quarta-feira, agosto 16, 2017

Microconto de Hemingway

VENDEM-SE

Sapatos de bebê
nunca usados.

Ernest Hemingway

segunda-feira, agosto 14, 2017

Caetano e filhos em turnê




Nota de Caetano Veloso à imprensa:


"Há muito tempo tenho vontade de fazer música junto a meus filhos publicamente. Desde a infância de cada um deles gosto de ficar perto. Cada um é um. Sempre cantei para eles dormirem. Moreno e Zeca gostavam. Tom me pedia pra parar de cantar. Indo por caminhos diferentes, todos se aproximaram da música a partir de um momento da vida. Moreno, que nasceu vinte anos antes de Zeca, formou-se em física. Tom, que nasceu cinco anos depois de Zeca, só gostava de futebol. Moreno e Tom já se profissionalizaram como músicos. Zeca, depois de passar parte da adolescência experimentando com música eletrônica, começou a compor solitariamente. Quero cantar com eles pelo que isso representa de celebração e alegria, sem dar importância ao sentido social da herança. É algo além até mesmo do "nepotismo do bem", na expressão criada por Nelson Motta.

Faz uns anos, fiz, atendendo a um convite específico, um show com Moreno, que foi uma das melhores coisas que já aconteceram na minha vida. No show que faremos agora, voltaremos a certas canções impossíveis de serem descartadas, como "Um canto de afoxé para o bloco do Ilê" ou "Sertão". Moreno tem uma linha criativa extremamente refinada. Os trabalhos com o grupo +2 são uma marca profunda e duradoura da sua geração. Seu disco individual é um dos mais belos exemplos de delicadeza da história da canção brasileira.

Logo depois comecei a fazer o trabalho com a Banda Cê. E Recanto pra Gal. Moreno esteve em todos esses projetos como produtor, trazendo sua sabedoria. No meio tempo, Zeca e Tom foram crescendo. Tom, no começo, nem ligava pra música. Hoje faz parte da banda Dônica e é, de nós quatro, o mais naturalmente dotado para as relações entre as alturas, os tempos e todos os signos musicais. Zeca, que sempre adorou música, justo quando achava que não havia para si mesmo um caminho nessa atividade, compôs um grupo de canções comoventes. Ao ouvir uma delas, Djavan exigiu que ele a mostrasse em público. Ele resistiu mas nesse show finalmente obedecerá a Djavan. Tom, em sua relação de discípulo com Cézar Mendes, desenvolveu uma capacidade de execução notável. E logo já começava a compor com seu mestre. Entrei como letrista numa dessas canções que ele fez com Cézar. E agora, na preparação desse novo show, fiz letra para uma música só sua. 

Assim, no show apresentaremos algumas dessas coisas que cresceram em nós, de nós. E canções minhas escolhidas por eles. "O
Leãozinho", que os filhos de tanta gente pedem, os meus não deixaram de pedir. E coisas como "Reconvexo" têm de estar ali confirmando a linhagem. Há clássicos de Moreno e canções novas de todos (inclusive minhas). Nas primeiras conversas, imaginamos chamar um pequeno grupo de músicos para enriquecerem os arranjos. Mas, ensaiando, decidimos ficar só os quatro no palco. O som será mais para o acústico e muito singelo. Eu sou o único que só toca violão. Os outros podem se revezar em alguns instrumentos. É um show familiar, nascido da minha vontade de ser feliz. Ter filhos foi a coisa mais importante da minha vida adulta. O que aprendi com o nascimento de Moreno - e se confirmou com as chegadas de Zeca e Tom - não tem nome e não tem preço. Mas nosso show também tem a responsabilidade de apresentar números com qualidade profissional. Creio que não somos uma família de músicos, como há tantas, dado o caráter comprovadamente genético do talento musical, mas seguramente somos músicos de família. Os shows são dedicados às mães deles, a Cézar Mendes e à memória de minha mãe.

