domingo, junho 10, 2018

Antologia do Conto Húngaro, de Paulo Rónai


Há anos procurando para ler o prefácio de João Guimarães Rosa, entitulado "Pequena palavra", e até hoje não consegui achar. 

Sobre paradoxos


Capa da National Geographic brilhante. Uma sacolinha singela sacolinha, é fotografada de modo a se converter num imenso iceberg, denunciando a ameça do plástico nos mares.


Chegou a Revista National Geographic. Com um alerta sobre o uso excessivo do plástico. Ela vem em um shrink plástico. E dentro de um saquinho plástico para reforçar a proteção. O paradoxo entre a mensagem da capa e o uso causa humor ao reforçar a contradição e a certeza de que a conscientização racional não da conta da prática social e econômica. 




quarta-feira, junho 06, 2018

terça-feira, junho 05, 2018

Os cientistas brasileiros que inventaram a ferramenta de correção ortográfica do Word

Os cientistas brasileiros que inventaram a ferramenta de correção ortográfica do Word

Os espíritos da casa e a permissão


Os antepassados diziam que espíritos e entidades não entram em nossa casa sem nossa permissão. Eles ficam parados nas portas e janelas, à espreita, esperando para serem convidados pelos donos da casa, da maneira mais informal possível. Um exemplo disso, é quando a porta de sua casa se abre sozinha. Muitas pessoas falam em tom de brincadeira: "Pode entrar".

É neste momento que as entidades entram e ficam por ali, encostados em você, até virarem obsessores. Se quiser se certificar de que algo entrou em sua casa, ao anoitecer, acenda uma vela aos pés de alguma porta de sua casa e sente-se em frente à ela. Acalme sua mente e fale em um tom de voz mediano: "Se quiser entrar, a vela terá que apagar". Caso a vela se apague, a entidade confirmou sua presença ali e está pronta para entrar. (Não convide) Caso a vela continue acesa, não há entidade alguma por ali. Agora, se a vela cair, a entidade já está, há muito tempo, dentro de sua casa. Quer testar?

Fonte FACEBOOK
Página: Lenda Urbana - 27 de maio às 18:54 · 

ESCALADA SOCIAL




ESCALADA SOCIAL

Por sorte, eu sempre tive
estas pernas.

(microconto)

Do Facebook da Penélope Martins

Os bastidores do livro: vender literatura pra quem?

Começamos mal:

1. Professores leem pouco, uns declaram mesmo que não gostam;

1. Pais e mães leem pouco, uns declaram mesmo que não gostam;

2. Professores perguntam por livros que sirvam para ensinar um ponto da matéria, porque o interesse é estritamente didático;

2. Mães e pais perguntam por livros que sirvam para ensinar alguma coisa, que sejam mais coloridos, que não falem de temas difíceis;

3. Na escola, livro que possa levantar debate de algo polêmico, não pode. Pipi é polêmico, bumbum é polêmico, democracia é polêmica, morte é polêmica, imigração é tratada com 'pena'...;

3. Em casa, crianças almoçam com o tablet de companhia;

*

4. A leitura de imagem é tratada como algo menor pela escola; parece que todos se esquecem que necessitamos compreender imagens para, no mínimo, lidar com um mundo que difere de nós em culturas e idiomas;

5. Profissionais da literatura, autores e autoras e debatedores e curadores, tratam a literatura para infância como algo simples e de menor valor;

6. Dentro do circuito, os clubinhos ficam repetindo sempre as mesmas figurinhas, não compartilham conteúdo de outros e não pretendem generosidade como instrumento de mediação e divulgação literária;

7. A oralidade é desrespeitada como se fosse um circo de horrores para entretenimento, algo menor e não ancestral como é, banal como simples fosse dispensável flor de e.v.a.;

8. Ninguém se lembra que arte é talvez o mais eficaz meio para desenvolvimento de um processo de esclarecimento e que isso se dá pelos ouvidos e boca e olhos e narinas e tato...

9. Música é berço para quem pretende acolher palavras, somos um povo e quiçá uma espécie musical, por isso construir leitores deve considerar ler em voz alta, contar, conversar, cantar;

10. ... etc etc etc.

