sábado, abril 29, 2017

De repente, saio para dançar no Pilantragi






Serenata, poema de Adélia Prado

A SERENATA
 
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?        
                                                                           
Adélia Prado

terça-feira, abril 25, 2017

Personal Shopper, de Olivier Assayas


Um filme elegante, frio, distante, instigante, inteligente mas vazio. A questão sobrenatural tem pouca relevância, mas as peripécias da protagonista em busca de roupas são estéreis de significação. Não fica bem claro a exata relação que tinha com o irmão. Mesmo a aversão em relação à super modelo para que trabalha não tem consistência. O que sente pelo namorado em outro país, o porquê de embarcar numa troca de mensagens com um desconhecido. Nada parece muito convincente. O tédio e a apatia de Maureen que vive a vida como que burocraticamente, necessitando encontrar algum sentido na espera de que o irmão morto se comunique me parece um drama existencial restrito demais para uma signicação maior do que o particularismo. Assistimos toda uma peripécia de Maureen pela cidade, a pé e de moto, entrando e saindo de lojas, sempre sem tesão, sem desejar as roupas e joias que apanha para outra. O final toma um rumo estranho e interessante, a cena do copo que cai, e a resposta na batida na parede a revelar todo tempo, que o fantasma que a perseguia, era ela própria. Uma única cena para valer o filme. 




Kristen Stewart interpreta Maureen, uma jovem norte-americana morando em Paris pouco depois da morte de seu irmão gêmeo, decorrente de um problema cardíaco. Ela também é portadora dessa mesma condição, e poderá morrer de forma inesperada em breve, ou viver até chegar à velhice.
É um mistério, assim como a capacidade mediúnica da personagem. Ela e seu irmão, Lewis, fizeram um pacto no qual quem morresse primeiro faria um contato com o outro. Então, ela o aguarda.

Enquanto isso, Maureen trabalha para uma supermodelo, Kyra (Nora von Waldstätten), para quem vai buscar roupas, acessórios e joias caras. Quando o apartamento da chefe está vazio --o que acontece muito, já que a mulher vive num tour constante pelo circuito da moda europeia--, a protagonista aproveita para assaltar a geladeira e experimentar as peças que não está autorizada a usar.

Um dia, no entanto, encontra Ingo (Lars Eidinger), o namorado de Kyra, que revela ter sido dispensado, e acaba travando com ele um diálogo significativo.

Assayas começa seu filme como uma crônica do mundo contemporâneo dividido entre aparência e essência. Maureen compra, mas não é para ela. Maureen se comunica, mas raramente com alguém que está à sua frente. Quase nunca vê Kyra, e conversa por skype com um amigo que está no Oriente Médio. Seu único laço de amizade mais forte e sincero é com a namorada do irmão (Sigrid Bouaziz). Fantasmas e mais fantasmas a cercam.


Alysson Oliveira,


segunda-feira, abril 24, 2017

Ma ma, de Julio Medem


Após ser diagnosticada com câncer de mama, Magda tem que saber lidar com o casamento fracassado e com um filho obcecado por futebol. A partir de um acidente, conhece um olheiro de futebol com quem se apaixona após uma tragédia. Seu câncer torna a se manifestar e ela descobre-se grávida, tem que contar com o apoio de seu novo companheiro e do filho, ela acredita no poder de cura da menina que espera.


Muitas viradas, homens arrependidos e lágrimas incessantes. Um melodrama carregado e levado ao brega com intensão de comever, pensemos na cena do uncologista cantando no karaoke, e na cena final em que parecer formar um casal "gay" em torno da bebê. 

Chocolat, de Roschdy Zem


Rafael Padilha nasceu em Cuba em 1868 e foi vendido quando ainda era criança. Anos depois ele consegue fugir e é encontrado nas docas por um palhaço que o coloca nas suas apresentações. Em seguida, Padilha passa a ser conhecido como Chocolate, tornando-se o primeiro artista circense negro na França, um grande sucesso no final do século XIX.


Visualmente belo e grandioso, mas Chocolat é um personagem absolutamente insuportável, irresponsável, temperamental, viciado no jogo e alcóolatra. Difícil aderir empaticamente a ele. Então, para mim, apesar de reconstituir a vida do artista de circo, mambembe e a relação tensa com a sociedade branca, o filme não me satisfez nem do nível intelectual o emocional. 