Caetano Veloso".

sábado, agosto 12, 2017

Valerian, de Luc Besson


Pense num filme ruim. Valerian é o filme. Muito efeito, muita pirotecnia, um casal que não convence romanticamente, uma missão que não empolga, não desenrola, clichês a cada cinco minutos, muita corrida, explosões, vilão megacaricato e sem poder, aquele humor ogro de tolo típico de Luc, tanto CG que o filme parece uma animação (pior, ruim). É diluição de tanta coisa que resulta em puro vazio. Esquecível na hora que se bota o pé para fora da sala de cinema. Vi com Mauro na Paulista, esse micão novo de Luc Besson. 


Século XXVIII. Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.

sexta-feira, agosto 11, 2017

Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé

Em São Paulo, a prefeitura identificou 1.320 imóveis sem função social na capital (não cumprem com interesses da cidade e da sociedade), configurando cerca de 2 milhões de m2 de casas e edifícios ociosos que não pagam impostos, estão vazios e abandonados. 

Abandonado, com focos de dengue e acúmulo de lixo, o antigo Hotel Cambridge foi ocupado, em 2012, pela Frente de Luta por Moradia (FLM). Situado na Avenida 9 de Julho, uma das mais importantes de São Paulo, o hotel passou a abrigar 170 famílias. Gerido pelo Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC), o imóvel foi limpo e convertido em lar, ainda que precário, para trabalhadores brasileiros e refugiados.


Eliane Caffé é uma diretora bem intensionada, tem equipe e colaboradores excelente, sempre parte de premissas ótimas, mas o resultado é sempre torto, por que como diretora é menos que mediana. Seus filmes param sempre no meio do caminho entre divertir e estimular o pensamento, não cumprindo nem uma coisa nem outra. Kenoma e Narradores de Javé trazem isso, partem do factual que mitifica para alcançar um sentido existencial/filosófico/social que não alcança. São filmes falhos no ritmo, insuficientes no desenvolvimento, capengas na condução, falhos no desfecho. 

Era o Hotel Cambridge parte do documento social e vai se perder justamente na tentativa de se extrair dali um sentido transcendente que não tem. Começa por ser essa coisa híbrida, misto de documentário (ao qual não se aprofunda) e ficção (que não desenvolve, e o pouco que apresenta não convence). Podia ser algo, mas ainda investe mais no filme-frankenstein: no meio da não trama já confusa, vai tentar entender pela "arte" (vários moradores estão preparando uma peça de teatro/dança) a diversidade da experiência coletiva no Hotel Cambridge. Até as tentativas de metáfora/alegoria das múltiplas culturas que se encontram no hotel são pobres/toscas - como a discussão entre nordestino/brasileiro, japonês, africano a melhor comida; a sequência de conserto da luz, o envolvimento romântico/sexual de homens e mulheres de origens e níveis distintos na ocupação. 

Era o Hotel Campbride surge primeiro como um filme de grandes possibilidade. Eliane filma num prédio ocupado, com moradores/militantes reais, com o aval do MST, podendo retratar a rotina, os anseios, as dificuldades, as frutrações, a complexidade das relações, o choque com os interesses dos poderosos, da prefeitura/estado de Direita, com moradores/trabalhadores do entorno riquíssimo da metrópole dinâmica e irracional que é São Paulo. Quem não gostaria de ter essa oportunidade nas mãos? Mas Eliane opta por ficcionalizar rotinas e relações,  mesclando realidade e ficção, acrescentando certos delírios poéticos no meio disto.