*

PS. Estamos conscientes sobre a desimportância que damos à leitura ampla de mundo - a de livros inclusive - enquanto construção de pessoas aptas ao discurso e ao debate? Estamos conscientes que, enquanto autores e autoras, devemos compreender que não se faz leitor de um livro só ou de uma autoria só? Estamos conscientes que ler para crianças torna viável o projeto de mais adultos leitores? Estamos conscientea que a LITERATURA PARA INFÂNCIA e juventude tem a difícil tarefa de seduzir para uma conversa silenciosa de páginas e que quem escreve para esse segmento não está fazendo uma 'coisa qualquer'?

Pra pensar se queremos vender literatura.

Ps2: as oficinas de ler e escrever - vazias. Não tem público que se interessa.

Penélope Marins

domingo, junho 03, 2018

Lady Macbeth do distrito de Mtsensk, de Nikolai Leskov


Nada a ver com aquela esposa da peça de Shakespeare, esta aqui é uma mocinha é perturbadoramente libertária e assassina. 

CRÍTICA DA FOLHA: 

Em sua estreia no cinema, o diretor William Oldroyd – que vem do teatro – conta essa fábula de maneira austera, num cenário gélido, o que é um acerto. 

"Livremente baseada no romance "Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk" (1865), considerado a obra-prima do russo Nikolai Leskov, a história foi transposta para a zona rural da Inglaterra durante a era vitoriana. O argumento é basicamente o mesmo: as consequências da miséria existencial engendrada pela frustração e pelos maus-tratos na vida de uma jovem, Katherine (Florence Pugh).

Obrigada a se casar com Alexander (Paul Hilton), um latifundiário soturno, violento e bem mais velho, ela não tem o direito de sair de casa, levando uma vida solitária e cheia de tédio. O sogro não é menos rude.

Em meio a esse vazio sufocante, ela cede às investidas de Sebastian (Cosmo Jarvis), o cavalariço. Num primeiro momento, essa atitude pode ser tomada como um gesto de revolta à submissão e à discriminação sexual. A partir daí, Katherine assume seus desejos até as últimas consequências, numa espiral de assassinatos.

Mas a simpatia ou a indulgência que os primeiros crimes podem suscitar –afinal, as vítimas são figuras francamente abjetas e a jovem parece assumir as rédeas de seu destino, subvertendo a ordem social reinante– acabam se esvaindo.


À medida que os atos de violência se sucedem, Katherine mostra outra face, a da mulher amoral, manipuladora (...). O potencial transgressor da personagem é um blefe, não vai além do cinismo tingido de êxtase.

Em sua estreia no cinema, o diretor William Oldroyd –que veio do teatro– conta essa fábula de maneira austera, num cenário gélido, o que é um acerto. Mas o olhar que dirige a Katherine é condescendente.

Quando ela elimina suas primeiras vítimas, a câmera privilegia a frontalidade, o rosto da jovem e suas emoções. Mas, quando ataca inocentes, a câmera observa tudo de longe, com Katherine de costas, como se recusasse a ver a indiferença desta.

quinta-feira, maio 31, 2018

Livreto da Ocupação Antonio Candido - Itaú Cultural



Distribuído como catálogo da exposição, o livreto da Ocupação Antonio Candido é uma beleza. Capa e papel especial, uma diagramação especial e muito bem cuidada. Um livro, um luxo. Traz uma síntese biográfica, muitos manuscritos, fotos do arquivo pessoal ensaios (sobre a origem do romance e sobre a técnica de análise), além de artigos de jornais com resenhas críticas sobre "novíssimos" que ele descobriu: um deles, é apenas a Clarice Lispector (de Perto do coração selvagem) e o outro João Cabral de Melo Neto (resenha de Pedra do sono). 


Dá para baixar em PDF no site do ITAU CULTURAL. Link aqui

E est

Prestação de conta da Faperj

Ontem, estava no shopping Paulista com Mauro, e vi o email tão aguardado.



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quarta-feira, maio 30, 2018

Carta de Mestre João, sobre descoberta do Brasil



Trecho original da pouco lembrada Carta de Mestre João. Ele, que fazia parte da esquadra de Cabral, enviou-a ao rei D. Manuel, informando a posição exata de uma tal "Ilha de Vera Cruz", em 1/05/1500.



