Domingo, Novembro 29, 2009


Alguns dos livros comprados

Sábado, Novembro 28, 2009

Carta para BB


Cara BB.,


a saudade maior do mundo de você. mas não tanta, que não me faça sair daqui depois da sexta e ir lá na usp buscar uns livros naquela feira que de tão única só se apresenta nesses quase-finais de novembro. passei no banco, peguei grana e fui. trem, metro, baldeação, baldeação, baldeação e eis na Madalena, aquela escada rolante infinita, e o ônibus lá a frente. não, BB querida, não vou de ponte-orca, demora séculos descer, atravessar aquela curva de carros que vem a cem e pode matar qualquer um, pode me matar também. você quer que eu morra, BB? o que acontece é que já são quase 3 da tarde e estou torrando no ônibus quando o motorista resolve dar partida. o tempo de quatro ou mais canções no mp3 recalcitante, culpa do ideológico fone de ouvido que só desfila canção no ouvido esquerdo. mp3player coreano e comunista, desses de passar por cima de pacifista na praça da paz celestial. mesmo assim BB, você sabe que isso não é problema, eu sou do improviso, boto olhos perspectivos na gente universitária que vai no ônibus. vao ensimesmados, lendo  trepidantes cópias xerox. vao ensimesmados, uspianos até o osso. igual como éramos, eu sou um pouco, não perdi o hábito de descolar retina em coletivos. então, BB, sucede entrar na cidade universitária, dou conta então que senti grandes saudades, que faz tempo demais que não vou lá, e rever é constatar mudanças, eu que quero tenho esse desejo petrificado de permanência. cogito buscar o diploma que já pedi há tanto tanto tempo. preciso do diploma. daquele que ateste minha competência. que reconheça quem sou, para que eu  própria me reconheça. para que seja. preciso talvez para ser mais do que sinto ser enquanto o ônibus faz aquela curva fatal, pois todo motorista é um menino frustrado de montanhas-russas. minha cabeça fica ainda lá atrás, no diploma, pensando que botam na parede emoldurado para apaziguar o espírito conquistador, ou por fetiche exibicionista, ou para autoconvencimento, já que vivemos em eras de incerteza. então dou conta da parada brusca, fora do desobediente ponto onde despongo num salto no gramado ante o grande prédio histórico da história. a feira é longa, ocupa todo o pátio, o centro, uns quadriláteros com carteiras com gente dentro que lembra feira de ciências em escola pública. cada editora ter seu espaço delimitado, com vendedores excitados ou cheios de tédio em torno de caixas e livros. bastante gente, bastantes livros, livros em pilhas, andar fica impraticável, sacolas pesam nos braços, o ar irrespirável e livros. tanto de dostoievski e kafka e candido e extremos hobsbawm e a morte da tragédia na grécia e quadrinhos de crumb e mulheres nuas do manara com mangás e tantos e tantos livros sobre machado de assis que se vendem! zanzo banzo horas sem me interessar por quase nada, até parar ali na cosac naify. então encontro tudo. 50%, sabe? compro ali os livros mais bonitos do mundo. me deixo levar. resisto ao claude levi strauss tão sedutor do cru e cozido à gênese dos talheres na mesa. a prova de resistência é não ceder, não levar tudo que queira. idade média, minha perdição, se compro enrolo, acabo naquela leitura aos saltos, daqui a uns dez anos terei lido o livro aerobicamente. sabe como sou. eu não mudo mais. eu vou ser pra sempre esse mortal desatento. ia passar no serrano. esqueço. buscar o diploma para ser. esqueço. de comer, esqueço também. as horas passam. tenho que pegar uma coca. desaba uma chuva dos diabos, mas ninguém dá por ela. a universitariada mais linda que há comprando livros, roçando braço a braço na luta por espaço para escolher o que se dispõe a mesa como banquete. exaustos, festivos e compenetrados, com nomes e listas cheias de consoantes fricativas. pego quase tudo na cosac, uma fortuna, e zanzo mais: livros infantis para pedro e para o Gabriel. na língua geral uns africanos. uns contemporâneos de 3 e 5 noutra banca, de encalhe. e o dia acaba comigo procurando um banheiro com que lavar o rosto. o peso danado. Imprestável estado com que vou embora, parar naquele ponto. eu e buñuel. eu e orides. eu e virgínia woolf. eu e zazie no metro, depois de quase meia hora à espera. e tudo de volta até chegar aqui pela meia-noite enquanto mando mensagens engraçadinhas no msn. mas tudo vale, é tolo, eu sei, mas esses livros todos me fazem um cara mais feliz. e eu penso "onde vou por tanto livro?" , meus arquivos de metal arriam ao peso de muita obra lida e se não lida à espera de um dia que eu lhes pertença. (porque, não sei se é assim com você, mas comigo há sempre o revés do amor em excesso, vira preocupação, angústia. E o que a gente faz com a angústia daquilo que antes nos fizera feliz?). não sei, BB. eu guardo, pesam nos armários, mas não esqueço, tão prestativos meus sagrados livros, esperando por mim, meigamente. BB, sabe do que falo: dor feliz?


e é só isso. posto no blog, sem selo e/ou saliva, a que sobra é para mandar beijo. Beijo.