Eliane tem no Cambridge o microcosmo perfeito para se entender o Brasil atual: um prédio histórico (no centro da capital econômica do país) ocupado por excluídos (pobres, moradores de rua, nordestinos, mulheres com filhos pequenos, imigrantes, marginais e marginalizados diversos). Reivindicado  como lar, como direito, eles enfrentam o poder do Estado, da especulação imobiliária e travam embate com o aparato repressor (polícia militar) em desdobrados revezes com a Lei/Justiça. O que Eliane Caffé faz? Resolve voltar o foco principal para os refugiados, tirando novamente de primeiro plano os já (tão ou mais) excluídos que eles. Aliás, tendo acesso a este grupo de refugiados (artistas e não artistas), o que a diretora extrai disto? Um filme confuso, sem ritmo, cheio de descompasso entre as partes, em que nada se soma para dar coesão e sentido.

Nisso, esvazia a realidade, derruba a ficção, e converte em pastiche o trabalho teatral/artistico que insere no filme. O discurso do filme mais que confuso vira algaravia, discurso nenhum, da qual restam poucos momentos elucidativo da rotina, procedimentos e questões dos habitantes das ocupações.

Era o Hotel Cambridge é, para mim, um filme absolutamente decepcionante. Zé Dumont repete o jocoso artista pop-popular de Narradores de Javé com récitas soltas e delírios oswaldianos, Suely Franc que faz sua tia septuagenária (ex-artista circense delirante) tem a constrangedora cena em que se insinua sexualmente para um imigrante para parir um elefante de estimação. A apresentação teatral é interessante, mas está no filme errado. Parece que Cacá Diegues e Sérgio Resende se juntaram para - a partir de um material excelente, como de costume - detonar em mais um abacaxi caro e esquecível que mata a gente de vergonha. 

O estranho que nós amamos, remake de Sofia Coppola


SINOPSE: Remake dirigido por Sofia Coppola, O estranho que nós amamos se passa na Virginia, 1864, três anos após o início da Guerra Civil. John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União que, ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva para a casa onde mora, um internato de mulheres gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá, elas decidem cuidá-lo para que, após se recuperar, seja entregue às autoridades. Só que, aos poucos, cada uma delas demonstra interesses e desejos pelo homem da casa, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning).



Assisti na Paulista com Cinha, ontem (10.8.17) a tarde. Achei o filme escuro (talvez problema da projeção), moroso - para não dizer arrastado - e sem muito para oferecer. Colin Farrell faz sua sempre anódina interpretação de si mesmo, Nicole está competente e distante, Kirsten Dunst, tão sumida de bons papéis, surge para não fazer a diferença. Elle Fanning nos presenteia com um papel diferente de tudo que já fez, a vagaba espevitada. 

Mulheres castradas pelo puritanismo da época e do protestantismo cristão só poderiam resultar em tensão e desejo. A melhor cena segue sendo Nicole lavando o corpo de Colin desmaiado e suando e arfando de tesão ante a nudez do cara (que Sofia dirige pudicamente para a América puritana de hoje, que não tolera nem paus nem pentelhos). Deveria ter um clima mais tenso de desejo, de suspense (ele pode ser levado a qualquer momento da casa pelos soldados inimigos) e de terror, acaba tudo sendo diluído e filtrado pelo estilo de Sofia Copolla, que adora os não ditos e a marcha ré. O tema segue sendo sempre o mesmo da diretora: o exame do feminino em situação de isolamento, das mulheres presas às convenções sociais do lugar/tempo/espaço/sociedade, sexualmente carentes e/ou frustradas ante homens indiferentes ou ameaçadores. No final, elas sempre assumem o controle, nem que isto resulte em autodestruição. 

O filme não emociona, não estimula intelectualmente o espectador, não encanta. Os tons pastéis anêmicos e a monotonia arrastada dos planos - para fazer o filme de época ser mais filme de época - com algumas explosões bruscas na ação faz a gente se questionar se este filme valia um remake. 

