segunda-feira, setembro 18, 2017

No Rio

Fui ao Rio dia 13.9, quinta, a meia noite  e estava de volta dia 16.9 para dar aula de redação no Tatuapé. Conversa com Jô com direito a jantar na rua Lapa e encontro/jantar no dia seguinte com a gravidíssima Janete. Ótimos debates no PACC na quinta. Encontrei no shopping Leblon moça para prestação de contas da FAPERJ. Susto. Esbarrei por acidente duas vezes com Tiago. Fazia sol, o dia estava lindo, mas eu não estava no clima de Rio. 

Exposição Tropicália, CCBB-Rio


De passagem rápida no Rio, fui ao CCBB ver essa exposição lindamente cenografada sobre a Tropicália. Imperdível.

Love, Marilyn (2012)


Belo documentário para buscar entender a grande criação de Marilyn Monroe: a si mesma.

Quanto mais quente melhor, de Billy Wilder


Assistido em parte com Gabriel. Sempre bom rever Marylin.

It, a coisa, de Stephen King


Romance de Stephen King finalmente adaptado com qualidade para o cinema (em duas partes, lançada até o momento a primeira), faz juz ao univeso de King. A cidadezinha interiorana revista com nostalgia (por que a trama se passa nos anos 80) onde o sobrenatural se instaura é de novo foco do autor. Agora é uma criatura perversa que sequestra e mata crianças e jovens que precisa ser descoberta e enfretada por um grupos de crianças pré-adolescentes. A trama de amizade entre meninos, a descoberta dos afetos e da sexualidade, o clima de violência generalizado com adultos mais perversos do que a criatura que se personifica no palhaço Pennywise. 

A janela secreta, de David Koepp


Baseado num conto de Stephen King - Janela secreta, jardim secreto. Passou batido e não tinha assistido até este ano. Um suspense com poucos personagens mas muito king, com um escritor isolado numa casa, com bloqueio criativo, em crise com a ex-esposa (com desejo de morte e vingança) que começa ser perseguido/ameaçado por um desconhecido, num crescendo paranóico em que a razão e a insanidade começam a se sobrepor. Fraco, mas interessante. 

Instinto Selvagem, Paul Verhoeven


Reassisti para confirmar o quão hitchcoquiano é este filme de Paul Verhoeven. Mostra que o cinemão pode ser profundo, chegar longe no examente do desejo, trabalhando com metalinguagem e repensando a mudança da mulher na sociedade/tempo. Um suspense pautado num erotismo feroz, violento, trangressor, pop e polêmico, ou seja, bastante Paul Verhoeven. A mulher fatal e o investigador engendrado numa trama construída para enreda-lo. Exemplo das infinitas possibilidade de reinvenção do noir. 

Party girl


Party girl é um grande filme. Uma striper chegada já à velhice recebe proposta de casamento, mas a sua incapacidade de abandonar o universo em que sempre viveu e de reconhecer a passagem do tempo faz naufragar um destino mais estável.

Conta Comigo, Bob Reiner


Sentei para rever essa adaptação do conto O corpo, de Stephen King (presente no livro As quatro estações). Filme que vi em video cassete, filme da infância, cheio de belezas e memórias.



À espera de um milagre, de Frank Darabont


Reassisti essa adaptação de um conto de Stephen King, mais uma de Frank Darabont, que já havia feito Um sonho de Liberdade e depois faria A névoa. Excelente diretor atento para precisão do estilo clássico de direção, mas permeado de delicadeza. . 

Victor ou Victória, de Blake Edwards.


Reassisti em casa com Gabriel. Bela comédia musical de Blake Edwards. 


A visita da velha senhora, Teatro Popular do SESI



Fui ao Teatro Popular do SESI e assisti com Gabriel e Mauro A visita da velha senhora, texto de Friedrich Durrenmatt, direção de Luiz Villaça. Fábula interessante sobre a hipocrisia e maleabilidade da Moral e da Justiça ante os interesses econômicos. dinâmica mas perdida entre ser brechtiana e superprodução, achata o texto com o excesso de pirotecnia. 


quarta-feira, setembro 06, 2017

Sobre Stephen King e Escuridão Total, sem estrelas


Retomei a leitura do conto que não havia lido, "1922". Escuridão total sem estrelas, de Stephen King traz quatro narrativas longas, uma melhor que o outra e numa linguagem excelente, o que é raro, já que King é um escritor desleixado e prolixo.

Cada conto sai pronto para uma adaptação cinematográfica. King não é um estilista, a linguagem não lhe interessa, mas a fábula/enredo, a caracterização e complexidade psicológica dos personagens. Para ele, os diálogos tem que ser fiéis ao universo cultural dos personagens e ao narrador trata uma contenção distanciada, embora frequentemente, por trabalhar com narrativas em primeira pessoas, embaralham-se esses dois elementos. 

