terça-feira, junho 26, 2007

Andy Warhol - auto-retrato


A hora e vez... veredas rosianas

Fragmento da minha tese O SAGRADO em Guimarães Rosa e Mia Couto

O rio não deixa de espelhar o pai de “A terceira margem do rio”, pela grandeza, profundidade e similar quietude reconhecíveis em ambos. A impossibilidade de visão da outra margem é igualmente similar a “inapreensão” do enigma de sua partida, na qual o filho “vê” sacrifício. Depreende-se a idéia de sacrifício, não apenas por que tudo o que a “fala” do narrador associa ao pai relaciona-se à tristeza/melancolia (“sem alegria”), mas por que todas as ações do pai o afastam do sentido que ele dá a idéia “positivo”[1]. À mãe, como já foi dito, cabe a voz imperativa/imperiosa: “(...). Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: ─ ‘Cê vai, ocê fique, você nunca volte!’ Nosso pai suspendeu resposta.(...)”(p.33)

“Bramar” é verbo proveniente do gótico brammôn, com sentido de “uivar, gritar forte”, origina as formas cognatas eslavas e românicas, e na linguagem regionalista do Brasil ganha o sentido de “dizer vitupérios, berrar acusações” (HOUAISS, 2001, v. “bramar”). Por extensão de sentido, o verbo significa igualmente “rogar”, “suplicar aos gritos”, significações antitéticas que bem representam o conflito interior vivido pela mãe, entre a ira e a súplica. Essa luta é traduzida no gesto animalesco de “mascar o beiço”, e pelo estupor (“alva de pálida”) enfatizado pelo pleonasmo. Sua linguagem coloquial, articulada em três incisivas frases, que se posicionam como alternativas e ameaças, pode ser distendida para:

Se você for, fique por lá, não volte nunca mais.

No discurso da mãe elas figuram mais como “ordem”, imposição de uma lei, do que um clamor para demovê-lo de sua intenção. Não deixa de ser irônico, neste sentido, que a frase pronunciada por ela, tenha sido “cumprida” como um “ordem” pelo pai. De fato ele “vai”, parte (deixa o lar), “fica”, permanece fixo (com a canoa no centro do rio) e não volta mais para o lar (não é mais visto no rio)[2]. É o “não” da mãe que interrompe o ciclo: ir/ficar/voltar, ciclo este que remete ao eterno retorno in illo tempore, a continuidade representada pelo símbolo da eternidade: .[3]

Também a recomposição do pronome de tratamento “você”, ao avançar num crescendo triplamente repetido, enfatiza a inteireza da ordem (cê < ocê < você) pois reverte a linha evolutiva do termo, a se completar taxativamente na exclamação final, definitiva, peremptórica: “você nunca volte!"

A resposta do pai, contudo, é a “resposta suspensa”, o não dito ─ que é uma recusa de outras duas “vertentes” possíveis: entre o ir e vir. “Nosso pai suspendeu a resposta” reveste-se de vários sentidos: não responder, calar-se, manter o suspense. Pode-se ainda depreender da sentença o “elevar-se”; que corresponde “nem a ir, ficar, ou nunca mais voltar”, mas permanecer num outro plano: excelso, sublime, elevado. A resposta do pai, portanto, se eleva num silêncio, quase como o “entre sim e não, talvez”[4] de uma famosa canção popular.

A questão do “ir e vir” segue com o filho em meio ao embate dos pais, indeciso entre não enfurecer a mãe (que teme) e obedecer ao pai. Vence sua inclinação pelo segundo. Ele o segue, “animado com o rumo daquilo” e pede para ser levado pelo pai na canoa. Com o “espiou manso”, forma com que o pai contempla o filho, ele lhe “retorna o olhar”, despede-se do filho a abençoá-lo, na seqüência, mandando-o de volta: “(...) Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber (....).” (p. 33)

Desde sempre, o filho segue o pai (“vir também, por uns passos”), é ele o seu grande modelo. Nesta posição privilegiada, ─ mas perigosa para o leitor, porque o narrador aderiu completamente ao objeto narrado ─ ele “testemunha” a partida do pai. Seu movimento é de recuo (fiz que vim) que é voltar-se para trás, para o passado; depois retornar (mas ainda virei), ou seja, trazer para o presente, “rememorar”, para saber (apreender). Sem mais elucubrações: o filho não “cumpre”, nem “segue” seu caminho, pára na grota (cavidade, depressão formada pela água do rio) para “espiar” e “saber” (descobrir) os procedimentos do pai. É no colher das ações dele, “calado que sempre”, que almeja chegar à decifração de seu enigma.

