quarta-feira, janeiro 31, 2007

HEROES, A SÉRIE


Estou apaixonado por HEROES, séria estadunidense. Fascinado mesmo. Mas sou suspeito, adoro séries. O melhor da narrativa clássica, somada aos melhores enredos: Sex and City, Carnivále, Lost, Desperate Housewives, Medium, Smallville (ops), CSI, Prison Break, My name is Earl, 4.400. Adoro, sem ironia.


ECLESIASTES

[1]

1 Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.
2 Vaidade de vaidades, diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.
3 Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?
4 Uma geração vai-se, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre.
5 O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar donde nasce.
6 O vento vai para o sul, e faz o seu giro vai para o norte; volve-se e revolve-se na sua carreira, e retoma os seus circuitos.
7 Todos os ribeiros vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios correm, para ali continuam a correr.
8 Todas as coisas estão cheias de cansaço; ninguém o pode exprimir: os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
9 O que tem sido, isso é o que há de ser; e o que se tem feito, isso se tornará a fazer; nada há que seja novo debaixo do sol.
10 Há alguma coisa de que se possa dizer: Voê, isto é novo? ela já existiu nos séculos que foram antes de nós.
11 Já não há lembrança das gerações passadas; nem das gerações futuras haverá lembrança entre os que virão depois delas.
12 Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.
13 E apliquei o meu coração a inquirir e a investigar com sabedoria a respeito de tudo quanto se faz debaixo do céu; essa enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens para nela se exercitarem.
14 Atentei para todas as obras que se e fazem debaixo do sol; e eis que tudo era vaidade e desejo vão.
15 O que é torto não se pode endireitar; o que falta não se pode enumerar.
16 Falei comigo mesmo, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; na verdade, tenho tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento.
17 E apliquei o coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras; e vim a saber que também isso era desejo vão.
18 Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza.


[Escrevi um longo comentário sobre esta passagem bíblica, falava sobre meu cansaço pelo excesso de tudo: muitos filmes para ver, livros a ler, músicas a ouvir. Depois falei sobre por que acho relevante este texto; depois tratei de encadear longo comentário sobre por que acho importante a idéia de religião (e o que julgo sagrado); por que me irrita certo discurso ateista/marxista fácil e redutor. No fim falava no que julgo relevante, as relações entre poesia e divindade, Arte e Deus. Tudo perdeu-se quando a força elétrica desligou o computador sem que eu tivesse salvo o arquivo. É a vida.]

segunda-feira, janeiro 29, 2007

O CACHORRO

O cachorro

BOMBÓM, EL PERRO de Carlos Sorín

Sinopse

Juan Villegas (Juan Villegas) é um homem de 56 anos que, nos últimos 20 anos, trabalhou em um posto de gasolina localizado em uma pouco movimentada estrada da Patagônia. Após o posto ser vendido, os novos donos pensam em modernizá-lo e, com isso, Juan é demitido juntamente com os demais empregados. Enquanto busca um novo trabalho, Juan tenta sobreviver de uma velha paixão: confeccionar facas com cabos artesanais. A tentativa não dá certo e, com a idade que possui, fica ainda mais difícil conseguir outro emprego. Ao realizar um pequeno trabalho para uma senhora idosa que também passa por problemas financeiros, ela oferece a Juan um cachorro como pagamento. Inicialmente ele recusa, mas a senhora insiste e Juan termina por aceitá-lo. É quando a sorte de Juan começa a mudar.
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Título Original: El Perro
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (Argentina / Espanha): 2004
Estúdio: Romikin S.A. / Guacamole Films / OK Films / Wanda Visión S.A.
Distribuição: Fox Films do Brasil
Direção: Carlos Sorin
Roteiro: Santiago Calori, Salvador Roselli e Carlos Sorin
Produção: Óscar Kramer e José Maria Morales
Música: Nicolas Sorin
Fotografia: Hugo Colace
Desenho de Produção: Margarita Jusid
Figurino: Ruth Fisherman
Edição: Mohamed Rajid

