domingo, abril 24, 2005


manto de Arthur Bispo do Rosário Posted by Hello

O menino e o burrico Posted by Hello

Ilustração do conto de fada que mais me instigou na infância Posted by Hello

Mundo-sertão Posted by Hello

Cabeça de Negro (a velha questão, fotografia é click ou arte?) Posted by Hello

terça-feira, abril 19, 2005

domingo, abril 17, 2005


Casa da personagem do meu curta GRAAL Posted by Hello

Hoje é dia de Maria, Globo/2005 Posted by Hello

Hoje é dia de Maria, 2005 Posted by Hello

Soberba, de Welles: uma face diante da morte Posted by Hello

Oração ao Tempo

Es um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que eu te digo
Tempo tempo tempo tempo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definitivo
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo

Caetano Veloso

17.04.2005

ANIVERSÁRIO DE EDUARDO AT

autor deste anti-blog, que pouco a pouco começa a se subjetivar.

Comentário irônico e corrosivo de quem vê já a vida com algum desencanto:

[A IDADE NÃO PESA, CANSA]

Sobre o autor de Agrestes

A peça "Dentro" foi escrita especialmente por Newton Moreno para a Mostra de Dramaturgia e a interpretação de Renato Borghi e Élcio Nogueira. "Vi algo apaixonante nos olhos destes dois criadores, prestes a mergulhar seus talentos neste projeto audacioso. Escreva algo bem louco, sugeriu Borghi à época. Escrevi sobre o amor. Escrevi sobre o que eu vi nos olhos deles", diz o autor. Newton Moreno, ator e dramaturgo, é bacharel em Artes Cênicas pela Unicamp, trabalhou com os diretores Márcio Aurélio, João da Neves, Maria Thaís e Verônica Fabrini. Como autor, escreveu "Deus Sabia de Tudo e Não Fez Nada", em cartaz há um ano em São Paulo, "Agreste", que integra o Ciclo de Leituras Dramáticas "Devassos na Dramaturgia", e as ainda inéditas "The Célio Cruz Show" e "Um Encontro Romântico Sem a Luz do Luar". "Dentro" tem direção de Nilton Bicudo, cenários e figurinos de Cyro Del Nero, música original de Cacá Machado e Marcos Azambuja, luz de Alessandra Domingues e Marcos Franja.

Reouvindo Chico Buarque, aqui com a face à mostra Posted by Hello

Crítica sobre Agrestes da Mostra de Curitiba

Pura tragédia

Fonte:Irene Roiko/FTC



João Nunes / Agência Anhangüera

São dois atores em cena: Paulo Marcelo e João Carlos Andreazza. Com um belíssimo texto de Newton Moreno e direção de Márcio Aurélio, com o grupo Razões Inversas, de São Paulo, Agreste soma-se a O Que Diz Molero e Otelo, como os três melhores espetáculos da Mostra Contemporânea do 13º Festival de Teatro de Curitiba.

Feito em formato de câmera, ou seja, com recursos mínimos e num curto espaço de tempo, o espetáculo narra uma tragédia nordestina, como sugere o nome. Sim, há coronéis, delegado escroto, secura, pobreza, mas não se trata de mais um espetáculo sobre a miséria social. O foco está nas relações pessoais e no preconceito. Dito assim, a história poderia se passar em qualquer lugar. Por que exatamente o Nordeste? Uma jornalista que cobre o festival comentou que o Nordeste é cenário perfeito para tragédias. É uma boa explicação.

A peça se divide em duas partes distintas. Abre com os dois atores, quase às escuras, falando ao microfone. Eles intercalam textos com luz mínima, que cresce lentamente. A cena é longa, mas reveladora da excelência do texto, cercado. É o melhor momento da peça, ainda que a encenação da segunda parte mostre a ótima direção de Márcio Aurélio.

A peça, narrada por dois homens, conta a história de um casal de lavradores – homem/mulher – que se encontra no sertão nordestino, se apaixona e vai viver uma vida simples e recatada numa casinha de barro. A vida transcorre sem grandes sobressaltos até que Everaldo morre. Tudo muda e a tragédia se consuma. Sendo um casal de homem e mulher, por que Márcio Aurélio optou por dois homens como narradores? A explicação tem a ver, justamente, com a morte de Everaldo. Se dito aqui, estragará toda a surpresa da história. Há quem ache que tal surpresa suplanta a própria encenação pela maneira como a história toma novo rumo. De qualquer maneira, vale a pena manter o suspense.

