sexta-feira, agosto 17, 2018

Nós no Eva Herz, 16.8.18 para ver Memórias Póstumas de Brás Cubas






[Quando apresentado no teatro da Biblioteca Mário de Andrade, não consegui assistir. Agora, fui no primeiro dia de estreia do espetáculo no teatro Eva Herz, da Livraria Cultura. Fui com Mauro, Solange e Fernanda]. 

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Regina Galdino


SINOPSE: O espetáculo traz uma visão moderna do romance, alicerçando-se esteticamente na carnavalização, salientando a parte filosófica e fantástica de Brás Cubas, em detrimento de uma leitura folhetinesca e realista.

Marcos Damigo está sozinho no palco para viver um Brás Cubas bem-humorado, irreverente, egoísta e amoral. Com uma narrativa não linear, o personagem dialoga com seu público, canta, dança, discorre sobre seus envolvimentos amorosos, lembra a família e os amigos, enquanto passeia pelas agruras da sociedade de seu tempo. 

A obra traz à tona toda a atualidade deste livro seminal de Machado de Assis, oferecendo ao público a possibilidade de olhar para um retrato genial da sociedade brasileira no século XIX.






Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Regina Galdino.

Marcos Damigo encena a obra revolucionária de Machado de Assis em forma de um musical jogoso, inteligente e sofisticado. Tudo, com recursos mínimos: uma mala, um "caixão vazado", uma mesinha com uma taça de vinho, um crânio, um chapéu e um painel de fundo. A luz e o figurino belíssimo, faz o resto. Elementos suficientes - além dos múltiplos recursos expressivos do ator - para fazer reviver do além túmulo, o aristocrata canalha Brás Cubas.

Com uma trilha sonora e números musicais deliciosamente coreografados, Damigo consegue realizar em 1h30 de espetáculo, uma síntese perfeita do romance. Adaptadora e diretora da peça, Regina Galdino faz com que da boca do defunto-autor saltem as ironia, o sarcasmo, frases virulentas e cruéis com a fluência da fala corriqueira sem deturpar as frases inteiras tiradas do original, sem simplificar ou distorcer o que há de melhor do original: a afiada linguagem do Bruxo do Cosme Velho.

O trabalho de corpo do ator é surpreendente: Marcos Damigo, dança, alterna movimentos de atletismo posições de habilidoso iogue para surpreender e encantar a plateia. Sua atuação se faz sem excesso, na medida certa, transportando as inferências que estão no estilo da obra para linguagem teatral, com um diálogo aberto e divertido com o público. Uma adaptação precisa de um texto irresistível, mas de difícil assimilação para jovens da atual geração (ou de todas). Painel cruel do escárnio com que as elites brasileiras (as mesmas em ação no presente) atuam na política e desprezam os mais pobres. No palco, Damigo encarna toda a moral melíflua dos canalhas, sua vaidade, arrogância, pretensão e mediocridade, tudo que reafirma a atualidade de Machado de Assis, sua capacidade de radiografar a aristocracia/elite do Brasil, imutavelmente cínica e predatória.

Sem banalizar o estilo ou subestimar a capacidade do público em fruir a narrativa, a peça-musical extrai do original sua essência. Vale demais. E está em cartaz todas as quintas, até dezembro, no teatro Teatro Eva Herz (dentro da Livraria Cultura da Avenida Paulista), Conjunto Nacional. 40 inteira e 20 meia/estudante]

De Machado de Assis
Com:Marcos Damigo
Direção e Adaptação de Texto: Regina Galdino
Música Original: Mário Manga
Direção Musical, Arranjos e Trilha Sonora: Pedro Paulo Bogossian
Figurino: Fábio Namatame
Coreografia: Marcos Damigo
Iluminação e Cenografia: Regina Galdino
Fotos: Lucas Brandão
Realização: Oasis Empreendimentos Artísticos






A próxima pele, de Isaki Lacuesta, Isa Campo



Por muitos anos, ninguém sabia o que havia acontecido com Gabriel (Àlex Monner), um garoto de nove anos que sofreu um acidente nas montanhas que deixou seu pai morto. A mãe e outras pessoas suspeitavam que ele estivesse morto, porém, oito anos depois, ele retorna para casa alegando ter amnésia. Retendo apenas memórias básicas, ele busca reestabelecer sua conexão perdida com a mãe, mas suspeitas de que ele seja apenas um impostor começam a surgir.

