segunda-feira, dezembro 05, 2016

Elis, o filme


Assisti à cinebiografia Elis, na Paulista, com Gabriel. A vida de Elis não cabe em duas ou três horas de filme, talvez não coubesse numa série inteira. Cenas na Santa Efigênia. Um filtro retrô deu a cara da época. A direção é convencional, sem um milímetro de risco ou sofisticação, clássico até o osso. Um filme didático, com poucas músicas e com alguns clipes. A inspiração no filme Piaf, na forma de um pequeno rascunho. "Upa, neguinho" repetida umas três vezes, o que me fez pensar em orçamento. Aliás, tudo feito pobrinho, com dignidade. Quase todos artistas relevantes na vida de Elis estão fora (Gil, Milton, Rita Lee, João Bosco, etc), focando só seus relacionamentos amorosos e a família. Começa lento depois vai para saltos pontuando momentos da vida/carreira. Gustavo Machado excelente. Caco Ciocler, impecável. Júlio Andrade, provando ser o camaleão dos camaleões. E apesar da entrega do elenco, pouca coisa que surpreenda. Mentira. A atuação de Andreia Horta nos arrebata, assimilando gestos, carisma, força e fragilidade. Um ponto notável, são as performances dublando Elis, como se a voz saísse dela. Elis é daqueles casos em que a atriz/protagonista é maior que o filme. O que não é pouco, já que o ser Elis é desde sempre inapreensível. 

Hoje, 4.12.16 - morreu o poeta Ferreira Gullar


Galo Galo

O galo
no salão quieto.

Galo galo
de alarmante crista, guerreiro,
medieval.
 
De córneo bico e
esporões,  armado 
contra a morte,
passeia.

Mede os passos.  Pára.
Inclina a cabeça coroada
dentro do silêncio:
 
 
—— que faço entre coisas ?
  —— de que me defendo ?
Anda.
No saguão.
O cimento esquece
o seu último passo. 
 
 
Galo: as penas que
florescem da carne silenciosa
e duro bico e as unhas e o olho
sem amor.  Grave
solidez.
Em que se apóia
tal arquitetura ?
Saberá que, no centro
de seu corpo, um grito
se elabora ? 
Como,  porém, conter,
uma vez concluído,
o canto obrigatório ?
 
Eis que bate as asas, vai
morrer, encurva o vertiginoso pescoço
donde o canto rubro escoa

Mas a pedra, a tarde,
o próprio feroz galo
subsistem ao grito.
 
 
Vê-se:  o canto é inútil.

O galo permanece — apesar
de todo o seu porte marcial — 
só, desamparado,
num saguão do mundo.
Pobre ave gurreeira!
 
Outro grito cresce
agora no sigilo
de seu corpo; grito
que, sem essas penas
e esporões e crista
e sobretudo sem esse olhar
de ódio,
não seria tão rouco
e sangrento

Grito, fruto obscuro
e extremo dessa árvore: galo.
Mas que, fora dele,
é mero complemento de auroras. 


FERREIRA GULLAR 

quinta-feira, dezembro 01, 2016

"Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!"

 Eu adoro a contundência dramática do Johnny Hooker, tem tudo a ver com meu jeito de ser: simulação de indiferença e coração saindo pela boca. Seguem duas músicas que enterraram o amor-da-minha-vida, me fez perder quilos na esteira e me devolveu à vida e ao amor. 





Baixar filmes

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Despedida dos alunos do Maximize

 Paulista


 Mauá
 Paulista
 Mauá





 Paulista
 Mauá



Sobre Fidel Castro


Nem para o Céu, nem para o Inferno: para a História.

Sobre a mídia

Quando um fato trágico é abordado/explorado incessantemente como melodrama e provoca uma histeria coletiva, um comportamento de manada, você entende muito bem o sistema politico que temos. As pessoas não se percebem manipuladas e mesmo os mais inteligentes caem como patinhos no discurso do coração. E dá-lhe Ibop e camisetas e postagens lacrimosas e de ódio àqueles que não se permitem engendrar.