sexta-feira, janeiro 26, 2007

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS

[Resolvi abrir o meu blog para participação especial de meus amigos incríveis pedindo-lhes notas especiais.
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Começamos com o pernambucaníssimo CONRADO FALBO: garoto internacional e, profundissimamente brasileiro, na tradição mais mario-andradiana: todos os livros de amor, todos os tratados de poesia, todas as rodas de dança e culto, todos os adágios populares, todas as artes do povo e para além do povo. Seguindo a tradição dos doutores-poetas (fez Direito num templo do Recife), ele está aí no meio do redemoinho, tocando (querendo muito tocar-nos) pela música, pela palavra, pelo pensamento, que é seu forte dom de moço franzino.
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Nele, o bom gosto e desencantada urgência de tudo ver, ouvir, e viver concede-lhe aquela angústia de existir em tempos dos louros concedidos à banda podre. É um garimpeiro tenaz, um menino-cão danado que eu já disse que é ser meio triste, meio pendente pro lado, nessa curvatura dos moços espertos e aflitos.
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Tendo feito a precária apresentação, está aí a notinha dele. Ouso dar o blog de seus poemas.
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E já aqui agradeço inaugurar no meu REVIDE as PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS]

PARA ATUALIZAR O REPERTÓRIO (Conrado)

Meu amigo Eduardo pediu que eu escrevesse uma notinha sobre “alguma coisa cultural que anda acontecendo por aí” para o seu blog REVIDE. Aqui vão algumas notinhas sobre música.
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Artistas ‘alternativos’ que conseguiram se livrar deste rótulo para atingir um público maior. Sem dúvida valem a escuta:

ANI DIFRANCO



Ani DiFranco - Cantora, compositora, violonista e poeta americana. Conhecida por suas canções ácidas e seu discurso politicamente engajado, Ani tem uma vasta produção (quase um disco por ano desde 1990). Além de cantar e tocar vários instrumentos, ela também atua nos bastidores da produção através do seu próprio selo musical, righteous babe records.

RUFUS WAINWRIGHT



Rufus Wainwright - Cantor e compositor canadense, lançou dois discos espetaculares antes de começar a chamar a atenção da mídia. Rufus consegue cantar suas músicas ao piano no melhor estilo dos musicais da Broadway sem soar exagerado. Hoje pode ser ouvido em participações nas trilhas sonoras de filmes como Brokeback Mountain, Moulin Rouge e O diário de Bridget Jones. Vale a pena escutar também a irmã de Rufus, Martha Wainwright.

CAMILLE



Camille - Cantora e compositora francesa, Camille também participa da banda Nouvelle Vague, que faz releituras divertidas de canções clássicas dos anos 80. Ela tem três discos solo, sendo o último ao vivo, e é uma das artistas mais criativas surgidas na França nos últimos tempos.

VOZES FEMININAS BRASILEIRAS

Vozes femininas brasileiras que você precisa ouvir (segundo CONRADO)

ROBERTA SÁ



Roberta Sá - Depois de participar do programa FAMA, da Globo, Roberta lançou seu disco de estréia, intitulado Braseiro. Ela reuniu o melhor da cena musical carioca (incluindo participações especiais de Ney Matogrosso e MPB4) para fazer um disco cheio de suíngue, com arranjos que privilegiam sua bela voz e as composições escolhidas, destacando sambas de várias compositoras brasileiras.


OUÇA

VIRGÍNIA ROSA



Virgínia Rosa - Uma das melhores vozes do Brasil na atualidade. Virgínia já cantou com Itamar Assumpção e acaba de lançar seu terceiro disco solo, chamado Samba a dois. Sempre acompanhada por músicos do primeiro time, ela consegue se apropriar de tudo o que canta e deixa sua marca pessoal tanto em canções bem conhecidas da MPB como nas composições dos novos artistas que escolhe para gravar.

CEUMAR




Ceumar - Cantora e compositora mineira radicada em São Paulo. Seus dois discos solo lhe renderam um público fiel que a acompanha sempre nos shows que faz pelo Brasil. Conquistou o segundo lugar do Festival de Música da TV Cultura defendendo a canção Achou!, de Luiz Tatit e Dante Ozzetti. A música batizou também o mais recente trabalho da cantora, em parceria com o compositor, violonista e arranjador Dante Ozzeti.

CONRADO

terça-feira, janeiro 23, 2007

Sobre o filme "A hora e vez de Augusto Matraga"

Texto excepcional de Eduardo Valente para CONTRACAMPO que coloco aqui com link para a íntegra do texto.

http://www.contracampo.com.br/27/fuzismatraga.htm


"Com a eclosão do Cinema Novo, ele [Roberto Santos] recebe uma segunda chance, e decide adaptar um conto de Guimarães Rosa, do livro "Sagarana". O conto, assim como acontecerá com o filme, se chama A Hora e a Vez de Augusto Matraga. Com ele Santos realiza o movimento típico deste primeiro Cinema Novo, passando do ambiente urbano de O Grande Momento para o sertão, embora não exatamente o sertão árido de outros filmes como Os Fuzis ou Vidas Secas e sim o interior de Minas Gerais, terra da maioria dos trabalhos de Rosa.