Señor

O bacharel mestre Johan fisico e cirurgyano de Vosa Alteza beso vosas reales manos. Señor porque de todo lo aca pasado largamente escrivieron a vosa alteza asy arias correa como todos los otros solamente escrevire dos puntos senor ayer segunda feria que fueron 27 de abril descendimos em terra yo e el, pyloto do capitan moor e el pyloto de Sancho de touar e tomamos el altura del sol al medyodya e fallamos 56 grados e la sonbra era septentrional por lo qual segund las reglas del estrolabio jusgamos ser afastados de la equinocial por 17 grados, e por consyguiente tener el altura del polo antarctico en 17 grados, segund que es magnifiesto en el espera e esto es quanto alo uno, por lo qual sabra vosa alteza que todos los pylotos van adiante de mi en tanto que pero escolar va adiante 150 leguas e otros mas e otros menos: pero quien disse la verdad non se puede certyficar fasta que en boa ora allegemos al cabo de boa esperança e ally sabremos quien va mas cierto ellos con la carta e con el estrolabio: quanto Señor al sytyo desta terra mande vosa alteza traer un mapamundy que tyene pero vaaz bisagudo e por ay podrra ver vosa alteza el sytyo desta terra, en pero aquel mapamundy non certyfica esta terra ser habytada, o no: es napamundi antiguo e ally fallara vosa alteza escrita tan byen la mina: ayer casy entendimos per aseños que esta era ysla e que eran quatro e que de otra ysla vyenen aqui almadias a pelear con ellos e los lleuan catiuos: quanto Señor al otro puncto sabra vosa alteza que cerca de las estrellas yo he trabajado algo de lo que he podido pero non mucho a cabsa de una pyerna que tengo mui mala que de una cosadura se me ha fecho una chaga mayor que la palma de la mano, e tan byen a cabsa de este navio ser mucho pequeno e mui cargado que non ay lugar pera cosa ninguna solamente mando a vosa alteza como estan situadas las estrellas del, pero en que grado esta cada una non lo he podido saber, antes me paresce ser impossible en la mar tomarse altura de ninguna estrella porque yo trabaje mucho en eso e por poco que el navio enbalance se yerran quatro o cinco grados de guisa que se non puede fazer synon en terra, e otro tanto casy digo de las tablas de la India que se non pueden tomar con ellas sy non con mui mucho trabajo, que si vosa alteza supiese como desconcertavan todos en las pulgadas reyrya dello mas que del estrolabio porque desde lisboa ate as canarias unos de otros desconcertavan en muchas pulgadas que unos desian mas que otros tres e quatro pulgadas, e otro tanto desde las canarias ate as yslas de cabo verde, e esto rresguardando todos que el tomar fuese a una misma ora, de guisa que mas jusgauan quantas pulgadas eran por la quantydad del camino que les paresçia que avyan andado que non el camino por las pulgadas: tornando Señor al proposito estas guardas nunca se esconden antes syenpre andan en derredor sobre el orizonte, e aun esto dudoso que non se qual de aquellas dos mas baxas sea el polo antartyco, e estas estrellas principalmente las de la crus son grandes casy como las del carro, e la estrella del polo antartyco, o sul es pequena como la del norte e muy clara, e la estrella que esta en riba de toda la crus es mucho pequena: non quiero mas alargar por non ynportunar a vosa alteza, saluo que quedo rogando a noso Señor ihesu christo la la vyda e estado de vosa alteza acresciente como vosa alteza desea. Fecha en uera crus a primero de maio de 500. pera la mar mejor es regyrse por el altura del sol que non por ninguna estrella e mejor con estrolabio que non con quadrante nin con otro ningud estrumento. do criado de vosa alteza e voso leal servidor.

Johannes

artium el medicine bachalarius.

Sobrescrito: A el Rey nosso senor




Senhor:

