sábado, novembro 09, 2019

Doutor Sono, o filme de Mike Flanagan



O livro é delicioso, o filme ficou excelente. Assisti na Paulista. Foi ótimo. 






Contato, de Carl Sagan




Contato com extraterrestres não é sinônimo de homenzinhos verdes desembarcando de um disco voador. É muito mais: sinais captados num radiotelescópio podem conter mensagens capazes de nos fazer repensar toda a nossa concepção da vida e do universo. Esse é o ponto de partida de Carl Sagan, que, aliando as tensões da melhor literatura ao conhecimento científico mais avançado, compõe um romance que pode provocar em nós todas as reações - menos a indiferença. Em Contato, o que está em jogo é o mundo tal como o conhecemos. Como quem faz uma aposta, Sagan nos convida a uma viagem assustadoramente fascinante pelo buraco negro que é a inteligência humana.



440 páginas.

A maça envenenada, de Michel Laub


Li no dia 6/11/2019 inteiro. Primeiro livro que leio do Michel Laub. Achei uma beleza de romance/novela. O tema é o suicídio (e o instinto de sobrevivência, ou melhor, de quem sobreviveu a ele, e como isso reverberou em sua vida)

A principio, os capítulos curtos desnorteiam, pois observamos múltiplos narradores. O primeiro é um jovem estudante de Direito (em Curitiba) que serve à força no exército, cujo drama é o amor por uma garota linda, talentosa e intempestiva (cuja mãe cometeu suicídio). Todo o tempo reverbera o show que Nirvana fez no estádio do Morumbi, em São Paulo em 1993, e no posterior suicídio de Kurt Cobain. Outro narrador vai intervir na trama, um jornalista cinquentão que vai entrevistar uma sobrevivente do genocídio em Ruanda (1994). Ocorrido no mesmo ano do suicídio de Cobain, Immaculée Ilibagiza sobrevive dentro de um banheiro com várias mulheres amparada numa fé cristã. Nunca pensa em suicídio (diferente de Cobain), e seu sofrimento - que a constrói e faz dela um exemplo de resistência/resiliência e perdão - não reverbera como as palavras tolas da carta de suicídio de Cobain. O terceiro é um brasileiro que vive uma vida de merda em Londres. O quarto narrador (ou quarto, já que muitas vezes Immaculée narra-se em primeira pessoa) é um rapaz paralisado depois de um acidente de carro que quase o mata. O que há de engenhoso, - e isso é tratado no corpo do romance (por isso mais engenhoso ainda), - é como nós "humanos" mudamos ao longo da vida e somos sempre um outro a cada momento, ressignificando passagens pregressas vida, reinterpretando o passado e nos reconfigurando por causa dele também no tempo presente. Ao final da narrativa entendemos que há só um narrador, mas suas impressões sobre o mundo (e ações narrativas) estão embaraçadas. Por isso trata também de vários anos, mas eles não aparecem encadeados de forma cronológica, fazendo com que o tempo posto, modifique também o sentido do que lemos. O guitarrista é o rapaz que sofre o acidente (depois que sua namorada morre por causa do "lança perfume" no show do Nirvana). Ele bebe enlouquecidamente para "se matar" - meio inconscientemente - batendo num carro de bombeiros. Depois de meses imobilizado, sobrevive, vai morar em Londres fazendo serviços banais, retorna ao país, faz Jornalismo, e posteriormente entrevistará Immaculée, repensando a existência e por que as pessoas se matam. O título faz referência a um verso da canção de Cobain, e uma referência a maçã do pecado original e do entorpecimento suicida. Um romance lindamente escrito, um relato afetivo, desamparado, autorreflexivo, melancólico sobre o impacto de uma morte (de várias mortes) sobre o indivíduo. Estamos dentro do tema do romance contemporâneo brasileiro (tão mal trabalhado em Chico Buarque), que é o homem que perambula perdido numa cidade e na memória. Há boa dose de continuidade do romance intimista, mas com menos experimentalismo formal (embora a fusão de gêneros: ficção, história, ensaio, memorialismo, lirismo, ironia confessional), uma forma enxuta e com pendor de  relato "sincero" do sujeito e sua época, mas sem descambar para a análise de uma conjuntura político-social. Aliás, aposta-se na ambiguidade, nas incertezas, no lacunar a ser completado. É de novo um velho solitário rememorando o passado e o impacto que uma mulher teve em sua vida, numa tentativa de síntese e algum entendimento que, no final, não se realiza. Uma bela obra. 

