domingo, junho 12, 2005

ALGORITMO

La palabra "algoritmo" es de origen árabe. Viene de "al-Khwārizmī", sobrenombre del célebre matemático Mohamed ben Musa. Khwārizmī quiere decir "de Khwārizm", el estado donde nació Ben Musa. Al-Khwārizmī vivió en entre los años 780-840.

sábado, junho 04, 2005

A morte de Ivan Ilitch

Durante três dias inteiros, nos quais o tempo deixou de existir para ele, debateu-se contra aquele saco negro, para dentro do qual era empurrado por uma força invisível e irresistível. debatia-se como um condenado à morte nas mão do carrasco, sabendo que não poderia escapar. E a cada segundo percebia que, não obstante seus desesperados esforços, mais se aproximava daquilo que o atemorizava. Sentiu que a sua agonia era devida à penetração no saco negro e ainda mais pelo fato de não poder escorregar logo para dentro dele. E o que o impedia de entrar era convicção de que a sua existência tinha sido boa. E tal justificativa o retinha, impedia de ir para frente, e o torturava mais que tudo.

Súbito, uma força desconhecida vibrou no lado do seu peito um violento golpe, que lhe cortou a respiração, e ele entrou no saco e, lá bem no fundo, viu brilhar uma luz. Experimentou, então, o que antes já experimentara num trem -- quando pensava que estava andando para frente, e o trem recuava, bruscamente verificara a verdadeira direção da marcha.

LIEV TOLSTÓI

terça-feira, maio 24, 2005

MORTE DA DÉTE

No dia 25 de maio de 2005.
Visitei-a na terça anterior.
Dia tristíssimo.

domingo, maio 08, 2005

Rock das Cachorra

Eduardo Dusek


Troque seu cachorro por uma criança pobre
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre

Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro por uma criança pobre

Tem muita gente por aí que está querendo levar uma vida de cão
Eu conheço um garotinho que queria ter nascido pastor-alemão
Esse é o rock de despedida pra minha cachorrinha chamada "sua-mãe"

É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe

Esse é o rock de despedida pra cachorra "Sua-mãe)

Seja mais humano, seja menos canino
Dê güarita pro cachorro, mas também dê pro menino
Se não um dia desse você vai amanhecer latindo,
uau, uau, uau

Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau

Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau

Elza Soares, divina negra Posted by Hello

A carne

(Marcelo Yuka / Seu Jorge / Wilson Cappellette)



A carne mais barata do mercado é a carne negra

Que vai de graça pro presídio e para debaixo do plástico

E vai de graça pro subemprego e pros hospitais psiquiátricos

A carne mais barata do mercado é a carne negra



Que fez e faz história

Segurando esse país no braço (meu irmao)

O gado aqui nao se sente revoltado

Porque o revólver já está engatilhado

E o vingador é lento

Mas muito bem intencionado



E esse país vai deixando todo mundo preto

E o cabelo esticado

Mas mesmo assim ainda guarda o direito

De algum antepassado da cor



Brigar, sutimmente, por respeito

Brigar, bravamente, por respeito

Brigar por justiça e respeito

De algum antepassado da cor

Brigar

Salve ELZA SOARES Posted by Hello

quarta-feira, maio 04, 2005

Frag. de "Joãotónio, no enquanto"

Se descanse, senhor. Corpo de mulher não basta ter qualidades: é preciso ter qualificações.

E a qualificada prostituta prosseguiu. Falou conversas deslocadas, quem sabe se para aumentar o preço das lições. Zeitona deixaria as virgindades mais arrependida que aquela, única que concebeu sem pecado. Pois, ela conhecia era a versão do exacto: Virgem Maria tinha, afinal recusado a visita do Espírito Santo. Respondera nestes termos: ter filho sem fazer amor? Qual o gozo? Deitar fora o prato e ficar com o arroto? É essa a lição que vou dar a Zeitona: nada de platonismos: sexo à primeira vista.”

in Estórias Abensonhadas de Mia Couto, p. 89.