Cumprindo bem esta noção de “degraus para ascensão, para o salto”, cada parágrafo do conto (às vezes períodos ) articula-se na tríplice condução observada anteriormente, que é o movimento da memória e o movimento do rio entre as suas margens, o retroceder e retomar do narrador no fluxo da narrativa. Isto já se fazia patente no primeiro parágrafo do conto (“Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino,”) na tríplice definição do pai (cumpridor/ordeiro/positivo), e na reversão, que é das idades do homem:

“homem” --> “desde mocinho” --> “e menino”

Essa seqüência em fluxo contrário é o retorno à nascente, à origem, e ao resgate da identidade pois é também o filho “já adulto” que retorna às impressões da infância para “rever” o pai, que já figura não mais como presença, mas lembrança.

[1] Interessante observar que todas as ações do pai são descritas pelo filho-narrador por meio de negações. Alguns exemplos, tirados exclusivamente das frases relacionadas ao pai, são: “não figurava”, “nada não dizia”, “sem alegria nem cuidado”, “nem falou outras palavras”, “não pegou matula”, “não fez a alguma recomendação”, “não voltou”, “não tinha ido a nenhuma parte”, “dela não saltar, nunca mais”, “não remou para cá”, “não fez sinal”, “sem deixar ninguém chegar”, “sem fazer conta de se-ir do viver”, “não pojava”, “não pisou”, “não armava um foguinho”, “nem dispunha de luz”, “nunca mais riscou um fósforo”, “só um quase”, “nem o bastável”, “não adoecia, nunca falou”, “Nem queria saber de nós; não tinha afeto?”, “não se lembrava mais”, “nem queria saber”, “não subia ou descia o rio”, “no não-encontrável”, “não apareceu”, “não ia fraquejar”, “ninguém soube mais dele”, etc. As negações são ainda mais freqüentes na narrativa especialmente quando se passa a pontuar as ações do filho-narrador. Estranhamente, há em todo texto apenas um “des” (reversão e negação), prefixo recorrente na obra rosiana ─ se desaparecia ─ e que mereceu um importante ensaio de Augusto de Campos, intitulado “Um lance de ‘des’ do Grande Sertão”, estudo muito apreciado por Rosa, conforme carta para Paulo Rónai e comentário feito ao seu tradutor italiano. (Cf. ROSA, 1980, p. 61)

[2] Para Mircea Eliade: “O homem religioso sente necessidade de mergulhar por vezes nesse Tempo sagrado e indestrutível. Para ele é o Tempo sagrado que torna possível o tempo ordinário, a duração profana em que se desenrola toda a existência humana. É o eterno presente do acontecimento mítico que torna possível a duração profana dos eventos históricos”. (ELIADE, 1992, p. 26) No conto, a mãe materializa a pragmática do tempo presente (age no mundo), enquanto o pai, a permanência fixa no eterno fluir simbolizado pelas águas do rio.

[3]A primeira publicação de Primeiras Estórias trazia na orelha ilustrações concebidas por Rosa concernentes a cada um dos contos, estas ilustrações tinham no início e no fim o símbolo da eternidade, marca da “transcendência”; a única exceção era de “Nenhum, nenhuma”; talvez pelo niilismo de seu desfecho.
[4] Expressão “tomada” literalmente de um verso de “O quereres” de Caetano Veloso, onde melhor se “ouve” os versos que arregimentam imagens antitéticas que transitam (Transa é o nome do disco) entre a atração e a recusa de desejos e vontades. Mais que isso: “Entre o sim e não, talvez”: possibilidade, impossibilidade, esperança. “O quereres”: canção ao mesmo tempo barroca e profundamente rosiana.