Desnecessário dizer que a narrativa de Rosa, com sua mistura de linguagem popular e erudita, sempre de grande oralidade, apresenta uma série de dificuldades de adaptação ao cinema. O conto narra a virada de um jagunço violento ("que nem cobra má, que quem vê tem que matar") que é abandonado pela mulher, filha e capangas, espancado por inimigos, e qu eresolve então esquecer o passado e começar vida nova num lugar distante. Trabalhador e crente em Deus, sabe que sua hora e sua vez vão chegar, o que acontece numa explosão final de violência.

Roberto Santos tem na mão, portanto, um prato cheio de temas e figuras típicas do imaginário brasileiro do sertão: a violência, o cangaço, o misticismo, a vingança, a desonra. Sua história, porém, não é a de um grupo, mas a transformação pessoal de um indivíduo. Roberto Santos sempre declarou ter especial afeição pelo "sujeito que é driblado pelas circunstâncias e pessoas; não me interessa o que dribla e faz o gol." Neste sentido, Matraga é o personagem perfeito para ele, um homem completamente perturbado, que começa como um grande calhorda, é humilhado e volta à vida como um crente que acredita ter recebido uma segunda chance, mas sempre ciente que sua hora há de chegar.

Ele tira da convivência entre a violência latente e a religiosidade no sertão o substrato do seu filme. Em vários momentos, anjinhos de quermesse dividem o enquadramento com jagunços, e o duelo final, uma das cenas mais famosas do cinema nacional, se passa dentro e às portas de uma igreja, onde explode a violência.

Esteticamente falando, o filme também possui uma cuidadosa fotografia que cria um preto e branco quase prateado. Aos cuidados de Hélio Silva, há ainda inúmeros enquadramentos e movimentos de câmera absolutamente originais, que tentam falar diretamente do estado mental perturbado desta figura quase mítica que é Matraga. Há alguns dos mais belos e significativos plongés e contraplongés do cinema brasileiro, e é feita inclusive uma citação ao clássico de Lima Barreto, O Cangaceiro. A trilha sonora é de Geraldo Vandré, cuja música tema continha no refrão uma afirmação que o próprio Santos considerava contrária à concepção ideológica que ele tinha do personagem ("Se alguém tem que morrer/ que seja para melhorar"), mas que ele decidiu manter em respeito à liberdade criativa do compositor.

Pode-se discutir que o principal nome na construção deste Matraga é mesmo o de Leonardo Villar, que tem uma interpretação estupenda como o personagem principal. Ele tem a capacidade de, com alguns olhares, conseguir ser tão direto e complexo quanto Guimarães Rosa em duas frases. Este tipo de ator era necessário para que o filme atingisse os resultados procurados, visto que é praticamente a odisséia deste personagem que é contada. No elenco há ainda um Mauricio do Valle que parece vir direto de Deus e o Diabo, além de Jofre Soares e Flávio Migliaccio.

Mas, o mérito de todo o sucesso da realização do filme é mesmo de Santos, que consegue criar imagens que dizem muito com o mínimo, como acontecia com as expressões que Rosa criava. Ele se mostra um inteligente adaptador, criando elipses que não há no conto, alongando cenas, introduzindo personagens, mas acima de tudo, transpondo linguagens. A cena final mostra sua capacidade de criar uma nova realidade a partir do conto, já que esta se passa numa casa no trabalho de Rosa, e no filme se passa numa igreja, emprestando um novo significado simbólico a todo o ritual sangrento que só pode terminar em morte.