E, claro,  as mais cordiais e arcaicas saudações neste teu coração de lápis-lazúli


Edu

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Ensimesmando o Revide





Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Relatório

Internet caindo a cada dez minutos. Telefone mudo. Notícias por email do marido de uma amiga muito querida que morreu recentemente. Amigas também doentes e o mundo em volta desabando sem que você saiba o que dizer, sem poder participar agora com sua presença. O pedido para ser padrinho de casamento. Email simpático. Cães e gatos alagando a casa. Academia. Academia. Academia. Muito esforço e pouco resultado. Vegetais estragando na geladeira. Procrastinações várias. Perspectivas de viagens. Caos generalizado na casa. Indecisão quanto a uma compra. Problemas salariais. Dentes desobedientes. História Concisa da Literatura Brasileira de Alfredo Bosi. Entrevista ontem no café do Sesc Paulista para revista Problemas Brasileiros com um Jornalista bacanérrimo. Fones de ouvido e camiseta Hering preta em V. DVDs três por dez: A festa da menina morta, Mutum e A história de Jane Austen. Feira de Livro na USP, botar tanta tralha onde? Irritabilidade ou desencanto comigo, ou as duas coisas somadas porque de repente a visão clara de que não posso corresponder as expectativas, os projetos todos, etc etc. A minha condição mortal gritando em problemas físicos que vão se agravando, como aqueles carros que envelhecem sem balanceamento e manutenção. Preguiça, preguiça sempre, como enguiço, como soluço, pigarro, como uma lesera crescente. Calor e suor nestes dias paulistanos quentes  demais.

Julie & Julia



[De madrugada assisti a este filme que tem uma narrativa convencional, que flui maravilhosamente bem, e trata de pessoas boas, pessoas felizes, pessoas que amam cozinhar, pessoas que se amam. Não há um resquício de tristeza, de cinismo. É um filme sobre felicidade, sobre alegria. Não há conflito. Não há doença. Não há morte. E não é chato. A interpretação mais que SUPERLATIVA de Meryl Streep, com toda aquele poder de alterar a dicção, linguagem corporal e te fazer crer que o ser realmente existe. E no final estamos totalmente apaixonados por essa personagem hiperbólica que converte o banal em entusiasmado nonsense. Gostei demais. Acho que estou me reconciliando com o cinema, e desejando filmes felizes.]

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

COCO AVANT CHANEL




COCO AVANT CHANEL

[Acabei de assistir agora, as 2h40. Sabe um filme deslumbrante?]

Mas a melhor definição realmente é a do Lucas:

[...um filme que acaba quando começa...]

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Evocando Lobão

Essa chuva caindo lá fora e esse relógio do computador dizendo que só faltam uns 20 minutos para minha aula, só reforçam o enorme cansaço e a certeza de que por esse ano basta. Tudo já foi dito, discutido, todos os autores reverenciados. O melhor mesmo é que usassem esse tempo que resta para aquilo que seria realmente útil para o vestibular e principalmente para vida: ler.

Novo sonho de consumo


PhotoScape



[Esse programa de edição de imagens é o máximo e inacreditavelmente fácil de usar]

Plugin para tirar tremor de imagens


[Pesquisa para usar em trabalhos de vídeo que pretendo fazer]

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Bastardos Inglórios


Assisti hoje - finalmente - a Bastardos Inglórios. Procurei a imagem de uma cena marcante, como aquelas que sempre havia nos filmes do Tarantino. Mas desta vez não achei nenhuma. Então posto esse cartaz, que achei bonito, criativo, bem interessante. Lá embaixo postei aquela cena deliciosa do Pulp Fiction, que assisti no Cine Tangará em Santo André ao lado de umas velhinhas que não entenderam muito bem como o John Travolta podia morrer numa cena e dali a duas reaparecer. E eu me espantava muito, em ver aquele vigor e aquela ironia no lance não linear das cenas que valiam fechadas em si. Divertido, criativo, instigante, a gente levava o filme para fora da sala, pensando nas colagens, e que aquilo era uma crítica inteligente à banalização da violência no cinema, e outras coisas para mais além do maneirismo. Ou o maneirismo mesmo em si fazendo-se estilo como nos filmes de Leoni ou Depalma.