terça-feira, junho 19, 2007

SAMBA LENÇO


Dia 16 e 17 de junho. Eu, Paula, João, e dois novos participantes iniciamos a filmagem de SAMBA LENÇO; com contribuição imprescindível dos famigerados Douglas e André Okuma, amigos que nos emprestaram as câmeras digitais sem pestangejar. Foi uma corrida aflitiva contra o tempo, e a descoberta de uma família (e pessoas) maravilhosas. O trabalho começa agora. Muitas idéias e alguns caminhos possíveis. João irá editar o material, em breve, precisaremos de uma produção e uma melhor captação de som. Lentamente, aí se faz o documentário. Sem em saio.

sábado, junho 16, 2007

REVER KIESLOWSKI SEMPRE

A PEDRA DO REINO



A abertura mais linda do mundo.

A EDUCAÇÃO SENTIMENTAL DO VAMPIRO

EDUCAÇÃO SENTIMENTAL DO VAMPIRO

O que fui assistir

A última peça foi
EDUCAÇÃO SENTIMENTAL DO VAMPIRO
dirigida por Felipe Hirsch
da "Sutil Compania de Teatro"
Teatro Popular do SESI

MÍNIMA CRÍTICA


a) Momentos maravilhosos e outros frouxos;
b) Literatura entrando inteira no teatro
c) Cenas ilustrativas do conto, às vezes redundantes;
d) O prazer de redescobrir Dalton Trevisan, o vampiro sádico e ingênuo;
e) Curitiba: cidade mítica enevoada;
f) Antológica cena: sexo mundano pontuado de referências bíblicas;
g) Um grande momento: "Uma vela para Dario";
h) Expressionismo em cena;
i) Peça filha de Nosferatu e Caligari;
j) Na linha de "O que diz Molero" e "Púlcaro Búlgaro";
k) Aqui e ali pesa a "literaturice" do texto;
l) Nos melhores momentos o ator Guilherme Weber;
m) Grande risco/ousadia no conto do estupro, chutando a possibilidade do riso;
n) Às vezes o diretor parece fazer do público cínico-sugador;
o) Alonga-se de mais: por que não cortar para conter, concentrar?
p) O sexo sem transcendência?
q) Foi bom, reverei, mas ainda assim escrevo: insuficiente.








A montagem explora os mistérios da capital paranaense por meio de 18 contos do Vampiro de Curitiba, como é conhecido o escritor Dalton Trevisan. No elenco, nomes como Erica Migon, Guilherme Weber, Jorge Emil, Luiz Damasceno, Magali Biff, Maureen Miranda e Zeca Cenovicz. Os cenários são assinados por Daniela Thomas, que usa imagens de trabalhos do artista plástico Raul Cruz.

Ficha Técnica:
Autor: Dalton Trevisan
Direção Geral: Felipe Hirsch
Elenco: Erica Migon, Guilherme Weber, Jorge Emil, Luiz Damasceno, Magali Biff, Maureen Miranda e Zeca Cenovicz
Cenografia: Daniela Thomas
Figurinos: Veronica Julian
Iluminação: Jorginho de Carvalho
Trilha Sonora Original e Edição de Trilha Sonora: Rodrigo Barros Homem Del Rei e L. A. Ferreira
Trilha Sonora Pesquisada: Felipe Hirsch e Murilo Hauser
Diretor Assistente: Murilo Hauser
Co-Criação: Guilherme Weber e Erica Migon
Equipe de Projeções e Design Gráfico: Ricardo Fernandes e Frederico Freitas
Obras usadas nas Projeções e no Design Gráfico: Raul Cruz (Linóleogravuras)
Assistentes de Cenografia: Iara Terze e Tânia Nenecuti
Construção do Cenário: Jotapupe

CARTOLA

segunda-feira, junho 11, 2007

FRANCISCA

ME DIGA (FRANCISCA)

Francisca veio lá do norte, de onde
também vieram meus avós e pais
talvez em busca de novos horizontes
no tempo em que eu não era nem nascida

Mas se eu nasci há tanto tempo já
Que meu passado está perdido em brumas
rasteiras e fumaça, o que dizer
do dela?
Do dela tão mais distante?