domingo, abril 23, 2017

GUILLERMO ARRIAGA




Guillermo Arriaga, o escritor mexicano que busca na questão da morte elementos para compreensão da vida. Ele veio lançar seu ultimo livro no Brasil e participar dos debates da Festa Literária Internacional de Parati (FLIP). A tragetória do romancista Guillerme Arriaga vai da literatura ao cinema. Ele é autor de roteiros de repercussão internacional, tem uma coletênea de contos e três romances, do qual só publicou dois. O último, lançado no Brasil, aqui na FLIP, Um doce aroma da morte, já traz na capa o tema preferido peloo autor, o título estampa a curiosidade e o vínculo que o autor tem com a morte desde criança. Ele avisa que não se trata de morbidez, mas a percepção de que a vida exige a experiência da finitude, de que é preciso entender a morte para compreender e respeitar a vida. Assim como no romance O búfalo da noite, traduzido no Brasil, em 2002. Guillermo Arriga permeia a sua obra falando da morte para chamar a atenção para vida e para formas de amor, incluindo aquela que nasce da perda. Guillermo Arriaga cresceu num bairro pobre e violento da cidade do México e fraturou o nariz nove vezes em brigas de rua a ponto de perder o olfato. Formou-se em Comunicação e História depois de tentar a carreira de pugilista e de jogador de futebol. Aos 49 anos é tido como nome obrigatório da nova literatura mexicana. Faz parte de uma geração escritores latino-americanos que buscam na vida turbulenta das metrópoles personagens e conflitos que a mistura de culturas e as contradições sociais criam banalizando a violência e a morte.

Oral, poema de Paulo Soares


ORAL

Antes
Do coito,
Do gozo
Da consoante com a vogal.

Verdade seja dita!

O prazer da transa escrita
Passa primeiro pela linguagem oral.

Paulo Soares

O chamado 3



Adoro o primeiro, mal me lembro do segundo e este terceiro quero esquecer. Tão ruim que dá vergonha de ter assistido. 


The daughter, de Simon Stone (a partir de uma peça de Ibsen)



Longe de casa há mais de dez anos, Christian (Paul Schneider) retorna à cidade em que cresceu para o casamento do pai (Geoffrey Rush), com quem tem uma relação complicada, desde que sua mãe se suicidou. Ele aguarda a chegada de sua esposa, que abandonou a casa enquanto ele tentava se livrar do alcoolismo. Neste retorno, encontra decadente a cidade de deixou, já que a madereira do pai faliu, obrigando seus funcionários a partirem em busca de oportunidades em outras cidades e estados. Enquanto luta contra a tentação do vício,  ele se reconecta com o amigo de infância Oliver (Ewen Leslie), ex-funcionário da madereiro, agora casado com a antiga governanta do pai, a família composta por uma filha adolescente que ele idolatra, e o velho pai, ex-presidiário, um homem sábio mas com princípio de alzheimer. Christian descobre por acaso um segredo de família há muito tempo enterrado, obsecado por restituir a verdade (por frustração e/ou vingança), trará dor e desgraça a todos a sua volta. 

The dauthter é uma livre adaptação da peça de 1884 - The wild duck de Ibsen, de Henrik Ibsen. É um drama enxuto duríssimo, quase uma tragédia. A questão da verdade, das relações familiares e do desejo permanecem os temas centrais nesta adaptação para terras australianas. Lindamente filmado, com grande precisão, uso inteligente da standycam e do som. Um grande filme.   Austrália, 2015, Cores, 96 min.


sábado, abril 22, 2017

Sobre ser professor no Brasil ou Da minha aversão ao coitadismo



SOBRE SER PROFESSOR. 
SOBRE TER CURSADO FACULDADE DE LETRAS. 
SOBRE DEPRECIAÇÃO DA PROFISSÃO DE PROFESSOR.

Um dia pretendo reunir todos meus ex-alunos que fizeram Letras, sentar e discutir longamente sobre algo que acho péssimo nesta PROFISSÃO.

Nenhum profissional de qualquer outra área se deprecia tanto quanto professores (ainda mais de Letras). Por mais canalhas que sejam, quaisquer profissionais com ensino superior não apenas se protegem, como jamais depreciam seu ofício. Nunca dão uma de coitados.

Já muitos professores fazem discursos chorosos em sala de aula, mostram holerites aos alunos e dizem ganhar uma miséria. Por que professores fazem isso? Por que depreciam a si próprios. Querem comover seus alunos? Levá-los às lágrimas. Conseguir atenção e respeito? Não percebem que o que ocorre é o contrário? Passam a ser visto por seus alunos como fracassados e indignos de respeito e atenção? Esses professores não têm consciência da sua função social? Não se acham dignos? Duvidam do seu próprio valor?

Não deve ser pelo que recebem, pois certamente, nem peões de obra se depreciam, ainda menos nenhuma outra área do ensino superior. Nunca vi minha mãe chorar pobreza por seu salário de enfermeira. Professores não entendem que ao se depreciarem (falar que ganham salários miseráveis etc) são vistos pela sociedade como "coitados", dignos de pena, de piedade. Ao se porem nesta condição, são assim vistos e tratados por todos, até pelo poder público, ou seja, como coitados.
Quantas vezes ao dizer que sou professor, ouvi em contrapartida: "é difícil, ganha um salário de miséria e não é respeitado pelos alunos". Sempre retruquei, pois para mim é um desprestígio horrível.
Reclamar do salário em aula ou com pais de alunos irá resultar em quê?