Mas o que Stephen King é de fato, é um escritor épico, no sentido de que enfatiza as ações. É por meio delas que o leitor chega à psicologia do personagem, suas motivações etc. A interação com o entorno e outros personagens em vez de longas digressões ou firulas são marcas do seu estilo, quase sempre direto, limpo, convencional e objetivo. Isso nos bons livros, já que em muitos ele se perde no grotesco e na escatologia (sendo ou não a narrativa calcada no terror físico, psicológico ou sobrenatural). Há algo de inegavelmente tosco, vulgar, prosaico em King. Ele recusa a natureza intelectual que frequentemente envolve o campo das letras, para ele um bom escritor tem que ser um contador de histórias, envolver o leitor, suscitar emoções, instigar, entreter. Não lhe interessa camadas profundas de significação, embora frequentemente coloque autoria, escrita e bloqueio como elemento central de suas tramas, uma forma de trazer para o plano do concreto questões mais profundas da criação narrativa. Um bom exemplo disto é Misery/Louca obsessão, uma alegoria do alcool e das drogas e da angústia da criação. 



O campo dos Estudos Literários ignora e despreza Stephen King, talvez por que para esse o enredo/fábula é uma vulgaridade. E eu acho isso estranho, já que autores como Jorge Luís Borges  a defendeu como fundamental, destacando grandes criadores de enredo como o próprio Cervantes. Mas não podem negar que King domina o métier. Seu livro Sobre a escrita, a arte em memórias, trata justamente do seu processo de construção da narrativa, da dita "inspiração" ao processo prático de composição de romances e contos. Tem uma visão nada acadêmica, em muitos pontos questionáveis do fazer literário, mas instigante, já que ele é um dos criadores mais inventivos, produtivos e bem sucedido comercialmente. É possível odiar odiar suas tramas de suspense, terror e ficção, mas o século XX e XXI não seria o mesmo sem filmes como O iluminado, de Stanley Kubrick; Carrie, de Bryan Depalma; A hora da zona morta, de David Cronemberg; Conta comigo e Louca obsessão, de Rob Reiner; Um sonho de liberdade e À espera de um milagre, de Frank Darabont. Sem falar de tantos outros filmes extraordinários que surgiram de sua imaginação. 



Stephen King, com o tempo começou a fazer livros extensos demais, com narrativas que poderiam ocupar um terço do tamanho. King é produtivo, mas extremamente irregular na qualidade do que produz, por isso também prefiro ler seus contos. O conto exige uma contensão/síntese e uma precisão que lhe faz bem. Ele é um excelente contista, tanto na short story quanto no conto mais longo e na novela. Discipulo de Poe, ele busca o efeito da surpresa final e escreve já de olho no desfecho; sabe como e quando fisgar o leitor. Por isso aconselho sempre seus livros de contos, que trazem muitas narrativas - várias delas foram adaptadas e viraram filmes, curtas (episódios em séries televisivas) e seriados. 



Recentemente a editora SUMA adquiriu os direitos de King passou a publicá-lo em edições muito bem cuidadas, da tradução ao design do livro. Escuridão total, sem estrelas é o melhor exemplo: a capa, as fontes do título e as laterais das páginas são negras, só há o branco na lombada, tudo em consonância com o título, configurando-se sim um "objeto-livro".

Dos livros de contos, eu recomendo: Sombras da noite (o primeiro que li, e cheio de obras-primas do conto), Pesadelos e paisagens noturnas I e II (dois volumes independentes), Quatro estações, Tripulação de esqueletos, O bazar dos sonhos ruins e Ao cair da noite. Muitos desses livros trazem, anteposto ao conto, um comentário de King sobre o contexto e/ou a motivação do conto, onde foi publicado e por que lhe interessou a temática. Ou seja, um plus, uma espécie de making off da narrativa, o que é raro entre escritores. 





Escuridão total, sem estrelas traz quatro contos:

1922
Preste a ocorrer a Grande Depressão, Esposa é assassinada pelo marido e pelo filho que pretendem ficar com as terras herdadas por ela. 

Gigante do volante
Escritora é estuprada e começa a investigar o autor do crime para vingar-se. 

Extensão justa
Um sujeito com câncer faz um pacto com o diabo para extender seu tempo de vida, sacrificando com isso a vida do melhor amigo.

Um bom casamento
Esposa descobre que seu marido é um serial killer e elabora um modo de fazê-lo pagar por seus crimes. 

Não há propriamente terror, mas as tramas são engendradas de modo inteligente e o suspense é mantido da primeira a última linha. Brilhante. 

Alfredo Chamal, hiper realismo com caneta Bic








Polaroides de Andrei Tarkovski