Sobre a queda do avião da Chapecoense, um quadrinho síntese da dor


Reflexões sobre a criança, o birnquedo e a educação, de Walter Benjamin


Lendo no trem rumo a Mauá, depois no ônibus para o Zaíra. Cabeça explodindo sempre com Walter Benjamin.

De uma postagem no Facebook sobre a queda do avião e Vittorino



Fiz uns tantos posts e compartilhei outros tantos que chegaram sobre temas variados. A minha recusa à comiseração geral pegou fundo nos corações e fui xingado inbox por pessoas amadas. Flanando sobre vitrines cyber, não alimento novas ilusões sobre pessoas, sobre o país e o futuro. Tampouco escamoteio minhas falências morais ou éticas. Sexta, tem hospital para levar a mãe, lavei hoje o banheiro, dei banho no meu cachorro aleijado e comi linguiça calabresa. Enquanto vinha no trem para Mauá, li um trecho lindo do ensaio do Walter Benjamin, o suicida que sempre estimula meu desejo de viver e produzir. Fui ao dentista fazer placa para bruxismo, conversei com meu irmão, instalei o Uber no seu celular, e minha cunhada me serviu um café delicioso. Com meu sobrinho Vitorino fiz um robô de lego, um sol amarelo de massinha de modelagem, um coelho púrpura, um video cantando "Meu pintinho amarelinho" e belas fotos. Minha vida é prosaica, simplória e, em boa medida, satisfatória. O Facebook me distrai e nele propago determinadas impressões absolutamente pessoais sobre o mundo, além de cronicar meu dia-a-dia. Leio várias postagens e interajo com pessoas que mal conheço, que conheci mais nas redes que na vida e com gente que admiro e sinto saudade da presença real. Mas na prática, nada é sério e relevante demais. Que relevância tenho eu ante a catástrofe da queda de um avião com 76 mortos? Que valerão lágrimas minhas a eles, que independem do meu respeito piedoso ou insultuosa indiferença? Por que aos vivos constrange e agride minha recusa a compactuar com a catarse (ou expurgo) em forma de dor coletiva? Este dia o que vai me ficar é a alegria deste encontro, sintetizada numa fotografia com Vitorino, que para mim é a cara do amor.

quarta-feira, novembro 30, 2016

Um post no facebook no dia do desastre com avião do time do Chapecoense.

A notícia do acidente e das mortes foi dada. A cobertura passo a passo em Chapecó ou publicações de vídeos pré e pós desastre servem a quê? Se interessar, é tão somente às familias. Sentir empatia pela dor dos outros, não implica curiosidade mórbida. A mídia expõe o espetáculo ganhando audiência e patrocínio. O desastre será explorado à exaustão, como chacais e abutres.

NENHUMA INFORMAÇÃO RELEVANTE JUSTIFICA A COBERTURA HISTÉRICA QUE SE FARÁ A SEMANA TODA, NUM DISCURSO EMOCIONAL E PIROTÉCNICO QUE NADA ELUCIDA.

Vi isto acontecer com Sena, Os Mamonas Assassinas, Montagner. E as redes sociais vão dar ressonância a isso. Ela não é uma alternativa a idiotia televisiva, também aqui estarão a espetacularização e pior: o cidadão comum com seus hashtags e fotos alteradas - achando que são sinceros, espontâneos, solidários ou empáticos - replicando o efeito da cobertura e, portanto, comprovando o quanto são influenciados pela TV/mídia. Os mortos seguirão mortos. A mídia enriquecerá.

E o CIDADÃO MIDIOTIZADO sentirá que contribuiu com seus LIKES num coletivo de dor vazio que não serve a nada, mas que é termômetro para novas manipulações. ENQUANTO ISSO MAIS UMA NOVA LEI NEFASTA SERÁ VOTADA E TORNARÁ O BRASIL UM PAÍS MAIS ATRASADO E DESIGUAL.