[SINOPSE Amazon] Em 1993, o grupo norte-americano Nirvana fez uma única e célebre apresentação no estádio do Morumbi, em São Paulo. Um estudante de dezoito anos, guitarrista de uma banda de rock e cumprindo o serviço militar em Porto Alegre, precisa decidir se foge do quartel - o que o levaria à prisão - para assistir ao show ao lado da primeira namorada. A escolha ganha ressonâncias inesperadas à luz de fatos das décadas seguintes. Um deles é o suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana, que chocou o mundo em 1994. Outro é o genocídio de Ruanda, iniciado quase ao mesmo tempo e aqui visto sob o ponto de vista de uma garota, Immaculée Ilibagiza, que escapou da morte ao passar 90 dias escondida num banheiro com outras sete mulheres. Focado nos anos 1990, A maçã envenenada é o segundo volume da trilogia sobre os efeitos individuais de catástrofes históricas iniciada com Diário da queda, cuja ação central se dá nos anos 1980. Como no volume anterior, Michel Laub aborda o tema da sobrevivência usando os recursos da ficção, do ensaio e da narrativa memorialística, numa linguagem que alterna secura e lirismo, ironia e emoção no limite do confessional. No sutil entrelaçamento de seus temas, que evocam as particularidades de universos tão opostos quanto o mundo da música e um quartel, este é um livro sobre paixão: por uma pessoa, por um ídolo, por uma ideia, por uma época. E também pela vida, embora esta sempre cobre um preço de quem escolhe - quando se trata de uma escolha - experimentá-la com intensidade.



120 páginas

Hoje assinei contrato da casa nova e apanhei as chaves.

Dei finalmente start na minha mudança do Viaduto Santa Efigênia para o centro de Mauá. Começou com o tapeceiro vindo desmontar meu sofá e leva-lo para consertar e pôr "pele" nova. Desci, apanhei mais caixas de papelão no mercado e comprei outras tantas de um catador de rua. Estão aqui, faltam montar. 

Peguei todos os documentos e rumei para Mauá, a fim de ler contrato, assinar documentos na imobiliária, reconhecer firma e apanhar chaves. Encontrei-me com minha irmã na estação de Prefeito Saladino (ela não só ajudou a encontrar a casa, acompanhou todo processo e entrou de fiadora da casa). Encontramos minha prima/irmã Elaine com quem dividirei casa e despesas (ela ainda não vira pessoalmente a casa), tomamos um lanche na Praça da Bíblia, depois fui à Caixa Econômica e consegui sacar duas contas de FGTS, com dinheiro para o irmão. Depois fomos ver a casa.

Está maravilhosa. O locador é cuidadoso, deixou tudo maravilhosamente arrumando. Fomos abrindo todas as portas, conhecendo as chaves e decidindo onde vão ficar móveis. Fazendo planos. Elaine adorou tudo, ficou encantada. Seu quarto tem textura na parede, o piso é novo. Estamos feliz. Vai ser uma grande, boa mudança. Prevejo mais dias próximos dos sobrinhos. Tempo para trabalhar e estudar. Fazer meus textos, minhas estátuas, ter plantas, gato, cachorro. 

A casa fica bem próxima da estação e perto de tudo, o valor acessível para perrenguice econômica do momento. Mas Deus é mais.

Fui com irmã então ao Zaira para ver sobrinhos. Meu irmão preparou no forno deliciosa costelinha para nós. A bebê Ana está gordinha e maravilhosa. Vivi é aquele maior encanto do mundo. Meu irmão emagreceu. Leilaine está linda. Foi um dia ótimo. Sigamos. 

quarta-feira, novembro 06, 2019

Meu livro violeta, de Ian McEwan


Livro composto de dois contos, o primeiro sobre dois amigos escritores, o segundo rouba descaradamente a obra do primeiro, plagia e termina destruindo o valor social do segundo. 


O conto da aia, quadrinhos




Enclausurado, de Ian McEwan


Minha irmã e Maristela mostraram esse livro que ambas estavam linda. Cheguei em casa, descobri que tinha o ebook, botei no celular. Comecei e terminei no mesmo dia esse. Achei um livro sensacional. Gostaria de ter tempo, sentar e escrever sobre as conexões que estabalece com HamletE destacar as reflexões brilhantes feitas pelo feto-narrador. Uma hora sento e ponho.. 



[SINOPSE] O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante - que é também tio do bebê -, assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.