Francisca veio para o sul há tempos
e já chegou sonhando em retornar
e cultivar em meio a certas brenhas
algum roçado junto à sua mãe

Ela era quase ainda uma criança
e lá ficava o mundo de verdade:
o sol a chuva a noite a festa a morte
a vida
a aguardá-la, ainda mais distante

Parnaíba, Ipiranga, Rio Longá, Campo Maior…

Um certo norte está onde ela está,
em frente à praia de Copacabana,
onde ela faz cuscuz, beiju ou peta
e seu sotaque é cada vez mais forte

E ela ralha com o feirante esperto
e tem conversas com a mãe ausente
e o sabiá pousado no seu dedo
que aponta
algum lugar tão mais distante

Entre o nordeste que deixou na infância
e o sul que nunca pareceu real
a Francisca tem saudade de uns lugares
que passam a existir quando ela os pinta:

São mares turquesados e espumantes
em frente a uns casarões abandonados
que, não sei bem porque, nos desamparam
no meio
de algum lugar tão distante

Me diga Francisca, me diga…..

(Marina Lima/Antonio Cícero)

[NÃO] MÁXIMAS MÁXIMAS

"Malemolência é ver escapar
papagaio ou balão das mãos,
e em vez de tentar apanhá-los
ou chatear-se por não conseguir,
ficar a ver como é lindo o percurso
que um e outro traçam no céu"
.
.
.
.
(Roubado do blog - ou blogue - do Lucas,
que também não teve a pachorra de citar a fonte,
portanto, dedicado a todos
os anônimos geniais do Brasil)

Arte


MALEMOLÊNCIA

Substantivo feminino
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
1 ausência de disposição; moleza, indisposição
2 má sorte; caiporismo, desdita
3 calma excessiva; falta de empenho; fleuma, pachorra
4 ardil ou desculpa para evitar (algo); subterfúgio, pretexto
5 jogo de atitudes, gestos, jeito de falar ou mover-se que denota qualidades diversas, mas consideradas positivas (como a manha, a malícia, a elegância, a destreza), de alguém; molejo
6 Rubrica: música.
ritmo gingado, característico da interpretação de certos cantores de samba, dançarinos, ou modo característico de portar-se dos antigos malandros; molejo


Etimologia
voc. expressivo, de orig. não fixada; prov. criação da área carioca, na linguagem informal do teatro de revista e de letristas da sua música pop., talvez de manumolência ou manimolência, us. para 'gestos manuais estudadamente lentos (e insinuantes)', a partir de manu- 'mão' e -molência 'mole'; o el. final -molência é constante, mas o el. inicial prende-se à disputa em curso entre:
.lucas - http://condussao.blogspot.com diz:
1) male-/mali- e 2) mane-/mani-, estatisticamente ricas em nosso léxico, 3) manu-, f. motivadora mas demasiado culta e 4) mole-/moli-, com redobro e alternância consonântica: malemolência, malimolência; parece ter prevalecido o el. motivador mane-/mani-/manu- e a preponderância das nasais, cf. manemolência, manimolência, manimonência, manumolência
HOUAISS ELETRÔNICO



"Malemolência não descreve preguiça propriamente dita, mas uma antipatia ao trabalho que não seja apenas o necessário para viver e não deixe tempo para a boemia com os amigos"

quinta-feira, junho 07, 2007

Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo

http://www.kinoforum.org.br/curtas/2006/index.php

Não por acaso, de Philippe Barcinski




Rodrigo Santoro estrela o drama 'Não Por Acaso'
Divulgação

Vencedor de quatro prêmios no Festival de Recife, em abril, o drama Não por Acaso marca a estréia do curta-metragista Philippe Barcinski em longa-metragem. O filme tem no elenco Rodrigo Santoro, Leonardo Medeiros e Letícia Sabatella.

Carioca radicado em São Paulo e curta-metragista premiado por trabalhos como Palíndromo (2001) e A Janela Aberta (2002), que concorreu na competição oficial de curtas no Festival de Cannes, Barcinski mantém seu estilo, marcado por uma construção rigorosa.

O enredo de Não por Acaso estrutura-se em duas histórias que correm paralelas com protagonistas distintos, embora de igual peso (Leonardo Medeiros e Rodrigo Santoro).