Maiúsculas por Airton dos Santos

segunda-feira, novembro 28, 2016

3%, série da Netflix




3% série da Netflix. Um texto crítico.

3% é uma série brasileira da Netflix. Uma ficção científica. Jovens em determinada idade são submetidos a um teste para viver no MarAlto, uma espécie de paraíso na Terra destinado a 3% da população de um planeta devastado. Os daqui vivem miseravelmente sem assistência, submetidos à violência e misérias mil, desassistidos do Estado. Submentem-se ao Processo, uma espécie de vestibular com entrevistas, testes de lógica, exames de índole/moralidade, provas físicas etc. Ser desclassificado significa ficar sem futuro, quase o que sentem os candidados da FUVEST. Em cada episódio, um personagem é eliminado como num reality show. Quase todo episódio começa com flashback (à maneira do Lost), é mostrado o passado do personagem e suas motivações. Infiltrados no grupo, há "terroristas" que pretendem destruir o sistema de dentro, mas sem grande convicção. Há claro um tirano, Ezequiel; tirano, pero o mucho. Há cenas de tortura em pau de arara. As referências são à ditadura e à imensa desigualdade de classe brasileira e mundial. A ideia não é original, há os filmes Elizium e a quatrologia Jogos Vorazes com mesma premissa, desenvoldos com maiores orçamentos. 3% é pobrinho de recursos em efeitos especiais com visual à Hans Donner, mas tem aquela qualidade 02, bem feitinho com o que dá dentro de uma estética de comercial/videoclipe televisivo. O roteiro é bom, os atores são competentes e tudo segue bem azeitadinho, embora haja vários furos quanto à verossimilhança, principalmente, quando se trata da psicologia dos personagens. Prende, entretem, mas, sendo uma alegoria tão próxima, rica para discussão de algo que vivemos tão intensamente no presente - desigualdade, opressão, conscientização política/de classe, - ela se restringe a esvaziar qualquer viés conscientizador, volta-se para o drama pessoal, tolo e melodramático. A motivação é uma vingancinha (da protagonista) pois o irmão foi morto pelo vilão. O particular suplanta qualquer ideal coletivo, aquém de ideologia, de desejo libertário, de esperanças utópicas. Embora a motivação política seja sustentada pelo personagem Rafael, o fato de ele ser um tanto amoral - por vezes, fútil - tira a potencia da "Causa". E tudo se dilui no lance de sempre, o coração ferido, mantendo-se mais do mesmo, nada para fora do mero espetáculo televisivo. Não querendo ser mais que "diversão", a série esvazia-se em si mesma, nada propõe e fica com o espectador, nenhum dilema, nenhuma associação permitida com a vida. Nenhum ganho de consciência. É a trama lá deles, individual, particular, assistivel, acomodada à fantasia sci-ficction. Condena-se, assim, ao 100% de esquecimento, logo após assistido.

Rever filmes, é um outro prazer


Estava no Netflix, botei e acabei assistindo inteiro com Gabriel. Rever De volta para o futuro é estranho, pois foi o terceiro filme que vi na vida num VHS, no Zaíra, em torno da família. Constatar que o filme segue empolgante, e com um roteiro primoroso e conduzido com um talento preciso de Robert Zemeckis, que depois nos daria Contato, Forest Gump e O náufrago. Preciso sentar e estudar, ponto a ponto os encaixes deste roteiro. Uma aula.


Também, botamos para ver um pedaço, e de repente estávamos entregues a este filme apocalipse-zumbi empolgante. Adoro gênero suspense/ação/terror, filme que provocam efeito físico no espectador: roo as unhas, o coração acelera, fico ansioso, levo sustos. Um filme frenético, cheio de tensão. Tinha visto no cinema. Revê-lo foi um prazer.

Ontem, 27 de novembro de 2016, FIDEL CASTRO MORREU.


Viva o Comandante!