A vingança está na moda, de Jocelyn Moorhouse



A sinopse do filme diz o seguinte: "Na década de 1950, na Austrália, a talentosa costureira Tilly regressa à sua cidade natal para tentar se reconciliar com a mãe e se vingar de algumas pessoas do seu passado. Mas uma paixão inesperada cruza o seu caminho." Não bate com o enredo tolo, imbecil. Expulsa da cidade quando criança por ter "assassinado" um garoto com uma pedra na cabeça, Tilly volta para cuidar da mãe que está nas últimas e descobrir se matou o não o tal garoto, já que não se lembra de nada (?????) do fato. Neste ínterim trabalha como costureira/estilista embelezando as pessoas na cidade que a odeia. Tem um envolvimento amoroso com um rapaz do time de futebol que é todo perfeição, mas esse morre ao se jogar dentro de um silo para provar que ela não está amaldiçoada para o amor. Tilly segue agindo como um capacho da cidade mesmo quando descobre que o garoto imbecil, morreu batendo a cabeça num muro. Quando a mãe morre ela prepara uma vingança sem sentido (fazer figurino para uma peça), encedeia a casa e por tabela toda a cidade (que só tem literalmente meia duzia de casas).

A única coisa que presta no filme são os figurino. A gente se pergunta o que Kate Winslet está fazendo num melodrama tão imbecil, fazendo papel de mocinha frágil tendo como par romântico um ator de vinte poucos anos. A trama inverossímel, a condução arrastada, os personagens excêntricos e repulsivos (até os bonzinhos) faz a gente pensar em como se gasta grana, atores e nós, espectadores, num filme tão absolutamente ruim. 

Charge política, sempre arguta e no ponto.


O mínimo para viver (To the bone), Netflix



Uma jovem (Lily Collins) com anorexia é levada pela família, na uma última tentativa de se recuperar, a um novo médico (Keanu Reeves) com terapia não convencional. Fica internada numa casa com outros jovens anorexos, muitos sem perspectivas de se livrar da doença e ter uma vida feliz e saudável. Interagindo, tendo avanços e recaídas, ela por fim  consegue abraçar a vida.  



Tem gente que achou o filme forte, eu achei uma espécie de Garota interrompida ainda mais cosmetizada que o promeiro. Mas é um filme honesto, que vai tangenciando a questão sem ir muito a fundo. Lily Collins tem um ótimo esforço de motificação do corpo, mas falta densidade dramática a ela e demais jovens da casa.


quinta-feira, agosto 10, 2017

Le temps que reste, de Françóis Ozon



O Tempo que Resta (2004‧ Drama/LGBT ‧ 1h25). Um drama soturno e melancólico de François Ozon. Romain é um jovem fotógrafo bem-sucedido que é diagnosticado com um câncer já em estágio terminal. Ao receber a notícia de sua doença, oculta a doença dos mais próximos. Na contramão do óbvio, em vez de tentar acertos de contas, inicia a implosão dos laços mais íntimos. Humilha e dispensa o namorado que ama, recusa a reconciliar-se com a irmã, indaga ao pai sobre suas amantes, por fim vai procurar a avó. Só a ela revela estar morrendo, e ao indagar-lhe por que a escolheu para dizê-lo ele responde: "Por que você irá morrer". Abdicando a uma viagem no Japão que "consolidaria" sua carreira, segue numa maratona autodestrutiva: cheira cocaína, vai procurar sexo num inferninho sadomasoquista gay e cai na bebedeira enquanto rememora (em flashes) uma ida, ainda menino à praia, quando se vê diante do mar com uma bola imensa. Numa visita a uma igreja católica, contempla devotos rezando e se lembra (novo flashback) quando em menino, junto com um colega, urinou na água benta da igreja. 