No final, o grito de Matraga ("NÃÃÃÃOOOO!!) também surge como uma improvisação de Villar, que o próprio diretor não considerava a mais sutil das interpretações, mas que decide manter em respeito ao seu ator principal. Com Matraga, Roberto Santos parece buscar atingir os mesmos resultados que sempre foram atingidos por Guimarães Rosa: do regional, retirar a universalidade. E isso certamente está no filme, que não por acaso também resiste ao teste do tempo e aparece nessa lista dos mais importantes do cinema brasileiro. "

Eduardo Valente

TRANSCENDÊNCIA


A hora e vez de Augusto Matraga, 1968


A hora e vez


A hora e vez de Augusto Matraga


A hora e vez de Augusto Matraga, 1965


Brilhante Adaptação do conto de Sagarana para o cinema, pelo cineasta Roberto Santos, 1965



A Hora e Vez de Augusto Matraga

João Guimarães Rosa

Guimarães Rosa (1908-1967) converteu o sertão em linguagem, transferindo-o para o oco do coração do homem. Viver tornou-se, então, muito perigoso. Mas há de se a arriscar, como o fez Riobaldo, seu personagem mais conhecido, ao empreender a temível travessia do sertão da alma, o desafio do homem diante das forças do bem e do mal. Poeta? Prosador? Guimarães Rosa confunde os limites literários assim como os limites entre pensar e sentir. Dessa forma é que experimentamos o destino de seus personagens, como parte de nossos destinos, mas também refletimos sobre essas vidas para delas extrair as melhores lições. A Hora e vez de Augusto Matraga, narrativa que integrava o primeiro volume de contos do autor Sagarana (1967), é uma boa porta de entrada no universo encantado da fiçcão rosiana. Augusto Esteves, Nhô Augusto, Augusto Matraga (os três nomes se referem a um só personagem) são os passos da travessia de um homem ao encontro de seu destino - buscado e construído na dor, mas também na alegria, no encontro com o sagrado e no desfrute do mundano - sua hora e sua vez. Nhô Augusto era dono de gado e de gente. Mas, numa virada da vida, 'descendo ladeira abaixo' perdeu tudo, incluindo a mulher que fugiu com outro, levando-lhe a filha junto. A partir desse ponto a narrativa poderia decorrer da cobrança de uma dívida de honra, como aconselhou o empregado Quim: "...eu podia ter arresistido, mas era negócio de honra, com sangue só para o dono." No entanto, Nhô Augusto renuncia à vingança, mas não à honra, e se regozija ao fim, radiante, ao se deparar com a hora e vez de ser Matraga, o homem que escolheu ser. Homem capaz de agir com coragem, justiça, fraternidade e compaixão.

ROSA, Guimarães. A Hora e Vez de Augusto Matraga. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1996.

A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA

domingo, janeiro 21, 2007

CASSINO ROYALE


Assisti com meu amigo João ao Cassino Royale do James Bond do 007, entre um shop e outro aproveitamos para escrever nosso longa argentino de 1h20. Será que sai?

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Ualalapi

Ualalapi

UALALAPI, Ungulani Ba Ka Khosa


O que estou lendo: literatura africana/moçambicana

CACHORRO

CACHORRO (FILHOTE)

"Cachorro" em espanhol é a palavra que designa "cria", "filhote". E é sobre isso o filme.
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A irmã do protagonista é presa na Índia por porte de drogas, e o tio gay que deveria cuidar do sobrinho por duas semanas tem que assumir a "paternidade" postiça sem para isso ter que fingir ao garoto algo que não é. Para complicar, a avô exige a guarda do garoto e o chantageia com fotos comprometedoras, obrigando-o, dessa maneira, a afastar-se do menino. Muito triste, bonito, comovente.
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É um filme com condução convencional (clássica), mas que trata de um tema bastante polêmico; fazendo-o com imagens fortes (muitas pornográficas) com direito a menage trois gay (e o sujeito pondo camisinha em primeiro plano). Um filme sobre a vida privada dos "ursos", mas principalmente um filme sobre o amor fraterno, e o amor familiar. Mas "Cachorro" carece de algo que o afasta de ser realmente um grande filme. Se nas cenas há ousadia, a condução da trama resvala por vezes no morno; engendrado por cenas pouco dramática (na verdade, narrando mas não se aprofundando no drama, temeroso de saltos emocionais), como se o diretor temesse o kitch, ou pior, o melodrama. Talvez seja isto que impeça, na minha opinião, o "salto mortal" que tanto gosto nos filmes.

A Serpente




Escrita pelo brasileiro Nelson Rodrigues (a última das 17 peças que este autor nos deixou) é uma oportunidade para tomar contacto com uma dramaturgia que tem estado geralmente afastada dos nossos palcos – mas que é fundamental para que percebamos a verdadeira dimensão do teatro em português.