[Assisti do nada, zapeando. Um filme cheio de ambiguidade, genial.]

quinta-feira, agosto 09, 2018

Depois da meia-noite, Stephen King


ORELHA DO LIVRO

Bruxas, vampiros, missas do galo. Momento símbolo do sobrenatural, a meia-noite marca a passagem entre a realidade que conhecemos e aquela cujos segredos ainda serão desvelados. 

Consagrado unanimemente pela crítica mundial como Mestre do Horror Moderno, Stephen King reúne em Depois da Meia-Noite quatro histórias sobre pessoas que, habituadas à realidade cotidiana e palpável, encontram-se subitamente envolvidas por acontecimentos que desafiam a sanidade. São histórias que se referem não à meia-noite física - aquela que os velhos relógios anunciam com doze badaladas - mas o sutil momento de transição entre nossa realidade e outra, bizarra, ilógica. Uma realidade formada pela substância da qual são feitos os pesadelos.

MEIA-NOITE E UM : "Os Langoliers". Os onze passageiros que dormiam nos momentos iniciais de um vôo rotineiro entre Los Angeles e Boston acordam para um drama onírico: todas as outras pessoas no avião, inclusive os tripulantes desapareceram. Quebra-cabeça absurdo, em que peças de encaixe impossível surgem a cada instante: aquele vôo tem como destino um enigma ainda mais assustador.

MEIA-NOITE E DOIS - "Janela Secreta - Jardim Secreto" - Isolado numa casa de campo após seu conturbado divórcio,o escritor de histórias de mistério Mort Rainey enfrenta - por conta da depressão - grave crise de criatividade. É quando sua vida é invadida por John Shooter, um estranho que o acusa de plágio. A alegação é infundada, mas Mort logo descobre que o acusador é um psicopata perigoso. Ele ameaça assassinar os entes queridos de Mort e incriminá-lo, a não ser que o famoso autor escreva uma história com a assinatura de John Shooter.

MEIA-NOITE E TRÊS - "O Policial da Biblioteca". Sam Peebles tem um problema. Precisa substituir na última hora um orador numa reunião de negócios. A solução para tornar se discurso menos chato está em dois livros do acervo da Biblioteca Pública de Junction City. Entretanto, como a sinistra bibliotecária avisou-o muito bem, os livros precisam ser devolvidos em seis dias, ou providências enérgicas serão tomadas. Mas um acidente impede a entrega, e Sam descobre estar realmente com problemas quando o policial da Biblioteca faz-lhe uma visita...

MEIA-NOITE E QUATRO - "O Cão da Fotografia". Uma câmera polaroide é o presente mais simples que um rapaz poderia receber em seu décimo quinto aniversário. Mas a máquina apresenta um defeito extravagante ao revelar seus instantâneos: no lugar da sorridente família de Kevin, surge um cão. Um animal negro e misterioso que aparece em todas as fotos, sempre em posição diferente. O cão de olhos raivosos está se movendo naquelas fotografias que parecem exalar atmosfera própria, um vento gélido e arrepinate. "O Cão da Fotografia" é, segundo o próprio King, um prólogo para o próximo romance do autor Trocas Macabras.

[Fora de catálogo, este livro custa cerca de 300 reais na Estante Virtual. Traz essas novelas que me deu curiosidade de ler. Consegui um milagroso epub deste livro, com pequenas falhas de ortografia, mas perfeitamente legíveis no kindle. Descobri, entretanto, um programa no celular capaz de ler livros com voz eletrônica, e pronto. Apesar de serem enormes, consegui ler/ouvir os dois contos que me interessavam - os dois últimos. Eu fico cansado com o detalhamento desnecessário/redundante que King dá a narrativas que poderiam ser mais eficientes se tivessem a metade do tamanho original, mas ele é sempre interessante.

"O policial da Biblioteca" na verdade é uma narrativa que traz "It" com outra face, como uma bibliotecária satânica, encarnação do mal, que vive para além do tempo.