Neste processo de busca de si, o filme se torna um roadmovie pocket. Na beira de uma estrada, num bar, encontra uma garçonete que pede que a engravide, já que o marido é estéril e ela o achou bonito. Não só o marido está ciente do acordo, como vão os três para cama, num ménage à trois glamourizado. Logo que a gravidez que confirma, diante de um juiz ele deixa de herança para o bebê todos seus bens, além de dar-lhe o sobrenome. No curso de tudo isso, fotografa com uma pequena câmera o cotidiano banal de pessoas e lugares. Por fim, combalido, apanha um ônibus, e muito magro, segue para uma praia. Deita entre banhistas. Um menino com uma bola (ele mesmo?) aproxima-se dele que lhe devolve a bola vermelha imensa. Enfim, deita-se entre banhistas na toalha sobre a areia. O sol lambe seu corpo, o por do sol começa a cair, os banhistas partem, e já morto, na praia, advém a noite.  




 Le temps que rest é aqueles dramas que temem cair no melodrama, então são conduzidos com silêncio, secura, com aproximações e distanciamentos onde poderia haver explosões emocionais. Mas são franceses, então tais lacunas são preenchidos com silêncios, flashbacks poéticos, frases lacônicas e misteriosas. Romain é belo, arrogante, gosta de estar no controle, desliza contemplativo, tenta segurar o tempo presente fabricando esses instantâneos para ninguém na sua pequena máquina. O tempo que resta é de autoavaliação. O aleijão emocional de Romain o impede de se abrir emocionalmente com os parentes mais próximos, pede sexo ao namorado (agora ex) que ainda ama, mas de quem não deseja autocomiseração. No fundo é o menino com a bola, contemplativo e frágil que segue aparecendo em vários pontos do filme. É o passado que abre e se fecha ao término do filme, com a bola do menino e o círculo solar que desce sobre o mar.. O bebê é o que Roman deixa como continuidade de si para o mundo. Um filme curto, com desejo de significar mais do que alcança. Ainda assim, outro belo Ozon. 

Uma capa modernamente clássica


Platon Antoniou, fotógrafo















Dória na Istoé, o plágio do Platon: uma questão de ângulo




"A capa da Istoé é uma aula de ângulo. Reproduziram a estética repleta de significados do conceituado Platon – mas esqueceram um detalhe na perspectiva.
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Platon, célebre retratista, fotografa com a mesma luz e no mesmo banquinho quase todo tipo de personagem importante da política mundial. Ninguém nunca fez uma relação com a privada, como no caso do Dória. A explicação dessa leitura de imagem está no plano e na objetiva (mas também está fora do enquadramento).
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Explico rapidinho: a perspectiva é afetada por uma lente grande-angular, que torna o que está perto maior e o que está longe menor (veja a relação mãos-cabeça). Para Clinton, isso transmite a ideia de grandeza. Ele parece mais forte e imponente do que eu e você que estamos olhando a fotografia. Tudo isso porque Platon colocou a câmera bem abaixo do ângulo de visão. 
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Com Dória, a mesma estética - com a leve diferença no ângulo - muda toda essa leitura. Repare nos detalhes do ângulo e posição do corpo, eles se mesclam com as relações além-quadro que tornam sua política questionável – daí a relação com o "troninho". 
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É por isso que fotografia não é sobre a técnica e estética, mas sim, sobre o significado."

Everson Tavares, tirado do Facebook. 

Omnia unus est



Omnia unus est: Tudo que existe é uno. Tudo que está no alto está embaixo.

quarta-feira, agosto 09, 2017

De novo sobre os humores: melancólico, fleumático, colérico e sanguíneo.



MELANCÓLICO

É um temperamento analítico, abnegado, bem dotado e perfeccionista. Isto o faz admirar as belas artes. É introvertido por natureza. Mas as vezes é levado por seu ânimo a ser extrovertido. Outras vezes enclausura-se como caramujo, chegando a ser hostil. É amigo fiel, mas não faz amigo facilmente, por ser desconfiado. Tem habilidade de analisar os perigos que o envolve. Força-se a sofrer e sempre escolhe uma vocação difícil, que envolva grande sacrifício pessoal. Muitos dos grandes gênios do mundo, artistas, músicos, inventores, filósofos, educadores e teóricos, eram melancólicos. Podemos ver estas características em personagens bíblicos de projeção como, Moisés, Elias, Salomão, o apóstolo João e muitos outros.