Sobre a peça podemos levantar o véu com um comentário de Sebastião Milaré:"... Nelson realiza uma pequena síntese de sua obra em A Serpente. Pequena, digo, porque é síntese contemplando alguns aspectos frequentes e centralizada na obsessão maior: o incesto, na variante do amor de irmãs pelo mesmo homem. (...)"

quarta-feira, janeiro 17, 2007

VALENTÍN



[Assisti ontem 16/01/2007 - Fechando aqueles filmes com a mirada da criança sobre um mundo adulto, mais cruel, e dentro do regime militar das lationo-americas: Katchtka, Machuca, O ano em que meus pais saíram de férias, e Valentín]

Lindo. Comovente. Impressinante o carisma do protagonista que nos ganha e domina desde a primeira cena.

Ode Aos Ratos

Rato de rua
Irrequieta criatura
Tribo em frenética proliferação
Lúbrico, libidinoso transeunte
Boca de estômago
Atrás do seu quinhão

Vão aos magotes
A dar com um pau
Levando o terror
Do parking ao living
Do shopping center ao léu
Do cano de esgoto
Pro topo do arranha-céu

Rato de rua
Aborígene do lodo
Fuça gelada
Couraça de sabão
Quase risonho
Profanador de tumba
Sobrevivente
À chacina e à lei do cão

Saqueador da metrópole
Tenaz roedor
De toda esperança
Estuporador da ilusão
Ó meu semelhante
Filho de Deus, meu irmão

EMBOLADA *
Rato
Rato que rói a roupa
Que rói a rapa do rei do morro
Que rói a roda do carro
Que rói o carro, que rói o ferro
Que rói o barro, rói o morro
Rato que rói o rato
Ra-rato, ra-rato
Roto que ri do roto
Que rói o farrapo
Do esfarra-rapado
Que mete a ripa, arranca rabo
Rato ruim
Rato que rói a rosa
Rói o riso da moça
E ruma rua arriba
Em sua rota de rato

Edu Lobo / Chico Buarque

[Depois da "Rata" de Caetano, por que não o "Rato" do Chico - uma música simplesmente extraordinária]

GANESH - गणेश



No Hinduísmo, Ganesha (Sânscrito: गणेश ou श्रीगणेश (quando usado para distinguir status de Senhor) (ou "senhor dos obstáculos," seu nome é também escrito como Ganesa e Ganesh, algumas vezes referido como Ganapati) é uma das mais conhecidas e veneradas representações de deus. Ele é o primeiro filho de Shiva e Parvati, e o "esposo" de Buddhi (também chamada Riddhi) e Siddhi. Ele é chamado também de Vinayaka em Kannada, Malayalam e Marathi, Vinayagar e Pillayar (em Tamil), e Vinayakudu em Telugu. 'Ga' simboliza Buddhi (intelecto) e 'Na' simboliza Vijnana (sabedoria). Ganesha é então considerado o mestre do intelecto e da sabedoria. Ele é representado como um deus amarelo ou vermelho, com uma grande barriga, quatro braços e a cabeça de elefante com uma única presa, montado em um rato. Ele é freqüentemente representado sentado, com uma perna levantada e curvada por cima da outra. Tipicamente seu nome é prefixado com o título Hindu de respeito 'Shri' ou Sri.

Ganesha é o símbolo das soluções lógicas, e deve ser interpretado como tal. Seu corpo é humano enquanto que a cabeça é de um elefante, e ao mesmo tempo, seu transporte (vahana) é um rato. Desta forma Ganesha representa uma solução lógica para os problemas, ou "Destruidor de Obstáculos". Sua consorte é Buddhi (um sinônimo de mente) e ele é adorado junto de Lakshmi (a deusa da abundância) pelos mercadores e homens de negócio. A razão sendo a solução lógica para os problemas e a prosperidade são inseparáveis.

O culto de Ganesha é amplamente difundido, mesmo fora da Índia. Seus devotos são chamados Ganapatyas.

Rocks

tatuou um ganesh na coxa
chegou com a boca roxa de botox
exigindo rocks
animais
metais
totais
letais
eu não dei letra
tu é gênia, gata, etc.
mas cê foi mesmo rata demais
meu grito inimigo é:
você foi mor rata comigo
você foi concreta e simplesmente
rata comigo demais,
rata comigo demais
rata

Caetano Veloso

ESSE BLOG É ÓTIMO

Tirei umas imagens deste blog, queria até recortar e colar o texto sobre palavrões, mas a gente tem que ter noção de limites. Então está aí o endereço, vale a pena clicar (premer).


http://a-praia.blogspot.com/2006_10_01_a-praia_archive.html

CAETANO VELOSO



Ainda sobre o novo álbum de Caetano Veloso, Cê,veja lá a faixa dez, "Porquê?". A letra mais insuportável do disco é também a mais debochada, porque reitera uma expressão portuguesa que se refere ao orgasmo ("estou me a vir"). No português mais light do Brasil a pergunta seria mais direta: "eu vou gozar, e você? Goza comigo, vai, neguinha".