Unindo as duas histórias, há um acidente de carro. O desastre provoca a morte de duas mulheres e desencadeia uma trama sobre a dificuldade de lidar com a perda do ponto de vista masculino.

No centro deste roteiro, assinado por Barcinski, Fabiana Werneck e Eugênio Puppo, há uma paixão pela idéia de exatidão e de controle, que governam a mente dos dois personagens principais, o jogador de sinuca Pedro (Santoro) e o controlador de trânsito Ênio (Medeiros).

Pedro esmera-se na criação de jogadas complexas e de difícil execução, que sejam capazes de desconcertar os adversários. As jogadas foram criadas pelo próprio diretor, com a assessoria do especialista Renato Da Mata.

O controlador de trânsito Ênio exerce o poder de orientar o fluxo das ruas de São Paulo, às vezes ordenando o bloqueamento de algumas vias para que se esvaziem outras.

Nada mais paulistano do que enfocar o trânsito da metrópole que é, assumidamente, um personagem indispensável na vida de todos no filme, assim como na dos demais habitantes da cidade. Desta maneira, brotam na tela paisagens como o conhecido viaduto Minhocão, onde Ênio passeia nos finais de semana com a filha Bia (Rita Batata, em seu primeiro grande papel no cinema), a quem ele acaba de ser apresentado.

Embora soubesse de sua existência, Ênio sempre se recusou a conviver com ela, assim que a ex-mulher (Graziela Moretto) refez sua vida com outro homem que assumiu a paternidade. Depois da morte da mãe, a moça aproxima-se do pai biológico, que vive trancado numa defensiva afetiva, seduzindo-o pouco a pouco para descobrir este novo relacionamento.

A interpretação ao mesmo tempo intensa e sutil de Leonardo Medeiros, premiado em Recife, sustenta esse foco narrativo com total credibilidade. Ele cria aqui um de seus grandes papéis na tela, comparável ao do guerrilheiro encurralado do drama político Cabra Cega (2004), de Toni Venturi, e do irmão mais velho de Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho ¿ pelos quais foi premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Na outra vertente da história, o jogador Pedro sofre uma grande perda. No princípio, ele vivia um relacionamento apaixonado com a jovem Teresa (Branca Messina). Quando ela morre, Pedro sente-se imensamente ferido e indefeso. Salva-o o acaso de conhecer a inquilina para quem Teresa alugou seu antigo apartamento, a executiva Lúcia (Letícia Sabatella).

Mulher de negócios habituada ao comando de seu mundo a partir do celular e do notebook, ela não sabe como encarar a intrusão deste homem um tanto rude e desorientado em sua vida. A única resposta possível passa pela intuição.

Outro personagem do filme, este bem incômodo, é a música. A trilha de Ed Cortês, que tem no currículo trabalhos admiráveis em Cidade de Deus e Abril Despedaçado, aqui é estridente e destoa do tom geral de contenção do filme, de resto, tão equilibrado.

Redação Terra

quarta-feira, junho 06, 2007

terça-feira, junho 05, 2007

Vanessa da Mata - Meu Deus



MEU DEUS

Um homem bonito assim
O que quer de mim
O que ele fará comigo?
Um homem bonito que planos
O que Deus me deu
E que ele fará com os seus
Braços de amansar desejos
Boca de beijo
Corpo de tocar
Meu coração muito tonto
Quer sair de mim

Olhos flechando meus zelos
Bem que o meu corpo já me mostrava
Tentação das mais safadas
Sem dor sem penar

Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais seria

Um homem bonito assim
O que quer de mim
O que ele fará comigo
Um homem bonito que planos
O que Deus me deu
E o que ele fará com os seus
Braços de arrancar desejos
Olhos de gato
Sabor de hortelã
Meu coração muito louco
Quer chegar-se em mim

Olhos flechando os meus zelos
Bem que o meu corpo já me mostrava
Conclusão das mais safadas
Sem dor sem penar

Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais seria
Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais


Músicos:
Piano - João Donato
Bateria - Wilson das Neves
Baixo Acústico - Alberto Continentino
Oboé / Corne Inglês - Harold Emert
Percussão - Don Chacal
Vibrafone e Marimba - Jota Moraes
Trompa - André Rafael

Vanessa da Mata - 2007


Vanessa da Mata - SIM


SIM - VANESSA DA MATA


O que ouço e só ouço exaustivamente

SIM
de Vanessa da Mata.