Já o segundo conto, "O cão da fotografia" é meio bobinho, mas traz uma loja de quinquilharias perversas que aparecerá no filme (não li o livro) Trocas macabras. ]

Ilê de luz, por Caetano Veloso

(Ilê Aiyê)

Me diz que sou rídiculo,
Nos teus olhos sou mau visto,
Diz até tenho má indole
Tu me achas bonito, lindo!
Ilê Aiyê...!

Refrão
Negro é sempre vilão
Até meu bem provar que não
É racismo meu? Não

Todo mundo é negro,
De verdade é tão escuro,
Que percebo a menor claridade,
E se eu tiver barreiras?
Pulo não me iludo não,
"Com essa" de classe do mundo,
Sou um filho do mundo,
Um ser vivo de luz
Ilê de luz


[Apaixonado por essa canção]

sexta-feira, agosto 03, 2018

Deus é mulher, de Elza


A imorrível Elza lança uma outra obra prima, um cd que discute o país de hoje, com força e contundência. 

Objetos Cortantes


Baixei no Kindle, li metado no Kindle e o resto pus no celular para fazer leitura eletrônica. E gostei, como primeiro livro de Gillian Flynn é simplório mas interessante. A série é bem feita e linda.


Encontros inusitados no CCSP

Marquei aulas particulares de redação no CCSP com Lucas, amigo de Pedro. Esperei-o as 15h, e a aula foi ótima. Quando ele saiu, uma moça pediu para sentar na mesa, lá, sempre disputadíssima. E então, chegaram duas amigas e começaram a discutir sobre um projeto de mestrado sobre literatura periférica. Não resisti, e me meti na conversa. Acabei falando da minha experiência de pós-doutorado no tema, e passei meu contato para enviar projeto e o ensaio sobre Sabotage. Saí de lá muito feliz de poder ajudar as moças. Gosto do estranho acaso do acaso, e penso que só vim ao mundo para esses encontros e nada me faz mais feliz que ajudar pessoas que lutam por causas justas. É o que me consola nesses tempos nefastos que vivemos no Brasil. 


sexta-feira, julho 27, 2018

Saudadonas do Lucas


Lurdinha faleceu hoje, 27.7.2018


Então soube por uma mensagem nos whats de Clarisse, que Lurdinha morreu. Maria de Lourdes Ruegger Silva, minha professora de Literatura Brasileira de quando cursei Letras, na Fundação Santo Andre. A ela eu dediquei minha tese. Nunca fomos próximos, mas ela foi muito importante para mim. Me apresentou Rosa, Clarice Lispector, Cecília, Mario de Andrade. Suas aulas eram encantadoras. Difícil conhecer alguém capaz de ler tão lindamente quanto ela. Tinha um temperamento difícil e nos últimos anos passou por dificuldades no trabalho. Não parecia temer a morte. Não parecia temer nada. Que descanse em  paz. 

Castle Rock, da Hulu - Stephen King adaptado por JJ Abrams



Castle Rock, série da Hulu, com produção de J. J. Abrams, que,  apesar de não ser adaptada de nenhuma obra do escritor, se passará em uma espécie de universo compartilhado dos livros de Stephen King, utilizando referências e locações presentes no trabalho do mestre do terror.

A série, com 10 episódios, é uma antologia que se se passa no universo compartilhado das obras de Stephen King e tem no elenco nomes como Sissy Spacek, que estrelou Carrie, A Estrenha – primeira adaptação de Stephen King para o cinema – Scott Glenn , Terry O’Quinn, Melanie Linskey, Jane Levy, Andre Holland e Bill Skarsgard, que interpreta Pennywise em It: A Coisa.

P.S. Depois de assistir aos três primeiros episódios disponíveis, fiquei decepcionado com tudo. O ritmo é arrastado, os mistérios são desinteressantes e até os momentos sobrenaturais são óbvios (as premonições, os jump scares de fantasminhas). O universo de King é mal aproveitado, pensei que seria episódico, na linha Black Mirror, mas virou um novelão cheio de personagens previsíveis, pouco ou nada interessantes. 

Objetos Cortantes, da HBO



Instigado pelas imagens da produção, por ter Amy Adams e por que a autora Gillian Flynn é autora do filme Gone Girl, fui atrás dessa série da HBO. Baixo, assisto e gosto cada vez mais. Resolvi também baixar o livro da Amazon, e ler no meu Kindle. Faço em paralelo e aprecio a série, a escrita rápida de Gillian e os lances da adaptação literária para o audiovisual. Andorando ambos. 


quinta-feira, julho 26, 2018

LARA CROFT GO - Game para Android e PC


Passage, game indie (ou Sobre a genialidade dos games)


Ganiel Galera escreve num ensaio brilhante sobre narrativa de games?