Hoje, penso que Pulp Fiction é daqueles acidentes raros de carreira, pois é um grande filme quando tudo o que se seguiu só fez confirmar o curto alcance de Tarantino. Inegável é o seu talento em construir climas, personagens marcantes/divertidos, estereótipos que traduzem emblematicamente seus atores, mas  tudo isso não basta quando nada se tem a dizer; se o "maneirismo" deixa nítida a gratuidade de tudo. Em suma, tudo se converte em um "discurso/conteúdo" banal: o sadismo visto com alegria, a pirotecnia do sangue jorrando e das cabeças explodindo na histeria feliz daquele mundo sem sagrado. Tudo cegando uma plateia juvenil e acelerando o consumo de refrigerante e pipoca. Coisa que me faz imaginar o alcance da discussão sobre o filme na praça de alimentação: Você viu a cena que ele estoura a cabeça do cara com o taco de baseball?

Não que quisesse ou buscasse ou me fosse necessário que o cinema portasse um discurso moral, edificante, humanista. Minha expectativa era só que fosse algo mais, pois neste sentido, não há diferença alguma entre o que o filme de Tarantino apresenta, dos mil Jasons, Jogos Mortais, zumbi-movies da temporada. E no entanto, ainda com Cães de aluguel, por equívoco, me parecera que ele buscasse um lugar mais além, não só no encadeado incomum e esperto da cena, na colagem, no caudal dos diálogos, no procrastinado da ação. Tudo o que me fazia esperar com ansiedade um novo filme do autor.

Vendo Bastardos... penso que não só é um "canto" ao embastardamento do público mas um louvor à violência festiva que em sua extravagância hiperbólica  neutraliza a percepção do que é dor e morte.  Bastardos, por isso, têm para mim a mesma contundência imaginativa e profunda daquele programa americano Jackass: imbecis arremeçando bolas de golfe nos testículos dos colegas, um anão descendo uma escada num carrinho de compras, um gordo lambuzado de pasta de amendoim cutucando uma colméia de abelhas. Tudo o que não me diz nada. Um humor que não me interessa. Por isso já não espero mais nada do Tarantino.

Domingo, Novembro 22, 2009

Boca

A grande cena de Pulp Fiction




Porque as cenas que apreciei sempre nos filmes do Tarantino foram justamente aquelas em que não havia violência.

Balada Literária



Fotos da Balada Literária, Sesc-Pinheiros. Show "Viva o Povo Brasileiro", no dia da Consciência Negra, 20 de novembro, às 19 horas. No palco, Fabiana Cozza (cantora), Rubi (cantor) e Vitor Araújo, pianista.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009


- um telefone meio insólito ontem e um convite para um entrevista na Problemas Brasileiros
- uma hd queimada com trabalhos importantíssimos
- sete horas expulsando jornais velhos de armários, gavetas, caixas, esquecidos sob o colchão
- muitos filmes baixados e tempo algum para assisti-los
- questões financeiras para serem acertadas com urgência
- créditos e mais créditos no celular e ninguém para ligar (Tem Vivo?)
- uma aula boa com músicas de Chico Buarque que me fez feliz
- livros comprados sobre Gil Vicente
- pipoca no cinema para estragar a dieta e um filme catástrofe onde a Terra é destruída (mas desastre mesmo é o filme em si).
- assistindo a tudo de costas e em pedaços por conta da tevê a cabo (enquanto digito trechos do ensaio)
- passagens compradas (pela irmã) para estar em breve no Rio
- a proposta nova, e também insólita, para um documentário sobre o Betinho (e com verba)
- o calor de novas descobertas e a descida boa aos subterrâneos (na pena forte) de Gil Vicente e Caio
- malhação neurótica com bons três 3kg a menos (e dizem que esteiras e ergométricas nao levam a nenhum lugar)
- uma alergia (nao confundam com ALEGRIA) que não cessa
- um ensaio sobre o Caio Fernando Abreu com a precisão (e a dimensão) de uma tese
- semanalmente como que acorrentado à cadeira do dentista, seus instrumentos e contas estriDENTES
- um rumor estranho na casa traduzido em silêncios e indiferença para comigo
- a sensação de que um crime está prestes a ocorrer
- botando fim nos adiamentos
- saudades de longas conversas consoladoras, felizes, às vezes sobre nada
- saudades dos velhos amigos, e dos amigos jovens, e de novos amigos que farão a diferença
- preparando planos para equipe e filmagens e já temendo o vuco-vuco
- ouvindo Nego do Rennó e cd do Kleber exaustivamente. Exaustão feliz.
- aviso que o filme Padorum não vale a pena
- coco antes de chanel me sorrindo e eu o cara mais fora de moda
- de repente acho que estou velho demais para todas essas minhas roupas
- alguma melancolia passageira
- vontade de dar aquela gargada
- minha mãe com cabelos brancos e cinzentos crescendo fortes como uma felicidade reinaugurada
- a certeza de que falamos outra língua
- a redação talentosa de um aluno que me deixou orgulhoso
- querendo ir na balada literária
- talvez Recife em fevereiro
- fechando o 18 de novembro de 2009, na expectativa de uma boa consciência negra.