Poucas vezes o uso do vídeo é tão procedente em teatro como neste espetáculo. A imagem do vídeo mostra a casa e a secura do sertão de uma maneira singela, e adequadamente ilustrativa. Em geral, o vídeo tem sido usado no teatro como linguagem, quando o teatro não necessita dele. A não ser, como neste caso, porque ilustra, mas não se exibe, não está interessado em “mistura de linguagem” ou em espetáculo multimídia, ou algo que o valha.

Agrestes, 2005 Posted by Hello

AGRESTES, de Newton Moreno

No meio da seca, um casal de lavradores descobre o amor e resolve fugir, mesmo pressentindo que algo de perigoso pairava sobre eles. A esposa descobre o porquê dessa sensação apenas anos depois, quando seu marido morre. Essa mulher, machucada pela perda e sem entender a dimensão de seus atos, torna-se vítima do horror e intolerância de uma cidade.

Cia RAZÕES INVERSAS. Direção de arte e encenação Márcio Aurélio. Preparação Corporal Lu Favoreto e Marina Caron. Direção de Produção Leopoldo de Léo Jr. Programação Visual Paulo Marcello Elenco Maulo Marcello e João Carlos Andreazza Realização Companhia Razões Inversas Duração 60 minutos.

Assistido no Teatro do SESI em Prefeito Saladino, às 20h de 16/04/2005.

[Minimalista. Um deslumbramento de peça]

Este é o Rafael, bebê da minha grande amiga Sueli Posted by Hello

sábado, abril 16, 2005

sexta-feira, abril 15, 2005


PAI NOSSO Medieval Posted by Hello

O ESPELHO, de Tarkovski Posted by Hello

PATER NOSTER]

Pater noster qui es in caelis
santificetur nomen tuum
adveniat regnum tuum
fiat voluntas tua
sicut in caelo et in terra
panem nostrum supersubstantialem da nobis hodie
et dimitte nobis debita nostra
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris
et ne nos inducas in tentationem
sed libera nos a malo.


[evite traduções/traições: leia sempre o original]

AVINU SHEBA-SHAMAYYIM/
YITKADASH SHEMAYCHA/
TAVO MALKUTAYCHA/
YE-ASSEH RETZONCHA/
K'MO BA-SHAMAYYIM KAIN BA-ARETZ/
ET LECHEM HUKAYNU TEN-LONU HA-YOM/
U-SLACH LONU ET HOVOTHEYNU/
KA-ASHER SOLACHNU GAM ANACHNU L'HA-YAVAYNU/
VIH-AL TIVI-AYNU LI-Y'DAY NISA-YON/
KEE IM HAL-TZAYNU MIN HARAH



O PAI NOSSO

de acordo com a versão em aramaico

Ó Fonte da Manifestação! Pai-Mãe do Cosmo
Focaliza Tua Luz dentro de nós, tornando-a útil.
Estabelece Teu Reino de unidade agora.
Que Teu desejo uno atue com os nossos,
assim como em toda a luz e em todas as formas.
Dá-nos o que precisamos cada dia, em pão e percepção;
desfaz os laços dos erros que nos prendem,
assim como nós soltamos as amarras que mantemos da culpa dos outros.
Não deixe que coisas superficiais nos iludam.
Mas liberta-nos de tudo que nos aprisiona.
De ti nasce a vontade que tudo governa,
o poder e a força viva da ação,
a melodia que tudo embeleza
e de idade a idade tudo renova.

Amém.

Nana no palco com Bethania em Brasileirinho Posted by Hello

Retrato Pra Iaiá

[PRO INFERNO TODOS QUE ODEIAM OS LOS HERMANOS,
EU AMO ESTA CANÇÃO E MUITAS OUTRAS TAMBÉM]

Iaiá, se eu peco é na vontade
de ter um amor de verdade.
Pois é que assim, em ti, eu me atirei
e fui te encontrar
pra ver que eu me enganei.

Depois de ter vivido o óbvio utópico
- te beijar - e de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural ...
Eu fui praí te ver, te dizer:

Deixa ser.
Como será quando a gente se encontrar ?
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar.
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar.

