quinta-feira, setembro 22, 2016

quinta-feira, setembro 15, 2016

Apologia Às Virgens Mães

Quantos tempos teceram teus vestidos de lã?
Quantas tranças os tempos fizeram traçar teus cabelos?
Quantos beiços beberam do teu peito o afã?
E dos seios sugaram o sulco sem dor, dos teus zelos
Senhora de saia, de ventre pré-destino
Quantos tempos cruzaram num ponto de cruz teu destino?

Mães de Jesus, oh virgens, todas virgens

Já choraram teu choro, prantos correm na história
Feito rio que erode do espaço às margens: trajetória
E dum traje contido, de branco e grinalda na média
Abusaram o desejo do corpo e teu sonho trajou de tragédia
Menina de saia de gozo pré-extinto
Quantos tempos bordaram o calado bordel de teu instinto?

Mães de Jesus, oh virgens, todas virgens

[Na sacola da feira, tem de besteira a feijão
Tem também muitas eras de carga alçada em tua mão
Pudera ter tempo, senhora, tanto tempo pudera e tem
Do fruto da feira, vambora, tempos colheitas de tempo têm
Deles, tantos puseram, oh dona, de peso no saco da feira
Se de Madalena o filho, Madona,
Pesa mais: Não tem eira nem beira

Não tem eira nem beira, nem eira nem beira.]


[Acho essa canção/blues de As bahias e a cozinha mineira, realmente EXTRAORDINÁRIA, como uma possibilidade de saída MAIOR para uma MPB que se apequenou na nova geração, com garotos anêmicos emulando Los hermanos e cantatrizes com voz de crianças de sete anos. A letra complexa e o cantar inteligente]

Mulher, cd de As bahias e a cozinha mineira


O que ouço.

Uma dedicatória a Lucas no Cem anos de solidão

Lucas,

este livro foi o primeiro livro do Gabriel Garcia Marquez que eu li; tinha 17 anos, estava no colégio e quem o apresentou para mim foi minha amiga Érica. A amizade passou, ou melhor, perdeu-se como se perde tudo com o tempo. A descoberta deste livro permanece, como permanece em mim a descoberta de Macondo e seus viventes que não são menos reais do que tantas pessoas que conheci. Uma boa definição de literatura não é o cânone; literatura é o que fica, não como as fotos, os filmes que ficam datados nas roupas, falas, modos: matéria do passado. Os livros são atos e pensamentos que permanecem vivos e se renovam a cada leitura, enquanto nós, viventes, vamos todos para o esquecimento. Se esta dedicatória se alonga demasiadamente é para que também permaneça este dia, este pensamento, este nosso encontro, iniciado também com palavras. Escrevo a você para continuar existindo e existo agora, neste livro, para além do esquecimento.

[A dedicatória escrita na página de rosto do tem uns 15 anos, por aí, e seguimos...]

Depois do prazer



DEPOIS DO PRAZER

Tô fazendo amor com outra pessoa
Mas meu coração, vai ser pra sempre teu
O que o corpo faz a alma perdoa
Tanta solidão, quase me enlouqueceu

Vou falar que é amor
Vou jurar que é paixão
E dizer o que eu sinto com todo carinho
Pensando em você
Vou fazer o que for e com toda emoção
A verdade é que eu minto, que eu vivo sozinho
Não sei te esquecer

E depois acabou, ilusão que eu criei
Emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr
Já não sei quem me amou
Que será que eu falei?
Dá pra ver nessa hora que o amor só se mede
Depois do prazer


Fica dentro do meu peito
Sempre uma saudade
Só pensando no teu jeito
Eu amo de verdade
E quando desejo vem
É teu nome que eu chamo
Posso até gostar de alguém
Mas é você que eu amo

Vou falar que é amor
Vou jurar que é paixão
E dizer o que eu sinto com todo carinho
Pensando em você
Vou fazer o que for e com toda emoção
A verdade é que eu minto, que eu vivo sozinho
Não sei te esquecer
E depois acabou, ilusão que eu criei
Emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr
Já não sei quem me amou Que será que eu falei?
Dá pra ver nessa hora que o amor só se mede
Depois do prazer

[Hoje, no mercado Baronesa, no Zaíra, estava comprando batata e outros legumes quando essa música toca nos altofalantes do mercado. E eu que nunca tinha escutado direito essa música, ou reparado na letra, descubro que ela é realmente bonita e diz muito do que se sente no fim de um amor.]

E ontem eu vi o Vittorino


Poesia & Prosa com Maria Bethania - Episódio: Clarice Lispector


quarta-feira, setembro 14, 2016

Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice


Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 –onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era "You Oughta Know", da Alanis.

Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.

Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS.

Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois —acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela.

Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "How I Met Your Mother". Mais que no começo de "Up". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo.

Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme —e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.

GREGORIO DUVIVIER

quarta-feira, setembro 07, 2016

Um microconto do Cleyton Cabral

Aquarius, de Kleber Mendonça Filho


Assisti no Belas Artes, com Cecile. Este filme que traz de volta o rosto de Sônia Braga. Há tanto para se dizer deste filme e pouco tempo para fazê-lo.


Espanta tudo que parece tão simples, tão pouco espetacular, e vai nos angustiando numa tensão insuportável, em que Clara/Braga transita com uma ética extraordinária, uma força e uma resistência ante um mundo de tensões e agressividade velada. Kleber consegue transportar o clima que vivemos atualmente para o filme, em que os perversos invadem e expulsam em nome do dinheiro e do poder o espaço dos bons, dos não domesticados. É um filme que me atinge tão profundamente que simplesmente não consigo falar suficientemente sobre ele. 


E é lindo ver a felicidade verdadeira no rosto de Sônia Braga.

sexta-feira, setembro 02, 2016

As senadoras: Gleisi Hoffmann, Vanessa Grazziotin, Regina Sousa

 Gleisi Hoffmann


Vanessa Grazziotin



 Sen. Regina Sousa

 
Minha admiração pelas mulheres que lutam tão bravamente; e indiferente de qualquer resultado, não há derrota diante dessas pessoas fortes e inspiradoras.






Dia 31 de agosto de 2016 - O dia do Golpe.




Então houve a destituição da presidente democraticamente eleita Dilma Rousseff, por uma bancada de bandidos.



quarta-feira, agosto 31, 2016

Folha: a porta voz do Golpe



Jornal com este aparato policial só pode ser instrumento desse poder q trabalha dia e noite contra a população.

terça-feira, agosto 30, 2016

Desvios

Como quando sinto que a vida está parada demais, encaminho mudanças. Essas de agora são radicais, mas necessárias. 


e seguimos. 

Aniversário da irmã



Hoje minha irmã muito amada faz aniversário. Desejo a ela um dia tranquilo e harmonioso, com belas mensagens e declarações sinceras de afeto, amizade, amor. E para os demais dias do ano, da vida, tudo se converta em verdade e ela tenha apoio, lealdade, ternura, delicadeza. Desejo que isso a faça feliz, mas também que a fortaleça nas lutas diárias e ela siga sendo a mulher vitoriosa que ela é. E assim, entre desafios e as realizações caibam sempre a sua felicidade, ou melhor, a nossa, pois isso também me alegra e fortalece. Parabéns, amada irmã.