200 páginas



segunda-feira, novembro 04, 2019

O sol é para todos, o filme


Baixei para assistir antes de terminar o romance (faltam pouquíssimas páginas), mas me emocionei demais. O filme é uma beleza. 

sexta-feira, novembro 01, 2019

O sol é para todos, de Harper Lee


[Sinopse Amazon] A nova edição revista de um dos maiores clássicos da literatura mundial. Harper Lee nos apresenta um livro emblemático sobre racismo e injustiça, que marca seus leitores desde a sua primeira publicação e mostra seu valor até hoje. O sol é para todos conta a história de um advogado branco que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado e ainda criança na época. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.


O sol é para todos, de Harper Lee. A maravilha de estar lendo essa obra extraordinária, com aquele tom do Mark Twain, mas na perspectiva de uma menina e alargando o olhar para uma questão do racismo e da diferença. É extraordinário. Quebra a sequencia de livros de Stephen King que leio atualmente, numa mudança de tom e perspectiva que se faz necessário neste momento de desesperança. 









438 páginas.



Comecei a leitura em 31.10.2019

Ontem, no enterro do professor Cleber




Ontem, saí correndo de São Bernardo do Campos (onde fui fazer a inscrição para o curso de férias) para ir até Osasco, me despedir do amigo Cleber. Cheguei tarde na estação e peguei um Uber até o cemitério que ficava muito, mas muito mesmo, distante do centro. Apesar da correria, não vi seu corpo exposto. Encontrei outros professores na descida, já o haviam enterrado. Então um garoto, ex-atendente do Maximize Diadema, teve a gentileza de me levar até seu túmulo. Pedi para ficar sozinho. Queria me despedir e rezar. 




O cemitério paupérrimo, sem lápides descentes, feio, degradado. Tivemos que vagar entre túmulos até achar onde ele estava. Às vezes uma cruz com um nome, ou um retrato do falecido. No tumulo de Cleber nada. Apenas um monte de terra onde, duas coroas de flores. Uma escrita: Parentes e amigos, na outra: Dos professores e funcionários do Maximize. Nada mais. Um túmulo sem nome. Eu olhei em volta e só consegui pensar: "é só isso, nada mais". Um buraco na terra para alguém que foi incrível, extraordinário. Que lia filosofia profunda, a poesia de Friedrich Hölderlin, que amava os livros, a quem recorriam alunos desesperado. Um sujeito que cuidou da mãe com Alzheimer sozinho e do pai com Parkinson, dos vinte aos trinta anos. Que se casou, que teve uma filha que amava, se divorciara há pouco mais de um ano (or que o cuidado e o amor tinha acabado). Que andava ultimamente perdido, triste, pensando em ter uma moto, e com namoradas. Que estava meio desesperado, sem explicitar muito, por que desesperançado, cheio de dívidas, e triste. E nós não sabíamos o quanto. Desesperado, por certo. E com um sentimento de profundo desamparo. Com uma ex-esposa que agora reconstruía a vida em novo relacionamento. Imagino que estava pressionado por esse lance de pensão. E era um cara responsável. Mas o que ia ali profundamente? Conversávamos toda segunda feira. Almoçávamos juntos algumas vezes. Saí para beber cerveja com ele, que me dizia que precisava maneirar. Ele adora cerveja e papear. Os telefones celular xingling da xiomin. Filosofava muito sobre zen, sobre budismo, sobre o tao, disse que agora entendia o que era karma. E um dia me disse que a base de tudo, 100% era AMOR. Sim, Amor. Eu que sou cínico, não retrucava. Sim, Amor, ele dizia. E falava do Niilismo do mundo. E postava longos textos filosóficos no seu Instagram, ou fotos de si ou da filha de sete anos, linda, mas que não falava por causa do espectro autista. 

Diante desse túmulo, dessa materialidade absoluta que é o fim, que é a morte, pensei no seu esquecimento absoluto. Pensei na perda. E que em quem morre somos sempre nós, nunca um outro. Somos nós. Ele estava só no seu quarto alugado, na casa sob ameaça de despejo. Encontraram-no (quem?) e o levaram ainda com vida ao hospital onde por dois dias seu corpo foi se debilitando, seus rins morrendo até a parada cardíaca fatal. Fim. 

A distancia, moleques mulatos mexiam em covas e falavam alto com gírias malandras. Uma senhora velhíssima, com um guarda-sol, observava um homem caiar o contorno de tijolos e uma cruz vulgar de cimento, pondo flores, num túmulo. Eu consegui chorar um pouco diante da cova pobre, e rezei para o Cleber. Rezei pela memória da pessoa que ele foi. Lembrei da sua magreza nesses últimos dias. Que quando terminou a aula da segunda, há algumas semanas, ele tinha partido sem que eu me despedisse dele. Agora eu me despedia ainda sem vê-lo. E é isso, esse fim, esse esquecimento a que todos estamos condenados. Os livros amados perdidos, as aspirações de um dia ler o Guimarães Rosa, esse adiamento agora, inconcluso. Deixa uma filha que talvez não se possa lembrar dele. Essa memória fugaz que estará em mim. Em outros. Descanse amigo. Amor. 