O bacharel mestre João, físico e cirurgião de Vossa Alteza, beijo vossas reais mãos. Senhor: porque, de tudo o cá passado, largamente escreveram a Vossa Alteza, assim Aires Correia como todos os outros, somente escreverei sobre dois pontos. Senhor: ontem, segunda-feira, que foram 27 de abril, descemos em terra, eu e o piloto do capitão-mor e o piloto de Sancho de Tovar; tomamos a altura do sol ao meio-dia e achamos 56 graus, e a sombra era setentrional, pelo que, segundo as regras do astrolábio, julgamos estar afastados da equinocial por 17°, e ter por conseguinte a altura do pólo antártico em 17°, segundo é manifesto na esfera. E isto é quanto a um dos pontos, pelo que saberá Vossa Alteza que todos os pilotos vão tanto adiante de mim, que Pero Escolar vai adiante 150 léguas, e outros mais, e outros menos, mas quem diz a verdade não se pode certificar até que em boa hora cheguemos ao cabo de Boa Esperança e ali saberemos quem vai mais certo, se eles com a carta, ou eu com a carta e o astrolábio. Quanto, Senhor, ao sítio desta terra, mande Vossa Alteza trazer um mapa-múndi que tem Pero Vaz Bisagudo e por aí poderá ver Vossa Alteza o sítio desta terra; mas aquele mapa-múndi não certifica se esta terra é habitada ou não; é mapa dos antigos e ali achará Vossa Alteza escrita também a Mina. Ontem quase entendemos por acenos que esta era ilha, e que eram quatro, e que doutra ilha vêm aqui almadias a pelejar com eles e os levam cativos. Quanto, Senhor, ao outro ponto, saberá Vossa Alteza que, acerca das estrelas, eu tenho trabalhado o que tenho podido, mas não muito, por causa de uma perna que tenho muito mal, que de uma coçadura se me fez uma chaga maior que a palma da mão; e também por causa de este navio ser muito pequeno e estar muito carregado, que não há lugar para coisa nenhuma. Somente mando a Vossa Alteza como estão situadas as estrelas do (sul), mas em que grau está cada uma não o pude saber, antes me parece ser impossível, no mar, tomar-se altura de nenhuma estrela, porque eu trabalhei muito nisso e, por pouco que o navio balance, se erram quatro ou cinco graus, de modo que se não pode fazer, senão em terra. E quase outro tanto digo das tábuas da Índia, que se não podem tomar com elas senão com muitíssimo trabalho, que, se Vossa Alteza soubesse como desconcertavam todos nas polegadas, riria disto mais que do astrolábio; porque desde Lisboa até às Canárias desconcertavam uns dos outros em muitas polegadas, que uns diziam, mais que outros, três e quatro polegadas, e outro tanto desde as Canárias até às ilhas de Cabo Verde, e isto, tendo todos cuidados que o tomar fosse a uma mesma hora; de modo que mais julgavam quantas polegadas eram, pela quantidade do caminho que lhes parecia terem andado, que não o caminho pelas polegadas. Tornando, Senhor, ao propósito, estas Guardas nunca se escondem, antes sempre andam ao derredor sobre o horizonte, e ainda estou em dúvida que não sei qual de aquelas duas mais baixas seja o pólo antártico; e estas estrelas, principalmente as da Cruz, são grandes quase como as do Carro; e a estrela do pólo antártico, ou Sul, é pequena como a da Norte e muito clara, e a estrela que está em cima de toda a Cruz é muito pequena. Não quero alargar mais, para não importunar a Vossa Alteza, salvo que fico rogando a Nosso Senhor Jesus Cristo que a vida e estado de Vossa Alteza acrescente como Vossa Alteza deseja. Feita em Vera Cruz no primeiro de maio de 1500. Para o mar, melhor é dirigir-se pela altura do sol, que não por nenhuma estrela; e melhor com astrolábio, que não com quadrante nem com outro nenhum instrumento. Do criado de Vossa Alteza e vosso leal servidor.

Johannes

artium et medicine bachalarius

terça-feira, maio 29, 2018

A livraria, de Isabel Coixet


A história se passa na Inglaterra dos anos 50 e gira em torno de uma viúva que decide reconstruir sua vida e, para isso, resolve abrir uma livraria. Enfrenta contudo a oposição de Violet Gamart, rica aristocrata que pretendia que a casa comprada se tornasse um centro de artes, articulando a partir daí tudo e todos para destruir a pequena livraria da viúva Florence Green.

Esperava bastante deste filme de Isabel Coixet, pois a diretora sabe criar filmes emocionais com um olhar para sociedade, mas este filme é uma decepção absoluta. O tom aristocrático, os diálogos duros, o andamento lento, e o fracasso da personagem protagonista com todas as vilanias só piora o filme, que tenta terminar com um aceno de esperança. Não, não vale. 


segunda-feira, maio 28, 2018

Novos ebooks da Amazon







Não tenho vida suficiente para tantas leituras que gostaria de fazer, então, vou zapeando os livros.

Uma foto antiga do Mauro que eu acho bem bonita


Museu de Arte Sacra de São Paulo