De perto eu não quis ver
que toda a anunciação era vã.
Fui saber tão longe
- mesmo vc viu antes de mim -
que eu te olhando via uma outra mulher.
E agora o que sobrou:
Um filme no close pro fim.

Num retrato-falado eu fichado
exposto em diagnostico.
Especialistas analisam e sentenciam:
"Deixa ser como será.
Tudo posto em seu lugar".
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser.
Como será.
Eu já posto em "meu lugar"?
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê.


Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante

Circuladô de Fulô

[circuladô de fulô]



circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie porque eu não

posso guiá eviva quem já meu deu circuladô de fulô e ainda quem falta me

dá soando como um shamisen e feito apenas com um arame tenso um cabo e

uma lata velha num fim de festafeira no pino do sol a pino mas para

outros não existia aquela música não podia porque não podia popular

aquela música se não canta não é popular se não afina não tintina não

tarantina e no entanto puxada na tripa da miséria na tripa tensa da mais

megera miséria física e doendo doendo como um prego na palma da mão um

ferrugem prego cego na palma espalma da mão coração exposto como um nervo

tenso retenso um renegro prego cego durando na palma polpa da mão ao sol
enquanto vendem por magros cruzeiros aquelas cuias onde a boa forma é

magreza fina da matéria mofina forma de fome o barro malcozido no choco

do desgôsto até que os outros vomitem os seus pratos plásticos de bordados
rebordos estilo império para a megera miséria pois isto é popular para

os patronos do povo mas o povo cria mas o povo engenha mas o povo cavila

o povo é o inventalínguas na malícia da mestria no matreiro da maravilha

no visgo do improviso tenteando a travessia azeitava o eixo do sol

pois não tinha serventia metáfora pura ou quase o povo é o melhor artífice

no seu martelo galopado no crivo do impossível no vivo do inviável

no crisol do incrível do seu galope martelado e azeite e eixo do sol
mas aquele fio aquele fio aquele gumefio azucrinado dentedoendo como

um fio demente plangendo seu viúvo desacorde num ruivo brasa de uivo

esfaima circuladô de fulô circulado de fulô circuladô de fulôôô

porque eu não posso guiá veja este livro material de consumo este aodeus

aodemodarálivro que eu arrumo e desarrumo que eu uno e desuno vagagem

de vagamundo na virada do mundo que deus que demo te guie então porque eu

não posso não ouso não pouso não troço não toco não troco senão nos meus

miúdos nos meus réis nos meus anéis nos meus dez nos meus menos nos meus

nadas nas minhas penas nas antenas nas galenas nessas ninhas mais pequenas

chamadas de ninharias como veremos verbenas açúcares açucenas ou

circunstâncias somenas tudo isso eu sei não conta tudo isso desaponta não

sei mas ouça como canta louve como conta prove como dança e não peça que

eu te guie não peça despeça que eu te guie desguie que eu te peça promessa

que eu te fie me deixe me esqueça me largue me desamargue que no fim eu

acerto que no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim me reservo

e se verá que estou certo e se verá que tem jeito e se verá que está feito
que pelo torto fiz direito que quem faz cesto faz cento se não guio

não lamento pois o mestre que me ensinou já não dá ensinamento bagagem de

miramundo na miragem do segundo que pelo avesso fui destro sendo avesso

pelo sestro não guio porque não guio porque não posso guiá e não me peça

memento mas more no meu momento desmande meu mandamento e não fie desafie

e não confie desfie que pelo sim pelo não para mim prefiro o não

no senão do sim ponha o não no im de mim ponha o não o não será tua demão


Haroldo de Campos (São Paulo, 1929-2003) - Poema do livro Galáxias, p. s/n (SP: Ed. 34, 2004 [1984])

TARKOVSKI, frag. do livro Esculpir o Tempo

E o que são os momentos de iluminação, se não percepções instantâneas da verdade?
O significado da verdade religiosa é a esperança. A filosofia busca a verdade, definindo o significado da atividade humana, os limites da razão humana e o significado da existência, até mesmo quanto o filósofo chega à conclusão de que ela é absurda, e de que é vão todo esforço humano.

A função específica da arte não é, como comumente se imagina, expor idéias, difundir concepções ou servir de exemplo. O objetivo da arte é preparar uma pessoa para a morte, arar e cultivar sua alma, tornando-a capaz de voltar-se para o bem.