Em 2007, um programador de 30 anos chamado Jason Rohrer causou sensação nas comunidades de jogos independentes com um joguinho gratuito chamado Passage. 




Com duração exata de cinco minutos e gráficos primitivos que remetem à era dos jogos 8-bits, Passage coloca você no controle do bonequinho de um homem que se locomove da esquerda para a direita numa faixa estreita de cenário. Não há instruções de nenhum tipo. Logo de cara, seu avatar encontra uma garota parada no topo da tela. Se você encostar nela, ela gruda em você como sua esposa e o acompanha até o fim do jogo. Enquanto se desloca pelo cenário labiríntico, evitando becos sem saída e tentando pegar tesouros que valem pontos, embalado por uma melodia digital melancólica, você percebe coisas estranhas. 


O canto esquerdo do cenário, ou seja, aquilo que você está deixando para trás e que antes estava perfeitamente definido, vai ficando cada vez mais borrado; o canto direito, para onde você avança rumo a lugares ainda desconhecidos que surgem de um grande borrão, começa a ficar cada vez mais definido. Você – e sua companheira, caso tenha optado por levá-la consigo – também está mudando. No início, é difícil perceber a natureza da mudança, mas lá pelo segundo, talvez terceiro minuto do jogo, ela ficará clara: você está envelhecendo. O cenário está ficando cada vez mais desbotado. Cada passo adiante vale pontos, mas seguir em linha reta o privará de explorar recantos interessantes. E mais: sua velocidade diminui com o passar do tempo. Você tenta descobrir como evitar isso, mas não há o que fazer senão ir em frente. 



Sozinho, você ocupa menos espaço, anda mais rápido e pode pegar atalhos estreitos; acompanhado da esposa, precisa pegar desvios que o atrasam ou até bloqueiam, mas cada tesouro encontrado rende o dobro de pontos. Não é possível alterar a escolha feita: a opção pela solidão ou pelo casamento é definitiva. Aos quatro minutos e pouco, sua mulher morre. Você segue em frente sem ela, solitário nos segundos que lhe restam. Aos cinco minutos, já velhinho e quase incapaz de andar, com o passado na forma de um borrão enorme atrás de si, o futuro nítido à frente e, entre uma coisa e outra, um percurso de tentativas parcialmente bem-sucedidas de entender o que precisava ser feito, você se curva e morre. Não há derrota nem vitória, apenas o fim. Game over.



Descrito dessa maneira, Passage é apenas mais uma representação engenhosa da inexorabilidade da passagem do tempo e da morte, coisa que estamos cansados – ou que não nos cansamos – de encontrar na arte de todos os tipos e épocas. Mas havia algo jamais visto nesse joguinho, algo que tirou lágrimas de muitos jogadores desavisados. Depoimentos em sites como Destructoid mencionam sensações de vazio e tristeza (“Adorei… e estou me sentindo meio vazio por dentro”; “Meu coração afundou quando minha esposa morreu”; “Esse jogo me deprimiu e me deu vontade de procurar um emprego que pague bem, e não estou brincando”), exultação (“Por alguma razão, esse jogo me encheu de ânimo”) e projeções da experiência da partida na vida pessoal do jogador (“Só fui andando reto e pegando todos os baús que encontrava […] e agora fiquei deprimido porque vi que estou fazendo a mesma coisa da minha vida”). Como uma obra de gráficos e som tão limi­tados, sem nenhuma presença de texto ou condução narrativa convencional, foi capaz de causar tanto impacto?

Texto integral de GALERA

Gabriel, Airton, Premiere e edição de vídeos

Hoje Gabriel Alexandre esteve aqui em casa para me ensinar editar os vídeos que ando fazendo para o SoulArt e para mim. Airton baixou aqui também para ver material que gravou no teatro e aprender um pouco mais. Teve café, pipoca, boa conversa. Baixaram programas. Instalaram. De antigo professor acabei aluno do sagaz Gabriel, sempre a melhor pessoa. E vamos assim, mudando a vida e realizando bons projetos.