu silla
Que yo te presto un tebeo

Que yo te presto un tebeo
Y sientame en tus rodillas
Veras ya lo bien que leo
Y sientame en tus rodillas
Veras ya lo bien que leo

Abuelo no llores mas
Por que miras hacia el cielo
La abuela pronto vendra
Se ha ido a coger una estrella
Que le pedi pa jugar

Iv
Yo no quiero verte triste
Anda y llevame a la escuela

Anda y llevame a la escuela
Yo no quiero verte triste
Anda y llevame a la escuela
Yo no quiero verte triste
Anda y llevame a la escuela

Anda y llevame a la escuela
Con el duro que me diste
Te invitare a donde quieras
Con el duro que me diste
Te invitare a donde quieras

Estribillo
Abuelo no llores mas
Por que miras hacia el cielo
La abuela pronto vendra
Se ha ido a coger una estrella
Que le pedi pa jugar



[Isto é Almodóvar puro. Como o sentimento e seu derramamento podem chegar a tal ponto. Adoro, adoro esta canção. Um achado]

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

LECI BRANDÃO


ZÉ DO CAROÇO

de Leci Brandão

No serviço de alto-falante
No morro do pau da bandeira
Quem avisa é o Zé do Caroço
Amanhã vai fazer alvoroço
Alertando a favela inteira
Ai Como eu queria que fosse Mangueira
Que existisse outro Zé do Caroço
Pra dizer de uma vez pra esse moço
Carnaval não é esse colosso
Nossa escola é raiz é madeira

Mas é Morro do Pau da Bandeira
De uma Vila Isabel verdadeira
É o Zé do Caroço trabalha
É o Zé do Caroço batalha
E que malha o preço da feira.

E na hora que a televisão brasileira
Distrai toda gente com a sua novela
É que o Zé bota a boca no mundo
E faz um discurso profundo
Ele quer ver o bem da favela

Esta nascendo um novo lider
No Morro do Pau da Bandeira
Esta nascendo um novo lider
No Morro do Pau da Bandeira
No Morro do Pau da Bandeira
No Morro do Pau da Bandeira

Lelele, lelelelelelelele


[Ouvi essa canção na voz de Mariana Aydar e me apaixonei completamente. Depois, no show Santíssima Trindade Leci Brandão cantou e soube que era composição dela. Fiquei apaixonado de fato pela canção. Merece um filme só dela.]

Santíssima Trindade do Samba

Por André Pereira




Teresa Cristina, uma das integrantes da Santíssima Trindade do Samba

A dama do samba


O Império Serrano, a Mangueira e a Portela já sabem há muito tempo quanto valem para o samba as composições e as vozes de três mulheres: Dona Ivone Lara, Leci Brandão e Teresa Cristina. Essas maravilhosas sambistas de gerações diferentes estarão reunidas no teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, nos dias 2, 3 e 4/2/07 no show Santíssima Trindade do Samba. Acompanhadas por Paulão 7 Cordas (violão de 7 cordas), Emerson (violão), Sandoval e Paulo Henrique (cavaquinho), João Poleto (sax e flauta), Fabiano Sorriso (pandeiro), Gerson Martins (repique), Paulinho Sampagode (surdo) e Jorginho Neguinho (congas), Teresa Cristina, Leci e Dona Ivone (nessa ordem) ocupam o palco para apresentar composições próprias. Ao final do show, elas se unem para cantar. O samba agradece.

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Eu fui, tão feliz com minha irmã e Marcos, 03.02.2007 as 21h. Sentamos lá pertinho. Lindo, lindo, lindo tudo. Que cantoras! Que show!


sábado, fevereiro 03, 2007

MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO

A história gira em torno de Harold Crick, um homem que levava uma vida normal até que de repente começou a ouvir uma voz em sua cabeça. Crick descobre que essa voz nada mais era do que a narradora de um romance sobre sua vida e começa a tentar desesperadamente encontrar a autora do livro antes que ela ponha um fim em sua vida.




Adorei este filme, ele é extraordinário; daqueles ao qual a gente passa a vida assistindo. Daqueles roteiros que você grita "por que não tive essa idéia antes?". É da mesma linha de Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Assisti no dia 31 de janeiro de 2007, na ponta da Paulista, Belas Artes.

NINE LIVES, Rodrigo Garcia




Filho de Gabriel Garcia Marquez, Rodrigo Garcia escreveu e dirigiu este belo filme de episódios, todos construídos em torno de uma cena que corresponde a um momento decisivo na vida de nove mulheres; sempre filmado em plano seqüência. Na minha humilde opinião, os três primeiros são os melhores, da presidiária, do encontro no mercado, uma filha que volta ao lar para acertar as contas com o pai. Mediano, mas belo, é da jovem universitária condenada a cuidar dos pais inválidos que não se comunicam, e a delicadíssima narrativa final, em que mãe e filha visitam um cemitério. Pequenos flashes, roteiros para atores.




[Acho que poderia ser empregada com as técnicas de direção de atores do Sérgio Pena, é um ótimo exercício a ser empregado para alunos de roteiro e direção da Escola de Cinema.]

MINHA MÁXIMA

Atualmente, minha máxima preferida é





REZE PARA O SENHOR, MAS REME PARA MARGEM.







Não é quase uma narrativa????

PRO DIA NASCER FELIZ, o filme que eu queria fazer