Ao se emocionar com uma obra-prima, uma pessoa começa a ouvir em si própria aquele mesmo chamado da verdade que levou o artista a cria-la. Quando se estabelece uma ligação entre a obra e o seu espectador, este vivencia uma comoção espiritual sublime e purificadora. Dentro dessa aura que liga as obras-primas e o publico, os melhores aspectos das nossas almas dão-nos a conhecer, e ansiamos por sua libertação. Nesses momentos, reconhecemos e descobrimos nós mesmos, chegando às profundidades insondáveis do nosso próprio potencial e às ultimas instancias de nossas emoções.

Maria (Better) Bethania Posted by Hello

terça-feira, abril 12, 2005

Yáyá Massemba

Roberto Mendes / Capinam



Que noite mais funda, Calunga

No porão de um navio negreiro

Que viagem mais longa, Candonga

Ouvindo o batuque das ondas

Compasso de um coração de pássaro

No fundo do cativeiro

É o semba do mundo, Calunga

Batendo samba em meu peito

Kaô Kabiesilê Kaô ôô

Okê arô okê

Quem me pariu

Foi o ventre de um navio

Quem me ouviu

Foi o vento no vazio

Do ventre escuro de um porão

Vou baixar no seu terreiro

Epa raio, machado, trovão

Epa justiça de guerreiro

Ê semba ê ê samba á

O batuque das ondas

Nas noites mais longas

Me ensinou a cantar

Ê semba ê samba á

Dor é o lugar mais fundo

É o umbigo do mundo

É o fundo do mar

Ê semba ê samba á

No balanço das ondas

Okê arô

Me ensinou a bater seu tambor

Ê semba ê samba á

No escuro porão veio o clarão

Do giro do mundo



Que noite mais funda, Calunga ….



Vou baixar no seu terreiro

Epa raio, machado, trovão

Epa justiça de guerreiro

Ê semba ê ê samba á

É o céu que cobriu nas noites de frio

Minha solidão

Ê semba ê ê samba á

É oceano sem fim sem amor sem irmã

Ê kaô quero ser seu tambor

Ê semba ê samba á

Eu faço a lua brilhar

O esplendor e clarão

Luar de Luanda em meu coração



Umbigo da cor

Abrigo da dor

A primiera umbigada

Massemba yáyá

Massemba é o samba que dá



Vou aprender a ler

Pra ensinar os meu camaradas!

CANÇÕES DE BRASILEIRINHO

1. Salve as folhas
(Gerônimo / Ildásio Tavares)

2. Poema „O descubrimento” (trecho / Mário de
Andrade)

3. Yáyá Massemba (Roberto Mendes / Capinam)

4. Maria Bethania
4. Capitão do Mato (Paulo César Pinheiro / Vicente
Barreto)

5. Cabocla Jurema (Domínio público – Adaptação Rosinha de Valença)

6. Ponto de Janaina (Domínio público)


7. Poema „O poeta come
amendoim” (trecho / Mário de Andrade)

8. Santo Antônio (Jota Velloso)

9. Padroeiro do Brasil (Ary Monteiro / Irany de
Oliveira)


10. São João Xangô Menino (Caetano Veloso / Gilberto
Gil)

11. Ponta de Macumba (Recolhido e adaptado por Eli
Camargo)

12. Citação de “Barra da Vaca”
(João Guimarães Rosa)

13. Cigarro de Paia (Armando Cavalcanti / Klecius
Caldas)

14. Boiadeiro (Armando Cavalcanti / Klecius Caldas)

15. Citação de “Grande Sertão
Veredes” (João Guimarães Rosa)

16. Sussuarana (Heckel Tavares / Luiz Peixoto)

17. Senhor da floresta (René Bittencourt / Augusto
Calheiros)

18. Citação de “Manuelzão e
Miguilim” (João Guimarães Rosa)

19. Purificar o subaé (Caetano Veloso)

20. Cantiga para Janaína (2) (Domínio público)

21. Poema „Pátria minha” (trecho / Vinícius de
Moraes)

22. Melodia sentimental (Heitor Vila-Lobos - Dora
Vasconselos)

Brasileirinho, completamente apaixonante Posted by Hello

Eduardo Posted by Hello