Vittorino e Ana, novembro de 2019


Ana Livia Purabelle, novembro de 2019


quinta-feira, outubro 31, 2019

O FIO DA NAVALHA



Marco Haurélio
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O FIO DA NAVALHA

É difícil achar alguém que desconheça a expressão “no fio da navalha”.

Luís da Câmara Cascudo, em Locuções Tradicionais do Brasil (Global, 2004), comentando a expressão “no fio da navalha”, se serve de Fedro, contemporâneo do imperador Augusto, que, no V Livro, fábula VIII, Occasio depicta, “evoca a Oportunidade andando sobre o fio de uma navalha – pendens in novacula”. Cascudo cita ainda o romance de W. Somerset Maughan, O Fio da Navalha, que virou filme em 1946, e um verso da Ilíada (X, 173), traduzido por Odorico Mendes (“Vida e morte pende aos Gregos do gume de um cutelo”), atestando que a expressão era corrente há quase 30 séculos.

De minha parte, reporto-me a Chrétien de Troyes (Séc. XII), e me sirvo da imagem de Sir Lancelote atravessando a ponte-espada em busca de Guinevere, raptada por Meleagant durante a ausência do rei Artur, sugestiva, por transformar em ação um dito um tanto alegórico. É possível que, num rito mais antigo que a própria Grécia, esteja a origem da expressão, da qual a aventura de Lancelote é um reflexo tardio. No conto “O Cunhado de S. Pedro” (João da Silva Campos, Contos e Fábulas Populares da Bahia, 1928), há a travessia de uma ponte que é, na verdade, uma lâmina afiada, ligando o mundo dos vivos ao mundo dos mortos. O gume do cutelo, fio da navalha, ponte-espada (esta última estudada por Heinrich Zimmer) são, por assim dizer, emanações de um mesmo e fascinante rito iniciático cuja origem se perde na noite brumosa das idades. “Viajar ao longo de seu próprio caminho é como viajar sobre o fio de uma navalha” é a lição que lemos no Kena Upanishad. Sentir o fio da navalha equivale a cruzar os caminhos e descaminhos da vida com suas vertigens e abismos a espreitar nossos passos.

Imagem: Lancelote cruzando a Ponte-Espada (cerca de 1475)

30-10-2019 - O professor Cleber

Cleber, meu amigo do cursinho Maximize faleceu. Esteve internado desde sábado a noite. Houve falência dos rins e parada cardíaca. Eu o conheci lecionando em Mauá. Nos último dois anos nós nos víamos às segundas semanalmente na Paulista. Almoçávamos juntos, conversávamos sobre livros, sobre sua filhinha de 7 anos, sobre suas namoradas, antes, sobre seu divórcio, sua esposa, seu casamente, seus pais. Ele cuidou sozinho da mãe o Alzheimer, e do pai com Pakinson. Recentemente, tinha feito as pazes com o irmão que o deixara sozinho com os pais no momento mais duro. Estava sofrendo de depressão, me contou na sala dos professores, quando lhe disse do meu problema de ansiedade e pânico. Eu ele e o professor Bonfim, de Matemática, sempre falávamos sobre tudo. A crise econômica do Brasil impactou a vida de todos nós professores, também a dele. As aulas reduzidas, sabia que estava com problemas financeiros. Adorava ver filosofia, os vedas, indianos, os antigos mestres do Zen, do Tao. apaixonado por livros. Se dizia não preparado para ler Guimarães Rosa. Gostava de tomar cerveja. Uma vez fui beber com ele e conversar. Andava muito magro, mas animado com namoradas. Mas andava triste. Tenso. Melancólico. Achei-o, na última segunda que o vi, magro demais. Tinha 38 anos, se não me engano. Uma morte tão de repente, tão abrupta, e fica em nós essa lacuna, pela velocidade, pela fragilidade que alguém tão especial, um professor tão extraordinário. A vida é um sopro. Descanse, meu querido amigo. Deus te abençoe. 

O labirinto, de Jorge Luís Borges

O labirinto


Este é o labirinto de Creta. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações como Maria Kodama e eu nos perdemos. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações como Maria Kodama e eu nos perdemos naquela manhã e continuamos perdidos no tempo, esse outro labirinto.

Jorge Luís Borges (Atlas - tradução de Miguel Angel Paladino)