1. Vermelho
2. Fugiu com a Novela
3. Baú
4. Boa Sorte-Good Luck
5. Amado
6. Pirraça
7. Você Vai me Destruir
8. Absurdo
9. Quem Irá Nos Proteger
10. Ilegais
11. Quando Um Homem Tem Uma Mangueira No Quintal
12. Meu Deus
13. Minha Herança: Uma Flor

O link mágico

My 4shared (poesias mp3)

http://www.4shared.com/dir/428509/25d3d291/sharing.html

senha: vitoria

segunda-feira, junho 04, 2007

DISCOS, VÍDEOS, LIVROS À MANCHEIA




"(...) Os livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor táctil que votamos aos maços de cigarro. Domá-los, cultivá-los em aquários, em estantes, gaiolas e fogueiras. Ou lançá-los pra fora das janelas (talvez isso nos livre de lançarmo-nos) ou, o que é muito pior, por odiarmo-nos, podemos simplesmente escrever um: encher de vãs palavras muitas páginas, e de mais confusões as prateleiras. Tropeçavas nos astros desastrada, mas pra mim foste a estrela entre as estrelas."
.
[.. e deixe que digam, que pensem, que falem...]
.
Caetano Veloso

domingo, junho 03, 2007

O HOMEM PROVISÓRIO

Assisti a:

O Homem Provisório
Direção de Cacá Carvalho
SESCSP

Bela cenografia, atores com momentos extraordinários.
Trata-se da passagem do romance Grande sertão: veredas para forma de cordel. Nesta dupla passagem (do romance, de pois do cordel para o teatro) há problemas. Primeiro, simplifica e simultaneamente dificulta a apreensão da narrativa (e eu não estou considerando nem de longe a famosa polêmica que há entre "fidelidade à obra").
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Momentos belíssimos (aparição do pássaro, a cavalhada/comitiva, o desnudamento final de Diadorim, o pacto com o diabo de Riobaldo), cenografia inspirada (o cortinado mágico, com uso inteligente na composição de diversos planos da história (e camadas de significados). Mas há, igualmente, alguns recursos excessivos (as cabeças cortadas sobre os ombros dos atores (como as cabeças cortadas Lampião e seu bando) cerceando os movimentos dos atores. Há um excesso de elementos (e gestos) que desviam o foco do espectador, se a palavra rosiana (sua transcendência) deveria estar no centro da peça presentificada/vivificada, é ali (na peça) posta um pouco de canto. Acho que este é o grande "senão" de O homem provisório, onde se perde a mão, por que é o mau uso da linguagem que depõe, tristemente, contra a peça. A interpretação histriônica (inevitável, devido à mão pesada de Cacá Carvalho na direção), afasta os ouvidos do deleite, e impede a compreensão do que se diz.
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Muitas são as referências a Glauber Rocha (uma grande surpresa) na movimentação dos atores (Riobaldo a girar feito Coristo de Deus e o diabo na terra do sol), na circularidade/retomada da palavra, nas abruptas cenas de violência, nos momentos pontuados de "explosões" de fúria e desejo, o que revela a vontade de fazer da peça uma "alegoria" do sertão-mundo.
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No final, poderia ser melhor e maior se "menor". É isso mesmo, contraditoriamente, penso que o que faltou mesmo foi contensão, delicadeza (ah, pensei muito no "teatro enxuto" de Antunes Filho). Careceu mesmo é de "amor" e "confiança" na comunicabilidade do texto rosiano e não em seu "arremedo" (o "cordel" cearence). Aqui, para passar a complexidade do "homem provisório" em curso num mundo onde tudo é "perigoso", em busca da sua "realização plena", integral, poderia-se pensar em conter o ritmo exaltado, a ruminância de palavras, as "explosões" glauberianas cujo efeito e impacto funcionam bem na tela grande, mas desconcentra a platéia deste espetáculo que se apresenta para "um pequeno grupo de espectadores."