Porquê?

Estou me a vir
e tu como é que te tens por dentro?
porquê não te vens também?

Caetano Veloso

IRRETORQUÍVEL

Reassumo meu amor absoluto pelas palavras:

IRRETORQUÍVEL é simplesmente IRRETORQUÍVEL!

CÊ, um grande disco de Caetano

Demora, demora, mas a gente vai ouvindo e acaba aprendendo a amar. Isso claro, fazendo aquele esforço para esquecer todas as bobagens que tem feito nosso querido mano Caetano durante o reinado absoluto de Paulinha, que lhe introduziu o bom gosto na vestimenta e o tornou tantas vezes sem sal na vida.

Para os afoitos

COSCUVILHAR

Esse verbo maravilhoso, quem usou foi um amigo meu em seu Orkut. Não conhecia. Fucei no meu HOUAISS eletrônico (meu Deus, como eu o amo) e estava lá, com significado, origem e me revelando ainda algo extraordinário, a origem da palavra cascavel (que me remeteu à Paula Lavigne e à canção que Caetano Veloso fez para ela). Vamos ao significado:



COSCUVILHAR

promover, estimular (intriga, boato); cascavilhar, fofocar, mexericar
Ex.: sem nada para fazer, vivia coscuvilhando

A origem é controversa, do mesmo modo que cascavilhar, pode ligar-se ao latim caccàbus,i 'panela, caçarola, frigideira' que, já na Antigüidade, se empregou para designar 'chocalho'. Confira a tradição hsp. sentidos figurados dos cognatos cascavel e coscosear

Cascavel, no caso, por causa do chocacho; não esquecendo, que "cascavel" figurativamente, é aquela pessoa maledicente, que "fala mal", que coscuvilha.

MINHA HOMENAGEM A PAULA LAVIGNE





OUTRO

Você nem vai me reconhecer
Quando eu passar por você...
de cara alegre e cruel
feliz e mau como um pau... duro
acendendo-se no escuro...

Cascavel,
Eriçada na moita,
Concentrada e afoita...

Eu... já chorei muito por você,
Também já fiz você chorar
Agora olhe pra lá porque
eu fui me embora...

Você nem vai me reconhecer
quando eu passar por você.

Caetano Veloso, em CÊ

terça-feira, janeiro 16, 2007

A torre de Babel, de Bruegel

Babel, de Alejandro Gonzáles Innaritu

O ilusionista


Adorei este filme

COISAS QUE TENHO LIDO E VISTO

O ilusionista,
Babel, Alejandro González Inarritu
Amores perros, Alejandro González Inarritu (revi)
O labirinto do fauno, Guillermo Del Toro
Pequena Miss Sunshine, Jonathan Dayton, Valerie Faris
O perfume, Tom Tykwer
Marcelo Mastroiani, a doce vida (domumentário)
Macunaima, Joaquim Pedro Andrade (revi)
“Kamchatka” (2002), de Marcelo Piñeyro
O pântano, Lucrécia Martel (revi)

Circuladô de fulô, Caetano Veloso (documentário)
Música é perfume, Maria Bethania (documentário)
Acustico MTV Lenine (show)
Cassia Eller, Rock in Rio (show)


Memórias de minhas putas tristes, Gabriel Garcia Marquez
Verdade tropical, Caetano Veloso (reli)
O amor nos tempos do cólera, Gabriel Garcia Marquez
Pequenas Memórias, José Saramago
Contos de Machado de Assis, Aguilar


ATUALMENTE
leio
UALALAPI, de Ungulani Ba Ka Khosa
(escritor africano)