Vejamos suas forças e fraquezas:

Forças: Habilidoso, delicado, leal, idealista e minuncioso…

Fraquezas: Egoísta, amuado, pessimista, confuso, antisocial e vingativo…

Problemas causados: Espera muito das pessoas, em troca do que faz. Intromete-se onde não deve, gasta tempo com o que não deve, atrapalhando seu serviço, tem aversão as pessoas que tem ponto de vista diferente, entra em atrito com as pessoas que se opõe ao seu caminhar.



FLEUMÁTICO

O fleumático, geralmente é calmo, frio, equilibrado e por isso a vida para ele é feliz e descompromissada; raramente explode em risos ou em raiva, conseguem fazer os outros rirem, mas ele mesmo não solta um sorriso sequer; sempre diz: “alguém devia fazer alguma coisa”, mas ele não faz. Porém é habilidoso para promover paz e conciliação.

Forças: É calmo, tranqüilo, cumpridor dos deveres, líder, imperturbável, para ele é fácil ouvir os outros em seus problemas, o que é difícil para o sangüíneo e colérico, trabalha bem sob pressão, por isso cumpre suas obrigações e gosta de cumprir horários.

Fraquezas: É um tipo de pessoa calculista, desmotivada. É muito pretensiosa, desconfiada, e isto a afasta dos outros. É pessoa indecisa nas suas decisões e temerosa. Esse tipo de pessoa é muito castigada pelo seu egoísmo.

Problemas causados: Através das suas piadas não se esforça para realizar suas tarefas em ritmo satisfatório.



COLÉRICO

É um temperamento ardente, vivaz, ativo, prático e voluntarioso. Por ser decidido e teimoso, torna-se auto-suficiente e muito independente. Por ser ativo, estimula os que estão ao seu redor, não cede sobre pressões. Possui uma firmeza no que faz, o que o faz freqüentemente obter sucesso. Não é dado as emoções, por ser pouco analista, não vê as armadilhas na sua trajetória. Muitos líderes mundiais e grandes generais foram coléricos.

Forças: É otimista, enérgico, prático, líder, audacioso, autodisciplinado e autodeterminado, não tem medo de situações difíceis nem de grandes desafios, estes o estimulam ainda mais, é alguém de objetivos e por isso a dificuldade não o esmorece…

Fraquezas: Ira, impetuosidade, autosuficiência, é vingativo e amargo, por isso tem tendência ter úlcera antes dos 40 anos, muitas vezes falará coisas cruéis, sarcásticas e mordazes (ofensas grosseiras e refinadas), embora seja de fato capaz, sua arrogância tende causar antipatia nos outros temperamentos…

Problemas causados: Torna-se exigente com os seus, é uma pessoa de muitos argumentos, impiedoso nas decisões, ausência de bondade, cria padrões difíceis de serem alcançados, utiliza-se das situações.


SANGUÍNEO

Quando se fala do temperamento sanguíneo, se fala de “sangue quente”, de vivacidade. É um temperamento eufórico, vigoroso, que vive o presente, esquece facilmente o passado e não pensa muito no futuro. Traz em si otimismo e por isso crê, mesmo em meio às adversidades.

Forças: Sempre tem amigos, é divertido e contagia os outros, compreensivo e por isso bom companheiro, simpático, destacado e entusiasta e por isso líder…

Fraquezas: É agitado e turbulento, desorganizado, pulsilânime (fraco de ânimo), adora agradar, começa as coisas e não termina, é egoísta e cada vez mais tende a falar muito de si mesmo e de suas qualidades e feitos, tende a desculpar-se sempre de suas fraqueza.

Sobre Black Mirror e seus desdobramentos



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