LUXO Posted by Hello

terça-feira, maio 03, 2005

Guimarães Rosa escreve para o Tradutor Italiano

Primeiro, precisarei de tagarelar também um pouco sobre o livro, as outras novelas. Quero afirmar a Você que, quando escrevi, não foi partindo de pressupostos intelectualizantes, nem cumprindo nenhum planejamento cerebrino cerebral deliberado. Ao contrário, tudo, ou quase tudo, foi efervescência de caos, trabalho quase “mediúmnico” e elaboração subconsciente. Depois, então, do livro pronto e publicado, vim achando nele muita coisa; às vezes, coisas que se haviam urdido por si mesmas, muito milagrosamente. Muita coisa dele, livro, e muita coisa de mim mesmo. Os críticos e analistas descobriram outras, com as quais tive de concordar. Algumas delas é que vou expor aqui a Você -- ainda que sem esperança de lhe mostrar nada de novo.
Sem modéstia, porque tudo isto de modo muito reles, apenas posso dizer a Você o que Você já sabe: que sou profundamente, essencialmente religioso, ainda que fora do rótulo estricto e das fileiras de qualquer confissão ou seita; antes, talvez, como o Riobaldo do “G.S.:V.”, pertença eu a todas e especulativo, demais. Daí todas as minhas, constantes, preocupações religiosas, metafísicas, beberem os meus livros. Talvez maio-existencialista-cristao (alguns me classificam assim), meio neoplatônico (outros me carimbam disso), e sempre impregnado de hinduísmo (conforme terceiros). Os livros são como eu sou.
E eu mesmo fiquei espantado de ver, a posteriori, como as novelas, umas mais, outras menos, desenvolvem temas que poderiam filiar-se, de algum modo, aos “Diálogos”, remotamente, ou às “Eneadas”, ou ter nos velhos textos hindus qualquer raizinha de partida. Daí, as epígrafes de Plotino e Ruysbroeck.
Por outro lado, o sertão é de suma autenticidade, total. Quando eu escrevi o livro, eu vinha de lá, dominado pela vida e paisagem sertanejas. Por isto mesmo, acho, hoje, que há nele certo exagero na massa da documentação.
Ora, Você já notou, decerto, que, como eu, os meus livros, em essência, são “antiintelectuais” -- defendem o altíssimo primado da intuição, da revelação, da inspiração, sobre o bruxolear presunçoso da inteligência reflexiva, da razão, a megera cartesiana. Quero ficar com o Tao, com os Vedas e Upanixades, com os Evangelistas e São Paulo, com Platão, com Plotino, com Bérgson, com Berdiaeff -- com Cristo, principalmente. Por isto mesmo, como apreço de essência e acentuação, assim gostaria de considera-los: a) cenário e realidade sertaneja: 1 ponto; b) ernredo: 2 pontos; c) poesia: 3 pontos; d) valor metafísico religioso: 4 pontos. Naturalmente, isto é subjetivo, traduz só a apreciação do autor, e do que o autor gostaria, hoje, que o livro fosse. Mas, em arte, não vale a intenção. Dei toda esta volta, só para reafirmar a Você que os livros, o “Corpo de Baile” principalmente, foram escritos, penso eu, neste espírito.

domingo, abril 24, 2005


manto de Arthur Bispo do Rosário Posted by Hello

O menino e o burrico Posted by Hello

Ilustração do conto de fada que mais me instigou na infância Posted by Hello

Mundo-sertão Posted by Hello

Cabeça de Negro (a velha questão, fotografia é click ou arte?) Posted by Hello

terça-feira, abril 19, 2005

domingo, abril 17, 2005


Casa da personagem do meu curta GRAAL Posted by Hello

Hoje é dia de Maria, Globo/2005 Posted by Hello

Hoje é dia de Maria, 2005 Posted by Hello

Soberba, de Welles: uma face diante da morte Posted by Hello

Oração ao Tempo

Es um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que eu te digo
Tempo tempo tempo tempo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definitivo
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo

Caetano Veloso

17.04.2005

ANIVERSÁRIO DE EDUARDO AT

autor deste anti-blog, que pouco a pouco começa a se subjetivar.

Comentário irônico e corrosivo de quem vê já a vida com algum desencanto:

[A IDADE NÃO PESA, CANSA]

Sobre o autor de Agrestes

A peça "Dentro" foi escrita especialmente por Newton Moreno para a Mostra de Dramaturgia e a interpretação de Renato Borghi e Élcio Nogueira. "Vi algo apaixonante nos olhos destes dois criadores, prestes a mergulhar seus talentos neste projeto audacioso. Escreva algo bem louco, sugeriu Borghi à época. Escrevi sobre o amor. Escrevi sobre o que eu vi nos olhos deles", diz o autor. Newton Moreno, ator e dramaturgo, é bacharel em Artes Cênicas pela Unicamp, trabalhou com os diretores Márcio Aurélio, João da Neves, Maria Thaís e Verônica Fabrini. Como autor, escreveu "Deus Sabia de Tudo e Não Fez Nada", em cartaz há um ano em São Paulo, "Agreste", que integra o Ciclo de Leituras Dramáticas "Devassos na Dramaturgia", e as ainda inéditas "The Célio Cruz Show" e "Um Encontro Romântico Sem a Luz do Luar". "Dentro" tem direção de Nilton Bicudo, cenários e figurinos de Cyro Del Nero, música original de Cacá Machado e Marcos Azambuja, luz de Alessandra Domingues e Marcos Franja.

Reouvindo Chico Buarque, aqui com a face à mostra Posted by Hello