quinta-feira, abril 27, 2006

Em memória do Orkut



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Eduardo 2006,
editado em 3X4 a revelar uma luz excessiva. Provavelmente problema de aura, ou de alma. Os descrentes dirão certamente que o que faltou foi competência do fotógrafo.
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Infiéis malditos, há um espaço reservado no inferno para todos vocês.
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Tirado do orkut

LEMBRANÇA DO MUNDO ANTIGO

Clara passeava no jardim com as crianças.
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou a relva para pegar um pássaro,
o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranqüilo em redor de Clara.

As crianças olhavam para o céu: não era proibido.
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo.
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,
esperava cartas que custavam a chegar,
nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!!
Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!!

Carlos Drummond de Andrade

in Sentimento do mundo

[Estou completamente Drummond neste abril de 2006, não sei por que, nao sei por que me atingiu novamente a poesia, pondo de lado de novo a prosa; talvez seja o adoecimento recente que tenha me lançado para dentro, apto a todas as subjetividades que, por vezes, são inimigas da prosa. Estou em tempo de doer, e me inclino para Drummond, e sua lírica tão anti-apoteótica. Penso em coisas prosaicas, e fiquei, nesses últimos meses, um tanto mais triste também, sem saber por quê. Não receio a tristeza, gosto dela, e me banho momentaneamente neste clima de indecisão. ]

IV - DE BOLSO

Do lado esquerdo carrego meus mortos.
Por isso caminho um pouco de banda.


Carlos Drummond de Andrade

























in "Cemitérios" de Fazendeiro do ar

sábado, abril 22, 2006

Ó DELICADOS!

























Ó DELICADOS!!!

VÓS QUE POUSAIS O AMOR SOBRE TERNOS VIOLINOS
OU, GROSSEIROS QUE O POUSAIS SOBRE OS METAIS!
VÓS OUTROS NÃO PODEIS FAZER COMO EU,
VIRAR-VOS PELO AVESSO
E SER TODO LÁBIOS

Maiakovski
Antotologia Poética
Max Limonad Ltda. 3a ed.
Trad. F. Carrera Guerra

Aquele que se dedica a esconder...

Aquele que se dedica a esconder do mundo sua própria natureza, está sendo enganado duas vezes: na primeira, tenta esconder aquilo que não conhece; depois, pensa tão mal de si mesmo que acha necessário esconder-se. Duas vezes enganado, ele não precisa perder suas ilusões senão uma vez. As longas caminahdas começam com um primeiro passo.

Luís Carlos Lisboa

AS COISAS

As coisas têm peso,
massa, volume, tamanho,
tempo, forma, cor,
posição, textura, duração,
densidade, cheiro, valor,
consistência, profundidade, contorno, temperatura,
função, aparência, preço,
destino, idade, sentido.

As coisas não têm paz.

CABIDE
















Estrutura dos perfís inertes
Veste o peito que não pulsa
Parte o corpo em suas vestes
Sustenta a espera, alinha os momentos
Verticalidade muda
Arco com ponta de flecha
Cravada no extremo sul
da horizontalidade de seu sorriso
Tenso ombro a promover o equilíbrio
Do invólucro da não-existência
Sucessão de interrogações sem resposta
Agarra-se ao mundo com curva resistência.

Simone Maia


PAIS E FILHOS

- Mãe... Por que tem tanto mosquito?
- Tira a mão daí.
- Se eu tirar vem mosquito, mãe.
- Tira a mão daí já!
- A senhora ainda tá brava com ele?
- Não, acho que não.
- Então por que a gente não tira ele daqui?
- Não sei...
- A gente podia pôr ele no quarto.
- Não. Não quero mais ele lá.
- Mãe... o papai não vai acordar?
- Não, acho que não.

in 100 coisas de Fernando Bonassi

(Acho esse texto absolutamente genial, tudo implícito, dramático, brilhante.)

sexta-feira, abril 21, 2006

DOUTORADO


Tese defendida em 10.04.2006
na Universidade de São Paulo

O sagrado nas estórias de João Guimarães Rosa e Mia Couto

Obtenção do título de Doutor com
Distinção e louvor, e indicação para publicação.

Um dia memorável.

REVIDE

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depois de um grande período sem atualização, como se o seu autor estivesse em coma
e portanto, sem pensar, ler, ver, escutar, interessar-se por coisa qualquer
REVIDE está de volta
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(mas lembremos que por isso mesmo o título do blog foi escolhido a dedo)
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se não entendeu:
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