Para piorar, muitos professores incorporam o fracasso: começam a se vestir mal, se apresentar de modo relaxado, fazem aulas gambiarras, agem sem comprometimento e profissionalismo. E essa é a imagem que muitos consolidaram na profissão: de coitados, como se quisessem atrair a piedade.
Conseguem. Mas observe: recebem uma piedade falsa, pois em greves e manifestações, pais de alunos e praticamente toda sociedade ou ignoram suas manifestações/greves (que às vezes duram meses) ou se posicionam contra os professores. A mídia hipócrita, em casos de greve, jamais entrevista/ouve professores.

Um jovem que deseja ser professor é logo desmotivado por seus pais (eu também fui, e brinco com isto quando falo com meus alunos), porque ser professor é visto, em tese, como vocação abnegada e altruísta, na prática, como fracasso financeiro.

Eu JAMAIS me deprecio. A minha profissão me permite morar onde desejo, fazer ótimas viagens, ter uma vida interessantíssima, e contato com colegas e alunos ótimos. Sei exatamente o significado do que faço, como eu fui fundamental para mudança qualitativa de muitas pessoas. Se me oferecem menos do que mereço, digo não. E procuro trabalhar em lugares onde sou valorizado.
Acho fundamental que os professores - dignos já pela profissão escolhida - parem de fazer o discurso de coitadinhos, se mostrem como detentores de um saber a ser valorizado. Isto deve começar pela sala de aula, diante dos seus alunos. Quem entra numa rede pública sabe das condições, aceitou o ônus, não caiu de paraquedas. O governantes precarizaram a profissão, qual é o caminho? Se unam e se fortaleçam como classe profissional e lutem pela valorização (não apenas salarial) de seu ofício quando necessário.

É preciso entender que PROFESSOR é uma profissão, ele não é "colaborador", um "facilitador", um "intermediário entre aluno e conteúdo". Ele é um agente formador de pessoas; seu objetivo ultrapassa o conteúdo, cabe a ele torná-las mais lúcidas, conscientes e críticas. Para isso é fundamental que ele também saiba quem é.

E coitadinho, digno de piedade, é o que de pior se pode pensar de um Professor.

O melodrama em Nelson Rodrigues

No melodrama mais tradicional, valia a ação de vilões externos ao espaço doméstico, sedutores a assediar figuras da inocência desprotegida que encontravam sua salvação na figura do herói virtuoso. Não é o que acontece na dramaturgia de Nelson Rodrigues, em que a corrosão dos valores é um problema interno ao espaço doméstico e tem como centro a figura que deveria protegê-lo: o marido, o pai de família. O reconhecimento da corrosão interna do espaço da casa não elimina da dramaturgia a mesma demanda de pureza, mas essa tem de ser feita a partir de uma suspeita sistemática dirigida aos "motivos nobres". Resulta um teatro que não nos ilude com cenários de redenção. Em seu terreno minado por egoísmos delirantes predominam os disparates, as contradições e as vocações para o desastre, matéria que convida a uma leitura apoiada na psicanálise, embora a relação com ela se dê como que a contrapelo. 

p. 210

O olhar e a cena, de Ismail Xavier. 

quarta-feira, abril 19, 2017

Eu não sou um serial killer


John Cleaver (Max Records) é um jovem de 16 anos com impulsos psicopatas. Ele trabalha embalsamando corpos com a mãe e a tia, é obcecado por assassinos em série, mas não deseja se tornar um. Ele faz terapia e procura controlar seus impulsos, por isso, criou regas rígidas para o seu próprio bem e a segurança das pessoas ao redor. Quando um serial killer aparece na sua cidade, ele logo o descobre, mas fica seduzido pelas práticas do sujeito. Ele começa a liberar seus impulsos e começa a agir de modo tão perigoso quanto o mosntro que está tentando matar.



A relação familiar disfuncional, confusa e até inverossímil. Muitas coincidências e furos do roteiro compromentem ainda mais a trama, e o desfecho insólito/surrealista torna o filme ainda mais perdido. Achei chato. 

Clarlie e a fábrica de chocolate, de Roald Dahl



Então no dia do meu aniversário, recebi uma ligação do Mauro (que eu não via há meses) e na saída do trabalho, lá na Padaria Bela Paulista recebi este livro de presente, uma barra de chocolate e uma dedicatória linda. Foi inesperado e fiquei realmente comovido, pois na prática, foi o único presente que recebi neste meu aniversário, e foi muito significativo depois do texto que tinha escrito sobre o livro. 

terça-feira, abril 18, 2017

Ruby Sparks: A Namorada Perfeita




Calvin é um jovem escritor que está com bloqueio de criação. Depois de muito esforço, ele escreve sobre a garota de seus sonhos, Ruby Sparks. Para a surpresa dele, Ruby aparece magicamente em sua casa, e os dois iniciam um relacionamento.



Um filme absolutamente delicioso. 



domingo, abril 16, 2017

Páscoa e comemoração ao meu aniversário



No Zaira, Mauá. Eterna casa. Com mãe, Valdeci, irmã, irmão, cunhada, Gabriel, Pedrão e Vittorino. Uma Páscoa e um aniversário bem familiar.