O amor nos tempos do cólera, fragmento

"Refugiou-se no filho recém-nascido. Ela o sentira sair do seu corpo com o alívio de se livrar de algo que não era seu, e tinha sofrido com o próprio espanto ao comrpovar qu enão sentia o menor afeto por aquele bezerro nonato que a parteira lhe mostrou em carne viva, sujo de sebo e de sangue, e ocm a tripa umbilical enrolada no percoço. mas na solidão do palácio aprendeu a conhecê-lo, se conheceram, e descobriu com uma grande emoção que os filhos não são queridos por serem filhos e sim pela amizade que surge quando os criamos. Acabou por não suportar nada nem ninguem que não fosse ele na casa de sua desventura. (...)"

p. 256

O estilo, a inteligência, as palavras. Gabriel Garcia Marquez não inaugura uma outra forma de escrita, mas uma outra maneira de pensar o mundo, suas belezas e falências. Para mim, aos 18 anos foi uma descoberta da linguagem, dos sentimentos, das latino-americas, do mundo.

O amor nos tempos do cólera

O amor nos tempos do cólera

O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA

Hoje, 16 de janeiro de 2007, terminei a releitura de O amor nos tempos do cólera. Que livro mais extraordinário, e parece que melhora com o tempo. Breve virará filme com Fenanda Montenegro e tudo. Uma maravilha.

Trailer de O perfume

O perfume, brevidades

O perfume, de Patrick Suskind, um livro extraordinário (que virou, miraculosamente um best seller mundial). Não gosto da idéia de que seja a história de uma assassino, na verdade é a narrativa de um solitário crônico, um hermitão, ok.: um misantropo. A pomba e O contrabaixo, do mesmo autor, segue a mesma base. Um solitário com dificuldade de lidar com o mundo, e que sofre, e se sente emparelhado. Normalmente neuróticos, obcecados pelo controle minucioso sobre os detalhes da vida, não conseguem se relacionar com o mundo e as pessoas, e pânico em relação ao amor. Não só, mesmo com a tradução, as palavras de Suskind são de uma eficiência gloriosa. Considero o desfecho de O perfume tão maravilhoso, tão brilhante, só comparável aos belos -- e surpreendentes finais de -- Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez e de O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago. A obra, aliás, parece uma reação européia ao realismo fantástico dos latino-americanos.

O perfume

O perfume

O perfume

O perfume

O perfume, cartaz do filme

O perfume, de Tom Tykwer


O perfume, de Tom Tykwer
Adaptação da obra de Patrick Suskind

PEQUENA MISS SUNSHINE

Assisti em 13 de janeiro de 2007. O eixo é novamente a família e o tema do looser, tão caro para os americanos. Diverte com uma crítica ao modo de vida americano. A obsessão pelo sucesso, os padrões de comportamento ideais, o bom gosto, o racinalismo, o politicamente correto, tudo vai sendo dinamitado ao longo da história. A apresentação dos personagens se faz logo no inicio. A garotinha em frente à tevê imitando os gestos da Miss América, o pai apresentando um curso sobre motivação e sucesso para uma platéia de três ou quatro alunos, o avô cheirando cocaína no banheiro, o irmão no quarto exercitando-se neuroticamente e fazendo voto de silêncio, a mãe dentro do carro fumando e falando ao celular (afirmando não estar fumando), a visita ao irmão/tio gay que tentou suicídio por ter sido segundo em tudo, até no amor de um ex-aluno. O estopim da história é a viagem (falida) numa kombi amarela até o concurso bizarro de crianças (o Miss Sunshine). Tudo naufraga na viagem, um a um vão se mostrando derrotados ao longo da viagem, culminando na morte do avô com overdose, a fuga com o corpo "pois é importante não desistir". Cenas incríveis: a viagem numa motocicleta lentíssima e o fracasso do pai na venda de seu Programa de Motivação; a corrida para embarcar na kombi que só atinge a segunda marcha em movimento; a explosão emocional do filho que quebra o voto de silêncio ao descobrir que é dautônico, e não poderá realizar seu grande sonho: ser piloto. Fracasso após fracasso, todos tem que enfrentar suas derrotas: o tio reencontra o namorado que parte justamente com o seu rival (o 1o. aluno americano, intelectual famoso que escreve sobre Proust), a garotinha, no concurso, enfrentando uma série de garotinhas hiper competitivas, enfeitadas como "mini misses", bonecas de cera. O clímax do filme é o momento da apresentação final da garotinha, que dança como uma striper no palco, diante de mães atônitas. O salto mortal do filme, é quando cada um dos derrotados sobem ao palco e dançam com ela, tornando-se verdadeiramente uma família.

Uma comédia belíssima, um filme de atores.